1.2. HÜKÜMET SİSTEMİ VE BAŞLICA TÜRLERİ
1.2.2. Kuvvetlerin Ayrılığına Dayalı Hükümet Sistemleri
1.2.2.3. Kuvvetlerin Yumuşak Biçimde Ayrıldığı Parlamenter Sistem
1.2.2.3.2. Parlamenter Sistemin Üstün ve Zayıf Tarafları
87 Enfim, pretendíamos entender os motivos de transporte de certos vestígios, enquanto os demais pareciam estar in situ.
Em campo, o primeiro passo foi uma limpeza da camada de serrapilheira superficial (foto 4) e a localização com bandeirinhas dos cacos restantes em superfície. Em seguida, recuperamos as marcações da topografia de 2003. Escavamos uma superfície ampla na área de concentração superficial, denominada de Quadrado dos potes, procurando expor em nível natural a posição dos fragmentos. Realizamos também, a oeste desta área, três sondagens de 1m2 cada, uma no abrigo norte, outra, no abrigo sul e uma entre as duas para verificar se haveria outras concentrações de vestígios (para localização exata da área escavada ver capítulo 4). Ao todo escavamos 33m2, entre superfície ampla e sondagens.
Subdividimos o Quadrado dos potes, com 100m2, em 25 quadras de 4m2, como demonstra a figura 1 na página seguinte, uma projeção da malha de subquadrículas criadas pela equipe do MHNJB-UFMG sobreposta à planta baixa produzida pela equipe do LEEH-IB da USP. Através de análises preliminares em laboratório, tinhamos noção da distribuição do material dentro do quadrado artificialmente delimitado, desta forma optamos por escavar primeiramente as regiões periféricas (quadras G8, metade da G7, K8, J11), em seguida as centrais (H10, I8, I9, I10).
Graças aos trabalhos de laboratório, percebemos, de fato, que se tratava de um único episódio de ocupação. Assim, não havia razão de se procurar uma estratigrafia com valor cronológico. As retiradas do material foram realizadas de modo arbitrário, em função da densidade dos vestígios, ou seja, quando uma superfície estava totalmente exposta e não tinha como mais ser escavada devido às concentrações de materiais, retirávamos o material.
Realizamos plantas baixas dos vestígios em escala de 1:10 e fotos de cada retirada de material em todas quadras. A profundidade de ocorrência de vestígios variou de um local para outro dentro do Quadrado dos potes, enquanto na parte central desta área os vestígios apareceram até os 20cm, em partes periféricas da região a profundidade não ultrapassou os 10cm. As cotas de profundidade de cada retirada foram estabelecidas com o auxílio da estação total.
88 Figura 20 - Mapa de dispersão dos cacos coletados em superfície dentro e fora do denominado Quadrado dos Potes, em 2003. Sobreposto a ele, a malha de quadrículas definidas por sistema alfanumérico realizada pelo Setor de Arqueologia do MHN-UFMG. Digitalização e Montagem: Igor Rodrigues e Raquel Gabriel
89 Cada peça recebeu um numero geral da quadra bem como um número individual, de modo a facilitar, junto ao desenho, a remontagem dos fragmentos, não só desta etapa de campo como os que estavam no laboratório à espera de seus pares, como aguardado.
De modo geral, percebemos que as partes superiores dos potes foram coletadas em 2003, ao passo que as partes inferiores dos potes foram encontradas com a escavação em 2010, corroborando com a idéia de única ocupação. Pela diferença de profundidade do material da área central do Quadrado para as partes periféricas, a idéia de que os potes tinham quebrado no lugar ficou mais clara, pois os vestígios da região periférica remontaram com os que estavam na parte central, indicando um deslocamento de cacos da parte central para periférica.
Com estação total, estabelecemos curvas de níveis que foram amarradas aos pontos gerados pela etapa de campo de 2003. Assim, criamos um modelado do terreno em 3D (ver capítulo 4) para facilitar a análise do transporte de materiais e sedimentação dos vestígios.
3.2. Etapas laboratoriais
Os vestígios cerâmicos e líticos foram lavados e marcados. Para não mascarar alguns vestígios de utilização, realizamos uma lavagem cuidadosa apenas com água e leve pressão nos dedos, sem uso de escova ou qualquer outro instrumento, para preservar os vestígios que poderiam estar ainda aderidos à superfície dos fragmentos (Carvalho, 2009). Este procedimento foi feito com o material advindo da escavação, pois quando pegamos o material proveniente da coleta realizada em 2003 ele já estava devidamente lavado e marcado.
Retiramos os vestígios dos sacos plásticos respeitando a ordem relacionada à proximidade na qual tinham sido encontrados, a facilitar a remontagem do material. A seguir apresentamos os passos dados para a interpretação dos vestígios, cerâmicos e líticos, tanto em seus aspectos tecnológicos como para relacioná-los no espaço intra-sítio.
90 3.2.1. Vestígios cerâmicos
Nosso estudo privilegia os potes e não os fragmentos, embora isto não descarte a necessidade de análise destes. O conjunto de peças provenientes das duas etapas de campo ao todo é constituído por 3682 fragmentos (com 2917 cacos encontrados na coleta de superfície e 765 encontrados na escavação). Utilizamos para o estudo os cacos recuperados na coleta de superfície, pois não tivemos tempo hábil para analisar tudo. Contudo, durante as etapas finais deste trabalho alguns fragmentos da escavação foram utilizados de modo qualitativo quando remontaram com os potes já definidos, ou quando puderam informar- nos sobre outros vasilhames.
Selecionamos para tratamento estatístico 1795 cacos que apresentavam as seguintes características: um tamanho superior a 5cm em caso fragmentos espessos (>10mm), ou superior a 3cm em caso de fragmentos finos (<10mm). Esta diferenciação foi feita levando- se em conta que cacos espessos são de potes grandes e cacos finos de potes pequenos. Se tivéssemos adotado somente o tamanho de 5cm, por exemplo, estaríamos prejudicando a análise de fragmentos de potes pequenos. Caso adotássemos somente o tamanho de 3cm, aumentaríamos a quantidade de cacos de potes, sem trazer informações relevantes, além do fato de atrasar o estudo.
Ao analisar meticulosamente um caco, conseguimos enxergar coincidências com outros cacos tais como marcas de utilização, quebras, modificações tafonomicas, entre outras, que foram cruciais para as remontagens dos potes. Isso colaborou também para pensarmos nos aspectos de dispersão dos cacos de um mesmo pote no sítio que, por sua vez, ajudou na interpretação da dos processos pós-deposicionais.
Valendo-nos de idéia de que os atributos que o arqueólogo escolhe para sua pesquisa são relativos aos seus problemas específicos, fizemos uma tipologia, porém, sem esta ser entendida em seu sentido essencialista (que consideraria os tipos como verdades canonizadas) (Chilton, , e si o o u conjunto ordenado de tipos aos quais se eduze os o jetos a se e lassifi ados P ous, / : 2). Uma espécie de ferramenta construída pelo arqueólogo adequada a sua problemática (Prous, 1986/90; 1999; 2004). Elaborar uma tipologia deve ser um ponto de partida para um estudo de cultura material.
91 Atributos relacionados à localização, à técnica de confecção e ao estado de conservação foram utilizados para analisar os fragmentos, guardando os relacionados à morfologia e utilização para análise de potes. A análise dos potes será apresentada mais adiante.
Para os fragmentos elaboramos a seguinte ficha descritiva: I- Número da peça
II- Ordem de retirada: 1-primeira; 2-segunda; 3-terceira; 4-quarta
III- Classe de fragmento: 1-lábio; 2-borda; 3-bojo; 4-inflexão; 5-base; 6-outro; 99- desconhecido; 100-não se aplica (adaptado de Chymz, 1966)
IV- Morfologia do lábio (adaptado de Chymz, 1966): 1-plano; 2-arredondado; 3- apontado; 4-biselado; 99-desconhecido; 100-não se aplica
V- Morfologia da borda (adaptado de Chymz, 1966): 1-direta; 2-extrovertida; 3- introvertida; 4-reforçada internamente; 5-reforçada externamente; 6-cambada; 99-desconhecido; 100-não se aplica
VI- Morfologia da base (adaptado de Chymz, 1976): 1-Plana; 2-Côncava; 3-Plana- côncava; 4-Convexa-arredondada; 5-Cônica; 99-desconhecido; 100-não de aplica VII- Espessura média do fragmento em mm
VIII- Antiplástico: 1-quartzo <3mm; 2-quartzo >3mm; 3-hematita chumbinho; 4- hematita alterada; 5-caco-moído <3mm; 6-caco-moído >3mm; 7-cariapé; 8- calcário; 9-argila vermelha não queimada; 10-feldspato; 11-mica; 12-matéria orgânica; 13-cauixi; 99-desconhecido
IX- Porcentagem de antiplástico, com base, adaptada aos meus materiais43, no seguinte esquema de Orton, Tyers & Vince (1997:238):
43 A opção por realizar este esquema adaptado foi a de criar categorias mais fiéis aos materiais que dispunha,
visto que o esquema original, com uma coluna a mais baseada na diferenciação de tamanho de antiplásticos, só aumentaria a variabilidade das porcentagens, sem gerar dados relevantes, pois quando pensada num mesmo pote, logicamente por ser um fruto de trabalho artesanal, variações sempre ocorrem.
92 Figura 21 - Determinação da porcentagem de antiplástico
X- Técnica de manufatura: 1-roletado; 2-modelado; 3-moldado; 99- desconhecido; XI- Queima, com base em Rye (1981):
Figura 22 - Referência para análise da queima
XII- Cor da Parte Oxidada: 1- laranja claro; 2- branca; 3-marrom
XIII- Tratamento de superfície, na face interna e externa: 1-alisado fino; 2-médio; 3-grosso; 4-alisado com estrias fino; 5-médio; 6-grosso; 7-alisado com facetas; 8- brunidura; 9-polido; 99-desconhecido
93 XIV- Vestígio de produção e gestos: 1- impressão de cestaria; 2-impressão de folha; 3-impressão de dedo; 4-sobreposição de estrias; 5-sobreposição de facetas de alisamento; 6-outro; 99-desconhecido; 100-não de aplica
XV- Tipo de decoração plástica, na face interna e externa: 1-incisa; 2-ungulada; 3- corrugada; 99-desconhecido; 100-não se aplica
XVI- Conservação da decoração: 1-bem visível; 2-erodido; 3-vestigial; 99- desconhecido; 100-não se aplica.
XVII- Tipo de decoração pintada, na face interna e externa: 1-engobo branco; 2- engobo vermelho; 3-faixa vermelha; 4- outro; 100-não se aplica
XV- Conservação da pintura: 1-bem visível; 2-vestigial; 3-negativo de tinta; 100-não se aplica
XVI- Estado de conservação do fragmento, na face interna e externa: 1-erodido; 2- trincado (craquelê); 3-musgo; 4-crosta sedimentar argilosa; 5-quebra recente (comparar pátinas); 6-radículas/raízes; 7-Fungos; 8-sem face interna ou externa; 9- deposição de calcita;
Durante esta análise ficamos cientes de que algumas informações pensadas através só de cacos podem apresentar alguns problemas. Por exemplo: um caco apresentava alisamento grosso na face externa e sua pasta continha caco-moído e matéria orgânica. Outro apresentava alisamento fino na face externa e sua pasta continha quartzo, cauixi, caco-moído e matéria orgânica. Após algumas remontagens percebíamos finalmente que estes dois fragmentos com atributos antagônicos faziam parte de um mesmo pote. A tafonomia pode modificar alguns aspectos de um fragmento: o caco áspero depois de remontado mostrou estar mais erodido e teria tido um alisamento fino e não grosseiro.
Outro exemplo diz respeito à presença/ausência de decoração, pois alguns fragmentos de um mesmo pote não apresentavam engobo, ao passo que outros que remontaram com eles apresentavam. Uma reflexão surgiu em relação à forma de fragmentação dos asilha es: e o t a os dois destes de g a des di e s es o u tipo de pasta B , e seis recipientes me o es o pasta C . No esultado estatísti o apítulo o ase a ua tifi aç o de a os a pasta B apa e e ais ep ese tada e elaç o ao tipo C . No entanto, quando se olha a representação destes tipos de pastas em potes, a pasta B está
94 menos rep ese tada. O ta a ho a a tajado dos potes o pasta B , da es a fo a ue a menor resistência de sua pasta acabou por gerar mais cacos em relação aos menores recipientes.
Não obstante, as perguntas dependem do que o material pode lhe oferecer, assim sendo, as ponderações expostas de forma alguma pretendem desmerecer estudos estatísticos. Graças a um cruzamento estatístico pudemos vislumbrar o estado de conservação dos cacos, bem como obtivemos auxilio na definição dos tipos de pastas utilizadas.
3.2.1.1. As pastas
Com a utilização dos conceitos de cadeia operatória e cadeia comportamental (ver capítulo 2), o reconhecimento das ações executadas para a preparação de uma pasta argilosa que será transformada em cerâmica é fundamental.
A nossa análise utiliza quatro técnicas: identificação dos elementos não-plásticos constituintes da pasta, bem como quantidade granulometria deles; difratometria de raios X (DFRX), que utiliza o espalhamento coerente da radiação X pelas estruturas cristalinas, permitindo a determinação de tais estruturas (Neto, 2003); microscopia eletrônica de varredura (MEV), que ao invés de luz utiliza elétrons (Gonçalves, 2003); utilização das cores da parte oxidada de um fragmento (Machado, 2005-2006).
A primeira técnica assemelha-se a uma análise petrográfica, clássica dos geólogos, já que podemos pensar a cerâmica como uma rocha metamórfica (Shepard, 1985 [1956]; Stoltman, 1991; Middleton, 1997). Digo que se assemelha porque não fizemos de fato uma análise petrográfica, uma vez que esta requer a preparação de um corte fino de uma fatia coerente removida de um fragmento. A fatia deve ser planamente polida e montada num slide de vidro, um preparo que serve para facilitar o exame num microscópio eletrônico (Middleton, op.cit.: 74).
95 Como não dispúnhamos de um
microscópio eletrônico no Setor de Arqueologia do MHNJB-UFMG para a averiguação dos elementos em cada caco, a saída foi realizar uma pequena quebra em cada fragmento44 para dispor de uma superfície limpa que pudesse ser observada. Usamos uma lupa binocular Opton com aumento de até 40x, recorrendo também a
Foto 5: Exemplo de registro fotográfico para análise