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1.2. HÜKÜMET SİSTEMİ VE BAŞLICA TÜRLERİ

2.1.2. Birinci Meşrutiyet Dönemi Hükümet Sistemi ve Uygulamaları

esquerda estava em local de erosão intensa, já o da direita estava enterrado, o que preservou em parte suas características. Escala de 5cm. Autor: Igor Rodrigues

lização (no final do mês de junho deste ano).

Somado ao problema de semelhança entre cacos, a descoberta de que cacos aparentemente tão diferentes com relação aos aspectos de superfície remontavam entre si, dificultou mais ainda o trabalho (Foto 6).

Com o andar das análises de pasta entre outros atributos, a remontagem ficou mais fácil, pois, através das quebras recentes, fragmentos de mesma pasta, alterações de superfície ou marcas de uso semelhantes, espessura, parte do pote e formato da quebra de um caco (se arredondada, transversal, no rolete ou perpendicular a este), os corpos cerâmicos paulatinamente foram (re)adquirindo sua forma, infortunadamente não de maneira completa. Em anexo no final desta dissertação o leitor encontrará um catálogo com a descrição detalhada da marcas de uso e localização no sítio de cada pote.

Para compreender o contexto arqueológico levamos em conta as três formas de descarte propostas por M. Schiffer (1972: 161-3): refugo primário (fruto do descarte no local do uso do objeto); refugo secundário (transportado e depositado num local diverso do abandono); refugo de fato (fruto do abandono imediato de um sítio).

50 O processo de remontagem iniciou-se junto à primeira triagem do material, continuando

concomitantemente às análises de cacos e de potes. Ele sempre esteve presente até o encerramento das atividades. Muitas vezes, cacos que estavam na mesa um ao lado de outro só foram remontados bem depois, após a descoberta de uma peça-chave, ou tiveram que esperar os fragmentos advindos da escavação, um ano e meio depois.

106 3.2.2. Vestígios líticos

A análise desta categoria de vestígio é fundamental para encorpar as informações da ocupação do sítio vereda III, tanto para o estudo tecnológico, como para o de distribuição espacial e relação com os demais vestígios. Ao todo, dispomos de 78 peças, com 74 correspondendo ao material lascado, 3 ao material bruto e 1 peça polida. Enquanto o material cerâmico parece ser muito abundante (porque fragmentou muito), ele não comporta mais do que 24 potes. Assim, os vestígios líticos, embora mais discretos, comportam um número pelo menos equivalente de possíveis instrumentos.

Diferentemente dos vestígios cerâmicos, indiscutivelmente frutos de uma ação humana, trabalhar com o material lítico requer um primeiro passo não tão simples: discriminar o que foi gerado pela ação antrópica do que pode ter sido feito acidentalmente pela natureza. Neste tópico apresentaremos os passos dados para a análise do lítico lascado, bruto e polido.

3.2.2.1. O material lascado

Visto a quantidade diminuta de material (74 peças lascadas) ao invés de elaborar uma ficha extensa de análise de atributos decidimos realizar uma descrição de cada peça. Este trabalho foi realizado conjuntamente por Luis Felipe Bassi, mestrando do PPGAN- UFMG, com experiência prática de análise em lítico lascado, e por mim, com conhecimento teórico advindo de aulas do Profº. André Prous.

Apoiamo-nos no guia de Prous (2004). Primeiramente identificamos as matérias primas utilizadas, a seguir diferenciamos os tipos de formação das lascas: por percussão unipolar; bipolar; por termoclastia. Observamos a morfologia e medimos as dimensões (Comprimento x Largura x Espessura). Para identificar os produtos unipolares, verificamos a existência de talão, bulbo, ondas, lancetas, as características das faces internas e externas. Realizamos a análise diacrítica das cicatrizes de debitagem e de retoque.

Para os produtos de debitagem bipolar (ou sobre bigorna), identificamos os estigmas deixados por este tipo de percussão de acordo com o estudo experimental realizado por Prous e Lima (1986/90): ausência de talão, substituído por uma linha (ou um cone) de esmagamento; a impossibilidade de se diferenciar faces interna e externa, a não ser quando

107 há a presença de facetas corticais. De a o do o os auto es: De u a a ei a ge al, o melhor critério de diferenciação de produtos uni e bipolares é o talão esmagado, tipi a e te ipola ... I id: .

Para reconhecer os lascamentos térmicos a seguinte passagem mostra com clareza os indícios que nos guiaram:

Os si ais de uei a s o de i terpretação freqüentemente delicada: oxidação da superfície, que se torna vermelha quando a rocha é rica em elementos ferrosos; rachamentos, lascamentos (morfologicamente distintos do lascamento provocado pela percussão já que não mostram nem talão nem bulbo e aparecem no meio das faces), aquisição de um brilho interno de aparência oleosa, etc., sendo que cada tipo de pedra reage de maneira específica. O quartzo cristalino, por exemplo, se desfaz em pequenos poliedros que lembram cacos de vidro de carro; as lascas térmicas de sílex ou de quartzito que se destacam da face de uma lasca ou de um bloco são ovaladas, mas espessas no centro que na periferia. As las as t i as ue sae de u a ui a t u a fo a est elada. (Prous,

1986/90: 16)

Todo o material lascado foi basicamente extraído de monocristais de quartzo hialinos (prismas de seis lados com um ápice piramidal). Esta afirmação está fundamentada na única forma de córtex identificada: facetas de cristal. Com base no manual de mineralogia de Dana

Figura 25: Esquema de recorrência de ângulos entre facetas. Imagem extraída e adaptada de Prous (2004: 88)

(1975), aplicado aos materiais arqueológicos por Bassi (2011), sabemos que o monocristal de quartzo apresenta ângulos recorrentes entre facetas adjacentes: 120o entre facetas do corpo; 145o entre facetas do corpo e ápice; 135o entre facetas do ápice (Figura 25).

Isto nos orientou para identificar a localização da lasca no suporte original, bem como possibilitou avaliar o tamanho dos cristais utilizados. Este procedimento contri- buiu sobremaneira para a análise tecnológica, a compreender as seqüências de retiradas de lascas de um cristal. Mesmo se tratando de uma coleção muito pequena, os vestígios de que dispomos apresentam uma amostra muito didática.

108 Para diagnosticar a função destes objetos teria sido necessária uma análise traceológica, que não foi possível realizar para esta dissertação. Uma vez que os vestígios líticos, em sua grande parte, são provenientes das escavações sistemáticas, a análise espacial dos mesmos, articulada com a da cerâmica, permitiu levantar algumas hipóteses. Obviamente, tivemos o cuidado de levar em conta as possibilidades de transporte deste material.

3.2.2.2. O material bruto

Mesmo não tendo sido modificadas intencionalmente alguns objetos como seixos de quartzito e blocos de calcário podem ter sido utilizados pelos ocupantes do sítio Vereda III. Os seixos ao menos foram levados para lá. Assim sendo, registramos as modificações de superfície das pedras utilizadas brutas, tais como picoteamento de uso, fraturas, formação de estrias, concavidades e depressões, rasas ou profundas (Prous, 2004).

3.2.2.3. O material polido

A única peça polida foi estudada por Gustavo Neves de Souza (colaborador do Setor de Arqueologia do MHN/JB-UFMG). Após a identificação da matéria prima verificou-se às técnicas empregadas (lascamento; picoteamento; polimento), a morfologia, as dimensões (Comprimento x Largura x Espessura), peso e marcas de encabamento. A análise das diferentes etapas de modificação da pedra foi feita com a observação das diferentes pátinas presentes na peça (Souza, 2008). Com relação às marcas de utilização, até o momento não é possível discriminar as estrias causadas pela produção do objeto das estrias decorrentes da utilização(Ibid).

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4. O sítio Vereda III

Na primeira parte deste capítulo apresentaremos o ambiente de inserção geográfica do sítio. Na segunda parte descreveremos as principais características do sítio.

4.1. Ambiente

O sítio Vereda III está localizado na porção noroeste APA Carste de Lagoa Santa no município de Prudente de Moraes–MG, centro mineiro (Figura 26

Figura 26). Especificamente, ele está situado em meio ao maciço Verda a 700m de altitude aproximadamente e 40m de altura do nível do córrego que corre a leste (Figuras 27 e 28)

A região é dominada por afloramentos calcários do grupo Bambuí, formação Sete Lagoas, membro Lagoa Santa. O calcário local é constituído dominantemente por calcarenitos, com intercalações de calcissilitos, espatito/microespatito, brecha, estromatólitos e milonitos protoderivados (Viana et al., 1998).

A APA como um todo faz parte da bacia do rio das Velhas, integrante da bacia do rio São Francisco. A porção NW em que o sítio está situado é muito carstificada e praticamente não apresenta escoamento superficial (Figura 26). Porém, apresenta surgências, nascentes, sumidouros e grutas que alimentam um sistema complexo de fluxo subterrâneo (Herrmann et al., 1998). No lado leste do maciço Vereda, se desenvolve o curso superior do córrego Gordura, que corre superficialmente até desembocar no rio das Velhas, fora da APA.

O córrego está a 600m de distância do sítio em linha reta, sentido leste, no entanto para se chegar a ele, pelo atual caminho, o total a se percorrer é uma distância de 750m. Este caminho atual conta com um aterro que sem dúvida não existia no passado. Assim, para se chegar ao córrego a partir do sítio o caminho devia ser muito mais complicado, exigindo uma descida que totalizava 30m, a percorrer caminhos muito difíceis de serem transpostos, devido a abismos.

110 Figura 26 Localização do sítio Verda III na APA carste Lagoa Santa

111 Figura 27 Localização do sítio no maciço. Autor: Wagner Marin

Figura 28 Posicionamento do Vereda III no maciço. Autor: Wagner Marin

Pelas características cársticas da região uma série de lagoas se fazem presentes na APA (Ibid). A 80m a norte do sítio, 30m abaixo, há uma pequena delas (16X30m). Entretanto para se chegar nela precisa andar 340 metros em razão do terreno acidentado. A

Lagoa

Córrego

Córrego

112 ressurgência da Gordura (518x86m) dista aproximadamente 1km sentido norte do sítio. A 5Km em sentido noroeste do sítio se encontra a lagoa Bororó (636x222m) numa distância. Duas lagoas ocorrem a leste do sítio, respectivamente denominadas de Grande (1000x460m) e Pequena (348x220), distando 4,5Km e 6Km. Assim, observa-se que os pontos de água mais próximos do sítio é o córrego Gordura e a lagoa a 80m a norte do sítio, ambos não tão fáceis de serem acessados devido à localização do sítio.

Ao redor do maciço Vereda, o terreno é classificado como área de afloramentos, com partes montanhosas, intercalados por terrenos ondulados e suavemente ondulados (Cabral, 1998), estes dois tipos ocorrendo, sobretudo, em direção ao Rio das Velhas51. Em caso de instalação de uma grande aldeia Aratu-Sapucaí, de acordo com que encontramos descrito na bibliografia (Capítulo 1), o terreno que mais se adéqua às exigências desses grupos seria os suavemente ondulados, ou seja, os que se encontram mais distante da localização do sítio Vereda III, pois os terrenos mais próximos do sítio são montanhosos, com afloramentos ao redor, contendo inúmeras depressões cársticas. Cabe ressaltar que no terreno suavemente ondulado existe um sítio Aratu-Sapucaí denominado Riacho Dantas, próximo das supramencionadas lagoas Grande e Pequena (Figura 26, sítio nº86).

O bioma dominante na região é o Cerrado em zona limítrofe com a Mata Atlântica, o clima é o tropical subquente e semi-úmido com inverno seco e verão chuvoso (Herrmann et al., op.cit.). A vegetação predominante no maciço Vereda e a oeste deste é a Floresta Estacional Semidecídua, também designada por Mata Mesófila, caracterizada por perda de 20 a 50% das folhas em tempos de estiagem. A área que envolve o sul e leste do maciço é atualmente coberta por pasto. Especificamente nos afloramentos rochosos as espécies vegetais são adaptadas às condições de pouca água, tais como Aspidosperma ssp. (perobas),

Cedrela cf. odorata (cedro), Tabebuia ssp. paud a o , Myracrodruron urundeuva (aroeira), Ficus sp. (gameleira), Pseudobombax sp. (embiruçu), entre outras, fornecedoras de recursos

alimentares para a fauna, no geral, 61% da vegetação nesses locais são frutíferas (Ibid). Com respeito à fauna, muitas espécies detectadas por naturalistas no século XIX não foram identificadas no estudo realizado no século passado devido à intensa fragmentação e degradação ambiental (Ibid). Todavia, atualmente, encontram-se a cascavél (Crotalus

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durissus), coral-verdadeira (Micrurus frontalis), jararaca-de-rabo-branco (Bothrops neuwiedi), entre outras 13 espécies de serpente. No tocante a avifauna, ocorre atualmente

na região um total de 216 espécies dentre bem-te-vi, papa-moscas (da família Tyrannidae), joão-de-barro e arapaçus (família Furnariidae), garças, papagaios, pica-paus (família

Thamnophilidae), entre outras. Foram identificadas 42 espécies da mastofauna tais como

bugio (Alouatta fusca), macaco-prego (Cebus apella), tatu (Dasypus sp.), diversos morcegos (família Chiroptera), onça-parda, onça-pintada, cachorro-do-mato e raposinha (todos da família Carnivora), porco-do-mato (Tayassu sp.), veado (Mazama sp.), paca (Agouti paca) entre outros. (Ibid).

Esta descrição foi feita com base em estudos realizados no século XX, em um contexto bem diverso ao que os ocupantes do sítio Vereda III presenciaram. Mesmo assim, é de se pensar que em épocas pré-cabralinas havia uma cobertura vegetal maior, ao invés de pastos. Isto, por sua vez, comportaria uma diversidade maior de animais. Assim, podemos pensar que os grupos indígenas disporiam de coleta frutos, vegetais, bem como de caça: veados, tatus, porcos-do-mato, pacas, cobras, macacos. Nada foi mencionado no estudo de fauna sobre anta, contudo, cremos que ela devia existir preteritamente, sendo também alvo de caça.

Para pesca, na obra sobre o meio biótico da APA por nós consultada, não encontramos nada sobre a ictiofauna. Sabemos que atualmente moradores da região pescam na pequena lagoa a 80m norte do sítio, bem como na ressurgência da Gordura. Porém, até o momento, não sabemos se os peixes pescados são nativos ou foram introduzidos na região. Se a pesca foi uma necessidade do grupo indígena, em todo caso, o grupo poderia se deslocar até o Rio das Velhas, distando aproximadamente 8km do sítio Vereda III.

Com relação a locais para a horticultura, é mais provável que as roças se localizassem nos terrenos suavemente ondulados, um pouco distantes do lugar em que o Sítio Vereda III se encontra, pois perto do sítio o solo não é profundo, visto a grande quantidade de afloramentos rochosos nesta parte da APA. O que apresentamos aqui são apenas reflexões sobre o que o meio ambiente poderia proporcionar para os ocupantes do sítio em questão, uma vez que não encontramos nele nenhum macro vestígio sequer de fauna e vegetais.

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4.2.

O sítio, sua formação e contexto arqueológico exumado

Ocupando uma ampla reentrância em meio ao maciço Vereda, o espaço do sítio é uma zona aberta que mede aproximadamente 70m de comprimento, leste-oeste, com trechos entre 10 e até 30 metros de largura, em sentido norte-sul. Há quatro pequenas partes abrigadas flanqueando o local: uma no setor oeste (extremidade sul), outra na porção central (extremidade norte) e duas no setor leste, uma em frente a outra nas extremidades norte e sul (Figura 29 e

Figura 30). Toda a área está coberta por uma Floresta Estacional Semidecidual, com densa vegetação arbórea de pequeno porte (ver Foto 7).

Foto 7 Fotomontagem do Quadrado dos potes com densa vegetação arbórea. Visão de oeste para leste. Foto: Wagner