1. Literatür Taraması
1.8 Paketleme, Elleçleme, Depolama ve UlaĢtırma
5.5.1 Gruta do Salitre
O geossítio da Gruta do Salitre, dos quatro geossítios descritos, é o único onde já existem ações que vão de encontro à sua conservação e o uso mais controlado e adequeado. Esse fato se deve principalmente pelo seu uso desordenado e predatório, bem como a utilização do patrimônio natural em questão como fonte de ordenação territorial e fonte de renda da população.
A Gruta do Salitre não está dentro de nenhuma UC, mas integra o Mosaico de Áreas Protegidas do Espinhaço: Alto Jequitinhonha-Serra do Cabral, que visa um planejamento de gestão territorial regional que objetiva integrar a conservação ambiental com o desenvolvimento responsável (MMA, 2010). Esse fato é bastante importante para o reconhecimento da importância do patrimônio, visto que, em algum outro momento oportuno, o local pode vir a ser efetivado como alguma categoria de UC, possivelmente como um Monumento Natural, pois detém as características para tal.
Até o começo de 2011 a Gruta do Salitre não tinha qualquer mecanismo de preservação, tanto a gruta como o seu entorno estavam degradados devido às visitas desordenadas. Em fevereiro de 2011, após quase dois anos de articulações, o Instituto Biotrópicos (organização não-governamental de cunho científico e sócio-ambiental) firmou com a sociedade e o Ministério Público um contrato de responsabilidade de gestão da área por um período de 10 anos.
A primeira iniciativa foi o fechamento provisório da visitação à gruta. Essa ação foi noticiada em vários meios de comunicação em Diamantina, e foram impostas barreiras de acesso ao local. Foi solicitada uma visita técnica do CECAV ao local, para que fosse elaborado um plano de ação emergencial. Nesse plano foram adotadas medidas preliminares. A fim de auxiliar na segurança dos visitantes e do patrimônio, tais como instalação de placas com horários de visitação, adequação do acesso à gruta, monitoramento policial do estacionamento, entre outras.
Um ponto bastante importante da conservação do patrimônio da Gruta do Salitre é a divulgação do mesmo e o envolvimento com a comunidade local. O Instituto Biotrópicos vem mantendo estreita ligação com as lideranças de Diamantina e de Curralinho (distrito onde se
124 insere a gruta). Somente com a parceria das pessoas mais próximas do patrimônio o geossítiopode ser efetivamente mantido conservado.
Para dar sequência às estratégias de conservação do geossítio, deveria ser feito um plano de manejo espeleológico da gruta e do entorno imediato, já que existem algumas atividades que podem ser realizadas no entorno, como os shows musicais e as atividades esportivas de escalada e rapel. Nesse plano de manejo deve ser feito uma topografia detalhada da gruta, pois a partir desta podem ser mapeadas as áreas de visitação, e alocadas as possíveis estruturas de segurança.
Devem ser capacitados monitores, dando preferência para que estes sejam das comunidades próximas. Essa capacitação deve conter conteúdo científico, teórico e prático, pois assim o conhecimento acerca do patrimônio será levado adiante, tanto para a população como para os visitantes.
O plano de conservação de um patrimônio é constante, e deve ser revisado periodicamente, tanto pela ONG que faz a gestão do patrimônio, como pelo órgão responsável e pela comunidade.
5.5.2 Cavernas da Serra do Gandarela
O geossítio da Serra do Gandarela insere-se em um contexto bastante interessante em termos geoambientais. O Quadrilátero Ferrífero como um todo tem grande destaque pelos seus aspectos naturais e cênicos. Abriga campos rupestres hematíticos, tratados como ambientes únicos, e que abriga espécies endêmicas e algumas ameaçadas de extinção (DRUMMOND et al., 2005).
Vários fatores corroboram para a conservação do geossítio em questão: existência de uma proposta de criação de um Parque Nacional devido a vários aspectos, inclusive o de espeleologia (ICMBio, 2010); recomendação e estudos para que a região torne-se um Geoparque da Unesco (RUCHKYS, 2007); e o fato de não existir nenhuma caverna ou conjunto de cavernas em minério de ferro efetivamente protegidas no Brasil.
Como já existe a proposta de criação de duas categorias de gestão de conservação envolvidas (Parque Nacional e Geoparque), a melhor estratégia de conservação para o geossítio das Cavernas do Gandarela é a inclusão deste nos estudos de viabilização e efetiva criação dessas UCs.
125 No caso da criação do Parque Nacional, e estando todas as cavernas incluídas nos limites do mesmo, estas ficariam efetivamente protegidas. Seria necessário um plano de manejo no qual fossem incluídas estratégias de visitação em determinadas cavernas, com instalação de placas explicativas e monitores capacitados.
Considerando a criação de um Geoparque do Quadrilátero Ferrífero, as cavernas não têm garantia de proteção integral. Portanto, ações educativas mais eficientes teriam que ser pensadas de modo que envolvesse mais ações públicas de reconhecimento do valor do patrimônio espeleológico local. Também poderiam ser pensados roteiros de visitação espeleológica com instalação de placas explicativas.
5.5.3 Cavernas em mármore da borda oeste da Serra do Cipó
O geossítio Cavernas em mármore da borda oeste da Serra do Cipó encontra-se dentro dos limites da APA Morro da Pedreira e na área de entorno do Parque Nacional Serra do Cipó. Apesar de existir uma proposta de ampliação do parque, esta não abrange o geossítio estudado. Mesmo estando dentro de uma UC (de Uso sustentável), o geossítio vem sofrendo degradação e pode vir a sofrer cada vez mais, tanto nas cavernas como no entorno delas. Esse fato se deve à falta de orientação quanto ao uso da área onde está inserido o geossítio, pois existem tanto escaladores quanto moradores frequentando a região.
Existem algumas opções que podem efetivar a conservação do geossítio, sendo elas: inclusão do geossítio como patrimônio natural no plano de manejo da APA Morro da Pedreira; criação de uma categoria específica para a área, como por exemplo, um Monumento Natural; inclusão do geossítio na expansão em estudo do Parque Nacional Serra do Cipó.
Para que o geossítio se mantenha preservado é necessário criar um programa de divulgação do patrimônio no circuito de turismo da Serra do Cipó. Além da capacitação do setor responsável sobre o patrimônio e suas fragilidades, é necessária a criação de placas e sinalizações pelas trilhas existentes na área alertando sobre a existência das cavernas, sua importância e o que fazer para preservá-las.
126 5.5.4 Cavernas de Monjolos – Serra do Rodeador e adjacências
A única cavidade do geossítio Cavernas de Monjolos – Serra do Rodeador e adjacências a ter algum tipo de estratégia de proteção é a Gruta Pau-Ferro. Em 2006, após articulações de diversos atores sociais, a área onde se encontra tal gruta foi tombada em estância municipal como sítio natural. Desde então a gruta foi alvo de ações para a retirada do lixo e várias palestras sobre espeleologia foram ministradas para a comunidade a fim de levar ao público conhecimento acerca do patrimônio.
Apesar dessa conservação pontual, o geossítio em questão, no geral, apresenta poucas informações sistematizadas, tais como prospecção e caracterização espeleológicas adequadas. Esse fato dificulta o planejamento de ações, pois não se conhece com profundidade o patrimônio em questão. O primeiro passopara a elaboração de um planejamento de conservação, é, portanto um estudo espeleológico sistematizado da área. Somente após se conhecer com profundidade o geossítio é que será possível a aplicação de ações de conservação.
Paralelamente aos estudos sistematizados da área, seria interessante já envolver as comunidades de Monjolos e de Rodeador no processo. Através de uma articulação do poder público, a cidade poderia fazer com que a população conhecesse seu patrimônio e assim ajudasse a preservar. Isso poderia, no futuro, ser incluído como atrativo natural de um possível circuito turístico para a região.
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