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ġeriat Fakültelerinin Ġstihdam Alanları

4. AraĢtırmanın Yöntemi

2.6. ġeriat Fakülteleri

2.6.3. ġeriat Fakültelerinin Ġstihdam Alanları

Preliminarmente, cumpre realçar que os destinatários das normas do Direito, pessoas naturais ou jurídicas, públicas ou privadas, têm os seus comportamentos circunscritos pelas molduras dos elementos descritos nos preceitos legais reguladores das condutas teoricamente previstas, e que expressam aquilo que a sociedade entendeu como sendo desejável, em certo espaço temporal70.

As normas jurídicas, no entanto, nem sempre esgotam em seus enunciados deônticos o modo de agir dos indivíduos e em muitos casos sequer impõem como obrigatória uma única conduta, deixando às pessoas, por vezes, a possibilidade de agir ou de não fazê-lo e ainda apontando, em certos casos, diferentes comportamentos conformáveis ao direito posto.

É em virtude dessa plasticidade jurídica que, no âmbito da Teoria Geral do Direito, as normas jurídicas vêm a ser classificadas como: “i) de

imperatividade absoluta ou impositivas, e ii) de imperatividade relativa ou dispositivas”, como ensina Maria Helena Diniz71.

70 Rafael Munhoz de Mello, Revista Trimestral de Direito Público, 30/2000, Malheiros, São Paulo, p. 142: “O Direito é uma ordem normativa, e, como tal, é um conjunto de normas que regulam

condutas, com o objetivo de conformá-las a valores tidos com relevantes pelo grupo social. Trata- se, assim, de uma ordem social, cuja função, do ponto de vista psicológico, ‘consiste em obter uma determinada conduta, por parte daquele que a esta ordem está subordinado, fazer com que essa pessoa omita determinadas ações consideradas como socialmente – isto é, em relação às outras pessoas – prejudiciais, e, pelo contrário, realize determinadas ações consideradas socialmente úteis’.”

71 Teoria Geral do Direito Civil, Edit. Saraiva, São Paulo, 2002, 18ª ed., p. 34: “1) de imperatividade

absoluta ou impositivas, também chamadas absolutamente cogentes ou de ordem pública. São as que ordenam ou proíbem alguma coisa (obrigação de fazer ou de não fazer) de modo absoluto. São as que determinam, em certas circunstâncias, a ação, a abstenção ou o estado das pessoas, sem admitir qualquer alternativa, vinculando o destinatário a um único esquema de conduta (...). 2) de imperatividade relativa ou dispositivas, que não ordenam, nem proíbem de modo absoluto; permitem ação ou abstenção ou suprem a declaração de vontade não existente.”

Como ilustra a civilista, as normas de imperatividade absoluta obrigam o sujeito de direito a um único comportamento a ser realizado, ao passo que aquelas outras dotadas de imperatividade relativa e que são denominadas de dispositivas, permitem ao seu destinatário uma ação ou abstenção ou suprem eventual não declaração de vontade.

Como exemplo das primeiras normas, a doutrinadora cita o art. 1.526, do Código Civil, o qual estabelece o modo de habilitação para o casamento e menciona, quanto às segundas, a possibilidade conferida aos nubentes de estipular, quanto aos seus bens, o que melhor lhes aprouver.

A propósito, Carlos Roberto Gonçalves72 assevera, quanto às

normas cogentes, que as mesmas “se impõem de modo absoluto, não podendo

ser derrogadas pela vontade dos interessados”, acrescentando que “a imperatividade absoluta de certas normas decorre da convicção de que determinadas relações ou estados da vida social não podem ser deixados ao arbítrio individual, o que acarretaria graves prejuízos para a sociedade”.

Relativamente às normas não cogentes, manifesta-se no sentido de que essas “não determinam nem proíbem de modo absoluto determinada conduta,

mas permitem uma ação ou abstenção, ou suprem declaração de vontade não manifestada”.

Por sua vez, Caio Mário da Silva Pereira73, abordando a classificação das leis do modo como acima aludido, comenta que “tem esse critério em vista a

distribuição das leis quanto à obrigatoriedade de que são dotadas, conforme estatuam um comando de que ninguém pode escapar (ius cogens), ou estipulem normas que podem ser afastadas pelo ajuste dos interessados”.

72 Direito Civil Brasileiro, Saraiva, São Paulo, 2003, p. 33/34.

73 Instituições de Direito Civil, Vol. I, Introdução ao Direito Civil, Teoria Geral do Direito Civil, Forense, Rio de Janeiro, 2004, p. 106.

Dessa maneira, e ainda que por razões não formalmente idênticas, é de se concluir que as normas jurídicas dirigem-se aos seus destinatários com maior ou menor grau de impositividade, seja no que se refere às relações de direito privado, seja no que diz respeito às relações de direito público, como referido.

Em sede de direito privado, esses diferentes níveis de obrigatoriedade dos comandos normativos são referidos na teoria geral do direito, com base na classificação das leis naquelas modalidades mencionadas, como leis imperativas e leis dispositivas74, ao passo que na seara própria de Direito Público, especificamente no campo do Direito Administrativo, o estudo da matéria é desenvolvido sob as denominações de discricionariedade e vinculação.

Mesmo em sede de teoria geral do direito privado, interessante é a posição de Francesco Carnelutti75, que adota aquela classificação típica de direito público, enfatizando que “discricionariedade nada mais é do que liberdade na

regulação do conflito de interesses a que a situação respeita”.

Prossegue afirmando que “a antítese entre discricionariedade e

vinculação só se manifesta no campo das fontes subordinadas” e que “discricionário ou vinculado pode, pelo contrário, ser, quer o poder jurisdicional ou administrativo, quer o direito subjetivo público ou privado”.

74 Fernando Andrade de Oliveira, O poder do Estado e o exercício da polícia administrativa, Revista Trimestral de Direito Público, 29/2000, p. 86: “Observa Eduardo Espínola que se o fim do

Direito Privado é limitar a ação dos indivíduos, esse fim é atingido por meio diferentes. Tal ação pode ser rigorosamente traçada pela norma jurídica, cabendo os interessados livremente entrar, ou não, nas relações reguladas. Mas se o fazem ‘têm de se submeter indeclinavelmente às prescrições da lei’. Outras vezes a norma faz prevalecer os seus preceitos, se não manifestada a vontade dos interessados, sendo-lhes permitido dispor de outro modo, ou prescreve que apenas produzirás efeitos e ‘desenvolverá sua força obrigatória só depois de se manifestar a vontade individual’. Daí a importante divisão das leis em ‘coativas ou absolutas’ (jus cogens) e ‘não coativas, supletivas ou dispositivas ‘(jus dispositivum, jus supletivum). Nas primeiras, a sanção se manifesta em virtude da própria força obrigatória da lei; nas segundas depende do concurso da vontade (expressa ou tácita) do indivíduo.”

Do exposto, resulta que a norma jurídica, ao regular matérias de direito público ou mesmo de direito privado, concede por vezes, aos seus destinatários, a possibilidade de exercer um certo grau de subjetividade nos comportamentos a serem assumidos, o que vem a ser denominado, respectivamente, de exercício de poder discricionário e de manifestação do princípio da autonomia da vontade.