A. ORGANİZE SANAYİ BÖLGELERİNDE ÇEVRE YÖNETİM SİSTEMLERİNİ UYGULAMA GEREKLERİ
2. Ulusal Zorunluluklar
2.1. OSB’lerinin Mevcut Durumu ve Çevre Sorunları
As correlações entre os processos de mobilidade e de assimilação (SAITO, 1961, p. 209) ficam ainda mais forte se considerarmos que os imigrantes que se deslocaram para a cidade São Paulo e mudaram de ocupação estavam mais próximos da sociedade brasileira do que da japonesa. Assim, a dinâmica da mobilidade estabelecia relação mais íntima com o “mundo de fora”, com a sociedade dominante, o que traria, no entanto, um impacto, causando tensão cultural. Considerando isso, o último capítulo do estudo de Saito trata das mudanças que ocorrem na estrutura da sociedade imigrante japonesa a partir do momento em que elas passam pelos processos de mobilidade.
Segundo Saito, todo imigrante “é portador da chamada ‘bagagem cultural’, que em princípio é uma miniatura da herança cultural da sociedade materna à qual o indivíduo ou o grupo de indivíduos se acha ligado”. No entanto, não seria possível reproduzir todos os aspectos da sua cultura de origem, e o imigrante precisaria reformular e reorganizar socialmente o que seria processado dentro do novo contexto socioeconômico em que estivesse inserido. A reorganização social tem como função principal amenizar o impacto cultural e prevenir a desintegração social do grupo, sendo condicionada pelas características sociológicas dos imigrantes e pela estrutura socioeconômica do país adotivo (SAITO, 1961, p. 210). A “distância cultural” que separa os brasileiros dos japoneses aumentou o impacto inicial exigindo um esforço maior de sobrevivência do que de outros grupos imigrantes. Esse esforço criou “uma faixa-de-segurança”, como discutido por Willems (1948), que distanciava os japoneses dos brasileiros, tal como uma forma de proteger os imigrantes que chegassem depois (SAITO, 1961, p. 212).
Desse modo, o imigrante possuía uma estrutura que permitia a continuidade no desenvolvimento de “mecanismos internos de manutenção e diferenciação cultural” durante esse impacto, e a comunidade japonesa (ou étnica, no quadro mais geral) possuía um “caráter dual”, adquirindo características das duas sociedades com as quais tinha contato, a dominante e a de origem. No entanto, Saito afirma que esta dualidade era dinâmica, pois, “por intermédio da mobilidade de status e de ocupação, seus membros conseguem desvencilhar-se dos liames, que os prendiam à sociedade materna, e cingir-se à dominante” (SAITO, 1961, p. 212). Ou seja, os processos de mobilidade apresentados por Saito permitiram, ou, pelo menos, facilitaram, a assimilação dos japoneses à sociedade brasileira. A mobilidade apenas foi possível porque a organização social da comunidade imigrante japonesa no Brasil o preparou e o introduziu aos poucos à sociedade. Dessa forma, Saito conclui que:
Encarada assim, a comunidade dispõe funções de dois gumes: a da “faixa- de-segurança” para proteger os imigrados novatos na sua travessia de uma cultura para a outra, bem como a de “cabeça-de-ponte” para ajudar os veteranos a fincar pé no solo adotivo219.
Isso significa que a comunidade japonesa agiu, por um lado, como protetora dos recém-chegados, procurando garantir que houvesse um baixo nível de choque cultural ao prover um ambiente conhecido, com a cultura japonesa, a qual eles obviamente já conheciam. Por outro lado, era também função da comunidade preparar o imigrante que já estava aqui há um tempo para a sua inserção na sociedade brasileira, garantindo que ele soubesse como agir e se portar quando em contato com os brasileiros. Sendo assim, a comunidade servia como uma ponte entre o imigrante e a sociedade brasileira, pronta para protegê-lo, caso fosse necessário.
As alterações sofridas pela comunidade japonesa na reconstituição de imagens e de elementos com base na sociedade brasileira durante o seu processo de formação integram os processos de assimilação e aculturação (SAITO, 1961, pp. 212-213). Dessa forma, durante a reorganização social, o controle interno e as relações dos imigrantes com o “mundo de fora” fazem parte do processo de adaptação à sociedade brasileira. O controle interno tem como base instituições e padrões de comportamento japoneses, e o externo, as regras econômicas da sociedade dominante (SAITO, 1961, p. 217). Alguns desses controles internos estavam relacionados à educação e à manutenção da cultura japonesa entre os jovens.
Deste modo, a escola ocupava, assim, um lugar central na comunidade japonesa, sendo ela o centro das atividades e da vida social dos imigrantes, responsável pelo ensinamento de tradições japonesas e padrões culturais brasileiros para crianças e jovens. Ao ensinar o português, ela teve um papel fundamental no processo de integração e assimilação dos jovens japoneses à sociedade brasileira. Ou seja, a mobilidade dos japoneses, em parte, foi iniciada na escola com o afastamento e desapego dos filhos pelas tradições japonesas.
Ainda, no Estado Novo, quando as escolas estrangeiras são fechadas ou nacionalizadas, os alunos japoneses passam a ter pela experiência escolar maior contato com o meio social brasileiro, causando, por exemplo, conflitos geracionais entre pais e filhos. Estes conflitos tornariam, segundo Saito (1961, p. 219), a transição para o Brasil longa e penosa, especialmente durante e depois da Segunda Guerra Mundial, quando muitos imigrantes se mudam para centros urbanos, principalmente para São Paulo. Eles seguiam o movimento de urbanização das cidades brasileiras, causando a desintegração de formas associativas da comunidade japonesa, das quais os japoneses estavam cada vez menos dependentes economicamente. Para Saito, este movimento significa que as pessoas estavam mais aptas e dispostas a se integrarem à sociedade dominante e cada vez menos sob o controle da comunidade étnica à qual estavam ligados (SAITO, 1961, p. 220).
Assim, o movimento do campo para a cidade também é destacado por Saito porque muitas das tradições japonesas foram deixadas de lado, principalmente aquelas relacionadas ao forte poder patriarcal que havia nessas famílias, já que a cidade seria menos conservadora do que o campo. Dessa forma, os processos de mobilidades dos imigrantes japoneses e de seus descendentes eram essenciais para a sua assimilação à sociedade brasileira (SAITO, 1961, p. 220). Cardoso destaca que a expectativa de ascensão social e econômica dos jovens de origem japonesa era muitas vezes utilizada como argumento pela comunidade para permitir e incentivar a sua integração à sociedade hegemônica. O êxito econômico era mais importante do que a manutenção das tradições japonesas, e quando esse sucesso era alcançado significava a sua quebra ou o abandono para esses jovens no Brasil (CARDOSO, 2011a; CARDOSO, 2011b).
Saito conclui o livro trazendo uma reflexão sobre os processos de assimilação e de aculturação, conforme entendidos por Park, na experiência da sociedade japonesa no Brasil, especificamente aquela relacionada aos fluxos de mobilidades e fixação pelos quais ela passou. Assim, o autor entende que, num primeiro momento, a sociedade brasileira teria mostrado curiosidade e simpatia para com o imigrante japonês, para depois iniciar a
competição, no campo econômico, e o conflito, com hostilidade e discriminação. Superadas estas fases, chega-se à acomodação, “quando os sentimentos de justiça são invocados”, e, por fim, atinge-se a última fase do ciclo, na qual haveria a “integração grupal”, isto é, a assimilação à sociedade brasileira (SAITO, 1961, p. 223). Considerando o movimento como um todo, Saito define que o processo de assimilação seria a:
Transformação em que a comunidade, caracterizada no início pela reconstituição de elementos e padrões japoneses, passa depois a vincular-se intimamente à sociedade dominante, apresentando simultaneamente o caráter de ambas as culturas. 220
Assim, o indivíduo que passou pelo processo de assimilação guarda marcas das duas culturas com as quais travou contato, mesmo que a cultura hegemônica estivesse mais presente no seu dia a dia. O autor conclui que, com a estabilização dos processos de mobilidade pelos quais os japoneses passaram no Brasil e o consequente amadurecimento das novas gerações, moldadas mais pelos padrões da cultura brasileira do que da japonesa, os imigrantes tenderiam a se homogeneizar na sociedade dominante. Por isso, os conflitos econômicos que surgem não seriam mais “interpretados como em termos de competição entre o alienígena e o nativo, mas no plano geral e nacional” (SAITO, 1961, p. 225). Desse modo, o jovem de origem japonesa, após passar pelos processos de mobilidade e se fixar no meio urbano, pode deixar de ser considerado imigrante japonês para ser trabalhador brasileiro.