B. TÜRKİYE’DE ORGANİZE SANAYİ BÖLGELERİNİN YASAL DAYANAKLARI, KURULUŞU ve MEVCUT DURUMU
1. ORGANİZE SANAYİ BÖLGELERİNİN YASAL DAYANAKLARI
1.1. Kalkınma Planları
Uma das pesquisas surgidas da parceria entre Izumi e Saito está descrita no artigo intitulado “Pesquisa sobre a aculturação dos japoneses no Brasil” (1953), que traz uma apresentação dos resultados preliminares das investigações realizadas em diferentes localidades. Durante a coleta de dados, buscou-se o melhor método para analisar a tensão grupal que haveria entre os imigrantes japoneses no país no período do pós-guerra, visto que eles haviam se dividido em duas correntes – os “vitoristas” e “derrotistas” ou “esclarecidos”. Para isso, segundo os autores, seria preciso elaborar um “método útil e comum” para a pesquisa de “tensão social”, o qual eles não definem ainda no artigo. Como existia, no entanto, poucos estudos sobre os imigrantes japoneses no Brasil, era necessário, primeiramente, fazer uma pesquisa sobre os aspectos gerais da colônia, observando as suas características estruturais e econômicas (IZUMI & SAITO, 1953, pp. 195-196). É interessante ressaltar que os próprios termos utilizados pelos autores, tal como “tensão social”, condiziam com os objetivos de pesquisa da UNESCO nesse momento, mostrando a direta associação entre as pesquisas de Saito e Izumi e a agenda da organização intergovernamental.
Os imigrantes alvos da pesquisa moravam em São Bernardo do Campo, Mogi das Cruzes, Santa Cruz do Rio Pardo, Bastos e Lins, no estado de São Paulo; Assaí, no Paraná; Acará e Santarém, no Pará; e Manaus, no Amazonas. No que toca os agrupamentos na Amazônia, os autores destacam algumas diferenças em relação às demais regiões, pois os imigrantes japoneses que ali se encontravam tinham sido encaminhados num curto espaço de
tempo e em menores quantidades. Além disso, a maior parte deles era composta por homens e mulheres solteiros, sendo encontradas, numa distância percorrida de mil milhas, somente 250 famílias de imigrantes japoneses, uma quantidade muito inferior às outras regiões do país (IZUMI & SAITO, 1953, pp. 197-199).
Foram distribuídos dois tipos de questionários. O primeiro buscava compreender as condições econômicas da família, com o intuito de conhecer a sua ascensão econômica antes, durante e depois da Segunda Guerra. O outro questionário tratava da estrutura da família, com os detalhes necessários para o estudo de aculturação. Nele, eram questionados temas que se ligavam, por exemplo, à língua usada na conversa entre pessoas da família, ao contato mantido com os parentes no Japão, à nacionalidade e profissões de padrinhos (IZUMI & SAITO, 1953, pp. 200-201). Este segundo questionário também perguntava sobre os hábitos religiosos dos imigrantes, revelando que 70,4% da população nipo-brasileira era budista109,
20,4% católica, 9,2% protestante (segundo os autores, houve alguns relatos de outras seitas japonesas, como a xintoísta, a tenrikyo, a seicho-no-ie, etc.)110 (IZUMI & SAITO, pp. 201-
205). Nesse mesmo sentido, o catolicismo teve um alto grau de penetração entre os jovens de 10 a 15 anos, e isso se daria, segundo os autores, pois
A alta porcentagem que ocupa o catolicismo no grupo de 10-15 anos é um indício de algo significativo: as crianças são batizadas em maior número durante o curso primário ou por ocasião da matrícula nas escolas, sendo esse fenômeno bem mais acentuado no após-guerra. O fato mostra, na nossa opinião, que a forte penetração do catolicismo nas crianças de idade escolar, não é simplesmente um fenômeno de acomodação, mas um seguro indício da mudança que vem ocorrendo, desde o término da guerra, na atitude dos pais japoneses para com a cultura brasileira, com a consequente aceleração na marcha da aculturação religiosa. Esta afirmação nossa, no que diz respeito à mudança de atitudes, ainda é corroborada pelo resultado das entrevistas por nós procedidas.111.
A mudança de atitude dos imigrantes após a guerra ocorre por conta da impossibilidade que há a partir de então de retornar ao Japão, sendo necessário, portanto, se fixar no Brasil, questão esta explorada no capítulo três desta dissertação. Além disso, as diferenças geracionais relacionadas à religião mostram a importância do contato das crianças
109 Ao apresentar sucintamente as características dos imigrantes japoneses no Brasil, Ramos (1947, pp. 314-315)
caracteriza algumas religiões presentes no território japonês, dando destaque ao xintoísmo e ao budismo.
110 Contudo, os autores consideraram como budistas não só aqueles que teriam se declarado enquanto tal, mas
também os seus filhos, que não declararam nenhuma religião, assim como os que teriam declarado não pertencer a nenhum culto (IZUMI & SAITO, pp. 201-205).
111 Izumi, Seiichi. Saito, Hiroshi. Pesquisa sobre a aculturação dos japoneses no Brasil. Sociologia, v. 15, n. 3,
imigrantes com a sociedade local na escola para o seu processo de assimilação. Assim, associando as entrevistas realizadas às observações de campo e às respostas dos questionários, Izumi e Saito fazem uma análise dos “níveis” de aculturação entre os japoneses e seus filhos, considerando-se aqui tanto os que vieram muito jovens para o Brasil como os que já nasceram aqui.
Por meio de gráficos e cálculos feitos com a ajuda de entrevistas e questionários, Saito e Izumi percebem que os descendentes estariam mais aculturados à sociedade brasileira do que seus pais imigrantes, apesar de haver um grupo de japoneses que se encontraria numa camada “marginal” quanto ao nível de aculturação. A faixa etária acima dos 40 anos seria uma camada “japonesa”, pois fora educada no Japão e seguia uma religião japonesa. Entre as pessoas de 25 a 40 anos havia ainda a predominância daquelas nascidas no Japão, mas prevalece a dualidade da cultura japonesa e brasileira; esta seria justamente a “camada marginal”. Por fim, os jovens de até 25 anos seriam o grupo “brasileiro”, sendo todos nascidos no Brasil, com educação e religião brasileiras (IZUMI & SAITO, 1953, p. 207).
Considerando o processo de interação proposto por Park, podemos entender que, no primeiro grupo, os que emigraram já adultos, haveria o processo de competição, já que eles estariam entrando em constante choque com a cultura brasileira por terem dificuldades de mudarem determinados padrões e características culturais, havendo uma disputa inconsciente de qual cultura deveria prevalecer. O segundo grupo, por sua vez, estaria passando pelos processos de conflito e acomodação. Conflito porque eles estariam conscientes da luta que haveria entre as duas culturas pelas suas existências, e acomodação, pois eles já estariam mais ajustados a determinados padrões culturais e de comportamento que seria esperado de pessoas que moram no Brasil. Essas acomodações seriam aceitas e transmitidas para as gerações seguintes com mais naturalidade do que do primeiro para o segundo grupo (PARK &BURGESS, 2014). O terceiro grupo, finalmente, já estaria no processo de assimilação, envolvendo-se no cotidiano da sociedade brasileira e frequentando suas escolas e igrejas, ou seja, estabelecendo um contato mais íntimo com os padrões culturais brasileiros e sofrendo, assim, transformações mais profundas em suas personalidades.
A classificação do segundo grupo de imigrantes, feita por Saito e Izumi, como “camada marginal”, isto é, aqueles que vieram crianças ou nasceram aqui, pode ser relacionada ao conceito de “homem marginal”, de Everett Stonequist. Segundo o sociólogo norte-americano, indivíduos que vivem numa situação “bicultural” (ou “multicultural”), ou seja, em contato com mais de uma cultura, tendem a buscar adaptação no grupo que possui o
maior prestígio e poder (STONEQUIST, 1935). No caso do estudo de Saito, os jovens japoneses na camada “marginal” tenderiam a seguir os padrões do “grupo” brasileiro, evidentemente hegemônico no território nacional. Stonequist ainda destaca que este seria o melhor grupo a ser observado para estudar sua mudança cultural, pois a sua história de vida pode oferecer um método de estudo do processo cultural. Valendo-se dos termos de Park, o intelectual conclui: “é na mente do homem marginal — onde as mudanças e fusões de culturas estão acontecendo — que nós podemos melhor estudar o processo de civilização e progresso” (PARK, s/d in STONEQUIST, 1935, p. 12).
As diferenças geracionais presentes no artigo de Izumi e Saito mostram uma das formas possíveis de se abordar o processo de assimilação entre imigrantes. De acordo com Green, neste tipo de abordagem os focos das observações e análises centram-se nos possíveis conflitos de língua, educação ou normas culturais, e também nas diferentes experiências dentro de uma mesma geração (GREEN, 2006, p. 251), como no caso do grupo marginal. Assim, através dessa via, como é feito no artigo, seria importante considerar as diversas experiências entre diferentes gerações, principalmente entre crianças e adultos. O artigo de Izumi e Saito mostra o tipo de sociologia com a qual os dois travaram contato — qual seja, a americana —, em diferentes contextos.
Além disso, é possível perceber no artigo a agenda de pesquisa da UNESCO, além de outras organizações estrangeiras, como o Conselho Nacional de Ciências do Japão (que também teria financiado parte das pesquisas de Izumi no Brasil). A preocupação de entender como estavam acontecendo os processos de assimilação dos imigrantes japoneses no Brasil mostra a influência da UNESCO a partir do momento em que se interpreta este processo como possível foco de conflito e também como possível solução. O conflito poderia aparecer dentro da comunidade imigrante a partir de problemas causados por diferenças geracionais, por exemplo, pois o grupo jovem estava adquirindo características da cultura hegemônica, enquanto os mais velhos não queriam abrir mão da cultura de origem. O confronto também poderia aparecer em uma perspectiva mais ampla, quando se tratava das relações não amistosas entre os imigrantes japoneses e os brasileiros. Mas o processo de assimilação de imigrantes poderia também apresentar soluções para conflitos ao trazer resultados positivos deste processo.
Em concordância com a agenda da UNESCO, Izumi, assim como Saito em outros trabalhos, entende que era preciso especial atenção à interação e integração de seus membros em relação à sociedade local. Além disso, é a partir do contato com Izumi que as portas se
abrem para Saito no mundo universitário japonês, onde ele passa a publicar trabalhos e a participar de seminários e pesquisas de campo no seu país de origem. No contexto da ELSP, que passava por uma de suas graves crises financeiras112, Saito passa a se destacar como
pesquisador de imigração japonesa e como o sociólogo indicado pela instituição, que não deixava de apoiá-lo para receber e auxiliar pesquisadores japoneses que pretendessem estudar no Brasil. Pesquisas estas cujas preocupações centrais eram o conflito interno e externo da comunidade imigrante, a sua assimilação e o seu desenvolvimento.