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2.1. Araştırmanın Kavramsal Çerçevesi

2.1.6. Ortak Bilgi Yapılanma Modeliyle İlgili Yapılan Çalışmalar

Enquanto os traços do passado haviam se cristalizado lentamente nas paisagens, definindo uma geografia funcionalmente isolada entre as regiões; a natureza das paisagens do turismo contemporâneo trouxe exatamente a mutação permanente destas formas em relação funcional e sistêmica com as regiões e o mundo. (LUCHIARI, 1998, p. 24).

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Por demanda solvente entende-se aquela proveniente de pessoas ou grupo de pessoas que podem pagar pela demanda ou gerar divisas e oferecer lucros em contrapartida. Para exemplificar: instalação de rede de telefonia é vantajosa para a empresa quando, além da utilização dos telefones públicos, haverá demanda por linhas particulares.

O artigo de Alvaro Lopez Gallero (1996), El impacto de la globalizacion sobre

el turismo, apresenta uma avaliação bastante negativa sobre a relação entre globalização e

turismo. Segundo Gallero, a globalização e a inter-relação entre poder econômico e o avanço tecnológico criam uma tendência inevitável de homogeneização dos espaços e seriam os países do Terceiro Mundo os mais afetados pelo domínio do capitalismo internacional, por não terem uma economia consolidada capaz de resguardar sua identidade. A globalização seria uma ameaça para o turismo, uma vez que ela uniformizou os instrumentos, os veículos, os produtos de consumo e, consequentemente os hábitos. Apesar disso, no entanto, discorda-se de Gallero, pois se acredita que em contrapartida à tendência de homogeneização da globalização observa-se que as singularidades dos lugares se tornam mais evidentes. O turismo, neste contexto, seria mais um incentivo para a ênfase da autenticidade e originalidade locais: “A uma maior globalidade, corresponde uma maior individualidade” (SANTOS, 1996, p. 252) e “[...] um dos vetores mais importantes para associar o mundo ao lugar, o global ao local” (LUCHIARI, 1998, p. 16).

Ainda de acordo com Luchiari (1998, p. 16):

Há alguns anos atrás, dizia-se que a globalização iria destruir as diferenças locais, homogeneizando o espaço e a sociedade. Hoje, o debate não se coloca mais nestes termos. Tanto as peculiaridades locais, os localismos, os regionalismos emergiram deste global, quanto a própria globalização econômica passou a valorizar as diferenças dos lugares, fazendo desta diferenciação um atrativo para o capital.

É importante destacar que o local hoje tem um sentido diferente. Ele é definido em relação ao global. “É o resultado de um feixe de relações que soma as particularidades (políticas, econômicas, sociais, culturais, ambientais...) às demandas do global que o atravessa” (LUCHIARI, 1998, p. 16).

Assim estabelece-se uma relação entre antigas paisagens e velhos usos e novas formas e funções, impulsionando a relação do lugar com o mundo que o atravessa com novos costumes, hábitos, maneiras de falar, mercadorias, modos de agir... Assim também, a identidade do lugar é constantemente recriada, produzindo um espaço social híbrido, onde o velho e o novo fundem-se dando lugar a uma nova organização sócio-espacial. (LUCHIARI, 1998, p. 17).

O turismo é assim uma das atividades com grande potencial para conectar o lugar ao mundo, de trazer um pouco do global para o local, transformando assim o seu sentido:

As práticas de consumo atuais conjugam o café expresso, o fast-food, os equipamentos eletrônicos, as marcas dos carros e as griffes das roupas aos

souvenirs locais, ao artesanato, aos remanescentes florestais e culturais. Esta é a

realidade em que vivemos. Ela é híbrida. E a urbanização turística é a sua tradução mais completa. (LUCHIARI, 1998, p. 18).

No entanto, de acordo com Knafou (1996, p. 64), “o turista recoloca a discussão da ideologia do enraizamento, da ligação privilegiada com o lugar”, retomando o questionamento: é possível ainda hoje atrelar enraizamento e identidade a raízes, local de nascimento ou uma longa história internalizada no lugar? Respondendo parcialmente a esta questão, ao discursar sobre identidade e os caminhos para resguardá-la, Pedro Geiger faz uma interessante análise no seu texto Turismo e Espacialidade:

É neste quadro geográfico [da globalização], onde populações de origem comum, localizadas em diferentes pontos da Terra, se articulam para relações culturais, econômico-financeiras, ou políticas, que se dá um novo significado para a antiga palavra ‘tribo’.

O turismo de massa dá força às novas tribos e as novas tribos participam no incremento do turismo. Os turistas brasileiros que preferem a Rua 46 para suas compras em Nova York servem para que não só o lojista brasileiro, ou seu empregado brasileiro, mantenham sua identidade brasileira, mas também para que o filho do lojista, nascido nos Estados Unidos, e que já trabalha na loja, passe a pertencer à ‘tribo’. E os membros de uma tribo tendem a visitar o lugar de origem. (GEIGER, 1996, p. 57).

O novo significado da palavra tribo a que se refere Geiger aponta para a reflexão do sentido de enraizamento, o que para Knafou (1996, p. 64) se coloca através de “uma forma moderna de conflito de territorialidade entre ‘nômades’ e ‘sedentários’, salvo que, nas sociedades contemporâneas, os ‘nômades’ também possuem práticas sedentárias e os ‘sedentários’ práticas nômades”.

Da mesma forma, Geiger (1996, p. 58) argumenta: “O primeiro ato do turista é o de se ‘desenraizar’, que seja por ‘momentos’, do local onde vive regularmente, ou rotineiramente”. Se por um lado Geiger se contrapõe a Gallero, apresentando a alternativa à ameaça da globalização de enfraquecer as identidades e singularidades locais e com isso homogeneizar os espaços, Carlos reforça as idéias deste ao explicar a existência de um

sentimento de estranhamento que surge para os que vivem nas áreas que num determinado

momento se voltam para a atividade turística (CARLOS, 1996, p. 26).

No entanto é Luchiari que, mais uma vez, alerta para o significado que a transformação do espaço podeter casose insista emcolocar o foco das avaliações sempre sobreosimpactosnegativosdecorrentesdaatividadeturísticasobreoespaço,oslugareseas identidades:

O que é analisado como declínio dos lugares turísticos pelo adensamento das residências, das infra-estruturas, pela concentração de pessoas e pelo apinhamento das paisagens pode ser sinal de uma transformação histórica dos lugares, os quais deixam para trás a determinação turística para produzir um novo lugar em conexão sistêmica com o mundo. (LUCHIARI, 1998, p. 23).

Entre o setor turístico e as comunidades receptoras o primeiro ganha a hegemonia das representações da paisagem. A população local, dominada pelo olhar externo, faz uma reavaliação seletiva de si mesma e de sua região. Este processo altera as percepções individuais e imprime uma nova valoração da paisagem circundante e da cultura local a partir da substituição de hábitos e comportamentos, da implantação de outras formas de apropriação da natureza e de um novo estilo de vida tomado como referência para relativizar a sociedade local e seu modo de vida. (LUCHIARI, 1998, p. 25).

No terceiro capítulo será aprofundada a discussão sobre este tema - identidade e globalização - buscando a compreensão do significado da relação entre o global e o local, desta ligação que se estabelece, de maneira cada vez mais forte, entre o lugar e o mundo.