2.1. Araştırmanın Kavramsal Çerçevesi
2.1.5. Ortak Bilgi Yapılanma Modeli Nedir?
Como se afirmou anteriormente, para os habitantes de áreas urbanas, especialmente das metrópoles, a fuga da cidade transformou-se em uma necessidade da sociedade moderna para tornar suportável a ‘vida’ cotidiana. Ao mesmo tempo as grandes cidades são o local onde acontecem as tomadas de decisões. Também foi apontada a necessidade do turismo de recriar constantemente as paisagens. A partir deste contexto pode-se tentar compreender como se desenvolvem as estratégias de marketing ligadas à imagem da cidade, aos
megaeventos e às requalificações urbanas.
Viajar é, atualmente, sinônimo de informação. As grandes metrópoles são os destinos turísticos que mais facilmente permitem aos turistas permanecerem conectados com o mundo, além de possibilitarem atualizações através de participação em cursos, feiras, congressos, etc. Estes são alguns dos motivos que atraem os turistas para as cidades. Por outro lado, existem as razões que motivam as administrações locais a desejar, atrair e investir no turismo. O mais visível deles é a renda gerada. O turismo é inegavelmente uma atividade lucrativa.
Existem evidências de que o poder público atua explicitamente propiciando estas funções de consumo, como estratégia para reverter o esvaziamento e a estagnação das grandes urbes, buscando um novo rol, frente à perda do setor industrial, que permita regenerar econômica e fisicamente as grandes cidades (BERTONCELLO, 1996).
A urbanização turística coloca as cidades no mercado de paisagens naturais e artificiais. Algumas cidades chegam a redefinir toda sua vida econômica em função do desenvolvimento turístico, reorganizando-se para produzir paisagens atrativas para o consumo e para o lazer. (LUCHIARI, 1998, p. 17).
No entanto, a urbanização turística é necessária, mas não é suficiente para inserir as cidades de forma competitiva no mercado mundial. Neste ponto é preciso lançar mão do
marketing urbano:
Ora, é justamente na produção social das necessidades supérfluas, como típicas da sociedade pós-industriais, onde o turismo se expande como consumo de massa, que as estratégias de propaganda e marketing estabelecem mais acuradamente um processo de depuração de imagens, prontas para um consumo estereotipado. (BENEVIDES; GARCÍA, 1997, p. 67).
O problema notado aqui é que esta depuração de imagens para um consumo
estereotipado poderá significar um grande distanciamento entre a identidade e os elementos
da paisagem que identificam a comunidade tradicional com um lugar e as novas identidade e paisagem produzidas para atender às expectativas e desejos dos turistas.
A atratividade resulta, portanto, da produção e da socialização de imagens turísticas, disseminadoras de valores culturalmente compartilhados por uma sociedade ou por alguns grupos sociais, em relação tanto a certos lugares, almejados como centros de grande visitação, bem como a certas práticas sociais, que teriam como espaço privilegiado também alguns lugares, representados como ‘territórios do ócio’, onde se desenvolveriam formas de sociabilidade diferentes das conformadas nos ‘territórios do trabalho’. (BENEVIDES; GARCÍA, 1997, p. 66).
Mais problemático ainda pode ser a constatação de que a necessidade de distanciamento do turista de seu cotidiano durante a prática do turismo exige que as paisagens e as possíveis formas de apropriação do espaço sejam constantemente aperfeiçoadas, pois parecem falsas com extrema rapidez. Contudo, “os investimentos em turismo - os grandes projetos turísticos - podem, ao mesmo tempo, destruir as diferenças dos lugares, homogeneizar as paisagens, e, a longo prazo, esgotar os significados turísticos dos lugares desejados” DAMIANI (1997, p. 48).
Muito se tem divulgado e publicado sobre o crescimento da atividade turística em todo o mundo e também sobre sua capacidade de alavancar economias estagnadas, elevar a auto-estima de comunidades receptoras, gerar emprego e renda e movimentar cifras impressionantes. Entre os impactos positivos gerados pela atividade destaca-se sua capacidade de: (re) valorizar culturas locais, materializadas através da culinária, do artesanato e de ritos, promover a (re) inserção no mercado de trabalho de inúmeros desempregados, criar novas oportunidades de geração de renda, mesmo que na informalidade, e possibilitar e incentivar melhorias urbanas.
É preciso, no entanto, enxergar o que existe, ou melhor, o que pode existir por trás ou paralelamente ao desenvolvimento do turismo. Os impactos negativos existem e não podem ser esquecidos, pois assim como a atividade turística pode promover a cidadania, ela também pode enfraquecê-la.
Souza(1997,p.17,18)advertesobreistoquandolevantaoquestionamento“Como podeoturismocontribuirparaodesenvolvimentolocal?”.Oautorentendedesenvolvimento não apenas como desenvolvimento econômico, mas sim um “processo de superação de problemassociais,emcujoâmbitoumasociedadesetorna,paraseusmembros,maisjustae legítima”.
Responder à questão colocada por Souza não é tarefa simples. O próprio autor afirma não haver uma resposta única: é necessário identificar os indivíduos para os quais se pretende o desenvolvimento. Quem ganha e quem perde com essa atividade? Os turistas, a população da área de origem dos turistas ou a população receptora? Mesmo que se defina a população local receptora como aquela para quem o desenvolvimento deve principalmente acontecer, ainda é preciso considerar que ela não é homogênea como o termo “população” pode sugerir. A heterogeneidade de interesses, derivada principalmente de diferenças socioeconômicas, é enorme (SOUZA, 1997, p. 19-20). Por isso, o incentivo e/ou empenho
das administrações públicas em estratégias de marketing das cidades, em atrair ou produzir megaeventos, ou em promover requalificações e revitalizações urbanas, deverão gerar rendas e aumentar as arrecadações municipais, mas isto não significa que haverá melhoria da condição de vida para a população como um todo.
É mais fácil compreender o fortalecimento das políticas públicas que promovem segregação social e funcional do espaço tendo-se em mente dois fatores: um tradicional e histórico no Brasil, o embate entre a demanda solvente15 e a demanda real por infra- estrutura básica e investimentos e outro, mais recente e que agrava o primeiro, o surgimento de novas políticas urbanas. Estas novas políticas urbanas, bem como as características segregadoras das políticas públicas tradicionais serão abordadas no terceiro capítulo, através de Rolnik (1999), Vainer (2000), Sánchez (1999) e Santos (1994), com a intenção clarear o papel que vem sendo atribuído ao turismo pelas administrações públicas no planejamento urbano.
A necessidade, percebida pelo poder público e pela iniciativa privada, de se inserir as cidades economicamente na realidade de um mundo em processo de globalização tem sido motivadora tanto do processo de urbanização turística, tratado no tópico anterior, que transformam as paisagens e os espaços de acordo com uma demanda externa, quanto dos processos de transformação das cidades em produto turístico competitivo mundialmente através de sua veiculação na mídia. Por isso, propõe-se a seguir uma reflexão dos efeitos da globalização sobre a dimensão local.