“A atividade cerâmica é de grande importância para a economia do Seridó, particularmente para alguns municípios da região” (SEPLAN; IICA, 2000, p. 128).
Carvalho (2001) classificou as cerâmicas em 4 categorias, de acordo com a sua situação produtiva no momento da pesquisa: cerâmicas em atividade, cerâmicas em
implantação/reimplantação, cerâmicas paradas e cerâmicas desativadas.
Tabela 1: Situação das cerâmicas do Seridó por município
SITUAÇÃO DA EMPRESA Nº MUNICÍPIO Em
atividade
Em implantação
/reimplantação Parada Desativada
TOTAL
01 Parelhas 26 - - - 26
02 Carnaúba dos Dantas 14 - 01 01 16
03 Jardim do Seridó 08 - - - 08 04 Cruzeta 06 01 - - 07 05 Acari 04 01 - - 05 06 Caicó 03 - 01 01 05 07 Currais Novos 04 - - - 04 08 Santana do Seridó 03 01 - - 04 09 Equador 02 - 02 - 04 10 Jucurutu 03 - - - 03 11 Jardim de Piranhas 02 - - - 02 12 Cerro Corá 01 - - - 01 13 Ipueira 01 - - - 01 14 Ouro Branco 01 - - - 01 15 São Vicente 01 - - - 01 Total da região 79 03 04 02 88
FONTE: Adaptado de Carvalho (2001, p. 58, tabela 30A)
As cerâmicas em implantação/reimplantação são aquelas que estavam se preparando para
produzir. Elas podem ser de dois tipos: em implantação – estavam em construção, preparando sua infra-estrutura para iniciar a produção; em reimplantação – são empresas que estavam paradas e estavam sendo reformadas e reorganizadas para voltar a produzir.
As cerâmicas desativadas são aquelas que suspenderam suas atividades há muito tempo e que
já tiveram sua estrutura total ou parcial desmobilizada, impossibilitando ações para retomar a produção. Estão entrando neste cadastro porque provam que naquele local existiu e ainda existem as condições básicas para produção de tijolos e/ou telhas, o que pode determinar a localização de empreendimentos futuros.
Por tratar-se de um setor muito dinâmico, é comum uma cerâmica mudar de uma categoria para outra, dependendo das oscilações do mercado. Portanto, os números aqui apresentados refletem a situação de momento em Abril/01.
Cerâmicas em atividade
Foram contabilizadas 79 cerâmicas em plena atividade. Estas cerâmicas produzem telhas, tijolos e lajotas; estão localizadas em 15 municípios da região e foram plotadas em mapa, conforme figura 8. Os dados aqui apresentados podem também ser comparados com aqueles do Diagnóstico do Setor Cerâmico do Rio Grande do Norte, realizado em 1989 pelo SEBRAE/RN (CARVALHO, 2001).
Figura 8: Mapa mostrando os municípios do Seridó com cerâmicas em atividade
Uma análise da tabela 2 mostra que em apenas 12 anos (de 1989 a 2001), o número de cerâmicas em atividade aumentou em 690%, passando de 10 distribuídas em apenas 5 municípios em 1989, para 79 distribuídas em 15 municípios em 2001. Supondo-se um crescimento linear neste período, então o crescimento do setor foi da ordem de 19% ao ano.
Tabela 2: Distribuição das cerâmicas em atividade no Seridó
ABRANGÊNCIA EMPRESAS EM
ATIVIDADE
SEBRAE (1989) SENAI (2001) SEBRAE
(1989) SENAI (2001) Variação (%) Caicó(2), Jardim de Piranhas(2), Parelhas(3), Currais Novos(2) e Acari
Caicó(3), Jardim de Piranhas(2), Parelhas(26), Currais Novos(4), Carnaúba do Dantas(14), Cruzeta(6),
Acari(4), Jucurutu(3), Equador(2), Santana do Seridó(3), Jardim do Seridó(8), Ipueira, Ouro Branco, São
Vicente e Cerro Corá
10 79 +690,0%
5 municípios 15 municípios FONTE: Adaptado de Carvalho (2001, p. 17, tabela 2)
Cerâmicas em Implantação/Reimplantação
Foram contabilizadas 3 cerâmicas em processo de implantação/reimplantação. Estas cerâmicas estão distribuídas em 3 municípios conforme mapa da figura 9.
Cerâmicas Paradas
Foram contabilizadas 4 cerâmicas paradas. Estão distribuídas em 3 municípios (ver figura 9).
Cerâmicas Desativadas
Foram contabilizadas apenas 2 cerâmicas desativadas distribuídas em 2 municípios diferentes (ver figura 9).
Dados colhidos por Seplan e Iica (2000), asseguram que no Seridó, a produção de telhas e tijolos de 8 furos é largamente predominante no segmento que tem capacidade instalada para gerar uma produção anual de cerca de 555 mil milheiros1 desses dois produtos.
Figura 9: Mapa mostrando os municípios do Seridó com cerâmicas em implantação/reimplantação, paradas ou desativadas
FONTE: Adaptado de Carvalho (2001, p. 21, figura 4)
Trata-se de um negócio típico de pequenas empresas, posto que 16% dos estabelecimentos têm menos de 20 empregados; 41% têm entre 20 e 30; e 43% contam com 30 a 50 empregados. Estima-se que o segmento emprega pouco mais de 3.200 pessoas (cerca de 3,5% da PEA regional), que recebem um salário médio de R$ 250,00. Os empregados residem predominantemente na zona urbana (82%), e têm o 1o grau (65%) ou o 2o grau (35%) de instrução, segundo a mesma pesquisa. Três quartos dos empresários têm instrução acima do primário, mas a grande maioria nunca participou de cursos de capacitação gerencial (88%) ou de capacitação ligada ao melhor conhecimento do processo produtivo (97%), conforme a mesma pesquisa.
Essa atividade apresenta bom padrão de competitividade, quando vista no contexto da região Nordeste, tanto que o mercado local absorve apenas 28% do total produzido, enquanto cerca de 70% da produção gerada no Seridó destina-se a atender a demanda de outros locais. Clientes importantes, fora do Estado do Rio Grande do Norte, estão distribuídos em Pernambuco (28%), Paraíba (25%), Bahia (17%), Sergipe e Alagoas (11%).
As principais matérias-primas utilizadas são a argila e a lenha, obtidas distante dos locais de produção (cerca de 60 km em muitos casos).
Dentre os problemas mais relevantes para a sustentabilidade da atividade destaca-se o impacto ambiental gerado pela degradação da caatinga, provocada pelo corte sistemático de lenha, que vem diminuindo na região. Além disso, a exploração da lenha tem significativo impacto sobre o solo, pois o desmatamento também provoca a degradação do mesmo. Aos problemas tecnológicos ligados ao uso da energia, e que geram impacto ambiental indesejado, se agregam problemas ligados ao processo de fabricação, geradores de perdas importantes. Dentre as principais razões para a baixa eficiência técnica e gerencial do setor, destacam-se:
i. existência de fornos de concepção “bem rudimentar” e construção própria; ii. utilização de sistemas de combustão deficientes;
iii. falta de instrumentação de controle dos fornos; iv. capacidade laboratorial nula;
v. secagem deficiente do material “marombado”; vi. reduzido nível de mecanização;
vii. utilização de mão-de-obra não qualificada; viii. baixo nível de investimento; e
ix. produto final pouco uniforme.
Problemática, de outra parte, é a sistemática de comercialização, feita em 84% dos casos via entrega direta ao cliente (muitos deles atravessadores), que em ¾ dos casos pagam a prazo (cerca de 30 dias, em 85% dos casos). A intensa disputa interempresarial leva à degradação dos preços e prejudica a rentabilidade do setor.
Dentre outros problemas apontados destaca-se o baixo investimento feito até hoje na qualificação gerencial, produtiva e laboral das pessoas que comandam ou atuam no segmento, num ambiente crescentemente competitivo. Tanto que o investimento em qualidade e produtividade dos produtos e da gestão dos empreendimentos também fica muito distante do padrão de exigência dos principais consumidores – a indústria da construção civil e os construtores independentes.
Para muitos empresários do segmento, a ausência de linhas de crédito adequadas às suas necessidades de custeio, sobretudo para realizarem estoques que lhes permitam atuar com mais regularidade no mercado, constitui um forte obstáculo a um melhor desempenho do setor.
Para Seplan e Iica (2000) a indústria de cerâmica no Seridó apresenta, dentre outras, características como as seguintes:
x Parelhas emprega mais de 1.000 trabalhadores, valendo ressaltar que esse é um dos segmentos que também faz uso do trabalho infantil (IICA, 1999). Estima-se que esses dados são inferiores aos do número de pessoas empregadas, de fato, nas cerâmicas do município;
x Carnaúba dos Dantas conta com cerca de 15 olarias, que são responsáveis pela geração de 1.000 empregos diretos e indiretos;
x as olarias de Cruzeta geram 400 empregos;
x as unidades existentes em Santana do Seridó estão sendo beneficiadas pela parceria realizada entre a Associação de Oleiros, governo do Estado, Prefeitura e Embaixada Americana, gerando 50 empregos diretos e produzindo 25.000 telhas diárias” (CONSÓRCIO TECNOSOLO; CEP, 1999); e
x o município de Equador tem como maior potencialidade as jazidas de caulim, feldspato utilizados na indústria de cerâmicas finas.
A exploração dessa atividade exige muito do solo, pois tem como combustível principal as árvores da mata, queimadas como lenha em seus fornos. Mas dela se origina uma grande diversidade de produtos: tijolos, telhas, louças de barro, artesanato de peças de cerâmica, entre outros.
Alguns municípios apresentam consolidada vocação ceramista, como é o caso de Parelhas, grande produtor oleiro, com importantes jazidas de matéria-prima. Por enquanto, a produção se restringe praticamente a telhas romanas. Os esforços que vêm sendo feitos suscitam a possibilidade de melhorar a qualidade dos produtos e de desenvolver outros produtos, capazes de superar a concorrência, o alto custo da produção, o mercado restrito, degradação ambiental e excessiva exploração da mão-de-obra (SEPLAN; IICA, 2000).