KURAMSAL ÇERÇEVE
5- Genital Dönem
2.4 Okul Öncesi Dönemde Sosyal Yeterlik
2.4.2 Okul Öncesi Dönemde Sosyal Yeterliliği Etkileyen Etmenler
2.4.2.1 Olumlu Etmenler (Prososyal Davranış, Sosyal Beceri ve Empati)
Desde 1982, as organizações de pessoas deficientes enviaram ao governador André Franco Montoro propostas para a criação de um Conselho Estadual que coordenasse a política governamental na área da deficiência. De acordo com Araci Nallin,
no início daquele ano, algumas entidades prestadoras de serviços de reabilitação e algumas secretarias começaram a se reunir com o intuito de criar um grupo de trabalho para estudar a criação de um órgão estadual nesta área. As entidades de pessoas deficientes, ao tomarem conhecimento destas reuniões, entraram em contato com o secretário da Promoção Social para solicitar a sua inclusão nos estudos, bem como uma revisão do trabalho desenvolvido sem a sua participação. O secretário atendeu às nossas solicitações e, no dia 5 de junho, convocou-se uma reunião com diversas entidades e elegeu-se o Grupo Executivo do Seminário com a
participação paritária de representantes das entidades de pessoas deficientes e entidades prestadoras de serviços ao lado das secretarias de Estado. Este grupo contatou a maioria das entidades de todo o Estado, solicitando sugestões para a política estadual que foram posteriormente condensadas num documento base para as discussões no Seminário (NALLIN, 1990, mímeo). De 21 a 23 de setembro de 1984, foi realizado, nas dependências da Associação de Assistência à Criança Defeituosa (AACD), em São Paulo, o 1º Seminário Estadual da Pessoa Deficiente, que contou com a participação de cerca de 700 representantes de pessoas deficientes e de prestadoras de serviço de diversas cidades do Estado, constituindo-se
numa vitória conquistada pelas entidades representativas das pessoas deficientes que, mantendo suas especificidades de pensamento e atuação, realizaram este trabalho em conjunto (NALLIN, 1990, p. 3).
Esse evento definiu a política estadual em relação às pessoas com deficiência e criou o Conselho Estadual para Assuntos da
Pessoa Deficiente (CEAPD)44, o primeiro órgão que contou com a
participação tripartite de entidades representativas de pessoas com deficiência, secretarias de Estado e entidades prestadoras de serviços na área da deficiência.
A ampla mobilização das organizações de pessoas com deficiência que tornou possível a realização do 1º Seminário Estadual e a criação do CEAPD também foi decisiva para barrar a concretização da Fundação Estadual do Excepcional, uma proposta das prestadoras de serviço aprovada pela Assembléia Legislativa.
44 O Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa Deficiente criado pelo artigo 1º do Decreto nº
23.131, de 19 de dezembro de 1984, passou a denominar-se Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa Portadora de Deficiência (CEAPPD e, agora, se chama Conselho Estadual para Assuntos das Pessoas com Deficiência.
Essa fundação ficou parada por pressão do movimento, até ser revogada, em 21 de setembro de 1989, de acordo com o Boletim do MDPD (ver abaixo).
O Encontro Paulista de Pessoas Deficientes, realizado em 7 e 8 de abril de 1990, em Jundiaí, interior de São Paulo, reuniu cerca de 400 participantes, em sua maioria, pessoas com deficiência. Nesse evento, militantes decidiram pela extinção do Conselho
Estadual para Assuntos da Pessoa Deficiente45. A decisão foi
tomada porque, dentre outras razões, os militantes souberam que o CEAPD havia decidido combater a criação do novo Conselho Municipal das Pessoas Deficientes, de São Paulo, porque havia propostas de fosse criado um órgão sem a participação de entidades prestadoras de serviço e secretarias de Estado. O CEAPD enviou uma moção de repúdio ao governador Orestes Quércia e à prefeita Luíza Erundina para desacreditar as mesmas lideranças que tinham contribuído para sua própria criação.
Dirigindo-se aos participantes desse encontro, Araci Nallin, representante do Núcleo de Integração de Deficientes, avaliou os dez anos do movimento organizado das pessoas deficientes e concluiu que, afinal, a criação do CEAPD
não representou um avanço muito grande, na medida em que a participação dos deficientes eleitos foi insignificante na condução política do órgão, que acabou sendo dirigido efetivamente pelas representantes governamentais e de Entidades prestadoras que se aliaram. Aos deficientes restou o papel de oposição e de serem cooptados. Na prática, isto resultou uma falsa solução. [Porque] há um órgão para cuidar da política oficial em relação aos deficientes, mas que efetivamente não atua nesse sentido (NALLIN, 1990, p.3).
Araci Nallin explica ainda que o caráter consultivo do CEAPD
foi uma opção das lideranças dos militantes que nunca ―julgaram
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Cujo nome foi modificado para Conselho Estadual para Assuntos das Pessoas Portadoras de Deficiência e, mais recentemente, para Conselho Estadual para Assuntos das Pessoas com Deficiência.
conveniente legitimar” um caráter decisório para esse órgão,
acreditando que “a deliberação deveria caber aos próprios
interessados reunidos em assembléias”. Entretanto, para decepção
dos militantes do movimento, o conselho, que ―não recebeu poder
para decidir pelos deficientes”, mesmo assim,
acabou ocupando um espaço que não é seu, autodefinindo-se como representante das pessoas deficientes. Uma representação que burocratiza o movimento na medida em que o Conselho se pretende estar acima da comunidade, ser da comunidade e ser governo ao mesmo tempo (NALLIN, 1990).
Ao mandar ao governador e à prefeita uma moção de repúdio contra o Conselho Municipal das Pessoas Deficientes), o CEAPD arvorou-se "a bancar o tutor das pessoas deficientes" (CRESPO,
1989, p.28). Diante disso, Araci Nallin convenceu-se de que “o
processo de criação dos Conselhos, principalmente o Estadual, foi mais importante e teve mais efeitos políticos em si mesmo do que a atuação do próprio órgão”. Para ela,
o movimento de deficientes não teve mobilização suficiente para conduzir a situação. Além de um fracasso político, houve um fracasso técnico. O Conselho não foi capaz de apresentar propostas específicas de trabalhos nos diversos setores (Educação, Saúde, Trabalho) executivos do governo, com conteúdo técnico viável. As propostas permaneceram a nível superficial, de reivindicação, sem que fossem transformadas em medidas práticas (NALLIN, 1990).
Para Cândido Pinto de Melo, o CEAPD foi criado, num seminário democrático, "inicialmente com grande expectativa". No entanto,
desde o início a atuação do CEAPD foi marcada por desentendimentos e brigas internas (até pessoais), causadas principalmente pelas diferentes visões do papel
deste Conselho. Para uns, o CEAPD era uma entidade representativa dos deficientes e, com isso, havia choques com as entidades DE46. Para muitos dos representantes do Governo no CEAPD, havia o temor de que as entidades DE mais politizadas e mais combativas, particularmente, NID, MDPD, AADF/Ourinhos e FCD, assumissem posição de destaque e isto ficou evidente quando da escolha do primeiro presidente, onde houve reunião prévia dos representantes do governo para votação em bloco. Algumas manobras contaram, inclusive, com apoio de representantes de algumas entidades PARA47 e eram facilitadas pela ausência de parte das entidades DE eleitas (principalmente, depois que o CEAPD passou a não pagar as ajudas de custo aos participantes de outros municípios). Na segunda gestão, 87/88, a manobra foi mais evidente. Com temor de ser eleito presidente um representante de deficientes "politizado", a manobra envolveu representantes de entidades PARA. Assim, foi eleito como presidente um representante de entidade PARA, em conchavo patrocinado por alguns representantes do Governo. A visão de alguns Conselheiros, ligados ao Governo Estadual era [para] fazer o rodízio e colocar alguém da Comunidade (entidade PARA) e manobrá-lo. No entanto, atritos posteriores levaram à sua renúncia e à crise latente no CEAPD tornou-se aberta. Na atual gestão que finda, parece ter melhorado. No entanto, já não há uma grande expectativa em relação ao CEAPD e a atuação deste Conselho tem sido tênue, como sempre, e nunca assumiu uma postura mais rígida de defesa dos portadores de deficiência mesmo que seja pelo cumprimento de legislação do próprio Estado. O CEAPD transformou-se em uma repartição pública convencional, do próprio governo, para encaminhar as questões dos deficientes e mesmo assim com força relativa, tendo em vista que sempre dividiu, antes com a Secretaria de Promoção Social e, hoje, com o Fundo Social do Palácio, o poder de determinar a política sobre as questões das pessoas portadoras de deficiência no Estado.
Araci Nallin acredita que isso ocorreu porque,
Pela análise de suas atribuições, o Conselho não recebeu poder de decidir pelos deficientes. Pela sua inação não exerceu sequer seu papel consultivo ou de assessoria junto aos outros órgãos da administração pública. O que
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Organizações formados e geridas por pessoas deficientes.
significou, então, a criação dos conselhos Estadual e Municipal, em termos de avanço da luta? Acredito que foi o reconhecimento das entidades de pessoas deficientes como um movimento organizado que ocupa um espaço social e significativo. Representou o reconhecimento, por parte dos organismos governamentais, de que a questão da deficiência deve ser respondida, ou seja, que se constitui em um problema social. O que não significa que se tenha dado uma resposta efetiva, mas, definitivamente, os poder público não pode mais simplesmente ignorar este segmento, ao menos, ao nível do discurso político. Representou, enfim, a conquista de um status de movimento social e político (NALLIN, 1990).
Ana Rita de Paula que, juntamente com Araci Nallin e Cândido Pinto de Melo, foi eleita como conselheira, na primeira gestão, garante que atuar no CEAPD era lidar com "disputas de
espaço e de representação bastante difíceis":
Eram lutas cotidianas, aparentemente, por coisas pequenas, detalhes, mas que, no fundo, eram muito importantes. Por exemplo, as reuniões eram agendadas para dias de semana porque os funcionários das entidades prestadoras de serviço e os representantes do governo queriam que elas acontecessem durante seu período normal de trabalho. No entanto, as pessoas deficientes não trabalhavam no poder público. Muitas tinham sua própria carreira e seus empregos sem nada a ver com a deficiência. Para essas pessoas era muito mais complicado faltarem ao trabalho ou mesmo pedirem dispensa para participarem de reuniões. Porém, os representantes do governo e os representantes das entidades prestadoras de serviço formavam a maioria e decidiram que as reuniões aconteceriam durante a semana, no horário comercial, prejudicando a participação das pessoas deficientes. Aos poucos, a gente começou a ver que as pequenas e grandes decisões acabavam sempre privilegiando os setores governamentais e das entidades prestadoras. Outro exemplo demonstrativo desse fato foi a questão do carro. O conselho estadual tinha direito a um veículo para sua diretoria. As pessoas deficientes reivindicavam uma perua tipo van, para transportar pessoas em cadeira de rodas. Mas, a Aida, presidente de então, que era uma pessoa não deficiente e representante da Secretaria de Promoção Social, exigiu e obteve um carro oficial comum. A própria eleição da
presidência foi um exemplo marcante de como os setores que representavam o governo e as prestadoras de serviço dominavam o processo de decisão dentro do conselho em detrimento dos interesses das pessoas deficientes. Outras gestões também corroboraram essa mesma tendência, elegendo representantes das entidades prestadoras. Na época, foram pequenos os períodos em que a presidência foi exercida pelas pessoas deficientes. No entanto, é importante deixar claro que, na verdade, a gente não reivindicava que, necessariamente, fosse eleita para a presidência do conselho uma pessoa com deficiência, mas, sim, que fosse escolhida uma pessoa oriunda do movimento de pessoas deficientes. A questão não era representar, no próprio organismo, a deficiência, mas, sim, ser a representante de um setor, de uma parcela componente do conselho. Todas essas disputas de poder provocavam extremo desgaste pessoal e dos grupos e o conselho andou sempre com muita dificuldade (Ana Rita de Paula).
Carmen Leite Ribeiro Bueno lembra que começou a envolver- se diretamente com o movimento de pessoas com deficiência, em 1986, quando passou a
representar a SORRI-BAURU no Conselho Estadual para Assuntos das Pessoas Deficientes (CEAPD), em substituição a Thomas Frist, que era o titular. Eu já conhecia algumas das lideranças desde os tempos de Bauru, participando de atividades e reuniões em São Paulo e as pessoas daqui também participavam dos eventos organizados pela SORRI-BAURU, como o primeiro seminário sobre reabilitação profissional, realizado em julho de 1980. Foi quando conheci Ana Rita de Paula e Araci Nallin. Em 1992, fui eleita Presidente do CEAPD, quando o movimento vivia uma crise em relação ao Conselho. Em 1990, tinha havido um encontro estadual, em Jundiaí, que comemorou os 10 anos do movimento e avaliou a atuação do CEAPD, criado em 1984, pelo Governador Franco Montoro. Como resultado dessa avaliação, o movimento decidiu pela extinção do CEAPD. Desde 1990, as entidades representativas das pessoas com deficiência tinham rompido com o Conselho. Ficaram as entidades prestadoras de serviço, as secretarias estaduais e algumas poucas entidades de pessoas com deficiência do interior do Estado. Por isso assumi, como meta prioritária, a tarefa de trazer o movimento das pessoas com deficiência de volta para o CEAPD, buscando lideranças como Ana Rita de Paula,
Araci Nallin, Gilberto Frachetta, Cândido Pinto de Melo, Luis Baggio Neto e Lia Crespo, enfrentando muitas dificuldades e resistências dentro do próprio Conselho, também. O auge dessa articulação foi a reunião organizada pelo movimento de pessoas deficientes na Estação Especial da Lapa. Havia uma quantidade muito grande de pessoas e quem coordenava a mesa era Araci Nallin, com grandes discussões e debates. Quando o Conselho realizou sua assembléia anual, em 1993, as pessoas com deficiência participaram da reunião e elegeram seus representantes. Como era de seu direito, a assembléia decidiu realizar algumas mudanças no Regimento Interno do Conselho. Uma delas, aprovada por unanimidade, aumentava em duas ou três entidades o número de representantes do movimento no CEAPD. Em função da manifestação de algumas pessoas, a Secretaria de Governo anulou as mudanças aprovadas pela Assembléia e deu posse por edital, no Diário Oficial, aos conselheiros eleitos, que se recusaram a assumir os postos. Em 1995, Dona Lila Covas assumiu a Presidência do Fundo Social de Solidariedade, estimulando a revitalização do Conselho. Foi convocada, então, uma nova assembléia que deu início a um novo momento do CEAPD. Considero que minha atuação junto ao CEAPD foi um dos momentos mais importantes na minha experiência profissional. Se não fosse por esse período, também não teria tido a oportunidade e a honra de conhecer e conviver com alguns dos líderes mais importantes do movimento de pessoas com deficiência (Carmen L. R. Bueno).