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B. KOLLUK YETKİSİNİN GENİŞLEMESİ

1. Olağanüstü Hal Rejimleri

“Quem semeia misturas, mal pode colher trigo. Se uma nau fizesse um bordo para o norte, outro para o sul, outro para leste, outro para oeste, como poderia fazer viagem? POR ISSO NOS PÚLPITOS SE TRABALHA TANTO E SE NAVEGA TÃO POUCO. Há de tomar o pregador uma só matéria, há de definí-la para que se conheça, há de dividi- la para que se distinga, há de prová-la com a Escritura, há de declará-la com a razão, há de confirmá-la com o exemplo, há de amplificá-la com as causas, com os efeitos, com as circunstâncias, com as conveniências que se hão de seguir, com os inconvenientes que se devem evitar; há de responder às dúvidas, há de satisfazer as dificuldades, há de impugnar e refutar com toda a força da eloqüência os argumentos contrários, e depois há de colher, há de apertar, há de concluir, há de persuadir, há de acabar”. (Pe. Antônio Vieira)

Interessou-nos aprofundar a dimensão Pascal da homilia, por isso, no decorrer desse trabalho de dissertação, nos ocupamos em demonstrar que a homilia celebra o Mistério Pascal, núcleo da pregação querigmática. Fazem-nos entender que a palavra proclamada deve ser refletida à luz do Mistério de Cristo, transformando em ação mistagógica, pois nos leva a viver com mais coerência a espiritualidade da celebração realizada.

No desenvolvimento do trabalho, já apresentamos algumas considerações finais, de modo que aqui, faremos um apanhado geral, apresentando-o de uma maneira sintética.

Ao dissertarmos sobre o Mistério Pascal na homilia: um serviço à comunidade por meio da Liturgia da Palavra, partimos do princípio de que tal momento na celebração é um ato litúrgico e, consequentemente tem a finalidade de manifestar que a Palavra de Deus anunciada, juntamente com a liturgia eucarística, seja como uma proclamação das maravilhas realizadas por Deus na história da salvação ou Mistério de Cristo.

A homilia pode ser entendida como um prolongamento da palavra da Escritura atualizada. Mas, assume como que a ressonância litúrgica revestida de espiritualidade de cunho orante, porém, não moralizante ou doutrinária.

O termo homilia é uma experiência de estar em companhia, ou seja, algo que gera conversa, visando um relacionamento profundo entre pregador e assembleia. Nesta perspectiva, o pregador deve propiciar um relacionamento mais íntimo e profundo dos fiéis com a Palavra de Deus, objetivando conversão.

Homilia é arte de aproximar as pessoas a Deus e Deus às pessoas. Com esta finalidade, o holimiasta enche-se de responsabilidade como pregador. Exerce o tipo de um promotor de encontro do humano com o Divino e do Divino com o humano. Por isso, se necessário for, o homiliasta busque meios pedagógicos para melhor expressar a Palavra de Deus através das homilias.

O objetivo da homilia é atingir o coração dos fiéis, possibilitando conversão, mudança de rumo, e mostrar a assembleia o itinerário a ser percorrido. Portanto, a homilia visa fazer com que os fiéis mudem de vida e avancem para as “águas mais profundas” (Lc 5, 4).

Ela nasce da inteligência e do coração do pregador. Isso acontece quando ocorre uma íntima escuta da palavra, quando ele (pregador) acolhe e medita ardentemente por meio da intuição e análise. O êxito comunicacional da homilia é fruto da familiaridade com os textos bíblicos, do olfato espiritual que aumenta a fé. Sem fé, a homilia se reduz apenas a chavões triviais, moralismo barato e improvisado, repetição de textos e, não poucas vezes, fundamentalismo.

Em suma, a homilia pode até chegar a ser cantiga de ninar para os fiéis dormirem, tipo chá de laranjeira, que não faz nenhum efeito na vida das pessoas. Quando elas (homilias) chegam a este ponto (moralistas e longas), é preciso rasgar o véu da síndrome da auto-suficiência de alguns pregadores que pensam que sabem tudo e se acham o máximo. E, acordar o dom do Espírito que dorme neles (pregadores), que não são nada mais, nada menos, do que simples instrumentos que Deus usa em favor de seu povo. 252

Portanto, ao usar destes meios, devemos antes de tudo nos preparar bem para que as nossas pregações não sejam meros discursos retóricos, palavreados, que em nada ajudam na vida dos fiéis. Mas, que sejam verdadeiras experiências pascais, pois o mistério de Cristo, também é o nosso mistério. Para que não sejamos simplesmente funcionários do sagrado, devemos antes de falar de Deus, falar com Deus, pois a falta de experiência d’Ele, no exercício das funções da comunicação homilética, torna nossas pregações, vazias e inconsistentes.

A homilia também se encontra no coração do Mistério Pascal. A Palavra também é vida nova, é experiência, é mistagogia; a Palavra também é partilha daí, surge à contribuição da Liturgia da Palavra para a comunidade. A Palavra testifica a vida, nos retira das trevas e nos faz encontrar a Luz.

Nenhuma fala humana pode exprimir devidamente o mistério de Deus e, contudo, não podemos calar-nos em face daquele que é o fundamento e a possibilidade de toda a nossa fala.

O nosso intuito neste trabalho foi mostrar que a homilia é a extensão do Mistério Pascal de Cristo, onde a proclamação da Palavra de Deus pela Igreja é decisiva para a fé do cristão, já que ela possibilita o acolhimento livre do Kerygma (anúncio) salvífico da pessoa de Cristo, possibilitado pela atuação do Espírito Santo. O kerygma e a acolhida da palavra são, portanto, fundamentais para a vida e a missão da Igreja e ocupam lugar central na liturgia, pois, a proclamação da palavra na liturgia torna-se para os fiéis a primeira e fundamental escola da fé.

A Igreja e o homiliasta deverão ainda abrir-se às amplas possibilidades e estilos intelectuais; enganjar-se no desenvolvimento de uma inteligência coletiva e convencer-se de que a tarefa da homilia, em geral, não se dá no isolamento e que só é viável se realizadora coletivamente na inter-relação, na multi-relação e mesmo na trans-relação entre saberes, competência e experiências tantos cognitivas como vitais.

Enfim, não será desejável uma única homilia, mas várias, interagindo e integrando saberes e sabores, prosas e poesias, palavras e imagem, lágrimas e risos, ou então, se pode aspirar pela concepção de uma única homilia, mas com muitas faces: sensível e polisensorial, afetiva e comunal, dialógica e democrática, multi e co-inteligente, inter-multi-disciplinar, humanizada e humanizante.

Não se pode esquecer, por fim, que a homilia se dá sempre no processo de construção e reconstrução do memorial da Páscoa de Jesus. Portanto, não seria demais repetir: a prédica é, em

parte, expectativa e, em parte, memória: é acontecimento, é instante, é anúncio, é ressurreição, é status praedicandi, é sedução em andamento, é silêncio em eloqüência e som em persuasão; enfim a homilia é (!). Nisso está o seu fascínio, seu encanto. Por um pouco é palavra esperada, num átimo, torna-se palavra encarnada, para logo a seguir submergir e ressurgir como memória sagrada, pela magia da misteriosa dança das palavras.

Finalmente, queremos nos valer da hermenêutica para deixar esse texto aberto a novos olhares, críticas e possibilidades. “Deve-se lembrar que a ciência litúrgica opera com graus de probabilidade e não com verdades acabadas” 253

Temos consciência dos limites e da polissemia deste, enquanto texto, por isso a possibilidade de outros olhares contribui poderosa e decisivamente para que haja um exercício dialógico e de grande crescimento acadêmico e pessoal.