C. KOLLUK TÜRLERİ
1. İdari Kolluk- Adli Kolluk Ayrımı
Acreditamos não ser possível tirarmos uma conclusão do trabalho, mas considerações ao seu término. Confessamos que foi uma pesquisa deveras problemática. Muitos dervixes não quiseram colaborar conosco, por não se sentirem à vontade em partilhar sua adesão a uma Tariqa, receosos em serem identificados por muçulmanos que não apreciam o Sufismo. Outros nos olhavam com olhar crítico, por acharem que estivéssemos a serviço desses muçulmanos que não gostam do Sufismo, mesmo após termos nos identificado como pesquisadores, muçulmanos e dervixes.
Identificamos oito Turuq em São Paulo e acreditamos que mantermos contato com sete delas tenha sido um ótimo resultado para nossa pesquisa. Conseguimos conversar com seus líderes, participar de seus rituais e encontros, enfim, observar suas vidas como dervixes.
No entanto, cremos que a proposta inicial deste trabalho em mostrar a presença do Sufismo e das Ordens Sufis em São Paulo, mostrando os diversos contextos em que estão inseridos, a relação existente entre as Turuq e destas com as comunidades muçulmanas não Sufis ficou bem clara.
O objetivo deste trabalho foi o de oferecer, juntamente com informações que consideramos relevantes e pertinentes, perspectivas para compreensão de algo muito distante à maioria dos brasileiros, que nem imaginavam que existisse algo parecido em nosso país. Se muitos desconhecem que há crentes do Islã, imagine-se, então, místicos muçulmanos.
Perceber o engajamento dos dervixes em várias questões, suas estratégias de manutenção e pertença foram resultados que conseguimos auferir e que foram transmitidos em nosso trabalho.
Como disse anteriormente não temos a pretensão de termos encerrado a questão. Nosso trabalho é introdução a outros pesquisadores, que poderão pesquisar mais amiúde os grupos citados ou, até, identificar outros dervixes que não conseguimos encontrar. É nossa contribuição à comunidade acadêmica, que não ainda não tinha atentado para essa fatia populacional brasileira.
Nosso objetivo de identificar as Turuq que existiram e existem no Brasil, apontando a presença do Sufismo em nosso país, fazendo um balanço da relação entre muçulmanos Sufis com as comunidades em que estão inseridos foi conseguida, pois discutimos isso em cada uma das Turuq analisadas.
Acreditamos que conseguimos introduzir o leito no universo do Islã e do Sufismo, identificando os postulados principais do Sufismo, seu papel na religião islâmica, qual a sua
infuência no comportamento dos dervixes, demonstrando as suas raízes históricas e relações com os outros (dervixes, muçulmanos não-dervixes e não muçulmanos).
Também conseguimos descrever as Turuq que encontramos em São Paulo com um extenso trabalho de campo, muitos acompanhamentos de rituais e algumas entrevistas abertas, mantendo relação cordial com todos os dervixes que encontramos. Conseguimos, também, através do fenômeno do Sufismo, expandi-lo para compreensão do Islã, talvez a maior contribuição deste nosso trabalho.
Como se pôde verificar na análise das Turuq em São Paulo há dois tipos existentes: uma secreta (Tariqa Maryamiyya) e as demais abertas. Entre estas, a maioria, excetuando-se a Tariqa Sadhiliyya Yashrutiyya, possui um viés propagandista com página de Internet e uma preocupação com a divulgação do Islã, como fonte religiosa.
Algumas Turuq, de forma institucional, não se preocupam com a opinião de grupos contrários ao Sufismo, como a Tariqa Sadhiliyya Yashrutiyya, a Maryamiyya, a Jerrahiyya e a Naqshabndiyya Khalidiyya. Outras, ao contrário, são bastante atuantes na questão da refutação da opinião dos chamados Salafin, como as Turuq Tijaniyya, Shadhiliyya ‘Aliwiyya e Naqshbandiyya Haqqaniyya.
Com exceção da Tariqa Mariyamiyya, que não se envolve em nenhuma questão social, as demais possuem forte atuação. Participam de discussões sobre o Islã e dedicam-se a difundir as ideias das Turuq em páginas de Internet. Entretanto, o que pudemos verificar é que há um trabalho de resistência às críticas perpetradas por outros grupos, tentando estabelecer seu significado no espaço religioso brasileiro.
A adesão ao Sufismo da maioria dos brasileiros se dá pela busca do misticismo, esoterismo e/ou ocultismo. Comumente muitos deles já participaram de Ordens iniciáticas, como a Rosa-Cruz, Martinismo e Maçonaria, entre outras. Das pessoas com quem conversamos isso foi bastante presente. Há outras que, já convertidas ao Islã, procuraram algo mais acalentador, mais devocional, que não encontravam no Islã não-Sufi. Poucos, no entanto, tinham esse viés.
Também se observou, entre as pessoas que aderem às Turuq, um forte senso crítico. A maioria deles possui formação acadêmica e são bastante atenciosos na questão do Islã, com uma preocupação no estudo da língua árabe e nas tradições do Islã, especialmente no conhecimento dos Ahadith. Isso nos mostrou que, contrariamente a outras opiniões, o Sufismo não se afasta da ortodoxia, do estudo das ciências islâmicas, da prática islâmica diária. Esses dervixes brasileiros têm a clara noção que fazem “algo a mais”, considerando a si mesmos como muçulmanos que buscam o sentido total da religião, não divorciando a
prática da Tariqa com a prática do Islã. Também não enxergam nenhum tipo de incompatibilidade, ao contrário, praticam o Sufismo, pois o consideram como algo indissociável ao Islã. Às críticas ao Sufismo, refutam-nas com Ahadith e opiniões de vários sábios do Islã, por isso a preocupação em conhecer as ciências islâmicas.
Com o trabalho que fizemos acreditamos que pudemos colaborar com a Academia, de forma a trazer melhor entendimento do Islã e seu caminho místico, o Sufismo. Reafirmamos que este trabalho não tem a ideia de ser algo proselitista ou de defesa do Sufismo, mas mostrar como as Turuq e seus membros veem a si mesmos, que acreditam praticar o Islã plenamente.