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Okullar Arası Başarı Farklılıkları Nasıl Azaltılabilir

As ideias gerais contidas nas conceituações de cooperativa, cooperativa popular, economia solidária entre outras discutidas anteriormente são a base do pensamento doutrinário cooperativista. São ideias vinculadas a ideais com valores abrangentes e perenes no tempo. Valores que dão origem e precedem os princípios, que são adaptáveis ao tempo e lugar.

As cooperativas populares como organizações democraticamente controladas pelos seus sócios contam, nas suas políticas e decisões, com a participação ativa de todos cooperados. O voto singular, isto é, cada sócio um voto, ganha importância, pois dá direito a todos influírem nas decisões. No entanto, a simples proclamação da democracia e os procedimentos adotados em seu nome nem sempre preservam a igualdade, a equidade, o respeito e a solidariedade. A democracia cooperativista é mais abrangente do que a prática do voto singular: é a dotação de processos decisórios

específicos e adequados à vertente político-social e outros específicos e adequados à vertente negocial da entidade, garantindo o equilíbrio entre a função social e a econômica da cooperativa. (IRION, 1997 p.49)

Para o mesmo autor,

[...] a democracia cooperativista não tem o sentido apenas da forma de governo. Ela tem o significado da participação em todas reuniões, do direito de opinião, da oportunidade do exercício das funções diretivas, do respeito ao direito das pessoas ainda que divergentes, do voto sem que para isso se leve em conta os investimentos e a adoção pelo quadro social de regras dentro dos preceitos estatutários e legais. (IRION, 1997 p.49)

No caso das cooperativas populares, ela também está estreitamente definida nos contornos da sua concepção: seus beneficiários, em tese, são necessariamente os cooperados. Na prática, como se observa, não tão necessariamente!

162 Todavia, o episódio do roubo na COEMBRA, já citado neste estudo, revela como prevalece, na cooperativa, a atitude de contornar, com outros discursos, até problemas muito graves. Por outro lado, esses discursos, como se observou, não são tão convincentes a ponto de superar completamente questões difíceis. Acerca desse roubo, por exemplo, percebeu-se muita inconformidade por parte dos cooperados. Foi traumático e a dúvida sobre o acerto da decisão ainda permanece. Parece ser da nossa cultura deixar para traz os efetivos acertos de grandes corrupções e desfalques. A esse respeito, cabe o comentário de um integrante da equipe da ITCP/UFPR sobre as diferenças de atitudes no cultivo de valores no Canadá. Ali, o cooperativismo tem espaço e importância muito maiores: A “cultura começa na escola, onde não se estimula a competitividade. A história é diferente, não precisam de heróis. E onde os erros premeditados são tratados com muito mais rigor” (informação verbal).

Da nossa cultura também é a hierarquização nas relações sociais e produtivas. Assim, no caso das cooperativas, embora a participação tenha sido, de fato, estendida a todos os cooperados, a presença do grupo dos entendidos reproduz a segmentação existente na sociedade e na empresa capitalista. Foi o que provocou o sentimento de diferenciação e, conseqüentemente, de rebeldia por parte de alguns cooperados sobre a forma de participação deles na COEMBRA, repercutindo na eficiência das atividades.

A respeito dos cargos na COEMBRA, as mulheres ocuparam, momentaneamente, as funções consideradas masculinas dentro da cooperativa por duas razões: primeiro, por serem capazes de desempenhar as tarefas ditas masculinas além da disposição em aprendê-las, por vezes, apenas pela própria observação; segundo, pela necessidade de ocupar o espaço aberto em virtude das diversas crises e saídas de cooperados. Nem por isso ganharam maior reconhecimento. Como se observou, a origem do problema está nas relações sociais e não nas normas ou valores como responsabilidade, democracia, equidade, honestidade e transparência, valores esses prezados pela maioria dos cooperados.

163 Diante do exposto, perguntar-se-ia: cultural seria, no nosso meio, a falta de controle dos gastos coletivos, na sociedade e na cooperativa? Como se sabe, o uso de recursos é normalmente delegado a superiores passivamente, em confiança. Não há uma forma natural de controle, além do que é previsto, pois torna-se constrangedor perguntar sobre o destino de verba; pode significar desconfiança, pode ofender! E assim, propicia-se a reprodução da cultura do não acesso ao controle dos gastos que mantem o status quo de nossa sociedade e isso se reproduz na cooperativa. Desse modo, torna-se trivial, o associado não participar das decisões financeiras da cooperativa nem conhecer critérios de gastos. Torna-se trivial também não dar a devida dimensão às dúvidas e questionamentos de uma cooperada mais idosa que, ao final, foi obrigada a se afastar em decorrência de problemas de saúde, fruto dessas situações. Enfim, a participação feminina, ao suprir a ausência dos homens, inclusive dos entendidos, que, por alguma contingência ou opção, deixaram de estar presentes, desvela a discriminação sexual reproduzida na cooperativa.

Essa forma de comportamento, moldurada, historicamente, pela sociedade indica o forte valor social agregado na aceitação de papéis do homem na esfera produtiva e da mulher na esfera reprodutiva. Essa questão veio à tona quando foram discutidas as ausências de amparo previdenciário e de segurança no trabalho, bem como a sugestão da incubadora de criar um fundo para essa destinação específica. Como se vê, nenhum fundo foi constituído. Foram relatados, porém, episódios de assistência a cooperados que passaram por momentos difíceis como de acidentes e doenças. Soube-se que, nesses casos, a cooperativa teria procurado apesar das dificuldades internas, efetivamente, ajudar os necessitados garantindo-lhes a cesta básica para a família. A solidariedade esteve presente nessas circunstancias. Como se verificou nas entrevistas, essas situações propiciaram a promoção de valores éticos de honestidade, transparência e compromisso com os demais associados diante de dificuldades. Assim, os que tinham condições de sobrevivência, afastaram-se para dar espaço aos mais necessitados nos momentos em que a cooperativa não podia garantir trabalho a todos.

164 Ficou claro, também, nas entrevistas, a forma pela qual a experiência de incubagem proporcionou a muitos cooperados, até os que hoje estão afastados da cooperativa e mesmo ex-cooperados, condições diferenciadas à vida profissional, ampliando seus conhecimentos e possibilitando-lhes melhor qualificação e inserção formal no mercado de trabalho e, mesmo pessoal, melhor relacionamento na família e na vida social. As transformações mais evidentes estão relacionadas às perguntas sobre legitimação e preocupação com o sistema de valores e regras inspiradoras dos comportamentos coletivos. Todos que fizeram cursos de qualificação ampliaram seus conhecimentos e oportunidades de trabalho.

Por outro lado, a experiência de incubagem da COEMBRA nesse aspecto mais contribuiu com a universidade do que a universidade com ela. Dos membros da equipe, especialmente os discentes, ela proporcionou o que nenhuma disciplina dos seus cursos poderia oferecer: um laboratório social no qual puderam interagir com problemas concretos da vida de pessoas na luta pela sobrevivência. A reestruturação dos valores fundamentais no interior do grupo e da equipe traduziu-se numa prática mais consciente e questionadora do modo de distribuição do poder, das normas e recompensas, cada vez mais longe de comportamentos conformistas. A participação dos alunos, em média, totalizou trinta alunos no período de 2005/2006, como informação da coordenadora. Ela considera esse número de alunos pouco significativo para os resultados a atingir.

Mas com relação à dimensão educativa, na cooperativa popular, esses valores podem concorrer para prevalecer ou sobrepor-se às demais dimensões em diversas situações, também educativas, de outras esferas da vida deles como da igreja, da TV, da escola, do trabalho, da comunidade, entre tantas. Certamente, enunciados sobre os valores e princípios da cooperativa popular tocaram as pessoas que nela trabalham. Modificaram seus discursos, após sua entrada na cooperativa. Por fim, como dito anteriormente, os vários depoimentos evidenciaram mudanças significativas na vida dos cooperados em termos de visão de mundo, objetivos, situação social e cultural.

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