DÖRDÜNCÜ BÖLÜM
4.3 Okulların Sosyoekonomik Düzeylerine Göre HLM Analizler
Como mencionado anteriormente, as professoras utilizaram narrativas de eventos anteriores de suas aulas no discurso das sessões de visionamento. As narrativas foram quantificadas e categorizadas a fim de entender qual o propósito argumentativo das professoras em utilizá-las ao fornecerem explicações ou justificativas aos pedidos de esclarecimento feitos pela pesquisadora. Essa análise serviu para identificar se as
professoras utilizavam as narrativas para exemplificar sua argumentação, justificando suas escolhas com relação à sua abordagem do ensino de gramática – no caso da utilização de narrativas do padrão dedutivo ou indutivo; ou se a narrativa era incluída no discurso como uma forma de distanciamento do propósito da sessão de visionamento – no caso da utilização da narrativa do padrão abdutivo (ver capítulo 2 de metodologia).
A professora Ana utilizou um total de quatro narrativas na primeira sessão de visionamento. Dessas quatro, 100% foram do padrão dedutivo, ou seja, a professora apresentava um argumento, em seguida a narrativa, e em alguns casos fechava com o mesmo argumento introdutório.
Excerto 40
A: [...] E quando a gente esquematiza aí eles têm certeza se aquilo que eles estão fazendo está
certo ou errado. (++) então no final do trimestre, o que eu tinha dado era invitations, né,
com would. Tinha dado o can, eeh, e as respostas. Basicamente foi isso eeh, invitations com
would e para responder can, need to eeh have to. Aí eu fiz um esqueminha. O quê que
significa cada um, “o can is a possibility, need is a necessity”[...] então eles, depois no final de tudo, né, de ter dado esses vários exemplos, aí eu esquematizei para eles. Para eles
estudarem para prova, ficarem mais tranqüilos é melhor. Eles acham e eu também acho.
(SVA1)
O excerto 40 traz a utilização por parte de Ana, na primeira sessão de visionamento, de uma narrativa no padrão dedutivo. A professora inicia sua fala, linhas 1 e 2 em itálico, apresentando a razão de trazer a narrativa para seu discurso, ou seja, o fato de apresentar o conteúdo aos alunos de maneira mais sistematizada. Em seguida, nas linhas 2 a 6 em negrito, a professora narra um episódio em que ela agiu dessa maneira em sua aula. Finalmente, Ana fecha sua fala resgatando o argumento inicial, linhas 7 e 8 em 1 2 3 4 5 6 7 8
itálico. A professora demonstra que parte da função da estrutura lingüística a ser trabalhada e, após, muita prática, sistematiza-a, ligando a forma ao significado.
Do total de falas analisadas de Ana nas sessões de visionamento (58 – SVA1 e 37 – SVA2) dessa primeira etapa da fase 1 da pesquisa a utilização de narrativas aconteceu somente em 6,89% na SVA1 e 5,40% na SVA2. As narrativas foram utilizadas em 100% dos casos no padrão dedutivo, ou seja, a professora introduzia as narrativas verbalizando a razão pela qual elas eram importantes em suas justificativas e reflexões acerca de sua prática pedagógica.
QUADRO 9
Distribuição do uso de narrativas do discurso de Ana
Ana SVA1 SVA2
Narrativas Dedutivas 04 02
Narrativas Indutivas 00 00 Narrativas Abdutivas 00 00 Total de narrativas 04 02
Total de falas analisadas 58 37
A utilização desse padrão de narrativa por Ana demonstra que ela conseguiu verbalizar sua prática mostrando uma consciência de suas ações, uma vez que a professora as utiliza como forma de contextualização dos argumentos utilizados. Desta forma, a justificativa para suas ações vem através da própria prática com os eventos específicos narrados.
A professora Lucia utilizou 12 narrativas na primeira sessão de visionamento e 10 na segunda sessão. Do total de falas analisadas em cada sessão, ou seja, 48 na SVL1 e 35 na SVL2, a utilização de narrativas aconteceu entre 25% e 28%, respectivamente. Em
SVL1 foram 5 narrativas (41,63%) do padrão dedutivo e 7 (58,33%) do padrão abdutivo. O excerto a seguir traz uma ocorrência do padrão dedutivo no discurso de Lucia.
Excerto 41
L: Assim, por exemplo, no livro, os exercícios que tem no livro lá, assim, não têm (+) não é muito
variado não, os verbos são um pouco repetitivos. E esses verbos, alguns voltaram, olha aí.
Antes disso aí, eles estudaram regular e irregular, agora que eu lembrei. Eles fizeram um
passeio para Ouro Preto, e eu usei com eles, eu falei para eles para eles fazerem um cartaz com o quê que eles tinham visto, comido, gostado, não gostado, mas tudo passado. E eles fizeram (+) um painel fotografias. Aí quem não foi eu falei que podia fazer de uma outra cidade, recortar gravuras, inventar também uma cidade fictícia, e eles usaram. (SVL1)
No excerto 41, Lucia expõe primeiramente o argumento de que os verbos apresentados pelo material utilizado são trazidos em número reduzido, além de serem repetitivos. Em seguida, ela narra um evento passado para mostrar que os verbos são trazidos novamente para que os alunos os utilizem. Pode-se perceber que o foco é na forma lingüística (verbo regular e irregular) e a contextualização vem a posteriori. Entretanto, essa contextualização não significa adequação ao uso, pois não se problematiza a função comunicativa da atividade, ou seja, para que o cartaz foi produzido, para qual audiência, etc.
O grande número de narrativas do padrão abdutivo na primeira sessão de visionamento de Lucia demonstra a dificuldade da professora em atender ao propósito da sessão, ou seja, o de verbalizar sua prática, analisando-a e justificando-a. Contudo, na segunda sessão de visionamento Lucia não utilizou nenhuma narrativa com a função abdutiva, das 10 narrativas utilizadas, 8 foram do padrão dedutivo (80%), e duas do padrão indutivo (20%). Isso demonstra que Lucia conseguiu utilizar as narrativas como exemplificações de seus argumentos.
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O excerto a seguir traz uma ocorrência de narrativa do padrão indutivo, ocorrida na segunda sessão de visionamento.
Excerto 42
L: isso, é. Aí eles fizeram as frases xxxx. Aí eu scanniei as gravuras e na prova eu pedi pra
eles relacionarem as frases com as gravuras. Eles fizeram isso na prova. Aí eles lembraram, “ah as frases que nós criamos”, eu selecionei algumas. Então assim não ficou
só aquele negócio preencha isso, faça isso. Aquela coisa maçante. Realmente, eles fizeram uso daquilo que eles tinham visto em sala de aula. (SVL2)
No excerto 42, a professora narra um episódio no qual os alunos fizeram uma atividade de elaboração de frases. Posteriormente, ela apresenta o motivo de ter narrado esse fato, para mostrar que os alunos fizeram uso da estrutura que havia sido ensinada. A professora vê o aspecto positivo da atividade e demonstra que o seu entendimento de uso fica no nível sentencial.
A seguir, apresento o quadro com a distribuição das narrativas do discurso da professora Lucia.
QUADRO 10
Distribuição do uso de narrativas do discurso de Lucia
Lucia SVL1 SVL2
Narrativas Dedutivas 05 08
Narrativas Indutivas 00 02
Narrativas Abdutivas 07 00
Total 12 10
Total de falas analisadas 48 35
O que pode ser percebido na distribuição do uso de narrativas no discurso de Lucia é que na primeira sessão de visionamento a professora teve uma dificuldade maior 1
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em verbalizar sua prática, fazendo mais uso de narrativas do padrão abdutivo, ou seja, sem justificar o porquê de trazer determinados eventos para sua fala. Entretanto, na segunda sessão de visionamento, a professora conseguiu justificar mais o motivo de utilização de narrativas, por meio do padrão dedutivo e indutivo.
A análise das narrativas ocorridas no discurso das professoras visa a verificação do uso das narrativas na elaboração das justificativas das professoras com relação à suas escolhas pedagógicas quanto ao ensino de aspectos gramaticais. O que pode ser percebido é que Ana desde a primeira sessão de visionamento utiliza narrativas como forma de exemplificar suas justificativas. Já Lucia, a princípio, utiliza as narrativas como uma forma de exemplificação pela exemplificação sem uma justificativa para essa utilização. Posteriormente, Lucia passou a utilizar as narrativas também como meio de exemplificar suas justificativas.
Nesta parte do trabalho, apresentei a análise feita quanto ao uso das narrativas no discurso das professoras nas sessões de visionamento. Essa análise da função das narrativas é reforçada com a análise das falas das professoras, que será apresentada a seguir e ambas visam responder a terceira pergunta desta primeira etapa da pesquisa, ou seja, se as professoras foram capazes de refletir sobre suas práticas pedagógicas acerca do ensino de aspectos gramaticais.