C. İşyeri Kavramı
4. OECD’nin İşyeri Tanımını Elektronik Ticarete Uygulamasına Ulusların
Como visto no tópico anterior, na João de Barro a proibição era muitas vezes justificada pela lei. Nas nossas observações em sala de aula presenciamos muitos momentos em que os professores não permitiam o uso do celular, mas essa atitude geralmente acontecia
quando, ao fazer o uso, o aluno se distanciava do que estava sendo proposto pelo professor, como pode ser visto no trecho do diário de campo de uma pesquisadora:
Depois de explicar o conteúdo, a professora passou um exercício e foi de carteira em carteira tirando dúvidas e checando se estavam fazendo a atividade. Um dos alunos, que estava perto de mim, passou a aula toda ouvindo música pelo celular. Enquanto todos estavam resolvendo a atividade e a professora estava passando de carteira em carteira, ela foi até o aluno (que nesse momento estava ouvindo música de cabeça baixa) e pediu para que ele se ajeitasse, tirasse o fone, desligasse o celular e começasse a fazer o exercício. Ela falou de forma tranquila. O aluno a atendeu. (D.,2015)
Apesar da proibição, percebemos que os professores estavam interessados em pensar na possibilidade do celular como uma ferramenta pedagógica. Cada um no seu ritmo, uns ainda com um pouco de resistência, seja por não saber usar ou até mesmo por não saber os efeitos que essa “liberdade” pode gerar; outros dando espaço para situações que surgiam no cotidiano e conseguiam mediar, como no caso vivenciado por uma professora:
Eu ia passar uma atividade pra casa sobre ética: ‘pense sobre o que você entende sobre ética e descubra o seu significado’... Algo assim. Uma coisa que eu não tinha discutido na aula. Mas nesse dia eu tinha falado sobre corrupção, pequenas corrupções, e queria abordar esse tema, então disse pra eles pesquisarem em casa. E aí um deles: - Não professora, eu resolvo isso aqui agora. Mexeu no celular e na hora: - Tá aqui a definição de ética. Aí me mostrou e eu achei interessante. Eles mesmos com o 3G deles, que é 3 vezes mais rápido que o meu, procuram ali rapidinho, já contam para os outros colegas. E é uma coisa que é muito rápida, porque eles passaram por whatsapp um pro outro a definição e cada um foi copiando. Eu fiquei: - Meu Deus! Não tinha nem pensado nisso! Ou seja, uma atividade que ia acabar ficando pra casa, ficou pra classe. Eles resolveram lá rapidinho. (I., 2015)
Uma imagem do fanzine (a seguir) retrata a dúvida que paira sobre a decisão de permitir ou proibir, mesmo quando o motivo é um trabalho escolar: “o trabalho é para pesquisar, quando levo o celular não posso utilizar. A lei diz que é proibido, mas como vou fazer o que foi pedido?”.
Página do fanzine sobre a lei e o uso do celular
Fonte: fanzine construído pelos professores (2016)
Essa dúvida e inconstância dos professores em relação ao uso do celular em sala de aula pode ser compreendida a partir do momento em que entendemos que a incorporação das novas TIC (Tecnologia de Informação e Comunicação), ou seja, das tecnologias digitais, nas escolas envolve não só docentes e alunos, mas também recursos tecnológicos, instrumentalização, espaço, questões políticas e econômicas, entre outros (LOPES; MELO, 2014).
A história das TIC, de acordo com Lopes e Melo (2014), pode ser compreendida a partir de 3 gerações de equipamentos: primeiramente através do jornal, TV, cinema, fotografia e telégrafo; em seguida, programas de rádio especializados, TV a cabo, revistas, videocassete, videogame; e nos dias atuais, a geração digital, com a característica de convergência de todas as mídias. Durante suas atividades escolares, as crianças e os adolescentes dessa geração
interagem simultaneamente com diversas atividades ao realizar o dever de casa: ouvem música, falam ao telefone, exploram a internet, entre outras. Por conseguinte,
as características marcantes (...) são o dinamismo e interatividade em tudo que fazem, principalmente no âmbito estudantil (GROSSI e FERNANDES, 2014, p.56).
As novas formas de ser dos alunos, incluídos nessa geração digital, pressupõem também em novas formas de aprender. Imersos em uma cultura imagética, de rápidos processamentos e conexões simultâneas, os jovens passam a requerer uma nova forma de ensinar.
Os novos modos de aprender dos alunos colocam em questão os modos com os quais os professores aprenderam e os métodos que, consequentemente, utilizam para ensinar. Já os alunos precisam se esforçar para aprender através de métodos de ensino que se distanciam daqueles com os quais eles próprios aprendem diariamente (LOPES; MELO, 2014, p.57).
Na tentativa de equacionar essa situação, algumas medidas são tomadas. No Brasil, as novas TIC chegam às escolas públicas, através de iniciativas governamentais, como é o caso do Programa Nacional de Tecnologia Educacional (ProInfo)22. Sobre este, importantes ressalvas são pontuadas por Lopes e Melo (2014):
O caráter recente da chegada das novas TIC no contexto educacional e no cotidiano de muitos professores e alunos, assim como o surgimento de obstáculos no processo de integração dessas tecnologias em suas práticas contribuem para que o panorama atual seja ainda incipiente no que diz respeito à presença e qualidade dos recursos tecnológicos nas escolas, à frequência e aos tipos de uso desses. Muitas instituições não possuem tais recursos ou esses não se encontram em condições adequadas de funcionamento. Entre aquelas que contam com bons recursos, alguns estudos apontam que há muitos professores que ainda não fazem uso ou pouco utilizam o computador e a internet em aulas. (p.51)
À primeira vista podemos enxergar 2 lados divergentes: de um lado, jovens conectados e desejantes de novas formas de aprender e de outro, professores ultrapassados e sem vontade de mudança no estilo de ensinar. Na João de Barro, assim como em outras instituições, encontramos lados que não necessariamente são divergentes, cada um traz suas particularidades e incertezas, mas não são opostos. Não são todos os professores que estão indispostos no processo de inserção das TIC em sala de aula, não são todos que não acreditam que estas podem trazer procedimentos interessantes. Na verdade, encontramos professores de olhos abertos para as possibilidades e querendo fazer da rotina escolar algo bom para ambos os lados.
Com dito anteriormente, em muitos momentos os professores já usavam novas mídias para mediar suas aulas. Porém, elas geralmente apareciam apenas como um meio para
22 A partir da implantação de laboratórios de informática nas escolas, tal Programa promove o uso pedagógico das TIC.
expor o conteúdo: uso de data show, uso do laboratório de informática para apresentação de slides nos computadores ou para passar vídeos sobre assuntos específicos. Outros como apropriação e campo de expressão, como no caso da professora de Português, citado no primeiro capítulo, que possibilitou que os alunos realizassem vídeos através do celular para apresentar para a turma um trabalho sobre um clássico da literatura.
Com o curso, abordando principalmente a temática do celular, percebemos alguns usos surgindo, tais como:
- permissão para fazer pesquisa no momento da aula. Vários professores relataram situações em que permitiram ou até solicitaram aos alunos fazerem pesquisas pelos seus celulares no momento da aula;
- criação de vídeos para apresentar trabalhos. Uma professora do curso, que praticamente não tinha contato nenhum com o celular (usava um bastante simples, só para receber e realizar chamadas) e não permitia o uso em suas aulas, nos comentou sobre um trabalho que faria com os alunos: “eu vou trabalhar como eles a comunidade que eles vivem. O meu objetivo é proporcionar aos alunos uma reflexão sobre os problemas da comunidade. A proposta vai ser uma aula interativa. Eles vão criar vídeos e documentários. E tudo vai se resumir ao celular e internet” (A., 2016).
- autorização do uso de redes sociais para atividades escolares. Muitos professores passaram a legitimar o uso do whatsapp no momento de resolução de trabalhos em grupo, alguns até fazendo parte desses grupos virtuais. Uma professora também nos relatou sobre um trabalho usando charges, “memes”23 e o facebook:
Eu vou trabalhar com charges e memes sobre o coronelismo, voto de cabresto, política do café-com-leite. Vou fazer uma comparação entre a política dessa época e a política atual. Eu e eles vamos procurar imagens e vídeos no
facebook sobre política. Vamos usar o celular. Eu fiquei de enviar um TD pra eles
resolverem também e vou enviar pelo face, assim eles podem baixar e resolver (R.,2016).
Na literatura não se encontra estudos que mostrem a eficácia ou não do uso do celular como ferramenta pedagógica, o que se tem são estudos que apontam para a confluência da mídia com a educação e o celular aparecendo com uma tecnologia bastante utilizada pelos jovens na atualidade. Também é possível, como apresentado na introdução desse trabalho, encontrar estudos sobre o uso de aplicativos ou programas que podem ser acessados via celular para os estudos de matérias específicas (matemática, física, geografia, entre outras).
O interessante, ao acompanhar todo o processo do curso na João de Barro, foi ver os docentes criando situações possíveis para o uso do celular ou de outras mídias a partir da própria experiência deles. Permitindo ou proibindo a partir da forma como eles vão se desenvolvendo junto com a turma e assim, usar o celular ou não o celular em sala de aula não é uma possibilidade que fica amarrada a proibição da lei ou às expectativas de aulas diferentes e mais interessantes para os alunos, ou seja, “Celular em sala de aula? Depende!”. A seguir, vamos apresentar o produto final do curso e discutir sobre as novas vozes que chegaram ao território da João de Barro.