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Já com relação aos aspectos históricos, a que se perceber que os Acordos de Roboré acabaram por promover a resolução de uma série de querelas que afetavam as relações existentes entre os dois estados, quer pela não delimitação das suas fronteiras, quer pelo não cumprimento das obrigações constantes do Tratado de Petrópolis.

Os Acordos de Roboré, como descritos foram subprodutos dos Tratados realizados em 1928 e 1938 entre Brasil e Bolívia, sendo que estes tratados descreviam a determinação de limites entre os estados, a instalação de ferrovias entre eles e uma nova questão que seria o aproveitamento do Brasil do petróleo produzido na Bolívia.

Ocorre que o Brasil, promoveu a criação da ferrovia descrita nas obrigações do Tratado de Petrópolis, mas a Bolívia acabou por entender que a execução do presente ato não lhe foi a contento, gerando uma série de questionamentos entre os Estados.

O Art. VII daquele tratado descrevia que:

Os Estados Unidos do Brasil obrigam-se a construir em território brasileiro, por si ou por empreza particular, uma ferrovia desde o porto de Santo Antonio, no rio Madeira, atá Guajará-Mirim, no Mamoré, com um ramal que, passando por Villa- Murtinho ou outro ponto próximo (Estado de Matto-Grosso), chegue a Villa-Bella (Bolívia) na confluência do Beni e do Mamoré. Dessa ferro-via, que o Brasil se esforçará por concluir no prazo de quatro annos, usarão ambos os paízes com direito às mesmas franquezas e tarifas.

Assim, a Bolívia afirmava que o Brasil não cumpriu corretamente a exigência de construção de um ramal da ferrovia Madeira-Mamoré até a Vila Murtinho, de forma que se permitisse acessar à Vila Bella, em território boliviano.

Como o intuito de resolver qualquer questão, os Estados acabaram por promover o chamado Tratado de Natal, já descrito anteriormente no presente, sendo que nesta norma, ficou descrita a seguinte obrigação:

Havendo os dois Governos concordado em que se não teve a effeito a construcção do ramal ferroviario entre Villa Murtinho, ou outro ponto proximo, e Villa Bella, na confluencia do Beni e do Mamoré, obra que o Brasil se obrigou a realizar, em virtude do art. 7º do tratado de 17 de Novembro de 1903, e sendo conveniente a ambos os paizes que se effectue, do modo mais efficaz, a vinculação commercial prevista naquelle tratado, fica estipulada a substituição da aludida obrigação pela de um auxilio do Brasil á realização de um plano de construcções ferroviarias, que, ligando Cochabamba a Santa Cruz de la Sierra, dahi se prolongue, de um lado, a um porto na bacia do Amazonas e, do outro, a um porto no rio Paraguay, em local que permita o contacto com a viação ferrea brasileira.

Ou seja, pelo Tratado de 1928, o Brasil se comprometeu com a Bolívia de auxiliá-la na construção de uma via-férrea em seu próprio território, sendo que o Brasil ficaria com a responsabilidade de promover o aporte do importe de um milhão de libras esterlinas, como se vê na continuidade do artigo acima descrito:

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O referido auxilio será de um milhão de libras esterlinas, que o Governo brasileiro porá á disposição do Governo boliviano dentro de seis mezes após a troca de notas entre os dois Governos, nas quaes estes especifiquem a forma de pagamento, a maneira como será transferida a dita importancia, as obras em que será ella utilizada, a duração e a ordem dos trabalhos e outros quaesquer detalhes que sejam necessarios, – attendidos os direitos preexistentes em virtude de contractos assignados por cada um dos dois Governos.

Com isso, necessário era que os dois países promovessem a descrição das formas para a execução desta obrigação, o que se daria posteriormente por troca de notas.

Mas o importante deste tratado é que as partes descrevem diretamente a existência de discussões sobre o cumprimento correto ou não do Tratado de Petrópolis, como se vê pela leitura do Tratado de Natal, logo no seu preâmbulo quando se manifesta que “(…) considerando ainda a vantagem de se determinar definitivamente o melhor modo de dar execução a certas obrigações decorrentes do citado tratado de 1903 e referentes à ligação ferroviária entre os dois países”.

Desta forma, tem-se que os Acordos de Roboré foram importantes no aspecto histórico para a contenda entre Brasil e Bolívia com relação às obrigações dos Tratados de Petrópolis e de Natal, sendo um marco definitivo desta questão.

Ainda, há que se descrever que havia entre Brasil e Bolívia, disputas e discussões sobre a demarcação de suas terras, o que já era uma questão que acabava por retomar ao Tratado de Ayacucho.

Como descrito no curso desta, Brasil e Bolívia acabaram por realizar uma série de tratados que versavam sobre transferência de territórios e demarcação destes entre os Estados, sendo que os tratados que versaram sobre o tema, foram os tratados de Ayacucho (1867), Tratado de Petrópolis (1903) e Tratado de Natal (1928), ou seja, as questões territoriais sempre estiveram em vogal nestas relações.

Embora as áreas de cada Estado estivessem descrita por tais tratados, não havia a descrição da forma em que estas fronteiras seriam demarcadas, sendo que somente com os Acordos de Roboré, a partir dos estudos prévios realizados por uma Comissão Demarcatória Mista Brasil-Bolívia, é que as partes puderam chegar a um acordo sobre os seus limites.

Assim, foram emitidas as Notas Reversais sobre demarcação de limites, datada de 29 de março de 1958, onde as partes estipulam como seu limites:

– a partir do marco do Morro dos Quatro Irmãos, seguirá a linha de fronteira em direção a um ponto sôbre a margem norte da Baía Grande (Laguna del Marfil), de forma a que a Baía Grande fique dividida em duas partes iguais aproximadamente. A partir deste ponto seguirá em linha reta até o marco do Turvo, continuando para Leste pelo paralelo que passa por este marco, até a sua intersecção com a geodésica

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que une o marco de Quatro Irmãos com a nascente do rio Verde, reconhecida em 1909 pela Comissão Mista Demarcadora de Limites Brasileiro-Boliviana, e por esta geodésica até a nascente reconhecida em 1909 acima referida.

Portanto, tais Notas Reversais acabam por acordar quais seriam os marcos limítrofes entre os dois países, descrevendo que a partir de 1959, a mesma comissão mista procederia a demarcação destes limites.

Ainda, as partes acordaram que ficaria de fora da presente demarcação a questão relativa à Ilha de Guajará-Mirim, também denominada de Isla Suárez, que fica no Rio Mamoré entre as cidades de Guajará-Mirim, no Brasil, e Guayaramerín, na Bolívia, sendo que este acidente geográfico deveria posteriormente ser demarcado entre os dois, mas até hoje perdura tal disputa sobre tal ilha.

Assim, neste outro assunto, o dos limites e fronteiras entre Brasil e Bolívia, os Acordos de Roboré inovaram resolveram aspectos destas disputas que já havia se tornado histórico.

Desta forma, os Acordos de Roboré são um marco no aspecto histórico para as relações entre os dois países, por diminuir os conflitos entre tais Estados e construindo outras questões de bastante relevância para a vida diuturna destes países.