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BÖLÜM 2: MEBÂHİS FÎ ULÛMİ’L-KUR’ÂN ADLI ESERİ

2.3. ESERİN KUR’ÂN İLİMLERİ AÇISINDAN TAHLİLİ

2.3.2. Nüzûl Sebepleri

743 Greenberg, 1979, pgs. 60 e 61; Greenberg, 1988, pgs. 386 e 387. 744 Greenberg, 1979, pg. 61. 745 Greenberg, 1988, pg. 338. 746 Greenberg, 1988, pg. 338.

8.1 – Quadro-Resumo

Joseph Soloveitchik

Eliezer Berkovits Irving Greenberg

Aliança O Holocausto não

abalou o status do povo judeu como povo eleito.

O Holocausto não abalou o status do povo judeu como povo eleito. A perseguição contra

os judeus representou o desejo dos nazistas de eliminar a fé em Deus, através da liquidação do povo- testemunha.

Deus não agiu para garantir a sobrevivência do povo judeu durante a

Shoá, conforme estipulado nas cláusulas

da Aliança. Portanto, na era pós-Holocausto, os judeus têm o direito de rejeitar o Pacto. A adesão passa a ser voluntária, e não mais obrigatória. Martírio (Kidush Ha- Shem) O rabino não tratou do tema, em relação ao Holocausto. Houve possibilidade de morrer “santtificando o Nome” durante o Holocausto, mas os mártires representaram uma minoria entre as vítimas.

Todas as vítimas judias do nazismo morreram “santificando o Nome”.

Ocultamento da Face

Ocultamento da Face é uma forma

extrema de punição divina contra pecados humanos. Deus “ocultou Sua Face” do povo judeu durante o Holocausto, o que resultou na barbárie dos campos-de- concentração.

Deus “ocultou Sua Face” do povo judeu durante o Holocausto, mas não por punição contra algum pecado. É uma característica do Deus de Israel eventualmente ocultar-Se e, portanto, afastar-Se e não interferir em assuntos mundanos, como, por exemplo,

durante o Holocausto.

Deus “ocultou Sua face” do povo judeu durante o Holocausto.

Livre Arbítrio O rabino não

tratou do tema, em relação ao Holocausto.

O ser humano tem ampla liberdade de escolha assegurada por Deus. O Holocausto foi produto da má O Holocausto foi resultado do livre- arbítrio dos seres

humanos. Os perpetradores utilizaram

utilização do livre- arbítrio por um grupo (nazistas) que optou pela perversidade contra

outro grupo (judeus). A divindade não pôde

interferir neste processo, pois coibir a liberdade de escolha seria extinguir o ser humano. garantida à humanidade por Deus, e optaram pela maldade. História como Revelação Divina Todo evento histórico, incluindo o Holocausto, é guiado por Deus e tem uma explicação lógica dentro do plano divino para o universo. Porém, nem sempre a mente humana consegue penetrar no desígnio divino e compreender a lógica de determinado evento. Deus supervisiona os eventos históricos, incluindo o Holocausto, punindo os perversos e recompensando os

justos. Deus criou o bem e o mal presentes em nosso mundo.

Os judeus atuam como povo-testemunha perante as demais nações, afirmando que haverá uma redenção futura para toda a humanidade. Porém, derrotas como o Holocausto levantam dúvidas sobre a credibilidade desta missão e sobre a possibilidade de redenção. Por Causa de Nossos Pecados Implicitamente, o rabino indicou que o Holocausto foi punição divina por algum pecado do povo judeu. Porém, não identificou qual teria sido este pecado.

O Holocausto não foi castigo divino contra algum pecado do povo judeu. A Shoá foi uma injustiça contra os judeus, motivada por assuntos puramente humanos e políticos.

O Holocausto não foi castigo divino contra algum pecado do povo judeu.

Jó foi um pecador

que teve que passar por um longo sofrimento para superar seu egoísmo. Jó

Assim como Jó, os judeus sofreram no Holocausto sem ter pecado. Portanto, assim como o personagem

Assim como Jó, os judeus sofreram no Holocausto sem ter pecado. Também como o personagem bíblico, o povo judeu deve rejeitar justificações

simboliza a idéia de que o sofrimento tem um aspecto positivo: purifica a alma. bíblico, é legítimo os sobreviventes questionarem onde estava Deus durante o genocídio. teológicas inadaptáveis à magnitude da Shoá e insistir por uma nova revelação divina. Significado Religioso do Estado de Israel A fundação do Estado de Israel foi um evento guiado por Deus; aparentemente, o rabino não considerou o país como parte do processo messiânico. A fundação do Estado de Israel foi um evento guiado por Deus e faz parte do processo messiânico.

A fundação do Estado de Israel tem caráter religioso e messiânico. Foi um evento comandado por homens, mas teve o efeito de testemunhar a existência de Deus. Singularidade do Holocausto O rabino não opinou diretamente sobre este assunto. Mas para um dos comentaristas de sua obra, ele não teria considerado o Holocausto como um evento único na História.

O Holocausto não foi um evento único na história judaica do ponto-de-vista teológico.

O Holocausto foi um evento único na história judaica.

8.2 – Análise

Baseado no Quadro-Resumo acima, podemos comparar as idéias dos três pensadores em relação a cada conceito e tema. Temos o seguinte:

Aliança – Soloveitchik e Berkovits concordam que o Holocausto não abalou o status do povo judeu como “eleito”; já Greenberg discorda e propõe uma reavaliação radical deste conceito como decorrência da Shoá.

Martírio – Berkovits e Greenberg discordam: o primeiro afirma que apenas uma minoria praticou Kidush Ha-Shem no Holocausto, já o segundo escreve que todos as vítimas judias morreram como mártires. Soloveitchik não se pronunciou a respeito.

Ocultamento da Face – Os três rabinos concordam entre si que Deus “ocultou Sua face” do povo judeu no Holocausto. Mas há uma discordância significativa: Soloveitchik considera Ocultamento da Face como um castigo divino contra pecadores, implicando que a Shoá foi punição contra algum pecado do povo judeu; já Berkovits e Greenberg rejeitam esta idéia.

Livre-Arbítrio – Berkovits e Greenberg concordam que o Holocausto foi resultado da má-utilização do livre-arbítrio, um atributo concedido e garantido à humanidade por Deus. Soloveitchik não se pronunciou a respeito.

Significado da História – Soloveitchik e Berkovits concordam entre si quando afirmam que Deus tem controle sobre a História, incluindo um evento dramático como o Holocausto. Greenberg enfatiza o papel de povo-testemunha dos judeus na História.

Por Causa de Nossos Pecados – Berkovits e Greenberg rejeitam a idéia de que o Holocausto tenha sido um castigo divino por algum pecado cometido pelo povo judeu. Já Soloveitchik, embora não explicitamente, indicou que a Shoá foi punição divina por pecado.

Jó – Berkovits e Greenberg concordam entre si quando afirmam que, assim como Jó, também o povo judeu sofreu no Holocausto apesar de ser inocente. Já Soloveitchik trata Jó de forma bastante diferente: o personagem bíblico foi um pecador que mereceu castigo, e sua trajetória ensina que o sofrimento purifica a alma.

Significado Religioso do Estado de Israel – Os três rabinos divergem entre si neste ponto. Para Soloveitchik, a fundação do país foi um evento guiado por Deus, mas não faz parte do processo messiânico; Berkovits concorda que o evento foi guiado por Deus, mas diverge do primeiro ao afirmar seu caráter messiânico. Já Greenberg, que percebe religiosidade e messianismo no evento, enfatiza muito mais a atuação humana.

Singularidade do Holocausto – Berkovits e Greenberg discordam neste ponto: o primeiro afirma que o Holocausto não foi um evento único, enquanto o segundo afirma o oposto. Soloveitchik não se pronunciou diretamente sobre o assunto.

Como conclusão, podemos afirmar que os três pensadores não concordaram plenamente entre si sobre nenhum dos nove conceitos e temas que aplicaram para o caso do Holocausto.

O único caso em que se aproximaram de um consenso é quando trataram do conceito de História como Revelação Divina, mas mesmo aqui, Greenberg desenvolveu idéias que não estão presentes nas reflexões dos outros dois rabinos. Quando discorreram sobre o conceito de Ocultamento da Face, os três rabinos concordaram que “Deus ocultou Sua face do povo judeu durante o Holocausto”. Mas Soloveitchik divergiu profundamente ao insinuar que isto se deveu a algum pecado do povo judeu. Quanto ao conceito de Livre-Arbítrio, Berkovits e Greenberg concordaram entre si, mas Soloveitchik não se pronunciou.

Nos demais conceitos e temas, evidencia-se ainda mais a discordância entre os