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Musa’ya (a.s) Verilen Levhalar

1. YARATILIŞ KONULARI

2.4. Yakub (a.s)

2.7.15. Musa’ya (a.s) Verilen Levhalar

Nesta pesquisa, foi preciso trabalhar com uma metodologia que pudesse “encarar a realidade como algo em permanente movimento e os fenômenos como algo que se constrói

Psicologia nas licenciaturas e seus alunos - como sujeitos sócio-históricos, cuja subjetividade é socialmente construída e, neste aspecto, fundamentamos nosso olhar na Teoria Histórico- cultural. Fala-se aqui de um sujeito que se constitui numa relação dialética com o social e a história,

um homem que, ao mesmo tempo, é único, singular e histórico, um homem que se constitui através de uma relação de exclusão e inclusão, ou seja, ao mesmo tempo em que se distingue da realidade social, não se dilui nela, uma vez que são diferentes (AGUIAR, 2001, p.129).

Se o objeto desta pesquisa é a ação docente para o ensino de Psicologia da Educação nas Licenciaturas, envolvendo discussões acerca dos professores, sujeitos desta pesquisa, e suas subjetividades, como parte deste processo educativo, como apreendê-lo?

Encontramos em Minayo e Sanches (1993) uma resposta satisfatória para essas indagações, quando Minayo defende a abordagem qualitativa como aquela que se afirma no campo da subjetividade e do simbolismo. Para essa autora,

A compreensão das relações e atividades humanas com os significados que as animam é radicalmente diferente do agrupamento dos fenômenos sob conceitos e/ou categorias genéricas dadas pelas observações e experimentações e pela descoberta de leis que ordenariam o social.

A abordagem qualitativa realiza uma aproximação fundamental e de intimidade entre sujeito e objeto, uma vez que ambos são da mesma natureza: ela se volve com empatia aos motivos, às intenções, aos projetos dos atores, a partir dos quais as ações, as estruturas e as relações tornam-se significativas (p. 244).

Para esta pesquisa qualitativa, então, o método que utilizamos foi o Estudo de Caso (de um sujeito ou de um grupo único), mas que tem um caráter singular.

Cada caso é único e a informação torna-se relevante e pode ser generalizada (...) O conhecimento produzido, seja a partir de um sujeito, uma escola, um grupo, constitui-se, pois, em uma instância deflagradora da apreensão e do estudo de mediações que concentram a possibilidade de explicar a realidade concreta (AGUIAR, 2001, p.139).

A referida autora enfatiza aí que o processo apreendido a partir de um indivíduo pode ser generalizado, pois, apesar de ser único, contém a totalidade social e pode revelar algo constitutivo de outros sujeitos que também vivem em situações semelhantes. (AGUIAR, 2001).

Para tratar dessa abordagem metodológica, de acordo com Andre (1984), o Estudo de Caso tem sido amplamente utilizado na Sociologia, na Medicina, na Antropologia e outras

áreas, adequando-o a seus propósitos de pesquisa, no entanto, nas pesquisas educacionais, o uso dessa abordagem é algo mais recente. Duas questões dificultam este uso entre os educadores: buscar uma conceituação adequada e buscar também os instrumentos mais adequados e coerentes com essa abordagem metodológica.

Ainda segundo Andre (1984), fundamentando-se em um documento que procurava dirimir dúvidas quanto ao uso dos estudos de caso na área educacional, como resultado da Conferência Internacional, realizada em 1975, em Cambridge, sob o tema Método de Estudos

de Caso em Pesquisa e Avaliação Educacional, os estudos de caso não podem ser igualados a

estudos em observação participante; não podem ser tratados como esquemas pré- experimentais de pesquisa; e, o que interessa mais propriamente aqui neste momento, estabeleceu-se que “estudo de caso não é o nome de um pacote metodológico padronizado,

isto é, não é um método especifico de pesquisa, mas uma forma particular de estudo.”

(ANDRÉ, 1984, p.52)

Alves-Mazzotti (2006), que discute esse método de pesquisa, com base na posição de dois especialistas em estudos de caso, Robert Yin e Robert Stake45, argumenta que

Embora haja divergências entre eles, parece haver acordo sobre o fato, amplamente aceito pela comunidade acadêmica, de que o estudo de caso qualitativo constitui uma investigação de uma unidade específica, situada em seu contexto, selecionada segundo critérios predeterminados e, utilizando múltiplas fontes de dados, que se propõe a oferecer uma visão holística do fenômeno estudado. (p.650)

Para atender, então, a esse rigor metodológico, mais necessário ainda em investigações de caráter qualitativo, é importante explicitar os aspectos metodológicos contemplados nesta pesquisa, e para tal torna-se necessário desenvolver alguns conceitos essenciais para essa compreensão.

Recorre-se, então, a Vigotski, segundo o qual as palavras/signos devem ser os pontos principais em uma proposta metodológica fundamentada nessa abordagem, pois são, segundo esse autor, pontos de partida para a constituição da subjetividade, essa entendida aqui como anteriormente referenciado, como um sistema processual, plurideterminado e algo dinâmico, em constante desenvolvimento (GONZALEZ REY, 2002). Para compreender a fala de alguém, não basta entender suas palavras. É preciso compreender seu pensamento, ou seja, o

45

STAKE. R. E. Case studies. In: DENZIN, N. K.; LINCOLN, Y. S. (ed.) Handbook of qualitative research. London: Sage, 2000; STAKE. R. E. The Case study method in social inquiry. Educational Researcher, v.7, n.2, 1978; YIN, R. K. Case study research: design and methods. London: Sage, 1984.

significado da fala, entendida aqui como a palavra com significado – unidade de análise em pesquisa sócio-histórica.

Referente a isso, Aguiar (2001, p. 131) enfatiza que “o caminho do pensamento para

palavra com significado é mediado, portanto, pelo sentido, sentido este que, como afirma Vygotsky, é mais amplo que o significado, o qual é apenas uma das zonas do sentido, a mais

estável e fixa.”

Minayo e Sanches também contribuem com esta discussão, pois Minayo, autora do item do texto que discute a abordagem qualitativa, afirma que “O material primordial da investigação qualitativa é a palavra que expressa a fala cotidiana, seja nas relações afetivas e

técnicas, seja nos discursos intelectuais, burocráticos e políticos.” (MINAYO e SANCHES,

1993,p. 245)

A autora ainda complementa que

(...) a fala torna-se reveladora de condições estruturais, de sistemas de valores, normas e símbolos (sendo ela mesma um deles), e, ao mesmo tempo, possui a magia de transmitir, através de um porta-voz (o entrevistado), representações de grupos determinados em condições históricas, sócio-econômicas e culturais especificas. (p. 245)

Isso nos conduz à discussão da representatividade da fala individual em relação a um coletivo maior. Minayo resume uma ampla discussão sobre esse tema, afirmando que, do ponto de vista da Sociologia, que cabe aqui para os propósitos desta pesquisa, a análise das palavras e das situações expressas pelos participantes de pesquisas qualitativas, ou seja, pelos

“informantes personalizados, não permanece, pois, nos significados individuais. A compreensão intersubjetiva requer a imersão nos significados compartilhados.” (p. 246)

Outro elemento que reforça também a discussão da representatividade da abordagem qualitativa e da fala individual é a indicação de fazermos o cotejamento desta fala com a observação das condutas e dos costumes e com a análise das instituições, o que foi, portanto, como explicitado mais à frente, utilizado como procedimento nesta pesquisa. Por isso buscaremos assim

Checar o que é dito com o que é feito, com o que é celebrado e/ou está cristalizado. Desta forma, uma análise qualitativa completa interpreta o conteúdo dos discursos ou a fala cotidiana dentro de um quadro de referência, onde a ação e a ação objetivada nas instituições permitem ultrapassar a mensagem manifesta e atingir os significados latentes. (MINAYO e SANCHES, 1993, p. 246)

O papel do pesquisador, na pesquisa sócio-histórica, consiste em explicar a realidade, não descrevê-la apenas, para que se constitua em produtor de um conhecimento, sendo a pesquisa um processo construtivo e interpretativo. Isso porque o pesquisador, além de ser um sujeito participante da pesquisa, converte-se também em sujeito intelectual ativo durante o

curso da pesquisa e “...produz as idéias à medida que surgem elementos no cenário da

pesquisa, as quais confronta com os sujeitos pesquisados, em um processo que o conduz a

novos níveis de produção teórica” (GONZALEZ REY, 2002, p.57).

A tarefa do pesquisador, nessa abordagem de pesquisa, é apreender os sentidos que os sujeitos expressarão e que deverão ser compreendidos na sua constituição, o que é coerente com nossa tarefa, aqui, como pesquisadores nesta investigação: compreender a influência que a formação dos professores, em Psicologia, exerce sobre sua ação docente. Podemos fazer isso por meio da compreensão dos sentidos expressos por eles em suas falas e ações e a constituição desses sentidos ao longo das trajetórias desta formação.

Para isso, entendemos instrumentos metodológicos como um meio que serve para induzir a construção do sujeito, ou seja, um meio para a produção de indicadores e não para a produção de resultados finais. O instrumento nesta pesquisa é, assim, considerado como mais um momento precioso de comunicação entre sujeito e pesquisador, durante os procedimentos que serão descritos a seguir.