3. TÜKETİM KOOPERATİFLERİNDE MUHASEBE DÜZENİ VE BAĞIMSIZ DENETİM
3.2. Muhasebe Denetimi Kavramı ve Bağımsız Denetim
3.2.2. Muhasebe Denetiminin Türleri
Para a ditadura militar, os CCEs eram responsáveis pela formação política dos jovens estudantes. Sua institucionalização nas escolas estava em consonância com as ideias básicas desenvolvidas no conteúdo do Guia. Além disso, nesse documento era expressa a concepção que os governantes adotaram para a formação da juventude brasileira.
Segundo o Guia, a formação da juventude brasileira deveria ser abordada tendo em vista os seguintes itens: o ambiente social; ausência de líderes autênticos, o ânimo da juventude atual; problemas da juventude e a Nação; ação do pragmatismo ocidental; a tônica marxista na educação da juventude; manifestações e reivindicação dos jovens; a juventude e as estruturas atuais; despreparo do Estado para receber as novas gerações; ausência da família na educação dos jovens e suas consequências; o problema da incorporação da massa jovem; emancipação da juventude; a espera desnecessária e contraproducente; conflitos de ordem moral e intelectual; como o adulto olha os problemas dos jovens; a ação deletéria de falsos profetas e demagogos no seio da juventude reivindicante; a juventude que estuda, trabalha, constrói e coopera.
Essa concepção de formação se coaduna com o momento vivido no país de atuação intensa do ME, dos sindicalistas, dentre outros movimentos sociais contrários à ditadura militar. Da perspectiva oficial, era preciso que os jovens fossem instruídos para que não se deixassem influenciar por “filosofias falsas”, que provocariam o amoralismo dos jovens. Segundo o Guia:
Sabemos como é grave o momento que o mundo atravessa, especialmente no campo moral. Pondo de lado o utilitarismo que caracteriza o procedimento do homem moderno, e afastando da mente os efeitos negativos das pressões que se fazem sentir sobre a razão, povoando-a de imagens contraditórias, podemos refletir de modo positivo. Essas formas compostas de estereótipos, com intenções ocultas ou pouco esclarecidas, que tanto consigam sentir alguma coisa além das exigências de ordem material extremada. Aqueles que investigam ideias dos lídimos representantes do pensamento humano, sabem defini-las com nitidez, despindo-as das fantasias criadas pelas mentes doentias por meio de construções literárias de dúbio sentido. Somente os que, de fato se interessam em ver, com clareza, a situação sintomática desse amoralismo é que não se deixa iludir com as filosofias falsas (Guia, 1968, p. 87).
De acordo com o Guia, faltava aos jovens o direcionamento coordenado por bons líderes, pois os atuais se “omitiram, desertaram, ou se deixaram alienar por outras doutrinas”. (Guia, 1968, p. 88). Os jovens foram deixados à sua própria sorte, sem um rumo, ou apresentavam conclusões e pensamentos radicalizados.
Era necessário um redirecionamento da juventude, pois ela, no futuro, assumiria a condição de governante da Nação. O comunismo, para o Guia e no entendimento do regime, vinha crescendo no seio da juventude brasileira, pois deixaram de confiar nos líderes vinculados às tradições e ao bem do país. O abandono das tradições é que estaria permitindo o avanço de doutrinas totalitárias, não somente no Brasil, mas em muitos outros países do mundo.
Ora, em cinquenta e cinco nações se verificam os mesmos fenômenos, tanto nas mais industrializadas quanto nas mais atrasadas, variando em funão da estrutura política, econômica e social, e das contaminações diretas ou indiretas, provenientes do exterior (Guia, 1968, 89).
O Guia afirmava ainda que muitos jovens estavam trilhando o caminho “certo” e os que não estavam não eram culpados desse deslize, mas sim a geração adulta que não percebeu o descaminho que a formação leiga estava
ofertando à juventude brasileira. Para o documento, havia uma ausência na formação filosófica e espiritual dos estudantes:
Portanto, em vez de pensar em combater tais movimentos pela força, há que pensar em entender os moços, objetivando a integração dos mesmos no todo, de modo natural, evitando-se a cisão da sociedade brasileira. O instrumento válido é, sobretudo, a educação em bases filosófico-espirituais, a compreensão recíproca, com afastamento do radicalismo perigoso (Guia, 1968, 89)
A questão da família e sua estruturação são consideradas fundamentais para a formação dos brasileiros, pois a realidade e suas transformações provocavam um distanciamento entre pais e filhos. Logo, a forma correta, de acordo com o Guia, de conduzir a rebeldia dos jovens seria por meio do diálogo e do entendimento de suas dificuldades de adaptação ao mundo dos adultos.
A rapidez com que as informações chegavam aos jovens causava “um conflito de ordem intelectual e moral” entre eles e os adultos (Guia, 1968, p. 91), causando inquietações e gerando uma “cultura planetária, uma cultura internacional, especificamente jovem e de certo modo, diferente da cultura adulta” (Guia, 1968, p. 91).
Sendo assim, a relação entre adultos e jovens deveria ser remodelada,
fundamentalmente, no sentido de serem obtidos, da parte dos mais velhos, maior autenticidade, pela fé nos valores espirituais da nacionalidade, tradicionalmente cristãos e pela consequente apresentação de comportamentos morais elevados, neles incluída a compreensão das exigências justas e necessárias; e, da parte dos jovens, melhor entendimento do seu papel, como elo na cadeia evolutiva (Guia, 1968, p. 91).
Dessa forma, o Guia defendia a reestruturação da família e da escola para atender às novas necessidades dos jovens. Os professores, as instituições sociais
e culturais e até mesmo a politica educacional deveriam criar novas estratégias de diálogo com os jovens estudantes, pois eles apresentavam novas demandas e reivindicações. Dentre elas, o documento destacava:
As formuladas contra a inoperosidade administrativa ou política, contra a inércia ou absolutismo do sistema de ensino, contra a falta de vagas nas universidades, contra a falta de professores. Outras desejam ensino gratuito, alimentação mais barata, instalações funcionais. Grande número se revolta contra a guerra e suas consequências, culpando os adultos de se resignarem ou tomarem atitudes complacentes (Guia, 1968, p. 91).
Aos adultos, no entendimento do Guia, caberia entender os jovens, pois os
Movimentos estudantis autênticos e naturais, são muitas vezes, deturpados por grupos políticos e extremistas encapuçados, que os distorcem, transformando-os em arruaças com o escopo de tumultuar as aspirações inconfessáveis, inclusive de ordem eleitoreira e revanchista. Não trepidam esses elementos perniciosos em tentar, por meio de livros, folhetos e constantes propaganda, lançar os filhos contra os pais, os jovens contra os adultos, os estudantes contra os mestres, os pobres contra os ricos, os operários contra os patrões, buscando sempre a luta de classes na qual procuram implicar sacerdotes, militares e funcionários públicos (Guia, 1968, p.92).
O documento destacava, ainda, a defesa de uma unidade nacional, na qual civis e militares não se dissociariam, posto que todos faziam parte do mesmo país. Seriam todos brasileiros e componentes de todas as classes sociais. Sendo assim, os jovens deveriam ser cautelosos, pois os movimentos contrários ao regime se utilizavam deles como iscas de subversão e perversões. Os pequenos adultos eram incentivados, pelo Guia, a se precaverem contra os
inimigos da Pátria, esses demagogos de sombrias doutrinas, que pretendem fazer do ânimo ardoroso da movimentação da juventude o seu aríete, para abrir caminho no complexo de vida do povo brasileiro, destruindo a democracia e a liberdade que tanto amamos (Guia, 1969, p. 92).
A partir dos pressupostos acima arrolados conclui-se que a formação da juventude no interior das escolas era de fundamental importância para os dirigentes e lideranças do regime instalado em 1964. O Guia apresentava um conteúdo favorável ao projeto de unidade, disciplina e controle. Nas escolas, os CCEs serviriam para viabilizar os argumentos consubstanciados no conjunto do referido documento.