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İ slam Tarihi Konularına Ait Sayfalarının Tercümesi

1- Muhammed, Allah’ın Peygamberi

A luta por moradia no centro de São Paulo remonta à década de 80, ganhando força com as ocupações iniciadas na década seguinte. A mobilização social que está por trás das ocupações envolve diversos atores, que buscam justiça social a partir da reforma urbana. O “direito à cidade” entra na pauta dos movimentos nesse momento, em que se nega a periferização como única alternativa possível à população de baixa renda.

“As ocupações de edifícios em áreas centrais são um indicador importante da disposição de setores sociais em lutar pela moradia no centro. Elas constituem um alerta a toda a sociedade sobre o drama da habitação.

Elas revelam o descontentamento com o destino aparentemente inexorável do exílio na periferia desurbanizada e das favelas. A proximidade da oferta de empregos, serviços de saúde e educação, menores gastos e menor tempo dispendido nos transportes, são algumas das vantagens de morar no centro” [MARICATO, Ermínia in SANTOS (org.), 2002, P. 33].

O início de um diálogo dos movimentos de luta por moradia com o poder público, sobre projetos na área central, deu-se na gestão Luiza Erundina (1989-1992), em que algumas experiências foram desenvolvidas. No entanto, com a interrupção de programas nas gestões posteriores, e na falta de alternativa de interlocução, os movimentos passaram a exercer pressão sobre o poder público a partir de ocupação de edifícios vazios. Um caso emblemático foi a ocupação de um edifício abandonado pela Secretaria de Cultura do Estado, à rua do Ouvidor, pelo Movimento de Moradia do Centro (MMC). Tal ocupação foi palco de um Laboratório (Laboratório de Projeto Integrado

e Participativo para Requalificação de Cortiço) desenvolvido em parceria dos ocupantes de

imóvel à Rua do Ouvidor com professores, pesquisadores e estudantes, além de técnicos de diversas áreas48. O resultado final do Laboratório, amplamente documentado pelas

entidades envolvidas, apresenta alternativas de requalificação do imóvel, em que se delineiam propostas de soluções no campo da arquitetura, da engenharia, da sociologia, além de aspectos jurídico-finenceiros elementares para o processo de reforma do edifício. A experiência demonstrou a capacidade do movimento social de, com apoio de grupos técnicos especializados, apresentar ao poder público soluções para alguns problemas que ele não consegue, ou não quer, enfrentar49.

Muitas são as imposições colocadas pelos diversos órgãos financiadores e promotores de habitação social a políticas habitacionais efetivas para os centros urbanos. No entanto, a partir da pressão exercida pelos movimentos sociais em algumas capitais, percebe-se que aos poucos vai ganhando espaço a tese de que é não só possível,

48 Dentre as entidades envolvidas, a Universidade de São Paulo, o Politecnico di Torino, o NDHU-UNITAU, a

PUC-SP, a Universidade São Francisco, além das ONG´s Ação Direta, Africa 70, Casa Assessoria, Cidade e Democracia, Centro Gaspar Garcia, Passo Assessoria Técnica, Peabiru, Usina e o Instituto Polis.

49 Vale dizer que no final de 2005 o imóvel foi esvaziado após reintegração de posse concedida judicialmente

ao governo estadual, seu proprietário. Apesar das propostas, o laboratório não alavancou nenhuma solução real, embora as propusesse tecnicamente.

mas necessário, que se inverta o processo de periferização das metrópoles brasileiras. O custo do espraiamento de nossas capitais é incomensurável, seja do ponto de vista sociológico, urbanístico, ambiental ou financeiro. A necessidade de se estancar o avanço dos subúrbios – muitas vezes em direção a áreas de mananciais e/ou ambientalmente sensíveis – e de se inverter a lógica especulativa de crescimento “pra fora” deve estar no centro do debate sobre desenvolvimento urbano nas grandes metrópoles brasileiras.

Deve-se lembrar que um pouco já avançamos. A abertura de linhas de financiamento para reforma de edifícios, e arrendamento, pela Caixa Econômica Federal, bem como a revisão dos valores financiados – de acordo com especificidades regionais – é um avanço. Algumas políticas focadas em reformas de edifícios se esboçam também no âmbito das Cohab´s, Secretarias e Autarquias Estaduais. No caso de São Paulo algumas poucas experiências bem sucedidas devem ser lembradas50, apesar

da ressalva de que têm, até o momento, um caráter essencialmente experimental. O desenvolvimento de metodologias de gestão, projetos, contratações e obras, pelos agentes financiadores – sobretudo a Caixa Econômica Federal – e parceiros, deve levar a uma generalização de políticas habitacionais voltadas à reocupação dos centros urbanos. Alguns entraves ainda se colocam, e devem ser superados a partir das experiências já realizadas; poderíamos citar como exemplos a dificuldade de os movimentos elaborarem estudos de viabilidade para análise do projeto, os critérios de risco colocados pelo banco para financiar as famílias, a falta de uma cultura arquitetônica e tectônica de reabilitação, dentre outros.

Além de entraves relativos à execução de obras nos edifícios propriamente ditos, há – e esse é o ponto que mais interessa a esta dissertação – um descolamento entre as políticas de provisão habitacional e aquelas relativas às demais demandas do

habitat. Uma abordagem do direito à moradia em seu escopo ampliado, em que se

vincula necessariamente ao direito à cidade para formar o eixo de uma política de

inclusão urbanística (MARICATO, 2001, p. 119), deve levar em conta, portanto, aspectos

da vida urbana ligadas ao cotidiano dos moradores. A vinculação das experiências de provisão habitacional à política urbana, praticada sobretudo no âmbito do poder municipal, deve ser uma garantia de sustentabilidade desses empreendimentos. A pergunta que se coloca é: num cenário de escassez de investimentos, e luta pelos poucos recursos disponíveis, como garantir as condições necessárias à inclusão urbanística

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dessas famílias – e aqui refiro-me explicitamente à infra-estrutura urbana, aos serviços públicos e à garantia de permanência de população pobre nos centros metropolitanos – sem que a qualificação do espaço urbano signifique sua expulsão?

Em seguida serão descritas brevemente e analisadas algumas experiências de políticas urbanas que lograram sucesso ao buscar uma compatibilização entre as demandas de movimentos sociais e a intervenção pública. Cada uma das experiências tem suas particularidades, e serão analisadas de uma forma sucinta. Não há a pretensão de apontar modelos, de eleger boas práticas, mas de levantar pontos de conversão entre diferentes formas de intervenção e gestão. Apesar de estarem associadas a contextos específicos elas têm alguns pontos em comum, entre eles a gestão política local, o foco nos moradores e a participação popular, a ênfase na requalificação de edificações existentes e do espaço urbano. Em suma, são experiências que têm origem em reivindicações populares pela reabilitação habitacional de imóveis encortiçados, ou insalubres, e pelo direito de habitar os centros urbanos, e podem sugerir algumas respostas à questão colocada acima.

3.3. ALGUMAS EXPERIÊNCIAS RELEVANTES