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BÖLÜM 4: ARAŞTIRMA

4.5. Araştırmanın Bulguları ve Yorumlanması

4.5.2. Mobbing Nedeniyle Đntihar- Dr. Sedat Turgay

No século atual (XX) nada ou quase nada foi feito no sentido de dar à cidade (de Fortaleza) uma nova estrutura. À lei da persistência do traçado deve-se a conservação dos planos dos séculos anteriores, continuando o desenvolvimento da cidade sob esquema em xadrez JO SÉ O TACÍLIO DE SABO YA RIBEIRO Memorial Justificativo do Plano Diretor para a cidade de Fortaleza, 1947

Desde meados do século XIX e durante a Primeira República um conjunto significativo de obras será representativo de um programa – não necessariamente articulado – de embelezamento e saneamento dos espaços por meio da implantação de equipamentos que correspondiam às demandas das camadas de proprietários e comerciantes influentes na vida urbana (CASTRO , 1977, 1982, 1994; DIÓ G ENES, 2005; PO NTE, 1993).

A despeito do caráter impositivo de algumas ações, posto que eludiam um objetivo disciplinador dos comportamentos – tanto econômico quanto político – das massas populares, estas manifestam, no seu conjunto, o papel ativo desempenhado pelo poder municipal frente às questões urbanas naquele período. Ao legislar sobre a construção de espaços públicos e privados, os rigores dos códigos urbanos e de posturas propiciaram à cidade uma imagem de unidade formal e estética resultante da determinação quanto a alinhamentos, gabaritos, afastamentos e condições sanitárias que aos poucos passavam a prevalecer.

A cidade se desenvolvia a partir do traçado elaborado pelo Engenheiro Adolpho Herbster na sua ‘Planta da Cidade de Fortaleza e Sobúrbios’, elaborada em 1875, expressão maior da postura da municipalidade no tocante à condução do desenho urbano13 (Figura 2.01). O plano de expansão

da malha em xadrez definia o desenho de quadras e ruas que avançavam sobre os arrabaldes segundo esquema radial-concêntrico e demarcava novos limites para a cidade do futuro por meio da implantação dos bulevares que contornavam, à distância, a área então urbanizada.

13. As intervenções resultantes do Plano de Herbster de 1875 podem ser encontradas nos criteriosos estudos do arquiteto José Liberal de Castro sobre a evolução urbana da cidade de Fortaleza (CASTRO , 1977, 1982, 1994).

Sobre o pano de fundo desenhado por Herbster desenvolve-se o núcleo urbano de Fortaleza na virada para o século XX. Nas três primeiras décadas do novo século o centro urbano materializa, nas suas construções, o desejo de revigoramento, a vontade civilizatória das elites republicanas. Em Fortaleza esta elite era formada, basicamente, por grupos sociais ligados ao comércio, então fortalecido pelo crescimento dos negócios de importação e exportação, e por profissionais liberais (PO NTE, 1993). Este período é marcado por sucessivas intervenções nos espaços centrais caracterizadas pela ótica dos interesses de uma burguesia que mantinha com eles uma relação que justificava o investimento em melhoramentos urbanísticos e arquitetônicos em favor da manutenção da qualidade espacial.

A partir de 1930 a expansão urbana de Fortaleza será marcada pelo incremento vertiginoso de seu contingente populacional. O aumento dos fluxos migratórios decorrentes da falta de políticas de combate aos flagelos das secas repercutirá no assentamento precário junto às vias radiais de comunicação com o interior no instante mesmo em que se verificava a ocupação – predominantemente horizontal – da área projetada por Herbster em 187514. Dados censitários atestam o crescimento da

população de Fortaleza entre os anos de 1920 e 1940 como sendo da ordem de 129,4%15. O incremento

populacional repercutiu espacialmente provocando o rápido crescimento da cidade que, facilitado pela ausência de obstáculos físicos de maior importância, configurou uma ocupação dispersa em baixas densidades urbanas. O s primeiros loteamentos implantados no bairro da Aldeota começam a ser ocupados, gradativamente, por uma camada de alta renda que procura residência afastada do núcleo comercial16.

14. Entre os anos de 1931 e 1932, na administração do Coronel Tibúrcio Cavalcanti, foi elaborada a ‘Planta Cadastral da Cidade de Fortaleza’, na qual se verificou a implantação total do projeto de arruamento proposto por Herbster no seu Plano de 1875.

15. Fonte: FIBG E – Anuário Estatístico do Brasil, 1976. Disponível em http:/ / biblioteca.ibge.gov.br/ visualizacao/ monografias/ G EBIS%20-%20RJ/ AEB/ AEB1976.pdf.

16. Sobre a ocupação dos loteamentos na zona leste da cidade em função dos deslocamentos das camadas de mais alta renda em direção ao bairro da Aldeota, ver DIÓ G ENES (2005), capítulo 1.

Figura 2.01. Trecho da “ Planta da Cidade da Fortaleza e Sobúrbios” elaborada por Adolpho Herbster em 1875. A área hachurada corresponde àquela efetivamente ocupada em 1875. A malha quadriculada em xadrez sendo a área projetada para a expansão urbana da cidade. Em destaque os bulevares, atuais Avenidas do Imperador, Duque de Caxias e Dom Manuel. Fonte: FO RTALEZA - CO DEF/ PMF, 1979.

A despeito do afastamento das camadas de mais alta renda em relação ao centro, as diretrizes dos códigos urbanos da época privilegiam a ocupação adensada e verticalizada na área central da cidade. O Código de O bras de 1932 marca nova etapa do controle municipal quanto à definição do zoneamento, à legislação sobre o uso do solo e ao uso do concreto armado nas construções. Q uanto às construções da área central, especificamente àquelas implantadas no alinhamento da via, o Código estabelecia uma relação proporcional entre os gabaritos máximos admissíveis e a larguras da vias, de tal modo que às vias de maior largura correspondiam os maiores limites de altura. Para vias de até 10m de largura poder-se-ia construir em altura, no máximo, duas vezes a sua largura; para as vias com caixa entre 10m e 14m, permitia-se gabarito de até duas vezes e meia a sua largura; finalmente, para as vias com largura superior a 14m, poder-se-ia construir segundo gabarito máximo de até três vezes a largura da via (ANDRADE, 1999).

Verificadas as larguras típicas das ruas do centro, percebe-se que as construções poderiam chegar a quinze metros de altura. O incentivo não chegou a se concretizar em realizações de tal porte, mas o Centro vê surgir, nas proximidades da Praça do Ferreira, várias edificações de três, quatro, sete e até doze pavimentos, caso do Edifício do Cine São Luis.

As transformações sociais e urbanas que se processam em decorrência da consolidação do centro comercial, do assentamento das residências da camada de maior renda na periferia deste centro e do crescimento do contingente populacional irão induzir à contratação de novo plano urbanístico. Na administração do Prefeito Raimundo G irão, em 1933, é contratado o urbanista Nestor de Figueiredo, que elabora o seu ‘Plano de Remodelação e Extensão da Cidade de Fortaleza’ (Figura 2.02). Segundo o arquiteto Liberal de Castro, o Plano preocupava-se com o zoneamento urbano consoante ao preconizado pela Carta de Atenas, embora, do ponto de vista do desenho urbano, estivesse vinculado à visão beaux arts, às concepções européias da arte urbana e da city beautiful dos paisagistas americanos (CASTRO , 1982). O Plano, no entanto, já considerava a presença do automóvel que, embora em número reduzido, prenunciava novos horizontes para a cidade.

Figura 2.02. “ Plano de Remodelação e Extensão da Cidade de Fortaleza” elaborado pelo urbanista Nestor de Figueiredo em 1933. Planta do sistema viário. Fonte: FO RTALEZA - CO DEF/ PMF, 1979.

O Plano de Figueiredo nunca foi implantado. Fora abandonado na gestão que sucedeu a do Prefeito Raimundo G irão em razão da pressão dos proprietários de terras do perímetro urbano da cidade, temerosos de que a implantação de um novo traçado obrigasse desapropriações que afetassem a posse da propriedade privada (CASTRO , 1982).

O Plano de Saboya Ribeiro (1947).

A cidade segue crescendo sem contar com a efetiva aplicação de um plano de urbanização. Na segunda metade da década de 40, quando a cidade já conta com quase 270 mil habitantes17, a

municipalidade contrata novo plano urbanístico. Elaborado em 1947 pelo engenheiro e urbanista José O tacílio de Saboya Ribeiro, o ‘Plano Diretor para Remodelação e Extensão da Cidade de Fortaleza’ parte da estrutura urbana existente, ressaltando, na sua crítica, o abandono da visão de longo prazo no âmbito do planejamento municipal.

O Plano previa o ajustamento dessa estrutura às modernas necessidades de deslocamento, ao modo de vida urbano mais saudável em razão de melhores condições sanitárias (especialmente no tocante às edificações), à necessária recuperação de elementos da paisagem natural e à sistematização da extensão planejada com base no desenho de bairros cujos limites seriam uma grade de vias ortogonais, diagonais e radiais hierarquizadas (RIBEIRO , 1955) (Figuras 2.03, 2.04 e 2.05). O Plano de Saboya Ribeiro é de especial interesse por marcar, do ponto de vista do desenho urbano, uma inflexão para a moderna concepção de cidade, apontando o desejo de superação do modelo que balizara a evolução de Fortaleza até aquele momento e que estava cristalizado nas proposições de Herbster. O portunamente detalharemos o Plano quanto às intervenções pretendidas para a área central. No momento cumpre destacar as alterações previstas quanto às normas de ocupação do solo pelas novas construções.

17. Em 1950 a população de Fortaleza chega a 270.169 habitantes, apresentando crescimento de 49,9% em relação a 1940, quando então abrigava 180.185 habitantes.

Figura 2.03. Trecho do Levantamento aerofotogramétrico de Fortaleza que serviu de base para o Plano Diretor elaborado pelo Engenheiro e Urbanista Saboya Ribeiro em 1947. A área densamente ocupada já ultrapassa a superfície projetada por Herbster em 1875. Fonte: Serviço G eográfico do Exército, 1945.

Concomitantemente ao novo Plano elabora-se novo Código de O bras e Posturas. Este, ao contrário do Plano propriamente dito, fora efetivamente aprovado através do Decreto nº. 785 de 26/ 02/ 1947 e previa nova limitação de gabaritos para as edificações da área central. O novo código permitia na área central o gabarito máximo de 6 pavimentos elevados além da sobreloja; nas áreas do centro expandido os edifícios deveriam respeitar gabarito de 3 pavimentos com recuos de 4 metros; e nas áreas mais externas a este núcleo o gabarito máximo limitava-se a 2 pavimentos. O bserva-se a cautela de Saboya Ribeiro ao reduzir os parâmetros de altura em relação ao que permitia o Código de 1932. Tal fato deve-se a seu julgamento quanto à incapacidade do tecido urbano absorver um processo de verticalização acentuado em razão das pequenas caixas existentes no sistema de ruas e avenidas. No seu Plano propunha um conjunto de circuitos que, ao ser implantado, deveria afetar o centro urbano deflagrando um processo de verticalização moderada e dar condição para a ampliação dos fluxos em direção àquela zona. Área Central

Radial Beira-Mar Radial O uteiro Circuito de irradiação Circuito Comercial

Figura 2.04. Planta do sistema viário com indicação dos circuitos de avenidas, parte do “ Plano Diretor para Remodelação e Extensão da Cidade de Fortaleza” elaborado pelo Engenheiro e Urbanista Saboya Ribeiro em 1947. Em destaque, os limites da Área Central. Fonte: FO RTALEZA - CO DEF/ PMF, 1979. (Elaborado pelo autor)

Figura 2.05. Planta de divisão e nomenclatura dos bairros, parte do “ Plano Diretor para

Remodelação e Extensão da Cidade de Fortaleza” elaborado pelo Engenheiro e Urbanista Saboya Ribeiro em 1947. Em destaque, os limites da Área Central. Fonte: FO RTALEZA - CO DEF/ PMF, 1979. (Elaborado pelo autor)

Na justificativa do Plano, defendia que

“ Paralelamente à urbanização e remodelação de toda a área contida no circuito exterior (fosse realizada a) reconstrução gradual do centro urbano, onde os atuais prédios, de 1 e 2 pavimentos, irão sendo substituídos por outros de altura moderada, o que permitirá ir alargando progressivamente as ruas centrais, de modo a poder concentrar maior população; a limitação de altura ao máximo de 23,50m (...) com as restrições relativas aos pátios de iluminação e ventilação, manterão esse adensamento dentro de limites razoáveis, de modo a evitar a hipertrofia do centro da cidade” (RIBEIRO , 1955: 238). Área Central Radial Beira-Mar Radial O uteiro Circuito de irradiação Circuito Comercial

Figura 2.06. Projeto para a zona central, parte do “ Plano Diretor para Remodelação e Extensão da Cidade de Fortaleza” elaborado pelo Engenheiro e Urbanista Saboya Ribeiro em 1947. Em destaque as vias que seriam alargadas e as intervenções para criação de galerias e pátios no interior das quadras. Fonte: FO RTALEZA - CO DEF/ PMF, 1979. (Elaborado pelo autor)

Ribeiro pretendia garantir a qualidade espacial do Centro por meio do alargamento dos passeios e da abertura dos miolos das quadras, o que possibilitaria a criação de galerias comerciais e pátios sombreados para uso público. Em contrapartida a tais medidas oferecia a possibilidade de verticalização em termos semelhantes aos projetos e intervenções que citava como referências maiores das suas concepções, a proposta urbanística de Belo Horizonte, a remodelação do Rio de Janeiro no G overno Pereira Passos e o Plano Agache para a mesma cidade.

Estas medidas, que considerava fundamentais, chocavam-se, todavia, com os interesses dos proprietários dos terrenos e edifícios que seriam sensivelmente afetados pela desapropriação. A visão de urbanista ligado a atividades rodoviárias coloca, em primeiro plano, a solução para as demandas crescentes do tráfego motorizado. A proposta de sistema viário, radical, afetava o centro de modo incisivo. Ribeiro propunha a criação das avenidas Radial do O uteiro e Radial Liberato Barroso que, com larguras de 27m, cortavam o centro na altura das ruas Franklin Távora e Liberato Barroso, criando uma via que, paralela do mar, cruzaria todo o perímetro urbanizável de leste a oeste. Já o Circuito Comercial, consistia da ampliação das caixas das ruas G eneral Sampaio (25m), Solon Pinheiro (30m) e da avenida Duque de Caxias (30m) e sua ligação com as ruas Sena Madureira, Conde d’Eu e avenida Alberto Nepomuceno, eixo norte-sul à margem esquerda do riacho Pajeú. Por fim, o Circuito de Irradiação resultaria do alargamento das avenidas do Imperador, Domingos O límpio e Dom Manuel, todas para 30m (Figura 2.06).

Mas as propostas para o Centro não se limitavam ao sistema viário ou ao redesenho de quadras. Além destas cabe destacar aquela que evidencia melhor a importância que Saboya Ribeiro procurou atribuir ao Centro da cidade: a indicação de uma área para a implantação do Centro Administrativo Municipal, que se estendia da Rua Pinto Madeira até a Catedral, às margens do riacho Pajeú. Com esta medida Ribeiro aponta para a necessidade de reforçar a condição de espaço de coordenação das atividades urbanas e para o caráter simbólico do Centro. Além disso, demonstra a preocupação de estabelecer medidas de preservação e recuperação do patrimônio natural por meio da implantação de usos às margens dos riachos.

A indicação da implantação do Centro Administrativo Municipal ali revela que estava preocupado com a possibilidade de que estas atividades abandonassem o centro caso este não viesse a lhes oferecer as condições de escala e acessibilidade que no futuro certamente iriam demandar.

Este ponto de vista aponta para o desejo de afirmação do caráter integrador e simbólico do centro urbano, consoante diretrizes de requalificação urbana que atuariam com vistas ao reforço da heterogeneidade social em torno de espaços referenciais da vida cívica que, historicamente, se construíram nas zonas centrais. Castells menciona esta perspectiva quando afirma:

“ A ideologia presente nos planos de urbanismo tende a outorgar ao centro um papel essencial, justamente nesta perspectiva de elemento integrador. Poderíamos resumir o denominador comum da ideologia urbanística na proposição: ‘mudar o meio ambiente é mudar as relações sociais’. O ra, os planos de urbanismo, suscitados pelo desejo de frear a ‘desorganização social urbana’, são animados por um espírito reformador, portanto integrador” (CASTELLS, 2000: 312).

Este espírito reformador está presente no desenho de Saboya Ribeiro. A ênfase no físico-territorial e nas diretrizes de sistema viário atestam sua confiança no poder de condicionamento e ordenamento da vida urbana a partir de modificações no espaço construído.

O Plano de Saboya Ribeiro já considerava a superação da condição mononuclear de Fortaleza. Insistia na divisão bem demarcada da malha urbana em bairros separados por cintas de avenidas delimitadoras (CASTRO , 1982) e, nestes, prescrevia o equilíbrio entre os espaços a serem edificados e os novos espaços livres situados nos seus centros focais, onde se implantariam, preferencialmente, equipamentos institucionais, comerciais e de lazer na escala do bairro.

A primazia do desenho urbano e a defesa da planificação em grande escala presentes na proposta de Saboya Ribeiro coadunava com as idéias presentes em diversos planos de remodelação urbana no Brasil e no mundo. O s projetos de reconstrução do pós-guerra, as novas cidades projetadas nas periferias das grandes metrópoles, a herança da cidade-jardim, a dispersão controlada e a hierarquia harmoniosa entre os centros de bairro e o centro principal (que deveria persistir distinto dos centros secundários), a largueza do gesto reformador que, no Rio de Janeiro, por exemplo, desmontou morros, demoliu construções e criou novas faixas de praia ganhas ao mar na busca do ajustamento dos espaços às novas necessidades sociais.

A ousadia de visão de Saboya Ribeiro teve como contrapartida a recusa peremptória dos proprietários de imóveis do núcleo central quanto à subtração de áreas construídas em favor do

aumento dos recuos, do alargamento de vias e da abertura de galerias e pátios nos miolos de quadra.

As maiores reservas de valores imobiliários da elite comercial da cidade estavam cristalizadas nas construções do centro da cidade. Embora o plano previsse a contrapartida da elevação em altura, para os proprietários dos edifícios cujos gabaritos estavam próximos do que preconizava o novo código a desapropriação significaria redução de área construída, portanto de valor. Do mesmo modo, a exigência de recuos diminuía sensivelmente o potencial construtivo dos terrenos até então não explorados. A medida era particularmente dura para com os terrenos de esquina, com duas frentes.

Esta situação era flagrante nas imediações da Praça do Ferreira, onde se concentravam os edifícios de maior altura e os terrenos mais valorizados. Foi no entorno da Praça que ocorreu o primeiro impulso de verticalização em Fortaleza (Figuras 2.07, 2.08, 2.09). O Plano de Saboya Ribeiro se torna, então, impraticável face aos interesses da propriedade privada do solo.

Sobre o Plano Saboya Ribeiro, cabe destacar a crítica feita pelo ex-Prefeito Raimundo G irão, em 1979:

“ O Plano Saboya Ribeiro, tecnicamente, era digno de todos os elogios, mas não fora a resultante de estudos mais aprofundados, mais realistas, das possibilidades econômicas da cidade, além de ter surgido, no tocante à sua adoção oficial, com um grave erro de origem. Foi tornado obrigatório ex-abrupto, mediante um apressado Decreto-lei, sem transitar pelos crivos purificantes da Comissão do Plano da cidade. Forçava-se, aprioristicamente, a obrigatoriedade de muitas soluções impossíveis, por sobremodo avançadas ou atrevidas, como se um trabalho dessa espécie dependesse tão somente dos devaneios do arquiteto ou da vaidade do governador do município, ansioso por ligar o seu nome a obra de tanto mérito e importância. Morreu por ter nascido inviável, esta segunda tentativa de urbanização de Fortaleza. Morreu pela carência de ponderação no seu ajustamento à realidade e, principalmente, porque lhe faltou o indispensável, lento e seguro preparo de uma consciência ou mentalidade geral, que o garantisse contra as insólitas reações que os planos de cidade necessariamente provocam” (G IRÃO , 1979: 81).

Figura 2.08. Vista da Praça do Ferreira no início da década de 1930. (Sentido Norte-Sul). Fonte: Arquivo Ação Novo Centro. Figura 2.07. Vista aérea da Área Central de Fortaleza no início da década de 1930. O núcleo polarizador da Praça do Ferreira já concentrava principalmente atividades comerciais que sucederam a ocupação inicial por residências. Fonte: Arquivo Ação Novo Centro.

O comentário do Historiador G isafran Jucá é igualmente importante:

“ O plano [...] de autoria do engenheiro Saboya Ribeiro lesava o interesse dominante relativo à preservação dos prédios situados no centro da cidade que seriam atingidos pelo projeto. Por isso seus partidários eram poucos, sendo a polêmica sobre o plano orientada por uma comissão presidida pelo Prefeito e composta, em sua maioria, por componentes de várias entidades públicas e particulares. Aprovado pela Câmara Municipal em 1952, juntamente com o Código de O bras da Prefeitura, não constava no diploma a regulamentação relativa aos recursos que se faziam necessários para alargar algumas ruas do centro [...]. O argumento usado pelos defensores da preservação da área central foi a precária condição financeira do município” (JUCÁ, 2003: 41). Não aplicando o Plano de Saboya Ribeiro, mais uma vez a cidade deixava passar a oportunidade de implantar diretrizes urbanísticas calcadas num desenho urbano mais condizente com sua condição de metrópole regional que já se afigurava consolidada.

O Plano Hélio Modesto (1963).

Somente no início da década de 1960, em decorrência dos crescentes índices de crescimento demográfico e da sua repercussão na produção de uma organização espacial descontrolada, a municipalidade se vê na obrigação de contratar novo Plano Diretor18. Dentre as razões para esta