C. AHLAT’IN SİYASÎ ORTAMI
8. Moğol Saldırılarında Ahlat
A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) no Rio Grande do Sul, tem sob sua responsabilidade o Museu de Ciências Naturais Carlos Ritter e o Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo, ambos em Pelotas.
A coleção do pintor e desenhista Leopoldo Gotuzzo foi doada à Escola de Belas Artes D. Carmen Trápaga Simões na década de 50. Essa era uma escola privada que foi agregada à UFPel em 1969 juntamente com o seu acervo, que passaria a pertencer ao Instituto de Letras e Artes. Em 1983, com a morte do artista, novas obras e objetos foram doados em testamento a um futuro museu. O Museu Leopoldo Gotuzzo (MALG) foi inaugurado em 1986 e atualmente está subordinado ao Instituto de Letras e Artes (ILA).
O acervo é de cerca de 600 obras, entre desenhos, pinturas, gravuras, esculturas e fotografias das coleções Leopoldo Gotuzzo, Trápaga Simões, Dr. João Gomes de Mello, coleção de ex-alunos da antiga Escola de Belas Artes e coleção Século XX. Assim, apesar do nome permanecer “Leopoldo Gotuzzo” o museu tem obras de outros artistas.
Quando da abertura do Museu, em 1986, já existia o Curso de Licenciatura em Artes e o Curso de Graduação em Pintura, Escultura ou Gravura no Instituto de Letras e Artes da UFPel. Entretanto, só em 1992, O MALG passou a integrar a estrutura administrativa do ILA da Universidade. Atualmente, no ILA, existem os seguintes cursos de graduação: Licenciatura em Artes, Licenciatura em Letras, Design Gráfico, Artes Visuais e um Curso de Pós-Graduação em Artes: Patrimônio Cultural.
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A chefia do museu é subordinada ao ILA. Segundo a programadora cultural do MALG, professora Maria Cristina Padilha Leitzke,
“A partir deste ano [2000], foram propostas algumas atividades em parceria com os Cursos do ILA e demais departamentos acadêmicos. (...) diferentes ações vêm sendo realizadas junto ao Museu visando cada vez mais a aproximação da comunidade universitária. Diferentes cursos vêm sendo oferecidos (História da Arte, Leitura de Imagens, História-arte-arquitetura da cidade de Pelotas, entre outros). No primeiro semestre deste ano, as aulas de duas disciplinas dos cursos de artes do ILA, foram realizadas nos espaços do Museu tendo como temas as obras de nosso acervo. Enfim, as expectativas são muitas. Foi, inclusive, lançado um jogo da memória, através do projeto LUDOTECA do DAV/ILA, tendo como referencial as obras do acervo do Museu. Desde o ano de 1994 os alunos dos cursos de artes do ILA estão realizando estágios no Museu. Inicialmente, eram apenas os bolsistas do PET- Programa Especial de Treinamento(artes e arquitetura). Atualmente, além dos bolsistas do PET contamos, também, com a participação de estudantes do Curso de Licenciatura em Artes que atuam junto aos projetos do Museu. Pretende-se, ainda, para o próximo ano, ampliar ainda mais esta atuação, inclusive, para os estudantes de outras áreas afins. (Leitzke, M. C., 2000)
Essa aproximação se deve ao esforço da equipe do museu107 e parece que está em um caminho muito promissor. A dúvida é se a limitação do acervo não poderia também limitar as atividades em conjunto com o ILA. Para a programadora cultural do MALG, Maria Cristina Leitzke, muitos alunos e professores do ILA desprezam o acervo do museu pelo fato das obras serem basicamente figurativas, enquanto o Curso de Artes Visuais valoriza a formação do artista voltado para a arte conceitual. Esses alunos e professores freqüentam o MALG quando são realizadas exposições temporárias de artistas contemporâneos, mas evitam o acervo. Em contrapartida, a população da cidade admira o acervo do MALG e reclama das exposições de arte contemporânea porque não entende a arte conceitual.
Para os profissionais do MALG fica o desafio de valorizar um acervo datado propondo novas leituras à comunidade universitária e, ao mesmo tempo, criar meios para a população entender e apreciar a arte conceitual.108
O MALG, assim como outros museus aqui apresentados, tem uma clara limitação de acervo, que prejudica ou até inviabiliza propostas de desenvolvimento de pesquisa e ensino universitários. Esses museus acabam por se voltar para a
107 A programadora cultural M. Cristina Leitzke fez o curso de pós-graduação de UFPel em
Patrimônio e seu trabalho denominou-se “ O MALG e a comunidade estudantil da UFPel: o Museu como lugar de Educação”. Desde sua entrada no MALG, em 1994, vem se preocupando com essa questão e agora o MALG conseguiu efetivar algumas ações concretas.
108 Em novembro de 2000 foi oferecido à comunidade em geral o curso “História da Arte –
comunidade, oferecendo atividades de extensão para escolas de ensino fundamental e médio e para outros segmentos da sociedade, afastando-se cada vez mais dos departamentos de ensino e da pesquisa universitária.
6. Considerações sobre os museus de arte universitários brasileiros
Por meio da breve descrição dos museus de arte universitários do Brasil podemos perceber algumas questões recorrentes e alguns elementos mais específicos.
A grande maioria dos museus foi formada por coleções e iniciativas de fora das universidades e/ou de fora dos departamentos de arte e disciplinas afins. Certamente isso dificulta o estabelecimento de relações de trabalho entre os departamentos de ensino e os museus. Percebemos uma tendência à regionalização das coleções, na valorização de artistas locais e na coleta de peças de arte popular local, financeiramente mais viável dentro do contexto universitário de constante carência de verbas.
As coleções abrigam prioritariamente artistas brasileiros, à exceção daqueles museus que têm obras do período colonial – D. João VI da UFRJ e o Museu de Arte Sacra da UFBA –, aqueles formados pela campanha de museus regionais de Assis Chateaubriand - Museu de Arte Assis Chateaubriand da UEPB, Galeria Brasiliana da UFMG, Museu Regional de Arte da UEFS -, e o Museu de Arte Contemporânea da USP.
São poucas as coleções desses museus que se destacam no cenário nacional: as exceções são o Museu de Arte Sacra da UFBA e o Museu de Arte Contemporânea e a Coleção de Artes Visuais do IEB da USP. Os outros se destacam em seus estados e/ou regiões, como o Museu Assis Chateaubriand da UEPB.
Os mais recentes, principalmente as Galerias da UNICAMP e da UFES, tem acervo formado por doações de artistas locais e apresentam basicamente exposições temporárias. No caso da Galeria Brasiliana da UFMG, a coleção básica é eclética e tem obras de artistas estrangeiros, mas as coleções contemporâneas são basicamente doações da sociedade local, principalmente de obras de artistas mineiros.
Os acervos desses museus favorecem a pesquisa acadêmica? Essa pergunta é difícil de ser respondida, entretanto há indicações de que a heterogeneidade, a ausência de séries e conjuntos significativos (do mesmo autor, de um mesmo estilo, de um período ou local, etc.) dificultam o desenvolvimento de pesquisas sistemáticas. Nenhum dos museus brasileiros descritos neste capítulo contam com docentes ou
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pesquisadores em tempo integral, com exceção de seus diretores que ficam somente durante o período de sua gestão ou professores temporariamente lotados em cargos de confiança.
Se as pesquisas são raras, não é possível oferecer sistematicamente cursos – seja disciplina de graduação ou pós-graduação, seja de extensão.
Os cursos oferecidos pelos museus e galerias são voltados para a comunidade em geral e seus conteúdos são prioritariamente técnicos, como gravura, pintura ou bordado. Os professores desses cursos são, muitas vezes, os artistas expositores ou convidados e não professores ligados aos museus e galerias. Dessa forma, o ensino é basicamente voltado para a extensão e não para a formação universitária, com ênfase para o atendimento de escolas de nível fundamental e médio.
Todos os museus parecem sofrer de falta de verbas para aquisição, dependendo de doações de obras ou de dinheiro para comprá-las. Também parece ser uma unanimidade a obrigação de receber determinadas doações sem que necessariamente correspondam ao perfil e/ou política de aquisição da instituição. Entre os museus de arte contemporânea, o MAC/USP parece ser o único que não desenvolve ações para continuidade de aquisição de acervo por meio de exposições e doações de artistas locais.109
São poucos os museus que contam com profissionais das diversas áreas da museologia: documentação, conservação, museografia e educação. O MAAC/UEPB tem arte educador, museólogo e dois restauradores, mas contratou recentemente empresa para realizar restauração de obras de seu acervo. (Negrão, 2001) No caso da UFMG, por exemplo, as obras da Galeria Brasiliana puderam ser restauradas porque a universidade tem um importante centro de ensino de restauro. No geral, os museus têm poucos servidores e contam com o auxílio de estagiários e bolsistas. Uma exceção, como veremos, é o MAC/USP, que tem mais de 100 servidores. Cabe ressaltar novamente aqui o regimento da Galeria da UNICAMP que prevê, ainda que em teoria, a formação de seus servidores além da liberdade para escolha de tema de pesquisa.
Com exceção do Museu D. João VI da UFRJ, que está no 2º andar do prédio da EBA e do Museu de Arte Popular e da Pinacoteca da UFPB, que também estão em salas adaptadas, todos os outros têm espaços próprios, entretanto são poucos aqueles que estão em espaços construídos adequadamente para abrigar o museu.
109 O MAC/USP definiu no final do ano 2000 uma política para aquisições que será apresentada
Quanto às relações com os departamentos de ensino afins, vimos que a maior parte desses museus não cultiva relações sistemáticas com as áreas de ensino de arte.110 Devemos lembrar aqui que o Museu D. João VI aparece totalmente subordinado à Escola de Belas Artes, assim como as Galerias da UNICAMP e da UFES e a Pinacoteca da UFPB. Entretanto, isso nem sempre significa que as coleções e exposições estejam sendo utilizadas pelos departamentos de ensino e que os profissionais dos museus atuem dentro dos departamentos de ensino. Os esforços recentes apresentados pela equipe do Museu Leopoldo Gotuzzo merecem atenção no sentido de conhecermos seus resultados em médio e longo prazo.111 O MAC/USP se diferencia dos outros museus por ter pesquisadores próprios, que podem desenvolver a carreira acadêmica, oferecer disciplinas para a graduação e cursos de especialização no museu.
Dentro desse cenário de museus de arte universitários do Brasil, o MAC/USP e a Coleção de Artes Visuais do IEB parecem se destacar pela originalidade e qualidade dos seus acervos em âmbito nacional. O MAC, como veremos, destaca-se por ter um corpo técnico especializado em diversas áreas da museologia além de pesquisadores; o IEB, destaca-se por suas pesquisas e suas coleções não só de artes visuais mas também de livros e documentos, fundamentais para o estudo da cultura brasileira.
110 O MAS serviu como museu-escola para os alunos de ação cultural do Curso de Museologia
da UFBA, mas sempre com a iniciativa dos professores de Museologia e não dos profissionais do museu.
111 Se essas ações dependerem apenas da vontade de alguns funcionários e não forem