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2.2. EGOR KAZİMİROVİÇ MEYENDORF’UN HAYATI

2.2.4. Meyendorf Ailesinin Diğer Önemli Üyeleri

Quais são as origens do Instituto Brasileiro de Administração Municipal?

o Ibam nasceu no II Congresso Nacional de Municípios, realizado em São Vicente (SP), em 1 952; foi criado como órgão de assessoramento técnico da Associação Brasileira de Municípios, organizadora do Congresso, Essa vinculação tornava a exis­ tênCia do Instituto muito precária, pois ele não dispunha de corpo técnico nem de pessoal de apoio. Assim, lutei bastante para que a Assembléia Geral do Ibam eliminasse essa ligação. Durante muito tempo, as relações entre o Instituto e a ABM ficaram meio estremecidas, mas se recompuseram e hoje são muito boas.

Que forças políticas contribuíram para a criação do Ibam?

A criação do Ibam resultou da ação de líderes municlpalistas, que lançaram um manifesto dirigido a todos os prefeitos e vereadores. Esse manifesto foi assinado, entre outros, por Rafael da Silva Xavier, que fOI diretor-geral da Fundação Getúlio Vargas; Cleanto de Paiva Leite, que veio a ser o primeiro diretor executivo do Instituto e era, nessa ocasião, diretor do BNDES; Rõmulo Almeida, chefe da Assessoria Econõmica do presi­ dente Getúlio Vargas, José Maria dos Santos Araújo Cavalcanti, Osório Nunes, entre outros.

Quaís eram as principais atividades do Ibam?

Consultoria in loco, consultoria a distância, pareceres e respostas por telefone, por escrito ou pessoalmente de consultas sobre direito, finanças, contabilidade feitas pelas prefeituras e câmaras municipais filiadas; treinamento e publicações, inclusive da

Revista de Administração Municipal. Em 1 965 foi lançado o prrmeiro curso de pós­ graduação lato sensu, o Cemuam, Curso Especial de Metodologia do Urbanismo e Administração Municipal, com oito meses de duração: quatro no Rio de Janeiro, em sala de aula, e quatro em municípios, dois ou três do interior do Brasil. São José dos Campos era o município preferido, assim como toda a sua redondeza, e os alunos eram acompanhados o tempo todo pelo professor.

De que tratava o curso de pós-graduação?

Basicamente de metodologia e projeto de desenvolvimento municipal e urbano. O curso era dirigido pela dra. Adina Mera, urbanista argentina radicada no Brasil, com a cola­ boração de urbanistas como Hélio Modesto - autor do projeto da sede atual do Ibam -, Francisco Whitaker Ferreira e Victor Olavo Prochnik.

O constante interesse pela atividade de treinamento levou o Ibam a criar em

· o alQuiteto Que viou antroólogo: (alias Nelson eneira dos Santos

outros dois cursos de oito meses: administração municipal e engenharia de sistemas urba­ nos, além de outros mais curtos, de dois meses, uma semana; e um por correspondência. Todos financiados pela Sarem, a Secretaria de Articulação dos Estados e Municípios, órgão do Ministério do Planejamento - extinta no fim do governo Sarney, infelizmente. Uma caracteristica Interessante dos cursos da Escola Nacional de Serviços Urbanos permanece até hoje: a Escol? não tem corpo docente, só um diretor e uma secretária. Mas os professores são os téCniCOS dos diversos centros do Ibam. Isso chamou a atenção do Banco Mundial, que me convidou para duas reuniões, uma no Quênia e outra na Virginia (Estados Unidos), para falar dessa experiência de uma escola que usa os técnicos para dar aulas.

E como funcionavam os cursos de oito meses?

Eram quatro meses de teoria e quatro de prática. A parte teórica abrangia os temas da área - urbanismo, por exemplo, ensinava engenharia urbana -, e a pate prática era realizada como trabalho de campo. A Adina Mera introduziu um método que achei muito estranho, pois nunca tinha visto aquilo, mas deu certo: ela não dava aula, passava tarefas aos alunos. Eles apresentavam os trabalhos, que eram discutidos e comentados por ela; não era como nossas aulas convencionais. Também convidava pessoas para fazer palestras. Não pensei que fosse funcionar, mas foi um êxito! O curso foi um grande sucesso.

Atualmente, após a extinção da Sarem, como são financiados os cursos do Ibam1

São custeados por instituições. s camaras de vereadores e prefeituras filiadas pagam com desconto, e o funcionário da prefeitura ou camara que não é filiada, paga mais. No Ibam oferecemos também dois cursos de dois meses, um para reciclagem de professoras, que teve muito êxito, e outro para atualização de bibliotecárias. A Sarem não queria financiar, já que não era sua área, mas consegui com o Jarbas Passarinho, então ministro da Educação, que o MEC financiasse. Esses cursos tiveram enorme êxito. As professoras ficavam encantadas; nunca vi alunos mais entusiasmados do que elas.

Como funcionavam os cursos por correspondência?

Eram bem interessantes; chegamos a ter mais de cem mil alunos - hOje voltamos a oferecê-los, e estamos com cerca de dois mil alunos.

Cem mil alunos?!

Isso mesmo, sendo que mais de 65 mil concluiram esse cursa; os alunos eram, sobretudo, funcionários públiCOS municipais Uma vez fui à casa de um secretário de Finanças de um municfpio de Mato Grosso, e na sua sala havia cinco certificados de cursos por correspondência feitos por ele.

"

Prédio do lam

Diogo Lordello

de

Mello ·

Que outras áreas foram objeto da atuação do Ibam?

Além do treinamento, o Ibam começou a atuar muito ativamente no campo de consultoria e pesquisa urbanas, sobretudo a partir de 1 968. Nesse ano foi criado o Centro de Pesquisas Urbanas, graças a uma doação de 220 mil dólares feita pela Fundação Ford: 1 20 mil foram investidos na formação de especialistas em desenvolvimento urbano em universidades americanas, e cem mil destinaram-se à implementação do CPU no Ibam

Foi nessa época que Carlos Nelson Ferreira dos Santos ingressou no

Ibam?

Sim, foi contratado como técnico do CPU, que depois veio a dirigir. Carlos Nelson não foi estudar fora, pois já tinha uma formação muito boa. Mas vários outros técnicos foram para os Estados Unidos, com bolsa de estudo. Iam prinCipalmente para a Universidade do Sul da Califórnia - a Fundação Ford indicava as universidades.

Como Carlos Nelson chegou ao Ibam? O senhor o contratou pessoalmente?

Fui eu quem o admitiu, mas não me lembro quem o indicou; ficou na direção

do CPU até falecer, em 1 989. O Carlos Nelson exerceu uma grande liderança Publicou

· o arquiteto que virou antropOlogo: Carlos Nelson Ferreira dos Santos

um livro muito interessante, resultado de trabalhos do Ibam, intitulado Ouando a rua vira casa, estudo sobre a evolução das favelas, das ruas.

Mais tarde, o (PU foi extinto, não é?

Sim, na atual estrutura administrativa do 100m, o (PU foi substituldo elo Centro de Desenvolvimento Urbano e de Meio Ambiente, que continua a manter o Instituto muito ativo nas áreas de consultoria e pesquisas, como a elaboração de planos diretores, desenvolvimento urbano, projetos de lei de código de obras e de uso do solo urbano, estudos de meio ambiente e gestão de resíduos sólidos. Esses serviços têm sido prestados a vários governos municipais de todas as regi6es do país, financiados pelas próprias prefeituras, bem como com o apoio financeiro, no caso do meio ambiente, do Ministério do Meio Ambiente, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Banco Mundial. O Centro tem também prestado assistência ao Ministério do Meio Ambiente, na elabo­ ração de subsldios para a Agenda 21 brasileira, no componente "cidades sustentáveis". Outro projeto interessante que vem sendo desenvolvido desde 1997 é o da Eletrobrás:

"Rede de cidades eficientes em energia elétrica", voltado para o combate ao desperdício de energia pelos governos municipais. MUIto interessante.

No campo do treinamento, a Ensur tem ministrado cursos de uma semana para funcionários públicos e para ONGs, sobre temas variados, como gestão ambiental

urbana, legislação urbanística e ambiental, elaboração da Agenda 2 1 , elaboração de

planos diretores urbanos e geoprocessamento. O treinamento em geoprocessamento

permite facilitar o levantamento do mapa do município, sobretudo para fins urbanísticos

e também tributários; o cadastro fiscal do município, referente ao IPTU, é atualizado

graças a esse geoprocessamento.

Fizemos esse trabalho para a prefeitura de Aracaju, om fins tributários, sobretudo, mas também urbanísticos. No coquetel de encerramento no hotel Othon Palace, o prefeito da cidade me disse que tinha ficado muito contente com o trabalho porque, pela primeira vez em muitos anos, AracajU ia ter um plano de desenvolvimento urbano. Assim, além do cadastro tributário, passou-se a ter o urbanístico.

O Ibam tem também participado, sempre de forma ativa, apresentando trabalhos, fazendo palestras ou como membro de grupos de trabalho, em congressos e seminários nacionais e internacionais sobre desenvolvimento urbano e meio ambiente. Devo mencionar ainda que o Instituto tem também publicado vários livros e documentos de trabalho, assim como artigos sobre desenvolvimento urbano e de meío ambiente na Revista de Administração Muniial -Municípios -nome atual da antiga Revista de

Administração Municipal -que chegou ao n° 224, em março-abril de 2000, o 450 ano de existência ininterrupta. E sempre publicando artigos sobre urbanismo, desenvol­ vimento urbano, meio ambiente, entre outros assuntos.

Duas novas áreas foram incluídas nas atividades do Ibam nos últimos anos: "mulher e políticas públicas" e "proteção � criança e ao adolescente", com o apoIo da Unifem e Unicef das Naç6es Unidas e do Ministério da Justiça e outros órgãos do governo federal.

Agenda 21 é o documento que nh os compromissos visando fixar no mua

um aroo de senvlvimeno auto· sustentável no século XXI Aprovada t Conferência das NaçOes Unidas sobre

Meio Ambíente e Desenvolvimento, realizada no Rio e Janeiro em 1992,

a Agenda 11 deve ter suas diretrizes internalizadas nas pollticas públicas de cada um dos países signatários, o que gerou a Agenda 2 1 Brasileira

DiogO Lordello de Mello .