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2.3. E.K MEYENDORF’UN ESERİNİN DEĞERLENDİRİLMESİ

2.3.2. Eserin Dönemin Kaynakları İle Değerlendirilmesi

2.3.2.3. Buhara Hanlığı’nın Nüfusu

Com a fusão, extinguiu-se o Conselho de Planejamento Urbano. O que

foi feito de seu acevo e de suas principais atribuições?

Quando fui nomeado secretário municipal de Planejamento pelo Marcos Tamoio, trouxe os acervos do Conselho e do EPU e incorporei algumas atribUições do Conselho. Isso foi possível porque o EPU era um órgão municipal, para tratar do Rio de Janeiro; assim, transformei-o na Secretaria Municipal de Planejamento. Ou seja, eu fiquei onde estava, com os funcionários, os móveis e os utensílios; quem veio de fora foi o Ro­ naldo Costa Couto, que chegou com a Secretaria Estadual de Planejamento para o mesmo prédio, trazendo a Fundrem, a recém-criada Fundação para o Desenvolvimento da Re­ gião Metropolitana. Estabeleceu-se um conflito por espaço, físico e político, como é na­ tural. Os funcionários todos me tratavam com deferência, porque sabiam que eu era anterior àquela "invasão dos hunos"; então, me davam preferência na água, no café ... Daí os ciúmes.

Havia alguma superposição de atribuições entre sua Secretaria e a Fundrem?

Havia, realmente. No Conselho Deliberativo da Fundrem tinham assento o governador, o secretário estadual de Planejamento, o presidente da Fundrem e um representante do'município da capital, que era eu, por delegação do Tamoio. A Fundrem chegou com idéia de substituir os Executivos de todos os municípios nas decisões sobre

Pedo Teixeira Sar�

uso e parcelamento do solo, por exemplo; toda a legislação aprovada pelas prefeituras nessa matéria tinha que ser submetida a ela. Ora, com Maricá ou São Gonçalo isso talvez funcionasse, mas com o município do Rio de Janeiro, que tinha quadros melhores que os da Fundrem, em termos de conhecimento e vivência dos problemas da cidade, não fazia nenhum sentido. Além disso, tanto o secretário de Planejamento quando a maioria dos técnicos da Fundrem eram "estrangeiros" : costumávamos dizer que eram reféns do chofer: se mandassem ir para o Leblon e o chofer fosse para a Tijuca, nunca descobririam.

Assim, a Fundrem começou de maneira Imposta, violenta mesmo. Uma das únicas coisas positivas que se fez, e o resultado foi muito aquém do imaginado, foi um convênio sobre lixo Tínhamos acabado de criar a Comlurb e tomado uma impotante medida: acabar com a queima de lixo domiciliar, o que aumentou muito a qualidade do ar no Rio de Janeiro. Eu fui encarregado de propor aos municlpios mais próximos que a Comlurb desse assessoria sobre coleta e disposição final de resíduos sólidos; o quadro da companhia estaria à disposição da Fundrem. Fizemos um convênio com Caxias para a construção do aterro sanitário em seu território para a disposição final do excesso de lixo do Rio. O resultado foi o atual "lixão" de Gramacho. Mas, em todo caso, a intenção da execução de serviço de interesse comum é essa, não é verdade? Quem pode ensina, quem

não pode tenta aprender

E quanto à ocupação do 5010, houve problemas com a Fundrem? Houve, porque eu me recusei a assinar a deliberação do Conselho, que sacra­ mentava essa submissão dos municlpios a ela. Vieram com um argumento bobo: "Mas a resolução já está numerada, não podemos adiar." Eu fiquei firme: "Então, renumerem. Sou apenas um delegado do prefeito do Rio de Janeiro e tenho ordens para não assinar." Mas o Ronaldo Costa Couto insistia, o Talma defendia a posição da Fundrem ... O fato é que não assinei.

O Marcos Tamoio tinha topete, e nÓs o apoiamos: "O homem nomeou você, ele que o demita; o prefeito da capital é demissível ad nutum." Mas depois o Samuel Sztyglig, meu subsecretário, foi nomeado meu sucessor na Secretaria Municipal de Plane­ jamento e assinou.

o senhor concorda com a opinião de que a Fundrem foi uma espécie de

usina de projetos para o estado?

Sim, concordo. Foram formulados diversos projetos para a Região Metro­ politana. Apenas o prazo de maturação foi insuficiente. A Fundrem acabou em menos de 20 anos. Tive muitos amigos na Fundrem, inclusive Maurício Nogueira, seu primeiro diretor de Planejamento, que fez um macrozoneamento industrial da Região Metropo­ litana do Rio de Janeiro, que jamais foi regulamentado. Quem fez mais coisas para o interior do estado foi a Lysia Bernardes, na Diretoria de Geografia da Secretaria Estadual de Planejamento: elaborou pequenos planos de ocupação urbana para todos os municl­ pios do estado do Rio. Foi realmente um trabalho muito competente. E a Fiderj, a Fun­ dação Instituto do Desenvolvimento Econômico do Estado do Rio de Janeiro, que eu vim a presidir mais tarde, fez durante o governo Faria Lima um maravilhoso zoneamento

agrícola e agro-industrial do Norte Fluminense.

• Administrando o quotidiano: O dla-a-dia do urbanista

Macos Tamoio era engenheiro e tinha sido secretário de Obras do go­ verno Carlos Lacerda. Como era sua atuação? Tentava interferir nas ações de sua Secretaria?

Ele era carioca, engenheiro, amigo dos seus amigos, de todos os empresários.

Pessoalmente, era dono de uma imensa firma de terraplanagem e de uma financeira que emprestava dinheiro para imóveis Mas enquanto eu fui secretário não senti a menor presão de sua parte até um ponto, que passo a relatar. Antes de elaborar o Decreto nO 322,

fizemos um levantamento da carência de vagas em Copacabana. O Samuel Sztyglig queria contratar uma consultora, mas nós tínhamos acabado de assumir, sequer tínha­ mos sede própria. Eu recusei: "Estamos cheios de arquitetos sem nada para fazer. Vamos botar essa turma na rua para levantar prédio por prédio em Copacabana; quantas vagas, quantos andares existem."

Pegamos o levantamento aéreo, recortamos, tiramos cópia, e cada um ia para a rua com uma prancheta com duas quadras: durante a manhã levantavam uma, à tarde levantavam outra. Ao cabo de uma semana, já tínhamos o material todo pronto dizendo: " Esta é a situação de Copacabana." Aí vimos coisas do arco da velha. Primeiro, metade dos prédios do bairro não tinha garagem de espécie alguma. Segundo, alguns automó­ veis passavam a semana inteira estacionados na avenida Atlântica e só saíam no fim de semana. Então, não havia vaga para o comércio, para coisa nenhuma.

Al o Tamoio chamou seus amigos empreiteiros: Sérgio Dourado; Carlos Carva­ lho, da Carvalho Hosken; Júlio Coacy, da Real; Carlos Moacyr, da Gomes de Almeida, Fernandes ... Juntou todo mundo na Secretaria de Obras e mostrou a minuta do decreto, com a exigência de vagas de garagem e novos limites de gabarito. Todos leram, muito amáveis, e sairam muito cordiais.

O Tamoio estava saindo para almoçar e me ofereceu uma carona. Perguntou o que eu tinha achado da reunião, e eu respondi: "Acho que erramos em algum lugar, porque eles estão muito satisfeitos". Não passou uma semana e me telefona o Luís Carlos Velho, diretor do Depatamento de Edificações: "Corra para cá, porque deu entrada um processo com 14 andares de garagem no embasamento e mais os 1 3 permitidos para Copacabana em cima, isso na rua Pompeu Loureiro ! " Ou seja, o sujeito queria construir um prédio de 28 pavimentos! Daria vista para o mar.

Fomos ao Tamoio, que nos disse: "Chame o homem aqui, porque estou vendo que o construtor entrou como uma substituição de projeto. Diga que você o interpretou como um estudo de viabilidade para um edifício-garagem de 1 4 pavimentos na rua Pompeu Loureiro e que, se ele não estiver interessado em construir só ISSO, você desa­ propriará o terreno, e a prefeitura fará o edifício·garagem. " Era uma excelente idéia! O homem foi lá, ele fez essas ameaças todas, e o sujeito desistiu. Mas não era um cama­ rada radical, pelo menos nesse período.

Por que o senhor pediu demissão da Secretaria de Planejamento?

Em novembro de 76 haveria eleições municipaiS. Quando fui a Brasília para cuidar do orçamento do município, que era meio polêmico, fui abordado no v60 de volta pelo deputado Alvaro Valle, que veio dizendo que o presidente Geisel fazia muita quesMo da vitória nessas eleições, porque as considerava um plebiscito sobre o seu

Pedro Teixeira Soares .

governo. E que o Geisel estava preocupado, porque o Rio de Janeiro sempre foi uma área

de oposição: até o prefeito era do MDB - o Tamoio era inscrito no partido O Geisel teria

encarregado a ele, Alvaro Valle, de coordenar as adesões à Arena, para aumentar as

chances de vitória do governo.

Chego ao Rio e me deparo com o inicio de uma pressão pela filiaçãO à Arena ­

eu ainda trabalhava no Palácio Guanabara, ao lado do Ronaldo Costa Couto. E começou uma coisa ridícula: o Ronaldo filiou todo mundo, inclusive a secretária e o contínuo que servia café. E a pressão passou para o municípIo, liderada por gente do gabinete do Tamoio. Um dia me ligaram: "Pedrinho, você é o único que faz restrições a entrar para a Arena ... " Eu me espantei: "Nunca disse nada disso! " Insistiram: "Pois é, mas o fulano e o beltrano já vieram aqui, disseram que entram para a Arena com muito prazer e que passam a pressão adiante, para os seus subordinados .. Fica a sugestão, mas não pense

que se trata de qualquer forma de pressão." E ficou nisso.

Em seguida, veio o Ronaldo Fabrício, prefeito de Niterói, que já era da Arena, desculpar-se com o Faria Lima por não poder apresentar uma grande quantidade de fichas de filiação, porque em Niterói todos os seus subordinados já pertenciam ao partido. Eu já tinha feito tudo o que a Secretaria de Planejamento podia fazer: o orçamento, o endividamento, o organograma da prefeitura inteira. Aí fui ao Tamoio e

disse: "Não vou entrar para a Arena. Quando o Brasil tinha 1 4 partidos, não entrei para

nenhum; não será agora que só tem dois, que vou entrar para o que vai perder. E digo mais: estou ganhando pouco, tenho cinco filhos, e não posso ficar mais aqui."

O Tamoio argumentou: "Mas é uma pena, pedrinho Por que você não pega umas consultorias por fora?" Respondi: " Porque não faz o meu gênero; nunca fiz isso e não vou começar agora. Muito obrigado e até logo." Ele ainda pediu: "Então, diga que foi por razões particulares." Eu retruquei: "E são, mesmo, razões particulares minhas, que não preciso revelar a ninguém."

Mello Franco, que estava na Embratur desde o final do primeiro governo do

Chagas, me chamou para seu adjunto. Ficamos lá até 1 979, quando o Chagas assumiu

novamente o governo, agora de todo o estado do Rio de Janeiro. Mello Franco veio ser de

novo secretário de Planejamento, e me nomeou para presidir a Fiderj, a Fundação Insti­

tuto de Desenvolvimento Econômico do Estado do Rio de Janeiro. No nebuloso episódio da substituição do prefeito Israel Klabin, Mello Franco e todo o primeiro escalão de sua secretaria pediram demissão. Chagas aceitou prontamente e nomeou Júlio Coutinho

para a prefeitura Em 8 1 fui efetivado como arquiteto do município e lotado na Secre­

taria Municipal de Planejamento e Coordenação Geral.

Que diferenças o senhor encontrou na estrutura da Secretaria Municipal de Planejamento?

Antes havia três superintendências: Orçamento, Planejamento Urbano e Moder­ nização Administrativa; quando retornei, havia apenas alguns órgãos a mais, como por exemplo, a Coplan, a Comissão do Plano da Cidade. Mas ainda tinha o Orçamento. Muito enfraquecido, porque a Secretaria de Fazenda sempre quis inflUIr no orçamento. No fundo, a Secretaria de Fazenda é, tecnicamente, uma coletoria; tem que cuidar da receita, enquanto o Planejamento cuida da despesa. Não se pode deixar misturar, pois vira uma confusão danada.

• Administrando o quotidiano: O dia-I-dia do urbanista

A Superintendencia de Planejamento Urbano já estava dividida em estruturação

urbana e legislação Fui trabalhar com a legislação, porque o PUB-Rio tinha criado o Projeto de Estruturação Urbana, dividindo o planejamento físico da cidade por unidades espaciais de planejamento e tinha recomendações de prioridade de ações em cada área.45 Continuei no municlpio, e lá estou ate hoje.

o primeiro governo Brizola perenizou as favelas e