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2.3. E.K MEYENDORF’UN ESERİNİN DEĞERLENDİRİLMESİ

2.3.2. Eserin Dönemin Kaynakları İle Değerlendirilmesi

2.3.2.7. Buhara Hanlığı’nda Tarım ve Zanaat

José Zanine Caldas nasceu em Belmonte, Bahia, em 1919 Faleceu no dia 20 de dezembro de 200 1 , em Vitória, Esplrito Santo Ele próprio fala de sua formação: " Minha escola foi a obra e a maquete Minhas bibliotecas foram as estruturas antigas e as serrarias, Minha briga, que continua, foi contra o colonialismo cultural' Seus primeiros trabalhos foram realizados em oficina de maquetes_ Sua familiaridade e competência com o artesanato de madeira o levou a criar uma fábrica de mobília no Rfo de Janeiro

Foi para São Paulo e trabalhou na FAU­ USP como assistente de Alcides Rocha Miranda Foi também Alcides Rocha Miranda quem o levou em 1962 para trabalhar no Instituto Central de Arte da Universidade de Brasília Em 1 964 projeta sua primeira casa na Joatinga Vai para Nova Viçoa, Bahia, onde monta escritório e oficina, celeiro de inúmeros projetos famosos C ria a Fundação DAM (Centro de Desenvolvimento das Aplicaçóes das Madeiras do Brasil) em 1983 visando formar uma nova geração de construtores dentro e fora da universidade � descrito por colegas e admiradores como um misto de operário, arquiteto autodidata, bruxo, filósofo, artesão Por não ser arquiteto formado Zanine teve problemas com o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA), órgão responsável pelo credenciamento profissionaL Ver Zanine, sentir e faze. Coordenação de Suely Ferreira da Silva Rio de Janeiro, Agir, 1995.

A senhora é arquiteta formada na turma de 1973 da UFRJ. Que dilemas principais enfrentava o ensino daquela época?

Eu sentia uma deficiªncia muito grande no ensino do curso de arquitetura e por isso procurei fazer vários estágios. A vida universitária passava por um momento muito triste, pois estávamos em plena vigªncia do AI-5; havia grande cerceamento à liberdade, em diversos niveis. Fora isso. passávamos também por uma revisão curricular, uma etapa de muitas modificações estruturais, e percebíamos que as coisas não estavam sendo muito acertadamente conduzidas. Enfim, enfrentávamos também nossas próprias dúvi­ das; afinal, tínhamos 1 8, 1 9 anos.

Assim, comecei a estagiar em várias áreas de meu interesse e onde eu sentia que a escola não respondia às minhas dúvidas e demandas de conhecimento; com isso, mudei muito de estágio. Fui trocando, até chegar ao escritório do Zanine que foi um marco na minha opção por urbanismo. Não sei por quª, cismei numa época que era uma falha no meu currículo eu não saber fazer um telhado, e vi que não consegui aprender na faculdade. Pois bem: morando em Niterói e estudando lá no Fundão, comecei a esta­ giar no escritório do Zanine, que ficava no início da Barra da Tijuca.

Foi ba a experiência?

Foi mUito interessante, porque conheci um outro lado da arquitetura, o da arquitetura dirigida à elite social. Até então, eu tinha estagiado na Divisão de Obras do Ministério da Fazenda, instituição pública; num eSCrItório particular que trabalhava para bancos; num escritório de engenheiros que fazia projetos de casas, residências de classe média e, de repente, fui trabalhar para o arquiteto que projetava para uma camada social mais alta. A arquitetura tem isso: grande parte de seu trabalho destina-se a quem pode pagar um projeto sofisticado. Ali não só aprendi a fazer telhado, mas também como era mantida aquela relação entre clientes ricos e um arquiteto de grife -aliás, observei mais

do que aprendi. Estou frisando isso porque, para mim, foi muito impotante constatar que não me agradava este lado excludente e impositivo da arquitetura. Aquelas pessoas compravam o produto dele independentemente de ter algum valor cultural ou funcional, de gostarem ou não. Compravam porque o "Zanine estava na moda ", a despeito da be­ leza, estética, qualidade e exclusividade de seu produto.

Dali parti para uma experiência em construção civil. Naquele momento existia um boom imobiliário em Niterói, que possuía uma legislação urbanística insuficiente para fazer frente ao processo de crescimento; é verdade que a infra-estrutura também era bastante precária para atender ao aumento deste crescimento, gerado pela construção da ponte Rio-Niterói. Na zona mais densamente habitada, como Icaraí e Ingá, o forne­ cimento de água já era falho e o de esgoto, praticamente inexistente. Apareceu, então, a oportunidade de trabalhar em uma construtora de edifícios projetados para o mercado imobiliário. Achei que seria uma experiªncia interessante e fui trabalhar nessa empresa,

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mas logo entendi que ali não se fazia arquitetura. A única preocupação era colocar um gabarito no terreno, para ver qual era o melhor aproveitamento econômico, a melhor rentabilidade que a edificação permite alcançar.

Nesse momento, a senhora já estava formada?

Ainda não, cursava o quinto ano. Meu professor - Elias Kauffman - responsável pela cadeira de Planejamento V e VI, orientou os dois trabalhos de prática inicial em planejamento urbano. O primeiro deles foi para o estaleiro Verolme, em Angra dos Reis - o que nos propiciava a abordagem em uma escala maior do que a quadra. Éramos quatro na equipe, sob a supervisão do professor Elias Kauffman: Fernando soto, um hon­ durenho que hoje vive na Nicarágua, e duas arquitetas que depois foram para CUritiba.

O trabalho consistiu em propor a organização do espaço total do estaleiro, com suas par­ tes administrativas, rsidências operárias, sidências do ssoal de nível técnico; em suma,

organizar racionalmente a porção das terras destinadas ao apoio à atividade produtIVa.

O segundo trabalho já foi o da graduação. Havia um concurso no BNH, cujo tema era a proposta para um projeto de conjunto habitacional integrado, dentro da filosofia do Plano Nacional de Habitação. O Fernando soto e eu, que éramos as cabeças mais políticas do grupo, decidimos inscrever o trabalho de graduação no concurso; em vez de fazer uma proposta de conjunto habitacional integrado, resolvemos propor a reur­ banização de uma favela. Na época era uma idéia defendida pelo grupo da Chisam e da Codesco, um grupo de profissionais que trabalhava com habitação na Guanabara. E sele­ cionamos uma favela em Niterói, a favela do Morro do Estado, muito grande e muito antiga. Nessa época, eu já estava estagiando na companhia de turismo do antigo estado

do Rio (Flumitur) - fui a primeira arquiteta contratada pela empresa para exercer ativi­ dade técnica; anteriormente só havia profissionais do sexo masculino nestas funções -, estruturando um núcleo de arquitetura e urbanismo cuja função seria controlar o uo e

a ocupação do solo nos mUnicípios turísticos do estado do Rio de Janeiro, além de dar assessoria às prefeituras na melhoria urbana para apoio ao turismo.

Pois bem, tiramos o primeiro lugar no concurso do BNH, o que para nós foi uma surpresa, porque nossa proposta era contrária à filosofia habitacional do Banco naquela época. Foi quando conheci Carlos Nelson Ferreira dos Santos. Fernando 50to e eu divergíamos sobre o momento certo para estudar a teoria e para traçar o plano de ação. Eu, muito pragmática, queria ir logo para a favela, e fui sozinha - naquele tempo a gente podia subir na favela sem problemas.

A favela já contava com uma associação de moradores?

Sim. Fiz contato com eles e comecei a estudar o asunto in loro. Expliquei logo que não e tratava de erradicação, o maior medo deles. E comecei a ganhar espaço na discussão com o Fernando 50to, propondo que fôssemos conversar com o Carlos Nelson para ver se tínhamos mesmo que estudar toda a teoria primeiro. O Carlos Nelson nos aconselhou: "Nem tanto ao mar nem tanto à terra.

É

preciso ir à favela sim, porque aí

vocês verão a teoria de uma forma diferenciada." Enfim, fizemos um trabalho murro bom, que foi até publicado pela prefeitura de Niterói 48

48 Hélia Nacif Xavier, Fernando Soto,

Maria Lúcia de Matos Soars, Ana ')

e lena Sakedo. Nitrói: sto de reurbanizaçjo e faea. Morro o

Esrado. Niterói, Prefeitura Munkipa\ de Niterói, 1974

Comunidade de Grata, Madureira. Antes e depois do Favela-Bairo

Lysia Bernardes (1924-1991), geógrafa especializada em planejamento regional e urbano, trabalhou no IBGE entre 1 944 e

, 977. quando se transferiu para os Ministérios do Planejamento e do Interior.

Professora da Coppe-UFRJ, era casada com Nilo Bemardes (1922-1991). também geógrafo o IBGE O Casal morreu m dae de automVel Ver Roberto Schmidt Almeida. 2000

Hélia Nacif Xavier .

o BNH concedeu dois primeiros lugares: um para um grupo liderado pelo Paulo Saad, que projetou um conjunto integrado em fibra de vidro, inteiramente de acordo

com o BNH; e o outro para nós, que propusemos fixar a favela e reurbanizar a área. O diretor da área do concurso achou que n05SO prjeto era muito interessante e merecia uma análise dos desdobramentos, por isso nos ofereceu uma bolsa de estudos de pós­ graduação, para desenvolver esse projeto no BNH. Mas eu já era arquiteta da Flumitur e me preparava para o mestrado na Coppe-UFRJ, pois estava cada vez mai5 convencida de que meu caminho era mesmo o urbanismo. Minha e5cala de compreensío era mais abrangente, e eu achava que poderia dar uma contribuição maior para a questão social, que sempre me mobilizou muito; e o espaço urbano permite esta oportunidade.

o BNH surgiu da experiência da Secretaria de Seviços Sociais do governo Carlos Lacerda, durante a gestão de Sandra Cavalcanti. Quando a senhora começou a lidar com a favela ainda existia a polêmica entre erradicação e urbanização das favelas?

Obviamente, a questão urbana é muito polêmica, e há grup05 defendendo idéias opostas. Acho que tem que ser assim mesmo, pois não se pode trabalhar com cidade sem politização; é possível evitar a partidarização, mas não há como não ser político. Na época, existiam os grupos de contestação à politica urbana oficial, e o Carlos Nelson conseguia algum espaço para expor suas idéias. O arquiteto sempre foi uma categoria muito politizada, apesar de sua ação ser muito elitizada e muito dependente do Estado. Na parte do urbanismo, então, não havia como não trabalhar para o Estado, ou com o Estado Mas na época havia os grupos que acreditavam numa intervenção de caráter

mais amplo, mais social - as propostas do Favela-Bairro, executadas por Luiz Paulo

Conde, têm origem no debate daquela época. Antes, as intervenções em favelas eram

ou

populistas ou pontuais. Não se pensava a favela como um bairro, uma área

pertencente à cidade, não se pensava em facilitar a vida de seus habitantes, instalando

postos de saúde, creches, escolas etc. Em grande parte, foi o Carlos Nelson o responsável pela fixação desses conceitos. Ele nos ajudou muito e nos deu os elementos básicos para

interpretarmos a realidade do Morro do Estado.

Quando a senhora ingressou no curso de Planejamento Urbano da Coppe7

Já convicta de que queria trabalhar em urbanismo, primeiro eu fiz concurso

para o Cemuam, um curso de pós-graduação de nove meses que existia no Ibam, um curso muito pragmático, que tinha uma bolsa do governo federal. Não passei. Mas me dei conta de que necessitava de base conceitual, até para contrabalançar meu lado pragmático, e em 1 976 fiz concurso para o curso de Planejamento Urbano e Regional da Coppe (um verdadeiro

vestibular).

Dois fatores pesaram na minha aprovação: a entrevista e a indicação da professora Lysia Bernardes.

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Em 1 975 tive a opotunidade de trabalhar com a Lysia Bemardes. Quando foi indicado para comandar a fusão dos estados do Rio e da G uanabara, o almirante Faria Lima formou um grupo de trabalho sobre o planejamento no novo estado do Rio Janeiro. Dona de uma inteligência Impar - uma das raras inteligências que já conheci -, a lsia também possula u m conhecimento especifico sobre o estado do Rio e da Guanabara e passou a chefiar a equipe deste grupo de trabalho. Procurando um arquiteto júnior para a equipe, selecionou-me para trabalhar com ela; trabalhei durante dois meses nesta jornada. A Lysia foi a minha grande orientadora profissional; devo a ela todas as minhas referências de trabalho e o meu respeito aos geógrafos. Com isso, fui deixando o campo dos arquitetos e ingressando no urbano, com os geógrafos, que têm uma compreensão de espaço que inclui a dimensão social, do cidadão, além da visão espacial. Antes, eu sentia que os arquitetos olhavam o espaço como uma oportunidade para o desenho. Mesmo sendo interessante esta perspectiva - gosto muito do desenho, não é à toa que estudei arquitetura e não engenharia -, quando se trabalha com a cidade, o espaço é do cidadão. Aí concordo 1 00% com o Milton Santos: é preciso observar as relações sociais e encontrar uma forma de o desenho contribuir para essas relações

o trabalho com lysia Bernardes já lidava com planejamento urbano?

Sim. A diretriz da Lysia vigorou não só para a cidade do Rio de Janeiro mas para toda a Região Metropolitana: como preparar os municípios para uma outra situação, como prepará-los para adotar o orçamento-programa, os cadastros técnicos, ferramentas bási­ cas para planejar e arrecadar. Entrava também a organização do espaço, e o arquITeto Mauricio Nogueira foi muito importante no planejamento territorial da Região Metro­

politana. Mas a visão mais abrangente de um sistema de planejamento veio indis­

cutivelmente da Lysia Bernardes Evidentemente, minhas funções não eram as de uma formuladora de política Eu tinha 23, 24 anos, era recém-formada e trabalhava fazendo os gráficos, os desenhos, tirando cópias xerox, juntando matérias, tarefas mais opera­ cionais e rotineiras. Mas tive o enorme prazer de receber as vibrações desses profissionais tão capacitados ali reunidos.

Após essa experiência, então, a senhora ingressou na Coppe?

Sim, no Programa de Planejamento Urbano e Regional do Programa Integrado

de Transporte da Coppe/UFRJ. Naquele momento o curso passava por disputas internas,

relacionadas a visões diferentes entre planejadores de tendência mais quantitativa e os mais qualitativos. Prevaleceram os quantitativos, porém com novos professores contrata­

dos para onentar trabalhos sobre conceitos e metodologias de caráter genérico. O caso de minha tese foi curioso. A lysia Bernardes não tinha nem mestrado nem doutorado e era reconhecida na Coppe na categoria "notório saer"; orientava tees e parti­ cipava de bancas de avaliação - sua produção intelectual era vasta, e seu acervo foi

doado à biblioteca da pós-graduação do Instituto de Geociências da UFJ. Foi minha orientadora pelo interesse que tinha no bairro de Laranjeiras, objeto da minha tese. Rcente­ mente, quando fui fazer doutorado, encaminhei-me para a geografia, e o professor Mauri­ cio de Abreu, que tinha participado de minha banca de mestrado, aceitou ser meu orientador de tese.

"

o casal Lysía e ilo Benardes em pesquisa de campo.

49 Sérgio Roberto Lordello dos Santos, Expanão Urbana e estruturação de bairros do Rio de Janeiro: o caso de Botago Rio de Janeiro, PURlUFRJ, 1981 (tese de mestrado em planejamento urbano); Hélia Nacif Xavier, Transormações recentes em um bairro residencial Laranjeiras: o papel da legislação urbanística, Rio de Janeiro, PURlUFRJ, 1981 (tese de mestrado em planejamento urbano)

Hélia Nacif Xavier .

o que a atraiu para a geografia?

A compreensão da dimensão social e ambiental do espaço, a inclusão da questão econômica e social. O arquiteto Sérgio Lordello, meu contemporâneo de facul­ dade, foi uma referência profissional muito forte na minha vida, também orientado pela Lysia; defendemos nossas teses na mesma época, em 1 981 e procuramos geógrafos para nos ajudar. Ele fez uma tese sobre Botafogo, e eu sobre Laranjeiras 49 Na década de 80 trabalhou-se bastante a problemática dos bairros, muito em função da organização acelerada das associações de moradores.

A ASSOCIação de Moradores de Laranjeiras organizou-se em 1 980, e eu ajudei nos primeiros tempos. Fruto desta participação, resolvi estudar a evolução urbana do bairro, mas não queria fazer uma tese sociológica sobre o movimento, a partiCipação cidadã. Considero equivocado o arquiteto querer ser geógrafo ou sociólogo; eu sou uma arquiteta que trabalha interdisciplinarmente

Havia uma movimentação muito grande na associação de moradores, por conta da chamada "especulação imobiliária". As pessoas consideravam que Laranjeiras estava perdendo as suas características, porque primeiro houve um êxodo em direção à Barra e em seguida um refluxo, por causa das despesas com os deslocamentos. A lei urbanística do Rio de Janeiro era geral e não condizia com as características do bairro. Optei por ana­ lisar a legislação do bairro e sua evolução, correlacionando com a da cidade do Rio de Janeiro. O professor Maurício Abreu estava terminando seu trabalho sobre a evolução ur­ bana do Rio, e eu tive acesso a muitos dados.

A Lysia aceitou ser minha orientadora e trabalhou também com sua memória: nascida e criada no bairro, tinha enorme interesse em recuperar a história da evolução da área. Ajudou a fundar a Associação de Moradores de Laranjeiras e ajudou, inclusive, a contrabalançar posições radicais nos embates de negociação com a prefeitura para mudança da legislação urbana do bairro.

A Região Metropolitana requer programas especiais porque