2.2. EGOR KAZİMİROVİÇ MEYENDORF’UN HAYATI
2.2.2. Askerî Hizmetleri ve Buhara Seyahati
Grande pate da obra de Carlos Nelson focaliza o Rio de Janeiro, uma metrópole que concentra todos os problemas. Paradoxalmente, é muito pequena a associação com o poder público carioca.
É
verdade. Acho que seu pensamento incomodava, ou se chocava com o pensamento que vigorava nas administrações e demais instituições do Rio de Janeiro. Lembro que no final dos anos oitenta, já bem doente, ele foi chamado pela prefeitura, especificamente pelo IplanRio, para fazer palestras para os técnicos de primeiro e segundo escalões. O corpo técnico da prefeitura abria pouco espaço para o pensamento do Carlos Nelson, talvez porque o julgasse avançado demais.É
possível que também fizessem objeção porque no CPU·lbam eram desenvolvidos trabalhos para cidades brasi· leiras médias ou mesmo pequenas e talvez por isso considerassem que era impossível• o arquiteto que VIrOU antropólogo: Carlos Nelson Ferreira dos Santos
aplicar aqui o que vinha sendo proposto e executado nessas cidades. Quando, na verdade, penso que no RIO não havia era decisão politica de se tentar uma nova experiência Agora, ele também cumpria um papel importante ao insistir que o rei estava nu: em seus artigos, o tempo todo ele mostrava não só o que poderia ser feito na cidade do Rio de Janeiro, mas como a cidade se comportava, porque ele a estudava e construia suas teorias em cima da própria cidade. Essa teoria era, por sua vez, repassada para as demais cidades do pais, mas pouco aplicada no Rio de Janeiro.
Como Carlos Nelson se relacionou com a Famerj. movimento hoje muito esvaziado?43
Creio que primeiro deve-se mencionar a Fafeg - Federação das Associações de Favelas do Estado da Guanabara. Com esta federação Carlos Nelson e o Quadra tiveram estreita relação, lá pelos idos dos anos sessenta e Início dos setenta. O J6 Resende, que presidiu a Famerj e depois foi vice-prefeito do Rio entre 1 985 e 89, ia muito ao Ibam, participava de encontros e seminários. Também houve uma integração muito grande com o Betinho e com as pessoas que depois vieram a fundar o Viva Rio. Que eu me lembre, nunca houve um trabalho institucional entre a Famerj e o Ibam; as pessoas iam lá conversar com o Carlos Nelson, que dava uma espécie de consultoria informal. Muitas vezes ele ia � Famerj fazer uma conferência, da mesma maneira que fazia para os empresários imobiliários, porque, acredito, era o momento em que esses grupos tinham condição de ter uma visão agregada da cidade, coisa rara.
O Carlos Nelson promovia seminários no Ibam, para os quais convidava as associações de moradores, as entidades de classe, os institutos e as organizações em geral. Buscava sempre juntar os grupos existentes, no sentido de ver se dali saía alguma coisa concreta, realizável. Sua preocupação eterna era com o fazer algo, realizar, avançar a partir dos entendimentos entre os diferentes atores da cena urbana.
Carlos Nelson influenciou a ação de Augusto Ivan de Freitas Pinheiro na criação do Corredor Cultural?
Acredito que sim No artigo que já citei, " Preservar não é tombar, renovar não é pôr tudo abaixo", ele faz referência a Augusto Ivan. Profissionais sérios, consistentes e antena dos com as mudanças necessárias sempre discutem com seus pares e executam com responsabilidade e qualidade seu trabalho a partir de suas crenças, Os dois eram muito amigos, eu encontrava o Augusto na casa do Carlos, lá se conversava muito sobre a cidade, A mesma coisa acontecia com o Rogério Aroeira Neves, a Olga Bronstein, o Maurício Abreu, a Maria Laís Pereira da Silva, e muitos outros profissionais e amigos Carlos Nelson era muito festeiro. Ele promovia encontros, organizava festas, reunia as pessoas e conversa-se sobre o que estava acontecendo nas cidades, em geral no Rio de Janeiro, em algumas dessas reuniões ele mostrava as coisas mais recentes que estava fazendo.
Seguindo esta preocupação com o quotidiano das cidades e a partir da conversa com os amigos, ele fez um guia do Rio, que surgiu da demanda dos muitos estrangeiros que vinham ao Ibam visitá-lo ou desenvolver algum trabalho conjunto,
43 A Federação das Associações de Moradores do Estado do Rio de (Famerj) foi registrada oficialmente em janeiro de 1 978 como sociedade civil sem fins lucrativos, congregando um total de 17 associações de moradores ou entidades similares
Ver Francisco Alencar, 1 990
Herbert José de Souza, o Betinho, sociólogo mineiro (1935-1997), foi dos fundadores da Ação Popular Assessor do MEC e da direção da SUa no governo João Gulart 09614), exilou-se no Uruguai deois do
64. Voltou ao Brasil e viveu na clandestinidade até 1971 , QU
, andO para o Chile, onde ficou até a queda governo Allende (1 973), Viveu no Canadá (1973-77) e no MéXICO
79),
. retornando ao Brasil em 1 979, 1'S
a lei da anistia Em 1981 fundou o Instituto de Análises Sociais e Económícas, em 1988 assumiu o de ombudsman do povo do Rio de Janeiro no governo de Saturnino B
Articulou o Movimento pela hica na PoHtica, durante o impeachment do presidente Collor. Em 1 993 iniciou a Açao da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, que criou mais três mil comitês no país Já o Viva Rio nasceu em dezembro de 1993 como resposta ao clima de insegurança
qj'
palrava sobre a Cidade Organizaçãonão governamental sem fins lurall ,
desenvolve campanhas de paz e projetos sociais em cerca de
400 comunidades de baixa renda em 34 municípIOS do estado Ver websites do Ibase e do Viva Rio na Bibliografia,
Isabel Cristina Eiras .
pessoas que ele encontrava em seminários e congressos mundo afora. Era sempre um problema, porque ele levava essas pessoas ao samba, ao futebol, e não havia registro daquilo que a pessoa estava vendo e o que poderia ver na cidade. Assim, ele decidiu fazer um guia muito simples; a primeira versão é bastante singela. O Guia conta um pouco a história política, econômica, social e, por decorrência, espacial da cidade, aponta os marcos referenciais, naturais, arquitetônicos, fala de urbanismo e das singularidades cariocas: carnaval, festas juninas, feijoada, define o que é ser carioca. "Carioca é quem come feijão preto, é quem vai à praia para se queimar."
Carlos Nelson era carioca?
Não, era fluminense, nasceu em São Gonçalo, Depois mudou-se para Niterói e estudou no Colégio Santo Inácio, aqui no Rio. Acho que abraçou de verdade a cidade na hora em que veio fazer o curso de arquitetura e urbanismo na UFRJ. Morava em Niterói, ia e voltava diariamente. A patir daí, creio que a cidade de Niterói ficou pequena. Veio para o Rio e se instalou definitivamente Apaixonou-se .
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