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2.3. E.K MEYENDORF’UN ESERİNİN DEĞERLENDİRİLMESİ

2.3.2. Eserin Dönemin Kaynakları İle Değerlendirilmesi

2.3.2.8. Buhara Hanlığı’nın Mimari Yapısı

o mercado imobiliário influenciava muito a elaboração da legislação?

Registra-se sempre uma interferência forte: ou o poder público ensejava incen­ tivos ao mercado imobiliário ou o mercado interferia negociando com a prefeitura. Hoje, vejo que esta relaçáo não é assim tão direta; descobri, por exemplo, que não se pode abrir ruas acima da cota 60, porque contam que o governador Chagas Freitas olhou de sua janela e disse: "Não quero construção acima daquele ponto ali, porque náo quero nada que atrapalhe a minha vista" - o Rio de Janeiro vive da proteção à vista de onde você mora, na Zona Sul. Quando ele disse isso, surgiu a restrição à ocupação em encosta acima da cota 60. Não teve pressão do mercado imobiliário nem qualquer estudo técnico; houve apenas um desejo do governador.

Em 1976 a senhora foi trabalhar na Fundrem, a Fundação para o Desenvolvimento da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Foi a convite da professora Lysia Bernardes?

• Adminiando o quotidiano: O dia-a-dia do urbanita

Sim. Eu já tinha terminado os créditos do mestrado e estava começando uma

pesquisa sobre o movimento pendular na Região Metropolitana. A Fundrem congregou

bons quadros de direção e técnico. O Ronaldo Costa Couto era secretário de Planeja­

mento, e a Lysia assumiu a SuperintendênCIa de Planejamento do Estado; o Maurício

Nogueira ocupava uma diretoria de

Planejamento

na

Fundrem. A

equipe do grupo de

trabalho da fusão foi toda aproveitada na Fundrem e na Secretaria de Planejamento e foi

até ampliada, pois a Fundação pagava muito bem e com isso conseguiu contratar bons

quadros técnicos.

Havia duas linhas básicas de trabalho: assistência téCnica para implantar o

sistema de planejamento e assistência para exercer o planejamento do controle do uso

do solo metopolitano. Havia uma Diretoria de Planejamento físico-territorial e uma

Assessoria Técnica para o sistema de Planejamento. A Assessoria Técnica desenvolvia um

trabalho de aticulação com os municípios, organizados em grupos: norte, leste e oeste

metropolitano; eu fui coordenadora da articulação com o leste metropolitano.

Em que consistia essa aticulação?

Na implantação de um sistema de planejamento municipal, como os orça­

mentos-programa plurianuais, cadastros predial e técniCO, controle do uso do solo e

outros temas ligados à modernização administrativa para melhorar a gestão das cidades

metropolitanas. Eu coordenava as ações com NiterÓI, São Gonçalo, Itaboral e Maricá. Ia

de três a quatro vezes por semana a esses municípios; duas vezes por semana, eu ficava

no escritório da Fundrem com 05 responsáveis pelas outras sub-regiões para integrar a

ação, garantir a visão metropolitana. O foco da articulação era, portanto, ajudar as

prefeituras na sua organização, para elas gerenciarem bem as cidades, de modo a

dependerem menos do governo, em suma, andarem com as próprias pernas. Esse

trabalho foi todo desmontado nos governos seguintes.

Hoje o estado do Rio é completamente desarticulado; o interior está totalmente decadente Niterói ainda conseguiu seguir um caminho próprio, mas o resto vive com muita dificuldade, principalmente com os problemas de saneamento e habitação. Hoje os municlpios também vivem a desordem no uso e ocupação do solo. Todo aquele trabalho de assistência técnica para os Planos Diretores mostrou-se insuficiente para manter o controle. Os urbanistas acreditaram que um plano era suficiente para definir e organizar as cidades de fato e de direito, pensar o urbanismo como agregador de todas as politicas públicas. A cidade do Rio de Janeiro continuou adotando essa vertente até o

Plano Diretor de 1 992.

A Fundrem foi uma experiência muito rica, muito intensa, que me abriu novas

perspectivas para pensar a ação. O geógrafo Milton Santos fez uma pesquisa sobre

pobreza na Região Metropolitana do Rio, outros estudos também foram produzidos e

suas conclusões e propostas auxiliaram na ação metropolitana ainda durante um tempo.

Depois foi declinando a idéia do processo de planejamento no governo do estado e no

Rio de Janeiro, encerrada a questão metropolitana em 1 988.

Depois da Constituição de 88 o estado perdeu muito ampo de ação, mas é

Hélia Nacif Xavier .

É

possível fazer um banco de projetos, retomar ações de assistência técnica, estimular a formação de consórcios municipais para enfrentar problemas comuns: saneamento, transporte, saúde.. Muitos municípios precisam de um financiamento que já está disponível nas agências federais, mas faltam proJetos. Então, por que não dar assessoria a esses municípios, de forma que eles tenham os seus bancos de projeto? E no caso das regiões metropolitanas, assumir que elas são regiões especiais que requerem programas com atenção especial, porque agregam a maior parte da população do estado, a maior arrecadação, o maior PIB, o maior salário e, ao mesmo tempo, a maior concentração de problemas urbanos, sociais, ambientais e de violência.

A senhora é favorável à criação de uma authority para as regiões metropolitanas?

Acho muito difícil, só se for um outro nível de poder. Mas como está, não acredito que o governo do estado intefira na autonomia dos municípios. Seria muito bom se tivéssemos um nível de governo metropolitano. Outra alternativa mais viável seria o governo federal recuperar a questão urbana e financiar programas de combate à pobreza, saneamento, transporte na Região Metropolitana.

No governo do prefeito Conde, tive a opotunidade de participar de um fórum de municípios capitais das regiões metropolitanas. A idéia era agregar estas cidades pelos problemas, por sua arrecadação e poder de voto_ Curitiba e Porto Alegre fizeram coisas acertadas: têm trabalhado com suas regiões metropolitanas de forma a preparar os muni­ cípios em torno, com o objetivo de diminuir a pressão pelos serviços ofertados pela capital.

Quando a senhora saiu da Fundrem?

Em 1 985. Peguei os governos Faria Lima e Chagas Freitas; saí no meio do gover­ no Brizola, porque senti que a Fundrem tinha mudado o rumo. Fui trabalhar no setor pri­ vado, na área de meio ambiente. No primeiro governo do Brizola, lançamos um projeto de regularização de loteamentos e parcelamentos irregulares na Região Metropolitana, um trabalho muito interessante. Este trabalho de regularização foi concebido em parceria com o luperj, e hoje continua no município do Rio de Janeiro. Sabíamos que o parce­

lamento da terra era uma grande questão; ao retalhar a terra define-se a estrutura da cidade. Além de definir a estrutura física, o loteamento recebe população que gera esgoto, demanda por água, transporte, equipamentos, e os loteadores inescrupulosos não implantam estes serviços. Então, o loteamento fica irregular e com isso gera mais um pro­ blema: a questão fundiária. O morador fica sem o "habite-se" , o que impede seu acesso aos documentos de propriedade.

Enfim, em 1 985, pedi afastamento e fui trabalhar na área de meio ambiente na Promon, uma consultoria em engenharia, coordenando os Relatórios de Impacto Ambien­ taI. A questão ambiental ganhava relevancia desde 1981, era um tema em ascensão. Re­ solvi ampliar meu foco sobre a questão urbana e fui trabalhar com a vertente ambiental; não fui trabalhar com o "verde", mas com o "cinza " . Essa experiência em consultoria ajudou-me muito, gerencialmente.

• Administrando o quotidiano: O dia-a-dla do urbanista

Os urbanistas perderam espaço para