• Sonuç bulunamadı

2.3. E.K MEYENDORF’UN ESERİNİN DEĞERLENDİRİLMESİ

2.3.2. Eserin Dönemin Kaynakları İle Değerlendirilmesi

2.3.2.2. Buhara Hanlığı’nın İklimi

Sim, porque toda a euforia das grandes construções e projetos revolucionários acabou de uma hora para outra, após a renúncia de Jãnio Quadros, em agosto de 6 1 .

Eu tinha montado u m escritório d e arquitetura com dois sócios, e agüentei a crise até dezembro daquele ano, quando encontrei Lota de Macedo Soares, muito amiga de minha sogra e amicíssima do Carlos Lacerda. Eu lhe disse que estava procurando em­ prego; já tinha três filhos, e o mercado de construção no Rio tinha estagnado. Ela me mandou procurar o Enaldo Cravo Peixoto, superintendente da Sursan, que me contratou. Naquele momento, a Sursan era o grande braço armado do Executivo para obras que não fossem rodoviárias; estas ficavam a cargo do DER, o Departamento de Estradas de Rodagem. A Sursan era a grande empresa pública da Guanabara, encarregada de obras de saneamento, água e esgoto, coleta de lixo, urbanização etc. Requisitava arqui­ tetos e engenheiros da antiga prefeitura do Distrito Federal e os contratava a preço de mercado; a Sursan sempre pagou muito bons salários. Só para dar uma idéia, eu entrei como arquiteto auxiliar - ainda não tinha tempo suficiente de formado para ser enquadrado como arquiteto pleno, só faria isso em 65 - ganhando 80% do salário do arquiteto pleno,

e em três meses comprei um fusca, que era o carro brasileiro mais barato que existia.

Que projetos o senhor tocou na Sursan?

Comecei trabalhando numa divisão de concorrências, que contratou as obras mais importantes do governo Carlos Lacerda. Na obra do Aterro do Flamengo, trabalhei

ViadutD dos Mainheíos, raça da Bandeira.

edro Teixeira oares w

com Lota de Macedo Soares, presidente do Grupo de Trabalho, detalhando projetos do

Reidy e do Jorge Moreira - depois que o Reidy morreu, o Jorge Moreira assumiu seu lugar - e em contato com o Burle Marx, enfim, aquele grupo que defendia o Aterro com unhas e dentes, liderados pela Lata

o senhor trabalhou na obra do Guandu, de abastecimento de água?

Não na primeira etapa; 56 trabalhei na concorrência para a segunda etapa Trabalhei na concorrência do túnel Rebouças e na do viaduto dos Marinheiros, depois, já no governo Negrão de Lima, fui para o Departamento de Urbanização da Sursan, Este sim, tratava da execução do urbanismo: fez as pistas e as passarelas do Aterro, por exem­ plo. Era chefiado pelo Carlos Freire, no meu tempo, e, depois, pelo Joaquim Chaves. E a Sursan era dirigida nessa época, cerca de 1 968, pelo Raimundo de Paula Soares.

Também fizemos, no Departamento de Urbanismo, O viaduto San Tia90 Dantas,

que liga a praia de Botafogo à rua Farani, cono parte do acesso ao túnel Santa Bárbara. Esse viaduto tem uma história engraçada, porque correspondeu a uma época em que,

• Administrando o quotidiano: O dia-a-dia do urbanista

por causa dos túneis, o DER estava fazendo engenharia rodoviária dentro da malha urbana e começou a fazer um monte de coisas: agulhas, meios-fios que não eram paralelos etc. A coisa começou a complicar, porque havia o projeto de um viaduto em curva, uma cuva muito bonita, mas ele era um caixote. O Paula Soares disse: "Isso não pode ficar na praia de Botafogo, um lugar ostensivamente urbano. Não se pode construir ali um viaduto como se fosse na via Dutra."

No Departamento de Urbanismo, começamos a reestudar o problema. Já que o

viaduto teria que ser em curva, fizemos uns tantos acertos, um trabalho de design, e a

equipe técnica calculou. Mas esse design deu um trabalho danado; já imaginaram

denhar aquela forma em computador?! Tivemos que fazer por geometria descritiva,

um trabalho dos diabos! Mas foi feito, e ficou tão bom que recebeu elogios do Lúcio Costa. Sua filha, Maria Elisa, veio me dizer: "Papai gostou. "

Em 1970 o senhor integrou a equipe de transição que implantou o go­ verno Chagas Freitas. não é 7

Isso mesmo. Francisco de Mello Franco ia ser nomeado secretário de Plane­ jamento e me convidou. Apresentou-me ao Chagas, que eu não conhecia, e passei a fazer pate do grupo de trabalho. Em 71 fui nomeado chefe do Escritório de Planeja·

mento Urbano, órgão responsável pelo urbanismo no estado da Guanabara.

Durante o governo Carlos Lacerda o que existia era a Secretaria de Governo, que tinha como centro a Coordenação de Planos e Orçamentos. Ali havia um setor chamado Escritório de Programação Urbana, que tentava harmonizar os programas de ordem

urbana, como limpeza, construção de ruas, iluminação pública etc , com os recursos orçamentários disponíveis.

Quando Mello Franco foi chamado pelo Chagas, propôs transformar a Secre­ taria de Governo em Secretaria de Planejamento, até por um certo mimetismo em relação ao governo federal. E o ESCritório de Programação Urbana foi transformado em Escritório de Planejamento Urbano, porque a Guanabara era uma cidade-estado, com funções estaduais e municipais. Então, começou-se a trabalhar essa linha de projetos de urbanismo, ainda sem qualquer tradição, porque até ali tudo o que dizia respeito ao planejamento urbano ficava a cargo da Secretaria de Obras. A Comissão do Plano da Cidade, existente desde 1 950, era vinculada ao gabinete do prefeito, depois ao do governador da Guanabara, mas o Departamento de Urbanismo e depois o Depar­

tamento de Engenharia Urbanística eram ligados anteriormente

à Secretaria de Obras. Essa Comissão fez o plano de ligações Norte·Sul: Perimetral, Aterro, abertura dos túneis Santa Bárbara, Rebouças, Major Rubens Vaz e o da Pompeu Loureiro.

Chagas Freitas teve dois secretários de Obras. Inicialmente, nomeou o Carlos César Machado, diretor do De­ patamento de Edificações durante o governo do Negrão, demitido após a queda do viaduto Paulo de Frontin. Em seguida, assumiu o Emílio Ibrahim, originário do DER, de perfil inteiramente diferente, que nomeou como assessor especial para edificações o César Seroa da Mata.

o desabamento do elevado Paulo Frontln ocorreu ao meio-dia do dia 20

de novembro de 197 1 . no momento �

QU' um minMo tol-i, . de 1,5

toneladas - transortando oio tonelae de dmento e pedra - passava sobre o viaduto na altura do cruzamento com a Rua HaJdock lobo, Vinte mil

�dtl

de concreto deabaram do elevado e a destrulçao atingiu mais de 100 metros sua estrutura Além do caminhão. um Ônibus e dezens de aut6veis am

esmagados pelo desabamento. que provocou a mote de 27 pesas, deiando outras 28 feridas Ver Jornal Brasil, 2 1 e 22 de novembro de 1971

Pedro Teixeira aes .

Francisco de Mello Franco criou o Conselho de Planejamento Urbano, promovendo alterações significativas na estrutura administrativa.

Sim. O Conselho era presidido por ele, como secretário de Planejamento; o secretário de Obras era membro nato. E os outros membros eram representantes de órgãos: Clube de Engenharia, IAB, Patrimônio, Ademi (representando a construção civil), e dois membros de escolha direta do governador; na época foram Wladimir Alves de Sousa e Roberto Burle Marx.

IniCialmente, esse grupo começou a rever os licenciamentos concedidos pelo Negrão. Foram chamados todos os que estavam com projeto aprovado mas não iniciado, e alguns foram embargados, como o Ninho das Águias, na rua da Quitanda, com 52 andares; a Chácara da Gávea, um monte de prédios que seriam construidos acima da cota cem, e o Hotel Leblon; todos são daquele tempo. O Conselho evitou umas tantas barbaridades, mas não conseguiu evitar outras, como a torre do Rio Sul, o edifício do Banco Irmãos Guimarães e o do Bockel, na Cinelãndia: coisas completamente fora de escala dentro da cidade.

Como o Conselho de Planejamento Urbano se relacionava com o Escri· tório de Planejamento Urbano, que o senhor chefiava?

O Escritório funcionava como Secretaria Executiva do Conselho, por isso no inicio foi muito absorvido por essa função. Mas, além disso, eu designava pessoas para fazer parte de grupos de trabalho para realizações específicas na cidade. O autódromo, por exemplo, foi realizado por um grupo liderado por um arquiteto do Escritório de Planejamento Urbano chamado David Cardeman.

Nessa altura já estavam definidas as linhas gerais da Barra da lijuca? Ah, sim. elas foram formuladas em meados da década de 60. Para sua impl� mentação, no inicio do governo Negrão de Lima foi criado o GlBJ, Grupo de Trabalho da Baixada de Jacarepaguá, que se transformou em Sudebar, Suerintendência do Desen­ volvimento da Barra da Tijuca. O Grupo de Trabalho foi criado para a realização do Plano Lúcio Costa e teve caráter consultivo, na primeira fase da ocupação. Era um órgão do DNER, visto que o Lúcio foi contratado para esboçar um plano a partir de um eixo viário, que ligava Jacarepaguá à Rio-Santos; essa foi a justificativa para se utilizar os recursos do Fundo Rodoviário Nacional na abertura do túnel Rebouças e da auto-estrada Lagoa-Barra.

Legalmente, a ocupação da Barra foi feita por onsulta prévia. O que é iso? Como o Plano dava muito pouca indicação do que se tinha que fazer, era pre­ ciso uma consulta prévia. O cidadão chegava no GlBJ e dizia: "Tenho um terreno e quero

lotear dssa e dessa maneira; em vez de construir cada cainha no centro do terreno, quero

juntar todas as casas aqui. Posso?" O técnico do GTBJ analisava o terreno e respondia: "Vcê tem 1 .4 de índice de aproveitamento da terra, tem 50% da áa loteável. Pde cuir assim " Ou: "Náo. com esse tipo de terreno não pode." Em seguida, o proprietário pe­ gava essa consulta prévia visada pelo GTBJ e dava entrada no Depatamento de Edificações.

• Administrando o quotidiano: O dia-a-dia do urbanista

Acontece que nada disso era publicado, e muita subjetividade sempre gera con­ flito, confusão. Por isso elaboramos o Decreto n' 323, que listava as instruções norma­ tivas, para acabar com a consulta prévia. Mas foi impossível, porque o superintendente da Sudebar era o Almir Machado, genro do general Hugo Abreu, que veio a ser chefe da Casa Militar do presidente Geisel. Aí não se pôde mexer muito, não é? Mais tarde, com a edição do Decreto n' 3.046, de 1 98 1 , extinguiu-se com a Sudebar e a consulta prévia.

o governador Chagas Freitas tinha noção do volume de negócios que a

ocupação da Barra traria?

Tinha. Nesse ponto, era muito bem assessorado. Empresário, dono de jornal, grande investidor em imóveis, amigo dos empresários. Para ele, essa parte não tinha muito mistério Mas politicamente era um cacique e se comportava como tal Com toda aquela cara de garoupa de peixaria, o dr. Chagas era um encanto de pessoa, super­ atencioso, mas era um cacique. Representava a zona da Leopoldina com mão de ferro, suas votações naquela região eram sempre espetaculares Tanto que a grande paulada que levou foi depois de uma espetacular vitória na Assembléia Legislativa em 1 970:

atiraram-lhe a fusão em cima. Ele tinha o controle sobre 90% da Assembléia, portanto, numa eleição que ainda era indireta, faria o sucessor que quisesse em 74.

A Fundrem pretendia substituir a�