A metodologia foi definida em função dos objetivos propostos para o estudo, que busca compreender a formação dos bibliotecários e o exercício do seu papel educativo.
Desta maneira chegou-se a primeira definição a respeito da metodologia: ser um estudo de caráter qualitativo. Conforme Minayo et al. (1994) a pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares e se preocupa com um nível da realidade que não pode ser quantificado, como temas que adotam a perspectiva compreensiva ou interpretativa. A pesquisa qualitativa também pode ser conceituada com uma “metodologia de pesquisa não- estruturada e exploratória, baseada em pequenas amostras que proporcionam percepções e a compreensão do contexto do problema” (MALHOTRA, 2006, p. 257). A pesquisa qualitativa envolve compreensão que ocorre a “partir da experiência do observador, significando que o pesquisador traz um modo de olhar singular/único para o processo de investigação” (CAMPELLO, 2009, p. 92).
Com relação às técnicas de coleta de dados, Cunha (1982, p. 7) aponta três classes: técnicas que envolvem análise documentária (como por exemplo, análise de diários, análise de conteúdo e análise de citações); técnicas envolvendo observação (observação participante e observação não participante); técnicas envolvendo perguntas (questionários, entrevistas e grupo focal). Segundo o autor, todas as técnicas possuem vantagens e desvantagens, e a escolha deverá ser realizada de acordo com os propósitos do estudo. Para o referido estudo serão utilizadas duas técnicas de coleta de dados: o formulário e a entrevista. O formulário foi definido por Gil (1999) como:
A técnica de investigação composta por um número mais ou menos elevado de questões apresentadas por escrito às pessoas, tendo por objetivo o conhecimento de opiniões, crenças, sentimentos, interesses, expectativas, situações vivenciadas, etc. (GIL, 1999, p. 128).
Já a entrevista foi definida por Marconi e Lakatos (2007) como:
Um encontro entre duas pessoas, afim de que uma delas obtenha informações a respeito de um determinado assunto. É um procedimento utilizado na investigação social, para a coleta de dados ou para ajudar no diagnóstico ou no tratamento de um problema social (MARCONI; LAKATOS, 2007, p. 197).
Com relação ao tipo, foi utilizada a entrevista padronizada ou estruturada, que é aquela em que o entrevistador segue um roteiro previamente estabelecido, na qual as perguntas feitas ao entrevistado são pré-determinadas. O principal motivo da padronização
48 é obter, dos entrevistados, respostas às mesmas perguntas, permitindo que “todas elas sejam comparadas com o mesmo conjunto de perguntas, e que as diferenças devem refletir diversidades entre os respondentes e não diferenças nas perguntas” (LODI, 1974, p. 16). A entrevista foi escolhida como técnica de coleta de dados para este estudo por apresentar vantagens como: maior flexibilidade, o que permite ao entrevistador repetir ou esclarecer perguntas, além de formulá-las de maneira diferente; esclarecimento de significados por parte do entrevistador para garantir que está sendo entendido pelo entrevistado; maior oportunidade para avaliação de atitudes e condutas; oportunizar a obtenção de dados que não se encontram em fontes documentais e que sejam relevantes e significativos; dentre outras (MARCONI; LAKATOS, 2007, p. 200).
Os dados da pesquisa foram coletados em dois grandes blocos. No primeiro momento os entrevistados preencheram um formulário (Ver APÊNDICE A) que foi aplicado pouco antes da realização da entrevista (Ver APÊNDICE B). O primeiro bloco buscou compreender quais atividades realizadas pelo bibliotecário refletiam o seu papel pedagógico. O formulário serviu para que os entrevistados apontassem quais atividades educativas eles realizavam diretamente com os professores e alunos, e este serviu para proporcionar certa uniformidade nas respostas.
A entrevista buscou ir além dos dados quantitativos, e procurou um entendimento mais detalhado das ações pedagógicas do bibliotecário, perguntando quais atividades o profissional desenvolvia com os professores, com os alunos e com ambos. A segunda parte da entrevista procurou entender de que maneira a formação do bibliotecário permite que ele possa realizar as atividades pedagógicas acima identificadas.
O universo da pesquisa foi composto por bibliotecários que desenvolvem efetivamente o papel de educadores, desconsiderando-se aqueles que realizam apenas atividades relacionadas aos aspectos técnicos da profissão (seleção, catalogação, aquisição, processamento técnico). Foi uma amostra intencional, escolhida em função da riqueza de informações que ofereceu para a análise da questão de pesquisa, com base no conhecimento desenvolvido em função do próximo contato com a área por parte da pesquisadora e de sua orientadora (WILLIAMSON, 2006). Assim, a amostra foi composta por nove bibliotecários que atuam em bibliotecas escolares da rede pública e privada dos seguintes estados do Brasil: Rio Grande do Sul (03 informantes), São Paulo (01 informante), Rio de Janeiro (01 informante), Belo Horizonte (03 informantes) e Espírito Santo (01 informante).
49 A análise dos dados teve início com a tabulação dos formulários preenchidos pelos entrevistados antes de cada entrevista. Em seguida, foi feita a transcrição completa das entrevistas pela própria pesquisadora, visando um melhor resultado na pesquisa. De acordo com Gibbs (2009):
A transcrição é uma atividade criativa e não simplesmente uma reprodução mecânica. Ela envolve a expressão de notas como ideias, certos tipos de observações e assim por diante, além de representar o início da análise de dados (GIBBS, 2009, p. 29).
As entrevistas foram realizadas entres os meses de dezembro de 2013 e março de 2014. O tempo de cada entrevista variou entre 30 e 95 minutos. As falas dos entrevistados foram agrupadas por categorias, a fim de organizar os dados e orientar a análise. De acordo com Bogdan e Biklen (2013):
À medida que vai lendo os dados, repetem-se ou destacam-se certas palavras, padrões de comportamento, formas dos sujeitos pensarem e acontecimentos. O desenvolvimento de um sistema de codificação envolve vários passos: percorre os seus dados na procura de regularidades e padrões, bem como de tópicos presentes nos dados e, em seguida, escreve palavras e frases que representam estes mesmos tópicos e padrões. [...] As categorias constituem um meio de classificar os dados descritivos que recolheu, de forma a que um material contido num determinado tópico possa ser apartado dos outros dados (BOGDAN; BIKLEN, 2013, p. 221). A análise dos dados foi realizada com base no referencial teórico, composto por conceitos relacionados com: a formação do bibliotecário, o currículo de Biblioteconomia, as atitudes almejadas para o bibliotecário, a formação para a competência informacional, as tecnologias aliadas à formação do bibliotecário, a aprendizagem pela pesquisa, dentre outros, que constituíram as categorias de análise. Além disso, a análise foi orientada pelos níveis de ação pedagógica (Ver p. 16-17 desta dissertação) definidos por Kuhlthau (1996, p. 45), que estabeleceu intensidades de atuação educativa do bibliotecário.
50