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ÖRNEKLERİ ÜZERİNDEN BİR DEĞERLENDİRME

1. MEDYA OKURYAZARLIĞI

Trazendo o instituto da demissão coletiva para o cenário local, encontra-se o caso da Sociedade de Assistência à Maternidade Escola Assis Chateaubriand – SAMEAC, instituição filantrópica sem fins lucrativos, que trabalha em parceria com a Universidade Federal do Ceará – UFC na prestação de serviços via contratação de profissionais das mais diversas áreas da saúde para o Hospital Universitário Walter Cantídio e a Maternidade Escola Assis Chateaubriand.

Os contratos firmados com o Hospital Universitário e com a Maternidade Escola são de 10 de janeiro de 2014 e de 18 de agosto de 2014, respectivamente, e conforme as cláusulas, podem ser aditivados até completarem 60 meses, ou seja, podem ser prorrogados por um período de no máximo cinco anos, o que se entenderia, na melhor das hipóteses, a janeiro e agosto de 2019.

Contudo, o Movimento em Defesa dos Trabalhadores da SAMEAC se sente ameaçado com a Portaria nº 208, de 17 de março de 2015, do Ministério da Educação, que determina a substituição dos contratados pelas fundações de apoio que prestam serviços em atividade permanente aos hospitais universitários das instituições federais de Ensino Superior por profissionais contratados pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – EBSERH. Acarretando, então, na demissão de 730 trabalhadores da SAMEAC, no qual muito desses profissionais possuem mais de 28 anos de vínculo com a instituição, estão ativos e, em sua grande maioria, viabilizarão sua aposentadoria em um prazo de 48 meses.

Tal situação foi denunciada ao Ministério Público do Trabalho, no qual foi instaurado inquérito civil, onde foram realizadas três audiências, tendo o parquet se posicionado no sentido de que as contratações firmadas pela UFC, de mão de obra fornecida por pessoa jurídica interposta, sem submissão a concurso, no caso, com a SAMEAC, eram precárias, sem respaldo legal e que a atuação cingir-se-ia a viabilizar as medidas necessárias a fim de garantir que a SAMEAC, utilizando-se de recursos próprios ou advindos da União, conseguisse efetivar o pagamento de todos os direitos trabalhistas decorrentes da rescisão de contrato de seus empregados que laboravam em favor da UFC, já que os trabalhadores demitidos temiam por não receber suas verbas rescisórias, tendo em vista a ausência de patrimônio da SAMEAC para arcar com as rescisões.

Contudo, os empregados ajuizaram, na Justiça do Trabalho, uma Ação Cautelar inominada de nº 0001685-79.2015.5.07.000758, alegando que o repasse do dinheiro e a imposição do início dos desligamentos ocorreria a partir de 18 de outubro de 2015, mesmo com os contratos dos trabalhadores estando suspensos, já que entraram em greve em 5 de outubro de 2015.

Outro ponto de fundamentação foi o fato da demissão ser abusiva, pois não houve qualquer negociação com as entidades sindicais representativas para a humanização do processo de dispensa. Aduziram, ainda, que foi publicado Edital de Pregão Eletrônico, pela EBSERH, visando a contratação de empregados em substituição ao da SAMEAC, com isto posto pediram a concessão de liminar para sustação das dispensas arbitrárias e dos trâmites do Edital de Pregão Eletrônico nº 15/2015, editado e comandado pela EBSERH.

A liminar foi parcialmente deferida para determinar a sustação de qualquer ato que implique na rescisão do contrato de trabalho dos autores durante o movimento grevista, dada a suspensão do pacto laboral.

Na contestação, a SAMEAC requereu, preliminarmente, que a UFC fosse convocada ao processo para integrar o polo passivo da lide, tendo em vista ser tomadora dos serviços e responsável subsidiariamente ao pagamento das verbas rescisórias dos trabalhadores. Ademais, alegou que a rescisão dos contratos não é uma opção da SAMEAC, mas um imposição, haja vista sua condição de contratada pela UFC para o fim especifico de assistir e cooperar na manutenção e funcionamento da Maternidade Escola Assis Chateaubriand, bem como das outras Unidades Hospitalares da Universidade Federal do Ceará. Aduziu, ainda, que é um entidade filantrópica e, portanto, não possuía renda própria capaz de propiciar a manutenção do quadro de empregados lotado junto ao Complexo Hospitalar da UFC.

Os reclamantes, após manifestação da reclamada, juntaram petição alegando que a SAMEAC estaria coagindo os autores a desistir da ação, tendo em vista a apresentação de histórias distorcidas dos efeitos da demanda, dizendo que os participantes da lide não receberiam as verbas rescisórias e seriam prejudicados.

Diante da situação, foi deferido o pedido de inclusão da Universidade Federal do Ceará na demanda e foi estabelecido data de audiência para tentativa de conciliação entre as partes, no qual restou-se ausente o requerido UFC, impossibilitando uma solução amigável do litígio.

58BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região. Cautelar Inominada 0001685-79.2015.5.07.0007.

Na audiência, a advogada da SAMEAC informou que a Universidade Federal do Ceará já tinha feito o repasse dos valores concernentes ao pagamento das rescisões contratuais de 167 trabalhadores citados no Ofício nº 0675/2015, da Reitoria da UFC, levando a determinação do juiz de a SAMEAC disponibilizar em conta judicial a integralidade dos repasses efetivados.

Além disso, com o fim de garantir o respeito aos princípios da valorização do trabalho, da dignidade da pessoa humana e da continuidade do serviço público, foi deferida a liminar para tornar sem efeito o cumprimento do Ofício da Reitoria da UFC nº 0675/2015, abstendo-se a Universidade Federal do Ceará em demitir trabalhadores até o fim da demanda. Por fim, também foi deferida a liminar que suspende os efeitos do Edital de Pregão Eletrônico nº 15/2015, expedido pela UFC, já que implicava em mera substituição de empresa terceirizada, sem considerar a situação dos trabalhadores que trabalhavam na SAMEAC há anos.

Após a apresentação de defesa da UFC no processo, houve nova audiência com a presença de membro do MPT, no qual ficou determinado que seria mantida a liminar deferida anteriormente, inclusive quanto a proibição da UFC de contratar empregados terceirizados para substituir os empregados da SAMEAC que se encontravam em greve, como também determinou que a Associação procedesse o depósito da integralidade do valor repassado pela UFC para pagamento de verbas rescisórias de seus empregados, dada a natureza transindividual dos direitos objetos das ações cautelares inominadas. Além disso, a UFC deveria proceder um depósito de qualquer importe para que fosse pago as verbas rescisórias dos empregados restantes da SAMEAC.

Em audiência posterior, a requerida Universidade Federal do Ceará foi multada, tendo em vista o descumprimento de se abster de demitir trabalhadores até o fim da lide e por não ter realizado o depósito, em conta judicial, de importe para o pagamento das verbas dos empregados da SAMEAC.

Em 15 de fevereiro de 2016, houve nova audiência em que se determinou que a SAMEAC efetive imediatamente as rescisões de contratos de trabalhadores envolvidos na demanda que queiram se desligar da Associação e receber seus direitos rescisórios, tendo em vista que a UFC alegou que não há qualquer possibilidade de prorrogação do contrato de prestação de serviços.

Independentemente do processo continuar em andamento, pode-se concluir que apesar das negociações coletivas realizadas no MPT terem buscado um consenso em relação a prorrogação dos contratos de trabalho, ficou claro que as demissões seriam inevitáveis, por

isso poderia ter sido tentado um acordo quanto a fixação de um prazo razoável para as demissões, estabelecendo critérios objetivos para a lista e periodicidade das dispensas, viabilizando o repasse dos créditos pela UFC e amenizando os efeitos sociais e nocivos aos empregados e à própria sociedade, como também poderia a SAMEAC ter criado um Programa de Demissão Voluntária – PDV, no qual se criaria incentivos aos trabalhadores que resolvessem aderir as dispensas.