Não se usavam tratamentos para proteção da pedra61 até a pouco tempo atrás quando, no final do século XIX, iniciaram-se as aplicações de métodos para retardar a deterioração dos bens expostos ao intemperismo. (NEVES, 2006). Entretanto os métodos ainda não exibem resultados satisfatórios.
Um procedimento consistia em aplicar adesivos à base de óleo de linhaça cozido, óleo de tung , resinas, betume, borracha, água de cal, silicatos, fluorsilicatos, fluoreto de sódio e potássio, silicones, ésteres silicosos e tetrafluoreto de silício. Também têm-se feito ensaios para consolidar as superfícies de pedras, impregnando-as com solução de substâncias como: cera de abelha, parafina e goma laca, água de cal, resinas vinílicas (acetato de polivinila), resinas acrílicas (polimetacrilato de metila),sabonetes metálicos (esteriato de alumínio e de zinco), poliésteres e sistemas epoxidícos. (NEVES, 2006, p.8).
O ‘Manual de Conservação de Cantarias’ produzido pelo IPHAN no ano de 2000, cita como principais operações de tratamento a limpeza, a reconstituição, a consolidação e a proteção – cada operação será realizada frente ao estado de conservação do objeto em análise.
A escolha de materiais e métodos a serem usados deverá ser baseada em testes apropriados. No caso do uso de produtos químicos, deve-se estar consciente de todas as características físico-químicas do produto e seus efeitos na cantaria.
Os profissionais envolvidos no trabalho devem ter comprovadamente capacitação técnica tanto para a execução dos serviços de conservação como para a perfeita utilização dos produtos e equipamentos necessários às intervenções determinadas. (IPHAN, 2000, p. 27).
A limpeza visa remover todas as substâncias que possam deteriorar a pedra ou contribuam para tal, como “sais solúveis, incrustações insolúveis, más intervenções feitas anteriormente, infestação de vegetação, e dejetos de animais”. (IPHAN, 2000, p. 27). O método de limpeza a ser utilizado deve considerar o tipo de material a ser limpo, a natureza da substância a ser removida, devem ser controlado para possibilitar sua paralização se necessário, e devem ser realizadas em superfícies compactas, para evitar desagregações – perda do material original do bem. Entre os métodos podem ser citadas: limpeza com água (água vaporizada e jateamento de água a baixa pressão), limpeza química (com pastas aquosas), limpeza mecânica
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Doehne; Price (2010) relatam que a conservação pode abarcar inúmeras propostas diferenciadas, como o uso de legislações de proteção específicas, controle de poluição, controle de tráfego, gestão de visitantes, planejamento para desastres, controle da umidade e contato com a água.
(utilizada quando os demais métodos não deram resultado, com descarte de equipamentos muito abrasivos, uma vez que desgasta a cantaria, gerando perdas da pedra), microjateamento de areia (atualmente não indicado pelos mesmos motivos citados no método anterior), microabrasador (brocas dentárias: inviabilizado pela grande demanda de tempo), limpeza com bisturi (inviabilizado pela grande demanda de tempo), e limpeza a laser (inviável pelo alto custo). (IPHAN, 2000).
A reconstituição pode ser realizada com próteses (inserção de próteses de pedra com as mesmas características físicas da original), com argamassas, e com polímeros. A proteção por sua vez pode ser feita com uso de produtos químicos ou eliminação efetiva das fontes de deterioração da pedra, como a proteção superficial (quando o fator de alteração agir principalmente na superfície externa, sendo indicadas resinas acrílicas, silicones e alquil-aril-polisiloxano), proteção contra umidade e contra ataque biológico. (IPHAN, 2000).
Por fim, método foco da presente pesquisa, o IPHAN (2000) cita a consolidação62 como “impregnação de produtos que penetram na pedra, melhorando e aumentando a coesão do material alterado em seu substrato, resultando na melhor resistência aos processos de deterioração”. (IPHAN, 2000, p. 35.). Os produtos inorgânicos são ‘menos elásticos e mais duráveis’, enquanto os orgânicos são ‘mais elásticos e têm melhor propriedade de adesão’.63 A impregnação64 pode ser feita com a aplicação de pincéis, escovas, pulverização e, nas peças de pequeno porte, impregnadas a vácuo. (IPHAN, 2000).
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Doehne; Price (2010) cita como produtos inorgânicos o hidróxido de cálcio e o hidróxido de bário, e os alcoxisilanos como orgânicos, assim como epóxi e acrílicos. O autor indica ainda o uso de alcóxidos de cálcio, isocianatos, poliuretanos, poliureias, ciclododecano (tido como temporário uma vez que sublima ao longo do tempo), e silicato de etilo (comercializado como HCT – Prosoco, Inc.). Há ainda produtos antigraffitti, repelentes de água, revestimentos de sacrifício, biocidas,
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Figueiredo Júnior (CURSO DE CARACTERIZAÇÃO E CONSERVAÇÃO DA PEDRA, 2014), cita como principais substâncias usadas como consolidantes o Hidróxido de Cálcio – Ca(OH)2 -, Hidróxido de Bário – Ba(OH)2 -, TiO2 como catalisador, Bifosfato de amônio – (NH4)2HPO4 -, Alcoxisilanos e Acrílicos.
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Consolidantes são geralmente aplicados à superfície da pedra por meio de pincel, pulverização, pipeta, ou por imersão e são arrastados para a pedra por ação capilar. Há ainda sistemas que emprega frascos para manter a entrada constante de consolidante em vários pontos (uso de tubos ‘intravenosos’), e sistemas de vácuo. (DOEHNE; PRICE, 2010).
Os produtos consolidantes devem ter algumas propriedades fundamentais: - não devem formar subprodutos deteriorantes;
- devem ser absorvidos uniformemente pela pedra;
- terão a profundidade de penetração controlada, dependendo das características da pedra e do grau de fluidez do consolidante;
- devem ter o coeficiente de dilatação térmica próximo do da pedra a ser consolidada;
- se são produtos repelentes à água, não devem tornar a pedra totalmente impermeável;
- devem manter a aparência externa da pedra. (IPHAN, 2000, p. 35).
Recentes no mercado 65, existem atualmente inúmeras referências acerca de consolidantes, entretanto, ainda não se conhece sua atuação perante o tempo66. Para a boa funcionalidade do consolidante é importante que este tenha a viscosidade ideal para penetrar e preencher as lacunas da peça - caso a penetração não seja satisfatória, o produto pode intensificar a deterioração da peça -; impeça futuros decaimentos salinos; seja minimamente hidrofugante67; tenha baixo custo, facilidade de aplicação, e seja inofensivo à saúde e ao meio ambiente; seja estável (dure ao menos de um a outro ciclo de manutenção); tenha características muito próximas ao do objeto quanto a expansão à umidade, e dilatação térmica a fim de evitar tensões internas; seja aplicável em qualquer tipo de pedra independente da deterioração; e não altere a cor original do material.
Outras operações podem ainda ser mencionadas, como a eliminação de sais solúveis (ou dessalinização por meio de imersão em água ou fechamento completo em um cataplasma68; circulação de água através da pedra, tratamento com água quente, oclusão de sais, entre outros. (NEVES, 2006). Nos grandes monumentos deve-se assegurar que a fonte de sal seja completamente eliminada. Cataplasmas podem ser feitos a partir de argila, areia e pasta de papel, que podem sofrer adição
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Como silicato de etilo (impregnação débil e uso de grande quantidade de produto), nanocal (tendência a aglomerar na superfície), resina acrílica (baixa impregnação, grande resistência, amarelecimento, quebradiço e favorece biodeterioração), hidróxido de bário (difícil execução e tóxico), oxalato de amônio e fosfato de amônio (mais passivante que consolidante), hidróxido de cálcio (baixa penetrabilidade), biomineralização (ainda em teste)
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Ensaios com exposições naturais são o único teste que poderia dar resultados mais verdadeiros, e podem requisitar muito tempo antes de fornecer uma informação fiável. Estudos aprofundados acerca da deterioração do tratamento em específico devem ser enfocados. Há ainda a questão da aplicação de determinados produtos que devem ser compatíveis com as demais intervenções de manutenção, como por exemplo, o material usado para consolidar deve possibilitar receber ações de limpeza, por exemplo. (DOEHNE; PRICE , 2010).
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O controle da umidade objetiva reduzir os danos relacionados aos ciclos de sal (cristalização e recristalização) e os ciclos da própria umidade.
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de sais de sódio, bicarbonato de sódio, bicarbonato de amônio, entre outros.69), ou ainda o uso de réplicas e moldes como medida de preservação70. Logo após a criação do SPHAN no final da década de 1930, foi solicitada a confecção de moldes e moldagens de gesso dos doze profetas de autoria de Aleijadinho para serem expostas em um futuro ‘Museu Nacional de Moldagens’, com foco no valor do conteúdo de suas informações. O estado precário de conservação das peças já preocupava, e nas décadas de 1940 e 195071 foi discutida a possibilidade de retirada dos profetas originais e substituição por cópias72. Entre as décadas de 1930 e anos finais de 1960 foram produzidas inúmeras cópias de gesso da obra de Aleijadinho, sob responsabilidade de Eduardo Bejarano Tecles (funcionário do SPHAN), e Aristocher Benjamim Meschessi (professor da Escola de Arquitetura da Universidade de Minas Gerais73) (FIGURA 49, FIGURA 50). (MASCARENHAS, 2014). Para o presente ano de 2015 está prevista a inauguração do Centro de Referência do Barroco e Estudos da Pedra (iniciativa do IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional -, da Prefeitura Municipal de Congonhas, e UNESCO), visando ser um espaço de exposição permanente com informações sobre o conjunto, bem como o Centro de Estudos da Pedra – destinado à pesquisa, ensino e extensão sobre rochas, além de monitorar a integridade das esculturas e aprimorar as técnicas de conservação e restauração - e o Centro de Referência do Barroco – pesquisa, documentação, e uma biblioteca especializada. Visando a preservação das peças foram feitos moldes em 3D (meio eletrônico) e em forma flexível (silicone), o que possibilita a reprodução em gesso, pedra ou resina, como medida urgente e essencial para a recomposição em caso de danos às esculturas.74 (ONU, 2011).
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Doehne; Price. Stone Conservation: an overview of current research. 2010. 70
Doehne; Price (2010) cita o uso da documentação, até mesmo com confecção de réplicas e moldes, para resguardo das características
71Askar (1980) cita o mesmo questionamento no artigo intitulado “Profetas: originais ou cópias”. 72
A cópia só seria justificada pelo seu caráter de pesquisa documental, embasada ainda na pretensão de levar a obra para populações que não podem vivenciá-la no espaço de origem. (PARENT, 1984).
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As obras derivam da disciplina Modelagem da escola, e hoje são parte do Museu da Escola de Arquitetura (MEA) inaugurado em 1966, com construção da Sala Aleijadinho em 1988.
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Os profetas foram digitalizados (3D) por iniciativa de projeto do grupo de pesquisa IMAGO da Universidade Federal do Paraná (Andrade, 2012) com a ajuda de robô industrial com tecnologia da automação, método esse inédito para a preservação do patrimônio cultural brasileiro, o que permitiu maior acessibilidade, rapidez e segurança das peças. A nova tecnologia possibilitará a visualização em meio digital dos profetas, o uso para sua preservação e restauro, monitoramento do estado de conservação, compreensão da técnica empregada e dos detalhes, e da confecção de réplicas de grande precisão caso haja necessidade. Há ainda a possibilidade de reproduzir as esculturas em
Inúmeras são as possiblidades de conservação das cantarias, mas ainda sem estudos que atestem seu comportamento ao longo dos anos e, mais evidente atualmente, frente aos novos desafios ambientais e principalmente da poluição atmosférica. O ideal seria aplicar tratamentos reversíveis mas, no contexto da pedra, essa possibilidade é mais idealista do que realista. É sensato, portanto, assumir que o produto não poderá ser removido75 e, frente a esse fato, gerações futuras terão de conviver com as consequências das ações atuais. Mas se por um lado o tratamento é irreversível, a negligência também o é devendo-se para tanto encontrar uma decisão de forma consciente, equilibrada e respeitosa. (DOEHNE; PRICE, 2010). Figura 49 – Réplicas expostas no Museu da Escola de Arquitetura
Fonte: ARQUITETURA UFMG, [200-].
qualquer lugar em que haja tecnologia, até mesmo por meio de exposições holográficas. (ONU, 2011).
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Há de se levar em conta que provavelmente a peça já tenha passado por intervenções anteriores, já estando impregnada por produtos que, muitas vezes, é desconhecido.
Figura 50 – Confecção das réplicas e moldes por Aristicher Benjamim Meschessi
Fonte: Fonte: ARQUITETURA UFMG, [200-].