2. KAVRAMSAL ÇERÇEVE
2.3. Matematik Öğretim
Existe uma preocupação na práxis de estudiosos da AD e da Linguística Textual que é a busca por compreender os gêneros discursivos a partir de seu funcionamento na sociedade, para, assim, ser proporcionado um olhar mais amplo sobre os meios que favorecem a interação social dos sujeitos por meio de textos. Nesse sentido, a Escola Norte-Americana, influenciada por Bakhtin e que tem Carolyn Miller e Charles Bazerman entre seus pesquisadores, apresenta em seus trabalhos uma visão histórica dos gêneros por meio de uma vinculação entre sociedade e usos da língua. As relações de poder deflagradas por meio de gêneros também são pauta de estudos da Escola Norte-Americana e, como nos informa Marcuschi (2008), gêneros são atividades discursivas, relativamente estáveis, que se prestam ao controle social e exercício do poder.
Para Carolyn Miller, em seu artigo “Genre as social action”, gênero não
consistiria apenas em uma série de ações em que ocorrem certas formas retóricas, mas seria composto por uma infinidade de formas reconhecíveis, unidas por uma dinâmica interna; dinâmica que fundiria características materiais, estilísticas e situacionais (MILLER, 1984). Dessa forma, a partir da natureza de uma ação retórica, a autora busca traçar considerações de que os gêneros são significativos no modo como interpretamos, respondemos e criamos certos textos.
Essa perspectiva que trata os gêneros como ação retórica permitiu que a autora usasse, em seus trabalhos, a concepção de gêneros como ação social, ou seja, gêneros são
como respostas para uma demanda situacional percebida, enquanto as ações humanas seriam interpretadas no interior desse contexto situacional. Assim, tais ações apresentam caráter histórico e são voltadas para uma coletividade específica de pessoas. Nas palavras de Miller (1984, p. 153),
A genre becomes a complex of formal and substantive features that create a particular effect in a given situation. Genre, in this way, becomes more than a formal entity; it becomes pragmatic, fully rhetorical, a point of connection between intention and effect, an aspect of social action11.
Nesse sentido, Miller não vê os gêneros como entidades estritamente formais, mas comunicativas, em que ganham destaque os propósitos, ações e conteúdos. Ou seja:
a classifying principle based in rhetorical action seems most clearly to reflect rhetorical practice [...]. And if genre represents action, it must involve situation and motive, because human action, whether symbolic or otherwise, is interpretable only against a context of situation and through the attributing of motives.”12 (MILLER, 1984, p. 152).
Assim, na tentativa de sumarizar o pensamento da autora, os gêneros correspondem a situações discursivas que obedecem às imposições de determinados campos comunicativos e a forma que irão assumir diz respeito a convenções mais ou menos recorrentes da sociedade.
Outro enfoque relevante para o estudo de gêneros na perspectiva norte-americana é aquele desenvolvido por Bazerman (2009), que traz em seu bojo conceitos como os de
“fatos sociais, atos de fala, gêneros, sistemas de gêneros e sistemas de atividades”
(BAZERMAN, 2009, p. 19). Na visão do autor, esses conceitos apontam para a forma com que “as pessoas criam novas realidades de significação, relações e conhecimento, fazendo uso
de textos.” (BAZERMAN, 2009, p. 19). Assim, fatos sociais são produzidos a partir de textos
e tais fatos não poderiam existir não fosse a criação textual, em relação de reciprocidade. Nesse sentido, fatos sociais, segundo o autor,
consistem em ações sociais significativas realizadas pela linguagem, ou atos de fala. Esses atos são realizados através de formas textuais padronizadas, típicas, e,
11 Tradução livre: “um gênero torna-se um complexo de características formais e materiais que criam efeitos
particulares em uma situação dada. Gênero, dessa forma, se torna mais do que uma entidade formal; torna-se pragmático, totalmente retórico, um ponto de conexão entre intenção e efeito, um aspecto da ação social”.
12 Tradução livre do texto da autora: “Um princípio classificatório baseado na ação retórica parece mais
claramente refletir uma prática retórica [...]. E se gênero representa ação, deve envolver situação e motivação, por que as ações humanas, sejam simbólicas ou de outro tipo, são interpretadas apenas frente um contexto de situação e pela atribuição de motivações”.
portanto, inteligíveis ou gêneros que estão relacionadas a outros textos e gêneros que ocorrem em circunstâncias relacionadas. (BAZERMAN, 2009, p. 22 grifos do autor)
Pelo conceito de fato social desenvolvido por Bazerman, já é possível notar a influência dos estudos de Bakhtin, especialmente no que tange ao conceito de enunciado
presente em “Estética da criação verbal”. O professor norte-americano amplia ainda mais a
noção de fato social associando-o ao universo de crenças do sujeito. Assim, fatos sociais são também aquilo que as pessoas acreditam que seja verdadeiro, o que afeta o modo que uma situação é definida13. Essa noção também interessa para o entendimento da intertextualidade presente nos textos. Nesse sentido, para Bazerman, a intertextualidade
[...] frequentemente procura criar uma compreensão compartilhada sobre o que foi dito anteriormente e a situação atual como se apresenta. Isto é, as referências intertextuais tentam estabelecer os fatos sociais sobre os quais o escritor tenta fazer uma nova afirmação (BAZERMAN, 2009, p. 25).
No desenvolvimento dessa pesquisa, pudemos perceber que os aspectos aqui destacados sobre a visão bakhtiniana e da escola norteamericana sobre os gêneros discursivos são um primeiro degrau para um estudo aprofundado sobre as especificidades dos gêneros. Todavia, ainda que de forma incipiente, as ideias desses autores nos permitem pensar que ver os gêneros por uma dimensão discursiva é ter em mente que eles são situados e convencionados socialmente. Por isso, os gêneros possuem caráter mutável de acordo com as necessidades das diversas situações de comunicação. Finalmente, podemos concluir, com Bazerman (2009), que “[…] os gêneros moldam as intenções, os motivos, as expectativas, a
atenção, a percepção, o afeto e o quadro interpretativo” (p. 102). Essa posição nos permite
pensar em uma caracterização do artigo de opinião capaz de adquirir possibilidades de interpretação diferenciadas, dependendo das circunstâncias situacionais em que se encontre.
Essa primeira discussão teórica sobre algumas noções de gênero sinaliza uma concepção de que estes são meios de agir socialmente, ou seja, podem ser vistos como mecanismos pelos quais a linguagem é realizada no contexto social dos sujeitos. Trata-se de um conceito de gênero que concebe a linguagem enquanto construção coletiva, que se transforma no seio das relações sociais. É a partir desse princípio que traçaremos alguns contornos do artigo de opinião a partir de seu suporte, o que pode soar, à primeira vista, um
13 Há uma relação da teoria de Bazerman com a dos atos de fala, de John Austin, que em sua obra “How to do things with words (1976)” aponta para o fato de que as palavras não apenas significam, mas fazem coisas
(BAZERMAN, 2009). Os atos de fala, então, estariam organizados de forma relativamente típica, podendo ser reconhecíveis pelos integrantes de determinada interação.
campo já saturado de considerações. Entretanto, acreditamos ser possível encontrar um veio de análise acerca desse gênero, pois chama-nos a atenção o fato de nosso objeto de estudo ter como veículo uma publicação jornalística universitária. É sobre as condições de produção do artigo de opinião, no contexto do Boletim da UFMG14 que faremos as observações a seguir, acrescidas do aporte teórico da Teoria Semiolinguística.
1.2.3 As contribuições da Teoria Semiolinguística para uma reflexão sobre os gêneros