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2.1 Varlıkların Değerlemesi

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Para os autores, há comumente um exagero no número de acepções nos estudos cognitivistas de polissemia, porque é dada muita atenção à representação lexical e pouca ao contexto em que as interpretações específicas aparecem (TYLER e EVANS, 2003, 40). Como amostra, Tyler e Evans citam a análise da preposição over de Lakoff em 1987, na qual dependendo da extensão do TR e do LM é associado a ele um novo sentido. Por exemplo:

(1-34) The helicopter hovered over the ocean (O helicóptero pairou sobre o oceano).

(1-35) The hummingbird hovered over the flower (O beija-flor pairou sobre a flor).

Pelo fato do LM ter extensões diferentes nas duas frases, numa o oceano e na outra a flor, Lakoff afirma que também o sentido é diferente ou que seriam representações mentais distintas, enquanto que para Andrea Tyler e Vyvyan Evans a representação e os usos são os mesmos, já que a preposição over não estabelece uma relação métrica entre TR e LM, mas uma relação em que o TR está acima do LM.

Como o excesso de acepções em uma rede semântica pode causar problemas, os autores propõem uma metodologia que permite definir quais significados devem ser vistos como sentidos distintos. Basicamente, a diferença se encontra entre determinar se um significado específico está fixado na memória de longo prazo dos falantes, ou se esse sentido pode ser inferido a partir do contexto e dessa forma não se trataria de um significado distinto (TYLER e EVANS, 2003, 42).

Dois critérios são sugeridos para determinar se uma ocorrência em particular, de uma partícula espacial, funciona como um significado distinto:

(i) ele deve trazer um sentido adicional à preposição, esse adicional não pode ser encontrado em nenhum dos usos de uma determinada preposição, ou deve também apresentar uma configuração espacial entre o TR e o LM que seja diferente da estabelecida pela protocena;

(ii) esse sentido não pode ser inferido a partir do contexto, ele deve existir independentemente dele (TYLER e EVANS, 2003, 42-43).

Os exemplos abaixo (1-28), (1-29), (1-34) e (1-35), já citados, evidenciam essas diferenças:

(1-28) Joan nailed a board over the hole in the ceiling (Joan pregou uma tábua em cima do buraco no teto).

(1-29) Joan nailed a board over the hole in the wall (Joan pregou uma tábua em cima do buraco na parede).

(1-34) The helicopter hovered over the ocean (O helicóptero pairou sobre o oceano).

(1-35) The hummingbird hovered over the flower (O beija-flor pairou sobre a flor).

Nos exemplos (1-34) e (1-35) a relação espacial é a mesma: o TR está acima do LM. Portanto, não há adição de significado, e a configuração entre TR e LM é idêntica, e não há razão para uma interpretação não espacial. Por isso eles não podem ser considerados como possuidores de significados distintos.

Os exemplos (1-28) e (1-29) parecem apresentar características diversas, pois não representam uma relação espacial relevante para o eixo vertical como é esperado para over, porque esse é o sentido encontrado na protocena. No exemplo (1-28), o TR e o LM estão numa posição horizontal, enquanto o TR está localizado abaixo do LM. No exemplo (1-29), TR e LM são verticais, contudo um não está acima do outro, como seria normal, mas ao lado. Nestes dois casos, então, over significa cobrir e obscurecer e em comparação com (1-34) e (1-35), acarreta um novo significado cumprindo a exigência do primeiro critério. Já com relação ao segundo critério, os autores indicam que como o significado de over seria uma relação espacial na qual o TR está em cima do LM, o significado cobrir não poderia ser derivado a partir do contexto. Para confirmar essa suposição podemos retomar o seguinte exemplo:

(1-30) The tablecloth is over the table (A toalha está sobre a mesa).

Neste exemplo, diferentemente de (1-28) e (1-29) podemos inferir a partir do contexto o sentido de cobertura. Ao colocar a toalha sobre a mesa, ela se encontra acima do LM estabelecendo uma relação vertical e por conta do conhecimento enciclopédico que possuímos

sobre toalhas, sabemos que elas são, normalmente, maiores que as mesas e assim as cobrem. (TYLER e EVANS, 2003, 45).

De acordo com os autores, os exemplos (1-28) e (1-29) só podem ser interpretados como sendo de cobertura/obscurecimento, porque sabemos que existe esse significado associado a eles. Esses exemplos, então, preenchem os requisitos para os dois critérios e constituem, assim, um novo significado de over.

Tyler e Evans ressaltam que nem todos os usos fazem parte da rede semântica. Em alguns casos o uso ocorre no contexto, no momento de sua interpretação. Para definir os diversos usos, os autores utilizam o contexto do significado primário e observam, com base nesse contexto, se seria possível compreender o uso derivado em questão. Apenas os usos que não são passíveis de interpretação a partir do contexto do uso primário recebem a qualidade de um uso distinto.

Eles ainda afirmam que muitas vezes o contexto adiciona informações que não fazem necessariamente parte do significado do item lexical, e que por isso, pesquisas como a de Lakoff (1987), que são vistas como ultra-detalhistas (fine-grained), falham quando pretendem determinar os sentidos distintos. Segundo o estudo de Lakoff, todos os exemplos a seguir são sentidos distintos da preposição over:

(1-34) The helicopter hovered over the ocean (O helicóptero pairou sobre o oceano).

(1-35) The hummingbird hovered over the flower (O beija-flor pairou sobre a flor).

(1-36) The plane flew over the city (O avião voou sobre a cidade). (1-37) The bird flew over the wall (O pássaro voou sobre o muro).

Lakoff (apud TYLER e EVANS: 2003) considera os exemplos (1-34) e (1-35) como sentidos diversos por conta da extensão do LM. Os exemplos (1-36) e (1-37) apresentam a mesma distinção com relação à extensão do LM, mas também são considerados sentidos

distintos de (1-34) e (1-35), pois há um caminho associado a over nesses usos. Para Tyler e Evans o caminho associado a over nos exemplos (1-36) e (1-37) surge a partir do contexto, mas não faz parte da representação semântica de over, que requer que o TR esteja acima do LM, não mencionando informações sobre comprimento do LM ou a trajetória do TR (TYLER e EVANS, 2003, 55-6). Nos dois pares de exemplos são os verbos que acarretam a interpretação diferenciada, em (1-36) e (1-37) há um caminho (path) associado ao verbo voar, o que não acontece com o verbo pairar em (1-34) e (1-35).

Conforme os autores, no momento da interpretação de um enunciado, ocorre uma conceitualização complexa (complex conceptualization), que seria a nossa projeção da realidade sobre o enunciado. O que forma essa conceitualização complexa é a junção das representações semânticas às formas linguísticas, pistas dadas pelo contexto (contextual cues), e o conhecimento enciclopédico (TYLER e EVANS, 2003, 57).

Eles citam três tipos de estratégias de inferência que os ouvintes usam na hora da interpretação: (i) melhor ajuste (best fit) – há disponível para os falantes apenas um número limitado de partículas espaciais para comunicarem uma gama potencialmente enorme de relações espaciais conceituais, por isso, os falantes precisam escolher a que melhor se ajusta; (ii) conhecimento da força dinâmica no mundo real (knowledge of real-world force dynamics) – as cenas espaciais são conceituais, porém o ouvinte leva em consideração a existência da força dinâmica e o seu conhecimento de mundo no instante da interpretação, portanto ele sabe que um cachorro não pode voar e objetos sem apoio caem no chão, etc.; e (iii) extensão topológica (topological extension) – os princípios da geometria euclidiana não são aplicáveis às relações espaciais conceituais, isto é, o espaço conceitual não é definido por noções métricas ou de distância, conquanto que a relação determinada pela protocena permaneça a mesma (TYLER e EVANS, 2003, 57-8).