2.1 Varlıkların Değerlemesi
2.1.1 Finansal Varlıkların Değerlemesi
Embora o escopo da presente dissertação seja o recorte sincrônico para a definição da rede semântica polissêmica de über, não podemos ignorar que os sentidos, aos quais über serve como ponto de acesso, surgiram a partir do uso dessa preposição diacronicamente. Isso não quer dizer que todos os novos usos, que se originaram a partir do uso primário da preposição über, ocorreram por meio da gramaticalização. Contudo, o estudo da gramaticalização é relevante para elucidar alguns desses usos. Como esse não é o tema principal do trabalho, nos referimos a ela em casos mais pontuais.
A gramaticalização ocorre quando uma unidade lexical se torna mais gramatical, ou quando uma unidade gramatical recebe propriedades mais gramaticais (HEINE, CLAUDI e HÜNNEMEYER, 1991, 2; DI MEOLA, 2000, 5; BYBEE, 2007, 964). No caso das preposições, a relação neutra citada anteriormente, por exemplo, o uso da preposição como objeto preposicionado, é um uso mais gramaticalizado das preposições, porque não há a possibilidade de escolha. Nesse caso, as preposições são fixas e com isso ganham uma função mais gramatical.
Como dito anteriormente, as preposições são consideradas como pertencentes a uma classe relativamente fechada. Essa classe é formada por unidades linguísticas heterogêneas, e que, por isso, apresentam níveis de gramaticalização variados. Elas se dividem entre primárias, pertencentes a uma classe fechada, e secundárias, subdivididas em mono e polilexemáticas, pertencentes a uma classe aberta. Nessa divisão também podemos encontrar indícios de gramaticalização. Aquelas que são primárias são mais gramaticalizadas do que as secundárias, mas mesmo dentro do grupo das primárias, encontramos níveis de gramaticalização variados. Algumas preposições primárias têm usos obrigatórios, por exemplo, apenas um número restrito de preposições pode formar o objeto preposicionado na
língua alemã: an, auf, bei, für, gegen, in, mit, nach, über, um, von, vor, zu (Helbig e Buscha 1986, 59 ff apud DIEWALD, 1997, 67), e por essa razão são mais gramaticalizadas. As unidades linguísticas mais gramaticalizadas possuem uma autonomia menor do que as menos gramaticalizadas, como as preposições citadas acima, que perdem o seu significado lexical pleno quando usadas junto a verbos.
Segundo Castilho, existem características que definem os níveis de gramaticalização das preposições:
(...) há visivelmente uma escalaridade que vai dos itens (i) mais frequentes, (ii) com maior amplitude sintática e (iii) com maior possibilidade de amalgamento como o artigo e pronomes pessoais, demonstrativos e indefinidos, para os itens (i) menos frequentes, (ii) de menor amplitude sintática e (iii) incapacidade de se amalgamarem. (CASTILHO, 2009, 323) No Alemão, as preposições mais recorrentes, mais gramaticalizadas, também tem mais facilidade de se amalgamar, já que a maioria é formada por uma sílaba apenas, o que facilita a ocorrência de reduções fonológicas (DIEWALD, 1997, 66). Em português existe, por exemplo, em + a = na, a + aquela = àquela, no alemão podemos nomear: in + das = ins, an + dem = am. Como as preposições na língua alemã selecionam o caso, esse também é um indício para saber qual é o nível de gramaticalização. Segundo a gramática Duden (2005, 608- 9), existem características prototípicas que mostram o grau de gramaticalização:
a) “Präpositionen stehen vor ihrem Bezugswort: vgl. Die heutige Schwankungen von dem Lehrer gegenüber (älter) und gegenüber dem
Lehrer (jünger); b) Präpositionen sind kurz (in, an, bei, zu) vgl. Anstatt
(älter) – statt (jünger); c) Präpositionen regieren den Dativ und/oder den Akkusativ, in einer Frühphase eher den Genitiv; d) Prototypische Präpositionen werden klein- und zusammen geschrieben: an Stelle (älter) –
anstelle (jünger)8“.
8 a) preposições se mantêm à frente da palavra a qual se relacionam: compare com a mudança de dem Lehrer
gegenüber (mais velho) e gegenüber dem Lehrer (mais novo); b) preposições são curtas (in, an, bei, zu) compare Anstatt (mais velho) e statt (mais novo); c) preposições regem dativo ou acusativo, e em uma fase inicial primeiramente o genitivo; d) preposições prototípicas são escritas com letras minúsculas e juntas: an Stelle (mais velho) e anstelle (mais novo) (tradução livre).
Quando alguma preposição pede o caso genitivo, ela ainda está num processo de gramaticalização, que talvez se desenvolva e se torne dativo, como no caso de während que é usada cada vez mais com o dativo (DIEWALD, 1997, 67).
Retomando a questão do objeto preposicionado, podemos afirmar que essa é uma ocorrência de gramaticalização das preposições, porque são estabelecidas relações sintáticas específicas (HUNDT, 2001, 168), ou seja, que não podem ser modificadas. As preposições são, neste caso, selecionadas pelo verbo e não podem ser permutadas com outras, porém se a permuta é possível, ela só pode ser trocada entre preposições específicas e sem acarretar a mudança de significado:
(1-19) Der Lehrer berichtet {über seine/von seiner} Reise. (O professor conta {sobre a sua/de sua} viagem.) (DUDEN, 2009, 840).
As preposições, como complemento preposicionado, perdem a sua autonomia e exercem a mesma função que a flexão de caso:
(1-20) Sie wartete auf ihre Freundin/*an ihre Freundin/*zu ihrer Freundin... (Ela esperou por sua amiga / as outras opções são incorretas.) (DIEWALD, 1997, 67).
(1-21) Sie erwartete ihre Freundin. (Ela esperou por sua amiga.) (DIEWALD, 1997, 67).
No exemplo acima (1-20), podemos observar como apenas uma das preposições é exigida para expressar uma determinada situação. Em (1-21), notamos que a construção com o objeto preposicionado pode ser substituída pela construção com o complemento no acusativo. Esses dois últimos exemplos reforçam a ideia de que a preposição nesses casos possui uma função mais gramatical, já que ela é obrigatória, ou seja, não pode ser permutada por outra.
Como foi descrito na presente seção, as preposições que formam o caso preposicional não possuem o seu significado pleno nesses usos. Porém, isso não significa que a sua escolha seja desmotivada. Segundo Cunha e Cintra (2001, 559):
(...) Costuma-se nesses casos desprezar o sentido da PREPOSIÇÃO e
considerá-la um simples elo sintático, vazio de conteúdo nocional. Cumpre, no entanto, salientar que as relações sintáticas que se fazem por intermédio de PREPOSIÇÃO OBRIGATÓRIA selecionam determinadas PREPOSIÇÕES
exatamente por conta do seu significado básico (grifo dos autores).