Entre as fontes inicialmente desenvolvidas, a escolhida para dar continui- dade ao projeto foi alternativa A. Basicamente, o motivo foi o de combinar respostas às questões funcionais de uma fonte para jornais e formas mais contemporâneas, que não remetessem aos tipos antigos. Uma dessas caracte- rísticas funcionais que a destacou entre as demais, foi a variação de espessura de linha seguindo um eixo inclinado, o que aparentou gerar a leitura mais fl uida. A alternativa E, em contraposição, pelas hastes com espessuras mais uniformes, teve o efeito contrário, fazendo a leitura menos contínua. Apesar de também ter um desenho que agradou às pessoas entrevistadas. Os terminais maiores da versão F, mostraram bons resultados na identifi cação das letras em corpos pequenos e, por esta razão, foram incorporados na versão a qual se deu continuidade no projeto.
A fonte escolhida foi praticamente redesenhada na etapa de detalha- mento. A partir da visualização das pranchas e dos comentários das pessoas entrevistadas, os detalhes das letras foram sendo adaptados. Como o uso principal da fonte é para corpos pequenos, foram impressas provas a laser de alta resolução para a constante avaliação, buscando-se simular a qualidade de impressão e diagramação de jornais. Nessas provas, foi dada a preferência para textos compostos alinhados à esquerda por manterem espaços entrele- tras e entre palavras uniformes, portanto mais fáceis de serem avaliados, ao invés dos justifi cados, apesar destes serem mais comuns em jornais. Nessas composições de texto foram feitas pequenas variações nos espaços entre os caracteres (tracking), para se determinar aquele mais adequado para os corpos de letras mais comuns em jornais (de 9 a 11 pontos).
Além de deixar os terminais maiores para melhorar a legibilidade, foram realizadas outras alterações nas dimensões das letras de modo geral. As letras
n e o que serviram de base para a criação de outras, aparentavam não estar
em harmonia. Como visto na seção 4.2.1., a largura e a altura das letras curvas e a espessura de suas hastes precisam ser ligeiramente maiores do que nas letras retas, para que estejam visualmente com as mesmas medidas. Com o objetivo de encontrar as dimensões mais adequadas, foram feitas variações da letra o, em que foram alteradas, gradativamente, espessura de haste, altura e largura da letra e a forma de uma curva mais quadrada a mais arredondada. Esses testes trouxeram resultados mais precisos quanto à relação da forma entre as duas letras.
Um dos requisitos de projeto (seção 5.) era de que as letras maiúsculas fossem mais compactas para terem menos destaque em texto, principalmente pelo uso constante de siglas, comuns em jornais. Entretanto estavam pequenas demais e foram alargadas para terem maior presença no texto. O tamanho
Variação na espessura de linha da letra ‘o’
Variação da largura da letra ‘o’
Variação da altura da letra ‘o’
Variação da altura da parte interna inferior
Detalhamento das letras por meio de sub-alternativas.
Para se defi nir as formas das letras com maior exatidão, foram feitas variações de alguns aspectos, como altura, lagura e espessura.
anterior das maiúsculas funcionava bem em siglas, trabalhando em conjunto, mas quando apareciam sozinhas, como em um artigo, iniciando uma frase, fi cavam fracas demais.
As descendentes também foram alongadas. Em fontes de modo geral, elas podem ser ligeiramente menores que as ascendentes, mas estavam curtas demais, o que difi cultava a identifi cação da forma geral das palavras. A letra g, com a descendente pequena, apresentava a parte interna inferior muito contida, prejudicando a legibilidade da letra.
As outras modifi cações não foram feitas de forma localizada em alguns caracteres. Elementos menores, como pontuação, acentos e linhas fi nas das letras, foram aumentados e ajustados para terem bom destaque nos pequenos corpos de texto de jornais.
As caldas do j, J, y tiveram seus desenhos modifi cadas com o objetivo de terem mais unidade com as outras letras.
Nas impressões em corpos pequenos, letras estreitas como a, c, g, r, s, mostraram-se mais efi cientes, quando foram alargadas, assim como na fonte Olympian, de Matthew Carter (seção 3.5.). Com suas dimensões aumentadas, as partes que as caracterizam fi cam mais evidentes.
As versões complementares da fonte, itálico, negrito e negrito-itálico, foram desenvolvidas num período muito menor do que a versão regular, pois a dire- ção do projeto já estava defi nida. O itálico durou pouco mais de uma semana na criação das letras minúsculas e maiúsculas. Assim como foi dada grande atenção as letras-base, como n e o, na versão regular, o mesmo aconteceu com o itálico. Para a estrutura de desenho dessa versão, foi considerada a letra a, com essa característica. Apesar dessa versão ter sido feita em pouco tempo em relação à versão regular, quase metade do tempo foi gasto no desenho do a, para se determinar o partido. E então ter início o desenho das outras letras.
Duas foram as fontes que serviram principalmente de referência para a criação desta fonte, a Swift, de Gerard Unger e The Antiqua, de Luc(as) De Groot. Esses projetos evitaram seguir as formas clássicas de letras, buscando traços contemporâneos. Isso pode ser visto na forma dos terminais, que se aproximam de uma serifa, ao invés de terminais arredondados mais comuns em tipos mais antigos.
a
a
Fonte que serviram como referência.
Da esquerda para a direita: Swift, de Gerard Unger, The Antiqua, de Luc(as) De Groot, e Arauto, do autor.
Aumento dos acentos durante o processo de projeto.
Largura das letras.
Alguns caracteres foram deixados mais largos para terem melhor legibilidade em corpos pequenos.
Evolução do desenho das letras itálicas.
Mais acima está a primeira versão digital da fonte, e, logo abaixo, a versão fi nal.
Encontro de hastes.
Variações de desenho, feitas ainda na etapa de determinação do partido da versão itálica. Quanto mais próximo é o encontro de uma tangente, fi gura mais à esquerda, menor os espaços internos da letra, o que traz a impressão de ser mais estreita.
Provas impressas para a avaliação da fonte durante o processo.
Acima:
Impressão da fonte em vários tamanhos, para verifi car como as formas funcionam com a redução do corpo da letra.
Abaixo:
Impressão da fonte em tamanho grande para verifi cação dos detalhes.
Acima:
Impressão da fonte em colunas, corpos e entrelinhas comuns em jornais, com variação do espaçamento de entreletras para a escolha daquele mais adequado a esse tipo de diagramação.
Abaixo:
Impressão da fonte, com os caracteres colocados entre as letras n, o, l, v, para se verifi car se seu espaço vazio direito apareta ser igual ao esquerdo.