Type. New Haven: Yale
university Press, 2005.
40. Letritas:
letritas.blogspot.com.
Elementos das letras.
A imagem mostra como a forma de uma letra pode levar diretamente ao desenho das outras, apesar de, em alguns casos, serem necessários pequenos ajustes.
A altura das maiúsculas, em geral, é menor que as ascendentes e os al- garismos menores que as maiúsculas. Em ambos os casos, isso funciona para atenuar o destaque desses caracteres no texto.
Para aparentarem estar alinhadas entre si, as linhas curvas e os vértices passam ligeiramente o alinhamento (em torno de 1 a 2% do tamanho da fonte), para que, oticamente, aparentem estar na mesma linha. Dessa maneira, as le- tras o, e, v, por exemplo, posicionam-se um pouco abaixo da linha de base.
4.2.2. Modulação horizontal
Existem duas formas que regem a largura das letras maiúsculas: a maneira mais antiga, vinda das letras romanas, e a mais recente, baseada no estilo Moderno. A primeira delas tem como estrutura os elementos geométricos básicos, círculo, quadrado e triângulo. Desse modo, há duas dimensões para a largura das maiúsculas: uma igual a sua altura e outra sendo metade da primeira, formando um retângulo de dois por um.
Entretanto não é comum o uso dessa regra ao pé da letra. A grande variação das dimensões das letras cria diferenças grandes entre espaços inter- nos, havendo letras claras e escuras. O uso mais comum é com essa variação amenizada.
A segunda maneira é estabelecer larguras uniformes para as letras. Mesmo letras mais largas, como o M e o W, apresentam as larguras reduzidas e próximas às outras. Isso gera letras mais uniformes e de cor mais constante. Para que os caracteres tenham visualmente o mesmo tamanho, precisam ter larguras diferentes entre si. Assim como as letras curvas são mais altas que as letras com terminações retas, são também mais largas. A letra O para ser semelhante à H é maior nas duas dimensões.
Letras formadas por retas também precisam de adaptações óticas. A letra
E precisa ser mais estreita que a H. As três linhas horizontais do E fazem-no
visualmente mais largo, enquanto as duas linhas verticais do H o tornam aparentemente menor horizontalmente.
Alinhamento das formas curvas. As letras arredondadas
ultrapassam o alinhamento das letras retas para gerarem a impressão de que ambas as formas possuem mesma altura. Esse ajuste ótico é chamado overshoot
entr
elinha
Largura das maiúsculas.
A imagem apresenta o desenvolvimento da largura das letras caixas-altas, de uma referência geometrizada até as dimensões regulares. (imagem redesenhada do livro: CHENG, Karen. Designing Type. New Haven: Yale University Press, 2005).
Letras romanas (estrutura geométrica)
Estilo ‘Old Style’ (estrutura geométrica amenizada)
Ajustes óticos na lagura de letras.
Do lado esquerdo são letras com mesma largura real e, do direito, com igual dimensão ótica.
4.2.3. Espessura de linha
Em geral, tipos sem serifa apresentam espessura de linha uniforme, entre- tanto, para isso são necessários ajustes óticos. Para uma linha aparentar ter largura constante, quando estiver na direção horizontal, deve ser menor que na vertical. Isso acontece por uma correção ao olho humano, que tende a ver hastes de mesma espessura, na horizontal, mais grossas que na vertical. O ajuste é sutil, uma haste tem cerca de 90 a 95% a dimensão da outra. Linhas diagonais também devem ser ajustadas, com um valor intermediário.
Entretanto, em alguns casos de tipos sem serifa, a espessura uniforme pode levar a desenhos robustos demais, para, por exemplo, o uso em texto. Portanto a espessura na horizontal, nesses casos, é ainda menor para que dar leveza à forma das letras.
Em fontes serifadas, é aplicada, não a uniformidade de linha, mas sua variação, apesar de algumas espessuras serem as mesmas entre os caracteres. Quanto maior a fonte for visualizada, maior pode ser essa variação, enquanto que, em tamanhos pequenos, o contraste entre hastes tende a ser reduzido. Isso acontece porque linhas muito fi nas são praticamente invisíveis em corpos pequenos. Portanto, dependendo do tamanho do tipo que pretende ser usado, há uma dimensão mínima visível a ser respeitada e, abaixo desta, as letras fi cam mal acabadas. Isso pode ser também visualizado nas serifas, em que sua dimensão não chega, em certo momento, à zero, mas a essa espessura mínima. Em algumas famil ias de tipos com serifa, há diferentes versões, variando o contraste da letra, para uso desde títulos, como em legendas.
4.2.4. Equilib rio entre cheios e vazios
Para que a fonte tenha unidade formal e seja agradável para a leitura em tex- tos, é preciso que tenha a proporção constante de cheios e vazios em todas as letras. Desse modo, assim como as hastes apresentam ser de mesma dimensão, os espaços internos, os vazios das letras devem parecer do mesmo tamanho. Assim, o n deve ter o mesmo espaço interno do o.
Entretanto o desenho natural de alguns caracteres os fazem mais claros uns dos outros, com mais espaços em branco, e precisam de alguns ajustes. O P, por exemplo, é mais claro que o R, pois tem uma haste a menos. Para compensar isso, o bojo do P é levemente esticado para baixo para ocupar o espaço vazio. Entretanto o R possui mais espaços brancos que o B, o qual se fecha na parte de baixa. Portanto o espaço fechado do R é mais para baixo que a parte semelhante do B.
Adaptações óticas na espessura da linha.
A imagem mais a acima mostra hastes em três posições com a mesma espessura. A de baixo são as alterações óticas nas medidas da fonte Futura, que possui a uniformidade da linha como característica.
0,77 × A A
0,89 × A A
Letras com hastes centrais.
Essas hastes tendem a ser mais fi nas para não deixar a letra muito escura em relação às outras.