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Kurumsal Yönetim AnlayıĢına Göre Etkin Bir Ġç Denetim

Belgede İç denetim ve kurumsal yönetim (sayfa 139-145)

BÖLÜM 4: ĠÇ DENETĠM VE KURUMSAL YÖNETĠM

4.7. Kurumsal Yönetim AnlayıĢına Göre Etkin Bir Ġç Denetim

Dioniso acreditava que o fato de ele se vestir de modo a imitar Héracles seria suficiente para que adquirisse as características do herói que lhe permitissem fazer a descida bem sucedida ao Hades. Mas, como é possível verificar, não é exatamente isso o que ocorre. Dioniso não se transforma em uma divindade corajosa, como o herói.

Diferentemente da primeira cena da peça, em que o deus estava seguro (cf.vv.37ss), aqui ele não tem tanta confiança em bater na porta e se pergunta qual seria a maneira mais adequada de fazê-lo, segundo os costumes locais. Xântias, que está

sempre atento às fraquezas de seu mestre, nota que falta a ele uma harmonia entre a sua aparência (, tó schéma) e o espírito (, tó léma) de Héracles (v.463).

Dioniso, quando percebe que está prestes a ser reprimido brutalmente pelo porteiro do Hades, que estava irado com Héracles pelo roubo do cão Cérbero, vê-se tomado de um medo que o faz até defecar e, então, admitindo que seu escravo é corajoso, pede a ele que troquem de figurinos (vv.494-97):

ὑ ΙέὓΝ γδΝθυθ,Ν π δ ὴΝζβηα έαμΝε θ λ ῖκμΝ ,Ν ὺΝηὲθΝΰ θκ ΝΥΰὼΝ ὸΝ σπαζκθΝ κυ ὶΝζαίυθΝ εαὶΝ ὴθΝζ κθ θ,Ν π λΝ φκίσ πζαΰξθκμΝ ·Ν

ΰὼΝ ΥΝ κηαέΝ κδΝ ε υκφσλκμΝ θΝ ΝηΫλ δέΝ Dioniso:

vem então, já que você é viril e tem espírito (, lematiais) para isso, e se transforma em mim, pegando esta clava

e esta pele de leão, se você for destemido.

enquanto isso, eu serei o carregador de bagagem pra você, no seu lugar.

Note-se aqui que o termo utilizado por Dioniso para a qualidade que Xântias possui para ser capaz de exercer o papel de Héracles é o mesmo que Xântias emprega no verso 463 (,léma). Assim, é possível ver que o deus assume que é necessário haver uma harmonia entre o figurino e a caracterização da personagem. Desse modo, Compton- Engle nota que o figurino de Héracles representa a masculinidade, o heroísmo, a coragem, enquanto que a bagagem de Xântias representa a sua condição de escravo, de submissão. É preciso evidenciar aqui um aspecto que talvez não fique tão claro à primeira vista: não é somente de acordo com a conveniência que Dioniso abandona a sua personagem de Héracles e a transmite ao seu escravo. O deus do teatro o faz em momentos muito pontuais, em que o aspecto não civilizado do herói é ressaltado. E ele retoma a sua vestimenta quando, ao contrário, um banquete, situação típica da vida na pólis é proposto. Vejamos melhor como isso ocorre: depois da ameaça de Éaco,64 quando já haviam trocado de figurinos, surge uma serva de Perséfone e diz (vv.503-518):

ὑΘ Ρ Π ΙΝ ὓΝ Νφέζ αγΥΝ ε δμΝἩλΪεζ δμνΝ λΥΝ δγδέΝ ἩΝΰὰλΝγ σμΝ ΥΝ μΝ πτγ γΥΝ εκθ Υ,Ν γΫπμΝ π θΝ λ κυμ,Ν ο Νεα λδε θΝξτ λαμΝ θκυμΝ τΥΝ Ν λ ῖμ,Νίκ θΝ πβθγλΪεδαΥΝ ζκθ,Ν πζαεκ θ αμΝ π α,ΝεκζζΪίκυμέΝἈζζΥΝ δγδέΝ

64 Note-se que a ameaça de Éaco se dá pelo fato de Héracles ter quebrado o princípio de hospitalidade

(, xenia). Ele, além de não ter sido convidado para visitar o Hades, rouba o cão Cérbero que lhe guardava as portas.

ὑΞ έὓΝΚΪζζδ Υ,Ν παδθ έΝ ὑΘ έὓΝΜὰΝ ὸθΝἈπσζζπΝκ ΝηάΝ ΥΝ ΰὼΝ π λδσοκη π ζγσθ Υ,Ν π έΝ κδΝεαὶΝελΫαΝ θΫίλα θΝ λθέγ δα,ΝεαὶΝ λαΰάηα αΝ φλυΰ ,Νε θκθΝ θ ε λΪθθυΝΰζυετ α κθέΝ ἈζζΥΝ δγΥΝ ηΥΝ ηκέέΝ ὑΞ έὓΝΠΪθυΝεαζ μέΝ ὑΘ έὓΝΛβλ ῖμΝ ξπθ·Ν κ ΝΰΪλΝ ΥΝ φά πέΝΚαὶΝΰὰλΝα ζβ λέμΝ ΫΝ κδΝ βΝΥθ κθΝ γΥΝ λαδκ Ϊ βΝε λξβ λέ μΝ λαδΝ τΥΝ Ν λ ῖμΝ– ὑΞ έὓΝΠ μΝζΫΰ δμνΝ λξβ λέ μνΝ ὑΘ έὓΝ ίυζζδ αδΝε λ δΝπαλα δζηΫθαδέΝ ἈζζΥΝ δγΥ,Ν μΝ ΝηΪΰ δλκμΝ βΝ ὰΝ ηΪξβΝ η ζζΥΝ φαδλ ῖθΝξ Ν λΪπ αΥΝ λ κέΝ SERVA:

Ó queridíssimo Héracles, você chegou? Entra aqui. Pois a deusa, ao saber que você chegava, imediatamente assou uns pães, ferveu dois ou três potes

de sopa de ervilha batida, assou um boi inteiro, assou um bolo e pastéis doces. Mas entra. XÂNTIAS:

Muito obrigado, eu estou bem. SERVA:

Por Apolo! De jeito nenhum eu

vou ficar te olhando ir embora, já que uma ave ela cozinhou e frutas secas

preparou, misturando o mais doce vinho. Então entra comigo!

XÂNTIAS:

Eu estou muito bem. SERVA:

Está delirando!

Pois não vou te abandonar. E tem uma flautista pra você, aqui, a mais linda, e, além disso, dançarinas

duas ou três... XÂNTIAS:

O que você está dizendo? Dançarinas? SERVA:

Na flor da idade e bem depiladas.

Mas entra, que as fatias de peixe, o cozinheiro estava prestes a tirar do fogo e colocar na mesa.

Dois aspectos dessa passagem devem ser ressaltados: 1) o caráter civilizatório do banquete e 2) a relação do banquete com uma cerimônia ritual.

Como foi apontado brevemente, o caráter selvagem de Dioniso está associado ao seu culto por meio do êxtase que gera nas bacantes. Nestes rituais, o vinho puro é tomado sem ser misturado à água, causando o estado de embriaguez naqueles que participam do

ritual, o que, por consequência, como fica evidente nas Bacantes de Eurípides, por exemplo, leva à violência.

Na passagem apresentada anteriormente, entretanto, como bem nota Lada- Richards, existe outro tipo de contexto. Em primeiro lugar, o consumo de carne era algo próprio do banquete sacrificial, além disso, o boi era, por excelência, o animal usado como vítima sacrificial e, por fim, cabia ao cozinheiro (mágeiros) a função de sacrificador, na maior parte dos casos. Note-se ainda que o vinho, quando misturado à água, reduz os riscos de embriaguez em excesso e atitudes não civilizadas. Assim, conforme Lada-Richards (1999:206):

(…) quando situado em uma atmosfera social, não apenas o vinho misturado, mas a flauta e a dança são desassociados da sua função subversiva ou não-cívica. O desejo do performer de partilhar deles, consequentemente, poderia muito bem ter sido decodificado como um movimento em direção ao inofensivo, alegre e benéfico, a dimensão civicamente orientada de seus próprios atributos [de Dioniso].65

Ficará evidente, portanto, que Dioniso escolhe e rejeita o papel de Héracles não somente para fugir dos castigos dos moradores do Hades, mas também para negar as características não civilizadas de seu irmão. Vejamos, por fim, como isso ocorre na última vez em que o deus do teatro abandona seu figurino de Héracles e passa-o a seu escravo Xântias.

Após a serva dizer que Perséfone preparava um banquete a Héracles, surge a estalajadeira e outra serva, muito bravas, apontando para Dioniso/Héracles como aquele que havia comido, sem a menor educação, toda a comida que havia, na sua visita anterior ao Hades (vv.549-568): {Π Ν ΟΚ ΤΣΡΙ } ΠζαγΪθβ,ΝΠζαγΪθβ,Ν λΥΝ ζγΥέΝ Νπαθκ λΰκμΝκ κ έ,Ν μΝ μΝ ὸΝπαθ κε ῖκθΝ ζγυθΝπκ Ν 550 εεαέ εΥΝ λ κυμΝεα ΫφαΰΥΝ η θέ {} ΝὴΝ έα,Ν ε ῖθκμΝα ὸμΝ αέΝ ὑΞ έὓΝ ΚαεὸθΝ ε δΝ δθέέΝ ὑΠζ.ὓΝεαὶΝελΫαΝΰ ΝπλὸμΝ κτ κδ δθΝ θΪίλα ΥΝ εκ δθΝ θ’βηδπίκζδαῖαέ

65“…when situated in a convivial atmosphere, not only mixed wine butalso flute and dance are dissocia-

ted from their subversive or uncivicfunction. The performer's wish to have a share in them, consequently, could well have been decoded as a move towards the harmless, joyful, andbeneficial, the civically orien- ted dimension of his own attributes.”

ὑΞ έὓΝ υ δΝ δμΝ έεβθέΝ ὑΠ έΝὓΝεαὶΝ ὰΝ εσλκ αΝ ὰΝπκζζΪέΝ ὑ Ιέὓ Λβλ ῖμ,Ν Νΰτθαδ,Ν 555 εκ εΝκ γΥΝ Ν δΝζΫΰ δμέΝ ὑΠ έὓ Ο ΝηὲθΝκ θΝη Νπλκ σεαμ,Ν δὴΝεκγσλθκυμΝ ξ μ,Ν θαΰθ θαέΝ ΥΝ δέΝ ΣέΝ αένΝΣὸΝπκζὺΝ ΪλδξκμΝκ εΝ λβεΪΝππέΝ ὑΠζ.ὓΝΜὰΝ έΥΝκ ὲΝ ὸθΝ υλσθΝΰ Ν ὸθΝξζπλσθ,Ν Ϊζαθ,Ν θΝκ κμΝα κῖμΝ κῖμΝ αζΪλκδμΝεα ά γδ θέ 560 ὑΠ έὓΝΚ π δ ΥΝ π δ ὴΝ λΰτλδκθΝ πλα σηβθ,Ν ίζ ο θΝ μΝη Ν λδηὺΝε ηυε σΝΰ έ ὑΞ έὓΝΣκτ κυΝπΪθυΝ κ λΰκθ·Νκ κμΝ Ν λσπκμΝπαθ αξκ έΝ ὑΠζ.ὓΝεαὶΝ ὸ ιέφκμΝΰΥΝ π κΝηαέθ γαδΝ κε θέΝ ὑΞ έὓΝΝὴΝ έα,Ν ΪζαδθαέΝ ὑΠζ.ὓΝΝὼΝ ὲΝ δ Ϊ αΝΰΫΝπκυ 565 πὶΝ ὴθΝεα άζδφΥΝ γὺμΝ θ πβ ά αη θ·Ν Ν ΥΝᾤξ ΥΝ ι ιαμΝΰ Ν ὰμΝοδΪγκυμΝζαίυθέΝ ὑΞ έὓΝΚαὶΝ κ κΝ κτ κυΝ κ λΰκθέΝ ESTALAJADEIRA:

Platane, Platane, vem aqui! Este aqui é o patife que quando aquela vez entrou na estalagem devorou dezesseis dos nossos pães ... PLATANE:

Sim, por Zeus, é ele mesmo!

XÂNTIAS (para a audiência): Alguém aí se deu mal.

ESTALAJADEIRA:

E além disso, vinte porções da largura de meio óbolo de carne cozida de uma vez só... 66

XÂNTIAS:

Alguém será punido ESTALAJADEIRA: e muito alho! DIONISO:

Está delirando, mulher.

E você não sabe do que está falando. ESTALAJADEIRA:

Sei sim! Você não esperava que,

porque usa coturnos, que eu não te reconheceria mais! E então? Eu ainda nem mencionei o peixe defumado. PLATANE:

Sim, por Zeus, e nem o queijo fresco, querida, que ele comeu com cesta e tudo!

ESTALAJADEIRA:

E quando, em seguida, eu pedia o pagamento, me fuzilou com o olhar e bufou pra mim. XÂNTIAS:

Isso é típico dele. Este é o jeito dele

66 Uma porção de meio óbolo era considerada muito pequena para uma refeição principal, porém, no

contexto da comédia, as estalajadeiras deveriam achar que essa quantidade era plenamente suficiente. Quando Héracles come vinte dessas pequenas porções para saciar a sua fome, então as duas mulheres ficam chocadas com a quantidade enorme de comida que ele havia ingerido.

em todo lugar. ESTALAJADEIRA:

E sacava a espada, parecendo estar louco. PLATANE:

Sim, por Zeus, querida.

E nós, ficando com medo naquela ocasião, imediatamente pulamos para cima da prateleira. E ele se foi, levando consigo os colchonetes. XÂNTIAS:

Isso é típico dele.

A figura da estalajadeira é bem conhecida da comédia aristofânica. Em Pluto (vv.426-7), elas são conhecidas por sua falta de humor e língua afiada. Nas Vespas (v.35), por exemplo, o estilo oratório de Cleão é retratado em uma única palavra: pandokeutría (“ἷὅὈἳlἳἼἳἶἷiὄἳ”). Sendo assim, é possível verificar o tom da cena. As duas mulheres, que já não têm boa reputação acerca de seu humor, encontram-se com Héracles – ao menos pensam que Dioniso seja o herói – e se lembram do seu mau comportamento na estalagem delas.

Mas aqui, fica evidente, ao menos pelo retrato que elas apresentam, que tinham razão de estar bravas com o herói, na medida em que seu comportamento quebra com todas as regras de civilidade. Em primeiro lugar, ele participa do banquete somente com o seu estômago, comendo tudo o que vê pela frente e, ainda por cima, de modo excessivo, como 16 pães, um número alto de porções de carne, peixe e queijo.

Héracles não se preocupa com a questão da sociabilidade, tão importante neste tipo de ocasião e, além de lançar um olhar terrível contra os presentes ( ίζ ο θΝ μΝη Ν λδηὺ),ΝὀὤὁΝἵὁὀvἷὄὅἳΝἵὁmΝὁὅΝὁὉὈὄὁὅ,ΝmἳὅΝἳpἷὀἳὅΝ“ἴὉἸἳ”,Ν“mὉgἷ”ΝpἳὄἳΝἷlἷὅΝ(ε ηυε σ)έΝ

Não fosse isso o suficiente, ele ainda saca uma espada ( ὸΝιέφκμΝΰΥΝ π κ),ΝὁΝὃὉἷ,Ν segundo Lada-Richards (1999:195) é algo:

conotativo de ataques violentos e agressividade, tornando-se a marca distintiva da sociabilidade distorcida, uma vez que hybris e insulto, violência e conflito são todos variantes da transgressão do discurso simpótico.67

Assim, a associação de elementos hercúleos ao figurino de Dioniso ressalta aspectos que o próprio deus já possuía e dá ênfase ao seu caráter ambíguo. No Hades, ao se despir do figurino de seu irmão, deixa de lado elementos que simbolizam o seu próprio

67 connotative of violent outbursts and aggressiveness, becomes the hallmark of distorted conviviality, since

lado ligado ao âmbito do selvagem. É preciso lembrar que Dioniso nega comportamentos de Héracles que vão contra a civilidade, pois ele quebra regras de hospitalidade e do convívio social em uma ocasião fortemente cívica como a do banquete, por exemplo.

É a partir desse momento que Dioniso revela a sua competência enquanto deus que preside a um evento diretamente associado ao desenvolvimento cívico da pólis: os festivais dramáticos. Assim, ele é reconhecido como deus e pode servir como juiz da disputa entre Ésquilo e Eurípides pelo trono de melhor tragediógrafo.

Nesse contexto, portanto, em que Dioniso ainda está descobrindo a sua civilidade ou seja, no início da cena nos portões do Hades, é o momento em que o deus é comparado a Terâmenes e elogiado por isso.

ἥἷ,Ν ἵὁmpὄἷἷὀἶiἶἳΝ ἷmΝ ὁὉὈὄὁΝ ὀívἷl,Ν ἷὅὅἳΝ ἵὁὀἸὉὅὤὁΝ ὀἳΝ iἶἷὀὈiἶἳἶἷΝ ἶἷΝ DiὁὀiὅὁΝ −Ν representada tanto por seu figurino ambíguo quanto pela troca de identidades entre ele e Xântias – ela pode ser interpretada como a confusão da própria cidade de Atenas, que perde a sua identidade tradicional ao conceder os direitos de cidadania aos escravos que lutaram na batalha de Arginusas, por exemplo, e que tem como representante homens que pulam de um partido para o outro. Assim, do mesmo modo que Dioniso precisa abandonar uma de suas facetas e abraçar seu caráter civilizatório para conseguir escolher o melhor poeta para salvar a cidade, Atenas também deve fazer o mesmo e o caminho para isso será apontado, na cena seguinte, na parábase. Voltarei a discutir a parábase e seus conselhos, tendo em vista os apontamentos aqui feitos, no capítulo destinado a isso.

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