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Ġç Denetim Süreci

Belgede İç denetim ve kurumsal yönetim (sayfa 153-160)

BÖLÜM 4: ĠÇ DENETĠM VE KURUMSAL YÖNETĠM

4.12. Özel Bir ġirketin Kurumsal Yönetiminde Ġç Denetimin Rolünü Belirlemek Üzere

4.12.5. Ġç Denetim Süreci

Se a associação entre Terâmenes e a personagem cômica de Dioniso é feita de modo elogioso pelo Coro, pois cabe ao herói cômico ser versátil e não se preocupar com as consequências morais de seus atos, tendo total liberdade de ação (cf. Whitman: 1964:24), quando Terâmenes é associado a Eurípides, um tragediógrafo, a consequência disso é outra.

No agón, as consequências maléficas para a cidade em se criar políticos como Terâmenes tornam-se mais evidentes quando Eurípides e Ésquilo discutem quem são seus pupilos. Assim, a partir do verso 938, depois de ter feito ataques à obra de Ésquilo, Eurípides passa a defender as suas próprias escolhas. Ele explica que removeu o excesso de peso existente na poesia esquiliana, aumentando a clareza das tragédias, pois, ao invés de falar de modo selvagem o que lhe viesse à cabeça, procurava apresentar personagens

que explicassem os antecedentes da peça. Mais do que isso, em benefício da democracia, Eurípides alega ter dado voz a diversas personagens, como mulheres, escravos, amas e idosos.

Ele continua sua defesa, alegando ter ensinado a audiência a falar e pede que se comparem os discípulos de Ésquilo e os seus próprios, de modo que fique claro o tipo de ensinamento que cada um trouxe. Assim, ele diz (vv.965-968):

Σκυ κυη θὶΝΦκληέ δκμΝΜ ΰαέθ σμΝγΥΝ ΝΜαθ μ,Ν αζπδΰΰκζκΰξυπβθΪ αδ,Ν αλεα ηκπδ υκεΪηπ αδ,Ν κ ηκὶΝ ὲΝΚζ δ κφ θΝ ΝεαὶΝΘβλαηΫθβμΝ ΝεκηοσμέΝ Saberá disso com os discípulos de cada um de nós. Os dele [de Ésquilo] são Formísio e Megêneto, o Louco.

trompistas-lanceiros-barbados, sarcástico curvador de pinheiros; os meus são Clitofonte e Terâmenes, o astuto.

Sommerstein (1996:241-2) diz que Formísio foi um político proeminente do período pós-guerra, famoso pela sua barba hirsuta.68 Essa é a primeira referência a ele que temos. Antes de o governo dos Trinta ser instaurado em 404, ele, assim como Terâmenes, tentou ficar no meio do caminho entre a democracia e a oligarquia. Durante o regime oligárquico, ele se aliou aos democratas em exílio e, depois da queda oligarca, propôs, sem sucesso, que os direitos políticos plenos fossem negados aos cidadãos que não possuíssem terras.

Infelizmente, não é possível saber, pela referência que Aristófanes faz em Mulheres na Assembleia e aqui, quais aspectos da vida política de Formísio poderiam ser associados a ensinamentos de Ésquilo.

Acerca de Megêneto também nada é sabido, embora o contexto nos indique que ele foi um militar. Sua alcunha, Μαθ μ, é comum na Ásia Menor.

Aqui, além de se ter conhecimento sobre os feitos políticos dos indivíduos citados, é importante também analisar os epítetos cômicos que Aristófanes criou para caracterizá- los. O primeiro deles, “ὈὄὁmpiὅὈἳὅ-lanceiros-ἴἳὄἴἳἶὁὅ” ( αζπδΰΰκζκΰξυπβθΪ αδ, salpingolonchytenádai, v.966), como ressalta Sommerstein (1996), é uma palavra com forte conotação de virilidade, uma vez que o trompete era utilizado no contexto militar e a barba é um forte símbolo de masculinidade, em oposição àqueles que não têm barba,

68 Em Mulheres na Assembleia (v.97), Aristófanes faz uma piada, comparando o rosto de Formísio a uma

vagina, devido à barba espessa que o político usava. Analisarei a referência a Formísio posteriormente, em outro capítulo.

como Clístenes, tantas vezes zombado nas comédias.69 Assim, haveria aqui uma contraposição implícita e sutil, feita por Aristófanes, pois, uma vez que aqueles associados a Ésquilo são homens de alta virilidade e coragem, em contrapartida, os associados a Eurípides são efeminados e covardes.

Quanto ao segundo epíteto ( αλεα ηκπδ υκεΪηπ αδ, sarkasmopituokámptai, v.966), faz uma alusão a Síὀiὅ,Ν ἵὁὀhἷἵiἶὁΝ ἵὁmὁΝ “ὁΝ ἵὉὄvἳἶὁὄΝ ἶἷΝ piὀhἷiὄὁὅ”Ν ὃὉἷΝ assassinava viajantes ao amarrá-los à ponta de dois pinheiros, entortados até o chão, de modo que, quando soltos, rasgassem em dois o homem que era lançado ao alto. Aqui, encontra-se, mais uma vez, a associação de Ésquilo à selvageria e a seres sobre-humanos, que têm força para manusear um pinheiro como se fosse um pequeno pedaço de madeira. Vejamos então quais são os discípulos de Eurípides: Clitofonte, segundo Sommerstein, era filho de Aristônimos e aparece em 411 como propositor de uma emenda a um decreto que abriu caminho para a tomada de poder dos 400. Não se sabe se ele pertencia de fato ao regime oligarca, mas passou para o outro lado, como Terâmenes, ajudando a derrubar os oligarcas e em 404 fazia parte da mesma facção de Terâmenes (e de Formísio).

Terâmenes foi um dos mais proeminentes políticos em Atenas nos últimos anos da Guerra do Peloponeso e um dos mais controversos, tanto em vida quanto após sua morte. B. Perrin (1904:655) nota que a mudança de Terâmenes de oligarca moderado a democrata não se deu devido a princípios políticos por parte dele, mas por parte dos outros. Os oligarcas o abandonaram e os democratas deram-lhe suporte. Os oligarcas, segundo a autora, estavam tentando trair Atenas, colocando o porto ateniense nas mãos dos espartanos. Devido a isso, por não partilhar dessa traição, Terâmenes teria mudado de lado. Essas motivações, entretanto, não são apontadas ou discutidas por Aristófanes.

Além disso, Perrin não considera que a alegação de Tucídides (viii, 89.3) de que o grupo de Terâmenes havia agido por conta de ambições pessoais, e não pelo bem da cidade refira-se também a Terâmenes, dizendo que a passagem é ambígua e dá margem

69 Clístenes foi uma personalidade muito conhecida das peças aristofânicas. Dentre as 11 comédias

supérstites, 10 fazem menção a ele. Foi muito zombado por sua aparência efeminada, uma vez que não era barbado e, por isso, era tido como um homossexual passivo. Foi personagem de As Tesmoforiantes, onde ajuda as mulheres reunidas no Tesmofórion a descobrir o parente de Eurípides infiltrado entre elas. No vἷὄὅὁΝ ἂἆΝ ἶ’As Rãs, implica-se (verdadeira ou falsamente) que ele havia sido um trierarca – homem responsável pela manutenção de uma trirreme durante a guerra, o que era muito custoso. Dioniso, então, diz ter servido como epibátes, um dos 10 hoplitas que faziam parte do complemento de uma trirreme. Há entretanto, um jogo de palavras: epibateúein pode ser trocado por epibaínein (“ἵἳvἳlgἳὄ”,Ν“mὁὀὈἳὄ”),ΝὃὉἷΝὧΝ usado como metáfora sexual para a posição do homem que fica sobre a mulher. Assim, haveria a sugestão, mais uma vez, de que Clístenes tomava o papel passivo, enquanto Dioniso o papel ativo.

a interpretações, o que, de fato, já foi apontado anteriormente. Porém, outros autores, como Philip Harding (1974:102), por exemplo, ao contrário, citam a passagem como uma evidência do caráter egoísta do político. Voltarei a essa questão em breve.

Em 406, em Arginusas, como já foi dito, ele recebeu a missão de resgatar os homens que haviam naufragado na batalha, missão essa em que falhou. Em relação a essa falha, Mabel Lang (1990:24) diz que há duas explicações que se opõem: 1) o tempo era muito ruim, o que tornaria a missão impossível e 2) os generais teriam dado esta ordem para muitos capitães de navios.

Como já foi discutido longamente na primeira sessão deste capítulo, as duas principais fontes existentes acerca disso discordam de tal modo que não é possível indicar quais sejam, de fato, os culpados, muito embora, como já foi dito, a versão de Xenofonte pareça ser mais imparcial do que a de Diodoro Sículo. Xenofonte assume que os generais eram inocentes e que o povo não conseguiu enxergar isso por conta do discurso comovente de Terâmenes, que teria levado parentes dos náufragos à assembleia, para inflar a paixão do povo e persuadido o Conselho a condenar os generais.

Já Diodoro Sículo aponta uma versão diferente: diz que Terâmenes e Trasíbulo voltaram antes a Atenas. Assim, supondo que a multidão tivesse se revoltado com a negligência no resgate dos náufragos por conta de uma acusação feita pelos dois trierarcas, os generais escrevem uma carta em que dizem que não são responsáveis pela falha, uma vez que deram ordem a Terâmenes e Trasíbulo, porém eles falharam em executá-la. Assim, os dois trierarcas teriam agido em autodefesa, ao fazer o discurso na assembleia contra seus generais.

Independentemente de como são interpretadas estas duas passagens, no que diz respeito à motivação de Terâmenes para, no primeiro caso, mudar de partido e, no segundo, instigar o povo a condenar à morte os generais aos quais era subordinado, é importante que se tenha em mente como Aristófanes retrata Terâmenes.

Estes dois episódios são suficientes para demonstrar que Terâmenes era visto, em sua época, como aquele tipo de político que, não importa o lado em que está, termina sempre junto dos vitoriosos. Vendo-ὁΝἶἷὅὅἷΝmὁἶὁ,ΝXἷὀὁἸὁὀὈἷΝὁΝἳpἷliἶὁὉΝἶἷΝ“ἵὁὈὉὄὀὁ”Ν (cf. Xenofonte Helênicas, 2.3-15-56), uma vez que esse calçado servia tanto ao pé direito quanto ao esquerdo. Em Aristófanes, semelhantemente, não encontramos uma tentativa de compreensão dos motivos que o levaram a agir desse modo, mas o resultado de forma geral.

Esse caráter versátil de Terâmenes fica evidente também no comentário de Dioniso (vv.968-70), quando ele diz que ele é aquele tipo de pessoa que se entra em uma situação problemática, sabe sair-se dela facilmente. Quando associado a homens que se dizem educadores dos cidadãos, a situação é outra.

Segundo Whitman (1964:244), a diversidade e multiplicidade na obra de Eurípides o condena, pois ele acaba sendo superficial, suas palavras são leves, ao passo que a obra de Ésquilo é mais consistente. Assim, a obra de Eurípides é comparada a uma prostituta, Cirene, que sabia fazer 12 posições sexuais e a Terâmenes com seus discursos prolixos e instabilidade política.

Ésquilo, por outro lado, como já vimos, tem como pupilos homens de extrema virilidade e coragem, que nos fazem lembrar dos tempos gloriosos de Atenas, da guerra contra os persas. Destarte, em um momento de incertezas e crise como a que passava Atenas em 405 a.C., parece natural que se escolhesse o poeta representante dos velhos tempos de glória da pólis e que a sua ressurreição traria de volta a glória ateniense.

Belgede İç denetim ve kurumsal yönetim (sayfa 153-160)