Quando o exame envolve todos os elementos da população, tem-se um
censo, também chamado de recenseamento. Nesse caso, não há necessidade de se fazer
qualquer inferência, pois todos os indivíduos são conhecidos. O censo, portanto, evita o erro da generalização.
Por outro lado, quando não é possível ou conveniente examinar todos os indivíduos do universo estatístico, opta-se pela amostragem: examinam-se alguns indivíduos e estendem-se as conclusões obtidas para os elementos não examinados, com alguma probabilidade de erro.
Adriano Leal Bruni resume:
As conclusões extraídas do censo são, imediatamente, válidas para a população – todo o universo foi estudado e as estatísticas descritivas obtidas se referem ao universo dos dados. As conclusões da amostragem, por outro lado, devem ser válidas para a população. Neste caso, já que nem todos os elementos foram estudados, existe a possibilidade de erros.102
Para que se possa chegar a conclusões que sejam generalizáveis, é necessário que a amostra seja representativa da população, de modo que ela contenha as características básicas do universo de onde foi retirada. Isso exige que a escolha da amostra se
dê por meio de processos capazes de garantir tal representatividade, conhecidos por amostragem.
Pedro Luiz de Oliveira Costa Neto observa que a realização de um censo, em vez de uma amostragem, nem sempre é garantia de melhores resultados103. Quando a população é muito grande, o censo precisa ser feito por uma equipe maior, às vezes nem tão qualificada, o que pode diminuir a confiabilidade dos dados colhidos. Além disso, o recenseamento tem um custo muito superior, envolve mais tempo104 e pode ficar comprometido pela inacessibilidade de todos os dados105.
Andréa Diniz da Silva detalha as vantagens dos levantamentos amostrais sobre os censitários:
· menor custo, pois ao invés de observar todas as unidades da população é
observada apenas uma parte; as reduções de custo alcançadas com o uso da amostragem estão relacionadas, principalmente, com os itens de pessoal, material, transporte e ainda aqueles relacionados com o processamento e a análise dos dados;
· maior rapidez, uma vez que se trata de coletar e analisar informações
sobre um grupo mais reduzido; esta vantagem é especialmente lembrada quando há pressa para a obtenção da informação ou quando se deseja analisar uma situação conjuntural, como em véspera de eleição ou lançamento de um novo produto no mercado; nestes casos, não interessa obter a informação depois que os votos já estiverem nas urnas ou mesmo quando o produto já foi fabricado em grande quantidade e não obteve boa aceitação;
· melhor qualidade, em razão de ser possível realizar todo o trabalho com
uma equipe mais reduzida, o que permite selecionar pessoas mais qualificadas e treiná-las mais intensivamente; também o trabalho de supervisão torna-se mais qualificado quanto se trata de aplicá-lo a um grupo reduzido; um outro aspecto envolve o processamento das informações, pois processar uma quantidade menor de informações apresenta um menor risco de erros do tipo operacional.106
Na administração judiciária, ora tem lugar o censo, ora a amostragem. Como o sistema informatizado contém informações de todos os processos, dependendo da
103 COSTA NETO, Pedro Luiz de Oliveira. Op. cit., p. 3.
104 William J. Stevenson observa que “o valor da informação em geral dura pouco. Para ser útil, a informação
deve ser obtida e usada rapidamente.” STEVENSON, William J.. Op. cit., p. 3.
105 Sérgio Carvalho e Weber Campos arrolam quatro razões para a adoção da amostragem: a) quando a
população é muito grande; b) quando se deseja o resultado da pesquisa em curto espaço de tempo; c) quando se deseja gastar menos; d) quando o objeto da pesquisa é destrutivo. Como exemplo da última hipótese, os autores citam o teste de segurança do air bag dos veículos. Se a montadora testasse toda a população de air bags, não restaria nenhum veículo para ser vendido. CARVALHO, Sérgio; CAMPOS, Weber. Op. cit., p. 7.
106 SILVA, Andréa Diniz da. Fatores que influenciam a medida sócio-educativa aplicada ao adolescente
autor de ato infracional na Comarca da Capital do Rio de Janeiro. Dissertação (Mestrado) – Escola
Nacional de Ciências Estatísticas, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Rio de Janeiro, 2001, p. 35 e 36, grifo da autora.
característica de interesse podemos tratar não apenas com amostras, mas com toda a população de processos. A data de distribuição de cada ação, por exemplo, é uma informação que consta do banco de dados para todos os feitos. Se quisermos saber o tempo médio de tramitação das ações em uma determinada vara, podemos somar todas as idades dos processos e dividir o resultado pela quantidade de ações em andamento, sem necessidade de realização de nenhuma inferência. Por outro lado, quando a pesquisa envolve o manuseio dos processos, deve-se utilizar a amostragem, pois a população de ações é muito numerosa, e a demora natural de um censo pode terminar inviabilizando o estudo. Além disso, existem casos em que não há como acessar todos os processos, como ocorre com os feitos que se encontram em carga com os advogados. As características desses processos inacessíveis precisam ser inferidas a partir das características observadas em uma amostra de feitos efetivamente examinada.
Uma amostragem bem conduzida pode fornecer resultados confiáveis, muito próximos daqueles que seriam fornecidos com o exame completo de toda a população, a um custo muito menor e em menos tempo.
Para que a inferência estatística seja correta, o pesquisador deve seguir rigorosamente um método de amostragem, pois falhas na seleção da amostra podem levar a conclusões falsas.