2.4. Halkla İlişkiler Kavramı
2.4.4. Kurum İçi Ve Kurum Dışı Halkla İlişkiler Faaliyetleri
A expressão “inocentes úteis” foi utilizada frequentemente pela revista DE e significava os “ingênuos” que acreditavam na possibilidade de transformação do mundo
427 LABIN, Suzanne. “O mundo livre se mantém mudo e cego à infiltração comunista”. Democracia e Emprêsa,
Porto Alegre, v. 2, n. 1, p. 57-59, out. 1963. p. 57. Transcrito do jornal “Diário de Notícias”, Porto Alegre, 03/08/1963.
428 Ibid., p. 58.
429 Não entraremos na discussão sobre o conceito de guerra revolucionária e suas origens. Para mais
informações, ver MARTINS FILHO, João Roberto. A influência doutrinária francesa sobre os militares brasileiros nos anos de 1960. Revista Brasileira de Ciências Sociais, São Paulo, v. 23, n. 67, p. 39-50, jun. 2008.
Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-
69092008000200004&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 9 jan. 2012; FONSECA, Raquel Silva da. Guerré Revolutionnaire: fundamentos da doutrina e sua presença no Brasil (1958-1963) in FERREIRA, Marieta de Moraes (org.). Anais do XXVI simpósio nacional da ANPUH - Associação Nacional de História. São Paulo:
ANPUH-SP, 2011. Disponível em:
<http://www.snh2011.anpuh.org/resources/anais/14/1300846439_ARQUIVO_anpuh2011.2.pdf>. Acesso em: 9 jan. 2012.
através do “comunismo”, sendo seduzidos por suas idéias. Este grupo de pessoas abrangia estudantes, trabalhadores, classe média e até mesmo empresários. No entanto, a ênfase dos artigos recaía na ingenuidade dos estudantes, e era conferida certa importância para seu poder de transformar o mundo.
Ivan Hasslocher, presidente do IBAD, lançou em janeiro de 1962 um estudo chamado “As classes produtoras diante do comunismo”, documento importante para a discussão sobre os “inocentes úteis”. De acordo com Hasslocher, havia nas classes produtoras 10% de “inocentes úteis”, 70% de elementos inconscientes e 4% de elementos conscientes.431 Na
leitura de Dreifuss, estes “inocentes úteis” eram “empresários liberais que apoiavam projetos sócio-econômicos rotulados de progressistas, devido à sua ingenuidade e boa intenção”432. Os
elementos inconscientes eram os membros da classe produtora que não militavam nas suas entidades, e os elementos conscientes eram aqueles que atuavam politicamente, defendendo as classes produtoras contra o “comunismo”.433 O trabalho de Hasslocher converge com as idéias expostas na DE, quando se afirma a preocupação com o “que nos espera se por descuido dos nossos ‘inocentes úteis’ e dos muitos burgueses que não se dão conta do perigo, tivermos aqui introduzido o socialismo que é a antecâmara do comunismo”434. Este tipo de interpretação
tem ligação com a tentativa dos ipesianos de construir um consenso intra-classe de que as modernizações empresariais, como a “democratização” do capital e a luta contra o “comunismo”, eram necessárias e imprescindíveis para que as próprias empresas sobrevivessem, com a garantia da livre iniciativa e da propriedade privada.
Para a DE, os estudantes são os “inocentes úteis” por excelência. Não teriam maturidade suficiente para compreender que o “comunismo” era o contrário de tudo o que a civilização ocidental defendia, e não a salvação dos povos. Além disso, recorriam ao “comunismo” em função da desigualdade social do país naquele contexto, procurando uma solução. Conforme um dos artigos,
o socialismo seduz aos espíritos desavisados das sutilezas ideológicas, aos ingênuos, aos sonhadores sem verdadeira formação intelectual, embora todos êsses se revolvem, com razão, diante das incongruências e aberrações de uma ordem social pretensamente cristã que se contrapõe abertamente, aos preceitos de Evangelho.435
431 DREIFUSS, René Armand. 1964: a conquista do Estado. op. cit., p. 165-166. 432 Ibid., p. 166.
433 Idem.
434 RENNER, A. J.. Advertência aos “inocentes úteis” e aos democratas. Democracia e Emprêsa, Porto Alegre,
v. 1, n. 4, 36-37, jan. 1963. p. 36.
435 TOLLENS, Paulo. O reacionário socialismo. Democracia e Emprêsa, Porto Alegre, v. 1, n. 6, p. 22-24, mar.
Os jovens tinham razão em preocupar-se com os problemas de sua época. Só não tinham razão em adotar como solução o “comunismo”, apresentado aqui como a escolha de quem não teria “verdadeira formação intelectual”. Nas páginas da DE, o estudo das questões que afligiam a população brasileira era importante, mas o problemas deveriam ser estudados “sempre encarando-os no seu todo, ouvindo igualmente os homens de experiência e os que conhecem a realidade. Mas nunca devem esquecer que, em primeiro lugar, cabe cuidar dos estudos”436. Aqui, há uma crítica às manifestações estudantis, que estariam tomando o tempo
dos estudos destes jovens. Isto prejudicaria sua formação, ao mesmo tempo em que poderiam ser manipulados como “inocentes úteis” pelos “comunistas”. Esta concepção de que os estudos devem vir em primeiro lugar em detrimento das manifestações estudantis implica pensar que tais manifestações não faziam parte da formação dos estudantes, constituindo meras agitações. Era frequente a referência à ingenuidade cheia de força dos jovens estudantes:
Sabemos que, de um modo geral, não se pode esperar conhecimento prático de adolescentes e dos jovens, em problemas que êles não conhecem na sua estrutura e que só a experiência dos anos vai lhes dar. E, se tais questões são apresentadas de maneira unilateral, explorando-lhes o sentimento patriótico, então criamos um clima de desassossêgo na mocidade, que só pode aproveitar aos extremistas, empenhados em subverter as instituições políticas da Nação.437
É possível compreender que se os jovens estivessem “bem informados” não fariam tais manifestações e não seriam seduzidos pelo “comunismo”. Outra referência importante é ao imediatismo dos jovens: “[o jovem] vê nêle [comunismo] o sistema político e econômico que pode dar já um nível de vida decente aos seus concidadãos, que pode salvar já as vidas das crianças e que pode já alfabetizar os povos”438. Embora fossem importantes para o futuro do
país, de acordo com a DE, os estudantes eram ingênuos, imediatistas e imaturos. Conforme outro texto, os estudantes “são idealistas e impacientes, como dissemos, além de estarem submetidos a uma campanha científica de propaganda que toma partido dessas suas qualidades. Mas não devemos acusá-los, por isso, de serem criminosos ou imbecis. Não o
merecem”439. Não o merecem porque a “democracia” depende da renovação, e a renovação
436 RENNER, A. J.. Um esclarecimento aos jovens estudantes. Democracia e Emprêsa, Porto Alegre, v. 1, n. 3,
p. 12-13, dez. 1962. p. 13. Transcrito do jornal “Diário de Notícias”, 17/06/1962.
437 Ibid., p. 12.
438 DEMOCRACIA E EMPRÊSA. Por que há estudantes comunistas? Porto Alegre, v. 1, n. 10, p. 8-10, jul. 1963.
p. 8. Grifos no original. Transcrito da revista “Primavera em Flor”, set. 1962.
significa juventude. Daí a importância da educação para a “democracia”: para evitar a sedução dos jovens estudantes pelos “comunistas”.
Após o golpe, há referências às manifestações estudantis ocorridas em 1968, embora não de forma explícita. Trata-se de críticas à idéia de que a juventude renova o poder ou faria algo de relevante para o desenvolvimento do país. Em um artigo chamado “O mito da juventude”, há questionamento forte à idéia de que o “jovem” revolucionaria o país:
É o mito, o mito idiota do nosso tempo. E ninguém ainda reparou que a “jovem revolução” não deu um gesto, uma idéia, uma frase. Ou melhor dizendo: deu uma frase ou seja a celebérrima. “É proibido proibir.” E houve um deslumbramento mundial. Foi impressa, cochichada, berrada em todos os idiomas. “É proibido proibir.” Uma frase, escassamente uma frase – foi o que rendeu, até êste momento, “o jovem”.440
Ao menos nas páginas da DE, após o golpe o estudante passou de potencialidade de desenvolver um país melhor no futuro, dentro dos marcos “democráticos”, se não fosse um “inocente útil”, para um elemento que poderia comprometer o próprio desenvolvimento. Portanto, a argumentação permanece semelhante, visto que aqui há referência aos jovens que participariam da Passeata dos Cem Mil, por exemplo, e não de outros.