2.2. Kurumsal İmaj Kavramı
2.2.3. Güçlü Bir Kurumsal İmaj Oluşturmanın Temel İlkeleri
A DE324 era constituída de seleções de matérias de jornais e revistas consideradas pertinentes às idéias do IPESUL, além de alguns artigos e pesquisas de autoria do Instituto, transcrições de palestras, traduções, trechos ou capítulos de livros, entre outros. O fio condutor dos textos publicados era a defesa da “democracia”, que remetia ao anticomunismo. Tal idéia se confundia com a defesa do livre mercado, em contraposição ao “comunismo”. No campo da recepção pressupomos os empresários, visto o tom de orientação para o empresariado que os artigos muitas vezes assumem. Cabe lembrar que a data de publicação da primeira edição da DE, outubro de 1962, coincide com as eleições gerais ocorridas no Brasil. O Rio Grande do Sul, que até então era governado por Leonel Brizola, do PTB, ficou sob comando de Ildo Meneghetti, que apoiou o golpe em 1964. Em seu início, a revista DE custava Cr$ 50,00 [R$ 3,66, em valores de outubro de 1962 atualizados para 1/12/2011], aumentando para Cr$ 100,00 [R$ 3,47, em valores de janeiro de 1964 atualizados para 1/12/2011] no número 4 do ano 2, a décima sexta revista. Posteriormente, ela aumentou para Cr$ 200,00 [R$ 4,09, em valores de novembro de 1964 atualizados para 1/12/2011] a partir do número 1-2 do ano 3. Na primeira edição do quinto ano, o valor foi atualizado conforme a
320 Ibid., p. 67.
321 Trata-se do IPÊS/Guanabara, criado após a separação definitiva das seccionais IPÊS/São Paulo e IPÊS/Rio,
em 27/5/1964. RAMÍREZ, Hernán Ramíro. op. cit., p. 189.
322 GONÇALVES, Martina Spohr. op. cit., p. 43. 323 Ibid., p. 44.
nova moeda, e o custo da revista ficou NCr$ 0,50 [o preço é R$ 0,00 em valores de fevereiro de 1967 atualizados para 1/12/2011]. Quando trocou de nome para Desenvolvimento e Emprêsa, na primeira edição do oitavo ano, a revista passou a custar NCr$ 1,50 [R$ 7,54 em valores de março de 1970 atualizados para 1/12/2011], valor que se manteve até a última edição.
O número total de edições é 48, totalizando 571 artigos, que serão analisados nos Capítulos 2 e 3 desta dissertação. Do total de artigos, 267 (46,76%) são transcritos de alguma fonte citada no fim do texto, sejam com autoria definida ou não. Os outros artigos, ou têm um autor definido, ou não há autoria nem fonte atribuída. Parte-se do pressuposto de que, quando o artigo não é assinado e não há indicação de sua fonte, este foi escrito pela equipe da revista DE. Já em relação aos artigos que têm apenas autoria definida não é possível dizer com certeza se foram escritos apenas para a revista. No entanto, partimos do pressuposto que sim, pois de outra forma haveria indicação da fonte. Há também textos especiais para a DE, totalizando 16325 ao longo de toda trajetória da revista. Sua ênfase era na publicação de artigos
que versassem sobre a questão da “humanização do trabalho”, organização empresarial no geral, críticas ao “comunismo”, artigos com dados técnicos e artigos sobre os problemas brasileiros em geral.
Gráfico 1: As dez fontes mais utilizadas
Fonte: Democracia e Emprêsa, Porto Alegre, 1962-1971.
325 Os autores destes artigos especiais são: Lio Cezar Schmitt, General Antônio Adolfo Manta, General Anápio
Gomes, Lourival Cândido dos Santos, Edson Quintella Martins, Juracy Rocha e José Zamprogna. As dez fontes mais utilizadas
12% 7% 6% 5% 5% 4% 4% 3% 3% 42% 9%
Correio do Povo Jornal do Dia
Diário de Notícias IPÊS
Revista BC Economia e Política Revista da Confederação Nacional do Comércio
O Estado de São Paulo Trecho ou capítulo de livro
Jornal do Brasil O Globo
De acordo com o Gráfico 1, a fonte mais utilizada para transcrever artigos foi o jornal Correio do Povo, de Porto Alegre, com 12% dos artigos que citam suas fontes. Além disso, é importante observar que os três primeiros colocados são jornais, e que das 10 fontes mais utilizadas, 6 são jornais. Todos estes estavam envolvidos na campanha de oposição a João Goulart, com exceção do Jornal do Dia, de Porto Alegre, pois não temos informações que comprovem sua vinculação, embora possamos supô-la. De acordo com Dreifuss, faziam parte da campanha “J. Dantas, do Diário de Notícias, a TV Record e a TV Paulista, ligadas ao IPES através de seu líder Paulo Barbosa Lessa, o ativista ipesiano Wilson Figueiredo do Jornal do Brasil, o Correio do Povo, do Rio Grande do Sul e O Globo, das Organizações Globo[...]”326,
e também O Estado de São Paulo. O volume de artigos dedicados a divulgar as conclusões dos estudos dos IPÊS centrais também é grande, figurando em quarto lugar no gráfico. A parcela denominada “Outros” contém 64327 diferentes publicações, entre jornais, revistas e
boletins.
No período do pré-golpe, a profusão de artigos com críticas ao “comunismo” e a defesa da “democracia” frente ao “perigo vermelho” era maior. Após o golpe militar de 1964, a revista DE sofreu gradativamente uma transformação no seu perfil editorial e na sua periodicidade, além de manifestar claramente seu apoio ao novo regime. O número de edições da DE após o golpe, de abril/maio de 1964 a janeiro/março de 1971, é de 30, e de 1962 a 1964, é de 18. Portanto, há uma redução considerável, levando-se em conta que após o golpe a revista dura cerca de 7 anos. Esta redução quantitativa deveu-se a restrições financeiras, como podemos ver através do seguinte apelo feito pela revista, após alguns meses sem edições da DE:
Embora enfrentando dificuldades de ordem financeira, nossa revista volta aos seus leitores depois de alguns meses de ausência.
Todos compreenderão a razão disso. Nossos recursos são pequenos e o custo da revista é elevado. [...]
Esperamos que nossos leitores aceitem nossas explicações, compreendam nossos esforços e nos auxiliem para que possamos prosseguir em nosso trabalho.328
A publicação de artigos com caráter mais técnico tornou-se mais frequente, embora não exclua um grande número de artigos anticomunistas e de apoio, neste momento explícito, aos militares no poder. Na edição de agosto/setembro de 1964 a revista DE foi especialmente dedicada à infiltração “comunista” na América Latina. De acordo com o editorial,
326 DREIFUSS, René Armand. 1964: a conquista do Estado. op. cit., p. 233.
327 A listagem com todas as fontes para transcrição utilizadas na revista DE encontram-se no Apêndice C. 328 DEMOCRACIA E EMPRÊSA. Editorial. Porto Alegre, vol. 6, n. 1, p. 1, jan./jun. 1968. p. 1.
trata-se, realmente, de trabalho da mais alta importância, de leitura indispensável para todos aquêles que desejam conhecer a real situação do comunismo na América Latina e no Brasil, assim como, sua infiltração em todos os setores, para, debilitando a democracia, mais fàcilmente implantar o totalitarismo vermelho. [...] Ao divulgar tão importante trabalho, “Democracia e Emprêsa” espera estar contribuindo para o esclarecimento público, alertando-o contra o grande inimigo do regime democrático.329
Esta edição tem 65 páginas, sendo que 52 delas são dedicadas a este artigo. Na verdade, trata-se da reprodução de uma conferência realizada no Instituto de Educação General Flores da Cunha, em Porto Alegre, em 31 de julho de 1964, organizada pelo Coronel
Carlos Alberto da Fontoura e o Major Washington Bermúdez.330
Os diretores responsáveis pela revista foram Eraldo de Luca (da primeira edição, referente a outubro de 1962 a de dezembro/janeiro de 1965), Armando Ferreira (da edição de fevereiro/março de 1965 a de julho/dezembro de 1969) e Juracy Rocha (da edição de janeiro/março de 1970 até a última edição, de janeiro/março de 1971, tendo como redator José Zamprogna). Juracy Rocha entrou quando a revista trocou de nome para Desenvolvimento e Emprêsa. Antes de a revista trocar de nome, há um editorial um tanto esclarecedor da situação econômica em que a revista se encontrava:
Embora com dificuldade, conseguimos chegar ao fim do ano [...]. Não nos foi possível circular com mais assiduidade, em virtude do alto custo das publicações, principalmente a nossa, que não conta com grande publicidade para sustentá-la. [...] pretendemos mudar o nome de nossa revista para “DESENVOLVIMENTO E EMPRÊSA”. [...] Pretendemos circular em cada trimestre. Para isso, contamos com o apoio e a colaboração de todos, de modo a que possamos levar a cabo o importante trabalho a que nos dedicamos.
Também a partir do próximo ano, deixa a direção de nossa revista o jornalista Armando Ferreira, impossibilitado de continuar nessas funções, em virtude de seus inúmeros afazeres. Assumirá a responsabilidade da revista a diretora executiva do IPESUL, Srta. Juracy Rocha, que dará continuidade ao roteiro de trabalho a que se propôs nossa revista desde sua fundação.331
Com o novo título, a revista durou apenas 5 edições. O diretor da revista, Eraldo de Luca, era economista e Armando Ferreira, jornalista. Sobre Juracy Rocha não encontramos informações. É possível supor que a mudança na periodicidade e as restrições financeiras que a revista sofreu após o golpe tenha ocorrido devido ao próprio golpe. Após o principal objetivo da conspiração civil-militar ter sido cumprido, não havia necessidade de
329 DEMOCRACIA E EMPRÊSA. Editorial. Porto Alegre, vol. 2, n. 11-12, ago./set. 1964. p. 1. 330 Idem.
investimentos de grande porte na revista, embora permanecesse a tarefa de construção de consenso.
Embora o editorial acima afirme que a publicidade movimentava um valor pequeno para dar conta de uma publicação cara como a revista DE, gostaríamos de fazer algumas considerações sobre as empresas que anunciavam, o volume de anúncios e a relação entre anúncios do pré-golpe e anúncios do pós-golpe de acordo com cada empresa.