DEĞERLENDİRİLMESİ
3.1 Kıbrıs Sorunu ve Kendi Kaderini Tayin Etme Hakkı Tezleri 1878’de Kıbrıs’ın Osmanlı Devleti toprağı olarak kalmasına, ancak belirli bir
3.1.4 KTFD’nin Kurulması
O Programa Nacional foi instituído por meio do Decreto 21. 111 de 1º de Março de 1932, cujo artigo 69 previa a criação de uma programação veiculada em rede nacional, versando sobre assuntos educacionais, políticos, religiosos, financeiros, científicos e artísticos.
De acordo com os estudos de Souza (2003), as transmissões em rede eram um projeto antigo das sociedades de rádio, que desejavam irradiar simultaneamente para todo o Brasil, um programa de ciências, letras, artes e informações. A CBR chegou a organizar uma programação educativo-científica, irradiada diariamente entre 21 e 22 horas, com recepção obrigatória para todas as emissoras afiliadas.
O projeto do Programa Nacional foi concretizado por Sales Filho, diretor da Imprensa Nacional, em Maio de 1934. A orientação do programa não se baseava nos mesmos ideais de transmissão do conhecimento e cultura da CBR, mas sim na utilização política do rádio. Em seu projeto original o Programa Nacional deveria ser composto por um boletim econômico, notas sobre o problema educacional e um editorial sobre as ações de Getúlio Vargas. Este plano foi bem recebido pelo Ministro da Viação José Américo de Almeida.
Com o Programa Nacional o governo teve em vista aproveitar as facilidades do rádio para promover a aproximação dos brasileiros e nivelá-los todos no conhecimento dos
fatos mais importantes ocorridos durante o dia e pol-os ao mesmo tempo ao corrente atos do governo que destarte e sem precedentes na história política do país se liga por um contato mais estreito à opinião pública (Diário de São Paulo, 29/5/1934, p.6 apud Souza, 2003).
Ao final de 1934, foi criado o Departamento de Propaganda e Difusão Cultural (DPDC) com a atribuição de regulamentar o rádio e o cinema educativos. Lourival Fontes foi convocado para a direção do novo órgão. O Programa Nacional passou a ser de responsabilidade do DPDC e sofreu modificações. O novo diretor buscou impor dinamismo à programação, superando o formato anterior, que era pautado na simples transmissão de informações burocráticas. Para atingir este objetivo foram convocados Genolino Amado e Ilka Labarthe.
Genolino Amado e Lourival Fontes eram amigos de longa data. Ambos eram naturais de Sergipe e foram contemporâneos na Faculdade de Direito no Rio de Janeiro. No arquivo Genolino Amado, que está sob a guarda da Fundação Casa de Rui Barbosa, é possível encontrar cartas e bilhetes, que comprovam esta ligação entre eles. Dentre os motivos que levaram à escolha de Amado como redator chefe do Programa Nacional, identifico o sucesso das Crônicas da cidade maravilhosa, reconhecidas por retratarem a realidade da capital de forma dinâmica. Por outro ângulo, é importante destacar que Genolino Amado e Lourival Fontes compartilhavam a concepção de que:
o rádio deveria ser utilizado pelo Estado não só como elemento de cultura popular, mas também e principalmente como área de propaganda, de mobilização das forças espirituais do pais ao serviço do governo, como o único recurso técnico de comunicação instantânea com todo o território nacional de que pode dispor a Presidência da República em hora tão grave da pátria (AMADO, 1942, s/p).
Como já foi afirmado anteriormente, Ilka Labarthe e Genolino Amado foram colegas de trabalho na PRD5, onde também estabeleceram um vínculo de amizade. Amado e Labarthe foram responsáveis pela Hora do Brasil, como passou a se chamar o programa oficial a partir de 1935.
A programação da Hora do Brasil organizada por estes radioeducadores era composta por informes políticos, palestras sobre educação e saúde e números musicais. Neste aspecto, é importante lembrar que havia um rígido controle das informações veiculadas principalmente quando se falava sobre as medidas adotadas por Vargas.
A maior inovação da Hora do Brasil consistia em seu formato. Labarthe e Amado seguiram os preceitos de que era possível informar de forma leve e divertida da
mesma forma como se poderia educar recreando. Em O Brasil ouvido pelo mundo, reportagem com o objetivo de difundir a importância do programa, foi divulgada a proposta que As ondas curtas despertam nos radiophilos dos povos mais misantropos e
remotos a necessidade de tormar conhecimento do mundo, desse mundo maravilhoso que canta e conversa, recrea e esclarece ao simples girar do dial (Carioca, 16/11/1935,
p.42).
Para o noticiário político, Genolino Amado fazia a cobertura de viagens presidenciais como enviado especial do DPDC. As informações deveriam ser
interessantes e atuais, mas sem perder o agrado natural de uma transmissão de broadcasting. No entanto, as palestras seguiam o mesmo modelo adotado nas
sociedades de rádio, quando eram convocados intelectuais de renome, sem nenhuma afinidade especial com o microfone.
2.7 A programação educacional na era comercial do rádio
Em 1936, as disputas em torno da audiência se acirravam paralelamente às discussões a respeito dos modelos de radioeducação. No ano anterior, a Portaria n750 aprovou uma série de instruções para organização de programas que deveriam ser respeitadas pelas emissoras. O artigo 8º desta legislação proibia
a irradiação de trechos musicais, cantados em linguagem imprópria à boa educação do povo, anedoctas ou palavras nas mesmas condições, jogos de azar,ou seus resultados, e bem assim, de propaganda de credos políticos subversivos e de comentários sobre factos sociaes que envolvam a honra da família, ou de programmas constituídos unicamente de discos de musicas populares.
É possível perceber que as instruções oficiais estavam de acordo com os preceitos defendidos pelos radioeducadores, mostrando a força destes sujeitos diante do poder instituído. Outro aspecto importante é o controle. A Comissão Technica de Rádio foi instituída para a fiscalização da programação. Mensalmente as estações eram obrigadas a prestar informações detalhadas sobre a programação, relatando o conteúdo e a hora da irradiação.
Sob grande discussão, quase todas as emissoras anunciavam seus programas como instrutivos e capazes de contribuir para a formação de crianças e adultos, até como estratégia para que sua grade fosse autorizada pelo órgão competente. O debate protagonizado por diretores de broadcasting, educadores e ouvintes recaía mais sobre a programação infantil, sob o argumento da incapacidade de discernir acerca do perigo do conteúdo irradiado para sua educação. Os jornais e as revistas especializadas abrigam um consistente debate sobre o papel do rádio: É possível educar e divertir? Educar como? Que tipo de programação é mais adequado às crianças? Os programas educacionais seriam capazes de atrair a audiência infantil?
Ainda que segundo Calabre (2006) a programação educacional representasse menos de 5% da grade da programação, composta principalmente por atrações musicais ao vivo ou em disco, no período as maiores emissoras comerciais ofereciam programas educativos. Em levantamento elaborado a partir da grade de atrações publicadas diariamente no Jornal do Brasil em Outubro de 1936, identifiquei: Programa infantil da Rádio Sociedade Mayrink Veiga, Lições de inglês da Rádio Transmissora Brasileira,
Programa Educativo da Rádio Cruzeiro do Sul, Programa Infantil e Programa do Professor da Rádio Jornal do Brasil, Hora infantil da Rádio Escola Municipal e Jornal dos Professores da Rádio Ministério da Educação, A hora do lar da Rádio Sociedade
Guanabara, Hora do gury da Rádio Tupi e Pequenópolis da Rádio Cosmos.
Apresentando diferentes formatos, as atrações infantis tidas como educacionais poderiam seguir a referência divulgada pelos educadores da PRD5 e publicadas em
Rádio e educação (1934) ou ter seu conteúdo ligado à música, com apresentações
infantis, o humor e o teatro. O primeiro modelo poderia ser exemplificado pelo
Programa infantil da Rádio Jornal do Brasil, a cargo de Ariosto Espinheira. Neste, era
apresentada Viagem através do Brasil que, por meio da narrativa de viagem, metodologia indicada em Rádio e educação (1934), irradiava conhecimentos sobre nossas regiões. O Programa Infantil da Rádio Sociedade Mayrink Veiga, a cargo de Ilka Labarthe, também obedecia ao formato defendido por rádioeducadores, as lições de
coisas, onde era lançado um tema sobre o qual as crianças escreviam, para que, em
seguida, o assunto se desenvolvesse, a partir do modelo de dramatização.
O segundo formato de programa identificado, poderia ser associado à Hora do
gury, irradiado pela Rádio Tupi. Composto por apresentações musicais, com músicas
populares, o comentário de cartas pela Professora Dulce Goulart, no qual eram dados conselhos sobre comportamento e lições de moral e o Professor Bacurão, muito
criticado por seu pouco caráter didático. O professor Bacurão apresentava piadas que satirizavam determinados vícios de linguagem. É interessante notar sempre uma associação entre a programação voltada à criança e a figura de um professor. É como se a figura do mestre conferisse um caráter pedagógico, importante na conquista não só da audiência, mas também da autorização oficial para irradiação, ainda que o conteúdo estivesse longe de possuir tal natureza. Ao anunciar a supervisão de um professor, os diretores de broadcasting acreditavam estar conquistando a confiança dos pais. Outro exemplo é Teatro infantil da Rádio Cruzeiro onde as crianças tinham iniciação teatral, representando no ar pequenas peças. A programação era apresentada como A obra de
uma educadora capaz. Nos comentários são destacadas suas qualidades como mestra: Possuindo cristalina consciência pedagógica, apaixonada, antes de mais nada pela sua tarefa, ela vai realizando uma bela obra de incentivo às vocações artísticas dos seus pequeninos elementos...(A manhã, 6/11/1941, p.5).
Pequenópolis irradiado pela Rádio Cosmos tinha todo o seu casting composto
por crianças, incluindo o speaker, Moacyr Guimarães tinha apenas sete anos. O seu formato era muito comum no meio radiofônico: crianças apresentando músicas de todos os ritmos como samba, marcha, fados, emboladas, e poesias. A Rádio Guanabara também tinha este tipo de atração no seu horário infantil. Este tipo de programação era bastante criticado tanto por radioeducadores como por ouvintes, por seu conteúdo ser considerado inadequado a formação moral da criança. As críticas são tema das cartas de ouvintes dirigidas aos jornais e às revistas:
Ahi a criança canta o que quer, ou o que os Paes lhe ensinam: um samba, uma marcha, um fox, quando Heckel Tavares, Villa Lobos, e outros, têm bellas composições de gênero infantil, que nem sequer são lembradas. Ainda domingo último dia 8, na Rádio Guanabara, a petizada entoou uma paródia da “Marchinha do Grande Gallo”, imoralíssima que foi lançada durante o carnaval.
Manoel Nascimento (Carioca, 21/3/1936, p.46)
Em relação à programação educacional dirigida à educação de jovens e adultos, é possível perceber diferenças quanto ao formato dos programas, a partir de 1937. Até então, as programações destinadas a esse público obedeciam ao formato de conferências, como no Jornal dos Professores da Rádio Jornal do Brasil. A Biblioteca
Genolino Amado, expoente da mocidade intelectual brasileira. A alusão ao moderno já ficava clara no anúncio. A sonorização era destacada como fator de modernização em outro programa anunciado: Quadros de história moderna: um programa curioso e cheio
de novidades, com adequada ilustração sonora.
Na década de 1940, os anúncios atestam a presença dos dois tipos de programação nas grades das emissoras: as que seguiam exclusivamente os preceitos educacionais e as que privilegiavam apresentações musicais. Na luta pela audiência, as estações fizeram investimentos no sentido de aprimorar as transmissões como a introdução de orquestras e sonoplastas.