2.1 U luslararası Hukukta Devletlerin Tanınması
2.1.2 Devletlerin Tanınması ile İlgili Kavramların İncelenmesi
2.1.2.3 Devletlerin Tanınması ve Siyaset İlişkisi
No início da década de 1920, o cenário econômico brasileiro passou por mudanças. As substituições de produtos importados durante a Primeira Guerra Mundial e a crise da economia cafeeira incentivaram o crescimento de nossas indústrias. Este processo foi apoiado pela intelectualidade científica, que via tal transformação como meio propício à inserção do país no caminho do progresso e da civilização. Sevcenko (1998) destaca que este período também foi marcado pela introdução de novos hábitos de consumo entre os brasileiros: as modernas revistas ilustradas, as práticas desportivas, a fonografia com músicas mais ritmadas e danças sensuais e, por fim, o cinema.
Com a deposição do último presidente paulista e a ascensão de Getúlio Vargas, iniciou-se uma era de forte intervenção estatal. Os intelectuais foram convocados para os recém-criados Ministérios da Educação e Saúde e do Trabalho. O Estado,
apresentando-se como responsável pela identidade cultural brasileira, desejava realizar a unidade orgânica da nação e recorria aos intelectuais para alcançá-la
(PECAUT, 1990, p.59).
Na Revolução de 1930, o rádio começou a ser usado como instrumento para a divulgação de discursos políticos:
Quanto às estações de broadcasting, situadas quase na totalidade nesta capital e em S. Paulo, umas voluntariamente, outras de ordem superior, todas estiveram às ordens do Governo.
Apenas a Radio Sociedade Gaucha foi utilisada pelo revolucionários e do seu microphone segundo nos consta, fallou o Snr Lindolpho Collor.
Designados pelo Governo, occuparam diariamente os microphones de PRAB e de PRAK os Srs Viriato Correa e Medeiros de Albuquerque.
A Radio Educadora do Brasil cedeu o seu microphone aos Srs Cylla Borralho e Pires Ferreira que alli se revesaram muitas noites fallando contra a revolução.
As demais estações tiveram também ordens a cumprir, ora oriundas da Policia Civil, ora do próprio Palalcio Guanabara.
Isso vem de alguma forma salientar o valor do broadcasting em todas as emergências (Antenna, dezembro de 1930, p.325).
Após tomar o poder, o governo revolucionário jamais viria abrir mão deste veículo de comunicação para propagar suas ideias. Na Era Vargas, a propaganda política ganhou uma dimensão inédita graças ao rádio. Os discursos do presidente e outras mensagens passaram a ser irradiadas aos lugares mais distantes do país, em
tempo real. Sevcenko (1998) destaca dois rituais da nova ordem, que passaram a fazer parte da programação do rádio: o discurso presidencial de 1º de Maio no Estádio de São Januário e o noticiário da Voz do Brasil, inicialmente chamado de Programa Nacional. Ambos utilizavam como principal recurso para o convencimento do ouvinte a própria voz de Vargas, dramaticamente irradiada, recebida e incorporada como a expressão do
animus profundo da nação (p.38). Neste cenário, o mundo da radiofonia na década de
1930 foi marcado por um amplo debate protagonizado pelo Estado, pelos pioneiros do rádio e pelos representantes de emissoras comerciais.
Ao perceber a potencialidade do rádio para a difusão do seu ideário, o Governo Provisório intensificou o processo de regulamentação deste veículo. Uma nova legislação foi promulgada, revogando aquela estabelecida em 1924. A publicação do Decreto 21.111, de Março de 1932, composto por 109 artigos e 17 capítulos, dá a dimensão do aspecto regulador que iniciou a transformação do mundo radiofônico, orquestrada por Getúlio Vargas. A partir deste Decreto, foram instituídos os requisitos obrigatórios para o funcionamento das emissoras, os dispositivos de fiscalização técnica, os critérios para a distribuição de freqüências e concessões, e a autorização para utilização comercial deste veículo de comunicação.
O grupo que defendia a utilização comercial da radiofonia ambicionava uma programação com novo formato, que chamasse mais atenção do público e atraísse anunciantes. No entanto, havia barreiras a serem vencidas. Inicialmente, o período autorizado de propaganda era exíguo, pois deveria restringir-se a 10% da programação. Havia a obrigação legal de manter a maior parte dos programas voltados para a educação e a cultura. As empresas ainda viam com bastante desconfiança a capacidade do rádio como veículo de divulgação de seus produtos e, por isso, temiam pelo retorno do investimento.
Os intelectuais que participaram da implantação do rádio defendiam que sua utilização deveria continuar sendo direcionada para fins exclusivamente educacionais. Dângelo (1994) destaca a pressão que estes sujeitos exerciam sobre o governo para que houvesse um controle e uma padronização da radiodifusão em torno dos ideais educativos. Esse setor da intelectualidade acreditava ser incumbido da missão de assegurar a radiofonia livre das leituras nocivas, garantindo, assim, a construção de uma cultura homogênea. Para tanto, foi elaborado um discurso pedagógico sobre os programas educacionais de rádio, de forma a caracterizá-los e ressaltar sua importância, convencendo pais e educadores.
Como apontado no capítulo anterior, ainda na década de 1920, o rádio, o cinema e os livros passaram a ser tema de discursos pedagógicos, não apenas dos responsáveis pela Rádio Sociedade, mas também de sócios da ABE. Vidal (2001) destaca o debate ocorrido neste período, sobre o ensino os métodos de ensino de leitura e o conteúdo dos livros. Os educadores defendiam que as obras destinadas ao ensino deveriam ser controladas, pois eram encaradas como fonte de experiência: a leitura destacava-se na
foramção intelectual dos educandos, meio de acesso à informação e elemento formador da mente infantil (p.93). Neste âmbito, foi elaborada uma série de orientações que
deveriam ser seguidas na escolha do livro escolar. Estes parâmetros abrangiam desde a forma de exposição do conteúdo, ao tipo de mensagem que deveria ser transmitida:
agradáveis e interessantes, morais sem a preocupação ostensiva de pregar a moral, de forma literária o mais perfeita e mais bela possível, de acordo com o grau e mentalidades das crianças que se destinem (p.95). Os estudos de Magaldi (2007) sobre
os discursos pedagógicos destinados à família no Brasil destacam atuações de Armanda Álvaro Alberto e Cecília Meireles. Dentre as questões abordadas pelas educadoras, estão as recomendações do que era adequado à família, em consonância com uma concepção segundo a qual o processo educacional não terminava na escola, já que o seio familiar e o meio também atuavam de maneira decisiva na formação da criança. Vale frisar que, o trabalho desenvolvido por Armanda Álvaro Alberto à frente da Secção de Cooperação da Família da ABE constitui uma importante fonte para a compreensão do espírito desses educadores e do processo de construção dos seus discursos. Nas reuniões quinzenais da seção, eram organizadas palestras e cursos sobre puericultura, educação higiênica e moral. Esses intelectuais também se incumbiam de elaborar listas com livros e filmes adequados à infância:
Uma comissão composta por D. Maria Amália Castro e Silva e professores Mrs Andrews e Edgard Sussekind de Mendonça está promovendo sessões infantis em vários cinemas desta capital, havendo a Associação dirigida aos exhibidores uma circular em que se offerece a examinar o valor educativo dos filmes destinados a taes sessões, podendo declarar a sua aprovação e contar com sua propaganda junto aos directores dos colégios para a garantia de assistência. Pretende também a Commissão fazer um recenseamento dos filmes apropriados que se encontrem em stock e possam ser re- exhibidos systematicamente (Boletim da ABE, 09/1925, p.7).
Ao analisar o discurso pedagógico, Orlandi (2003) coloca como fator imprescindível não somente a apropriação da figura do cientista pelo professor, como também a intenção do ser científico, que ocorre por meio da adoção da metalinguagem, que é a fuga do senso comum. A percepção de tais elementos nos discursos elaborados em torno da rádio educação é fundamental para o entendimento das disputas que ocorreram em seu entorno e, ainda, dos modelos de programas elaborados por educadores nas décadas de 1930 e 1940.
O objetivo deste capítulo consiste em analisar as disputas pelo controle da radiofonia. Num primeiro momento, direcionarei meu olhar para o processo de regulamentação deste tipo de comunicação, assim como aos seus impactos, tanto para os educadores como para as empresas comerciais. Em seguida, analisarei os caminhos que levaram à construção do discurso pedagógico sobre o rádio, na era comercial, bem como os elementos que o compuseram. Alguns pontos pelos quais perpassam esse discurso receberão especial atenção, tais como: o conceito de cultura; as estratégias utilizadas pelos rádioeducadores para sua implementação, como por exemplo, a concepção que tinham do popular, e a forma como isso interferia tanto na aprovação como na rejeição de determinadas programações; o papel de mediador cultural desempenhado pelos rádioeducadores; o envolvimento destes intelectuais na defesa de uma linguagem nacional considerada adequada à radiofonia, e o modo como esse processo influenciou a formação de programas a partir do final da década de 1930. No segundo momento, o foco se desloca para posição assumida pelos diretores de
broadcasting diante do processo de construção do discurso pedagógico sobre o rádio: as
disputas internas nas emissoras e a criação de diferentes formatos dos programas radiofônicos. Muitas vezes, as programações refletem o esforço dos diretores de
broadcasting e de educadores em adequar a perspectiva educacional, tida como
autorizada à conquista da audiência. É interessante proceder a uma análise mais detalhada sobre a escolha das atrações, o tempo de permanência destas nas grades das emissoras, e a semelhança do formato como indícios do sucesso ou do fracasso.