DEĞERLENDİRİLMESİ
3.1 Kıbrıs Sorunu ve Kendi Kaderini Tayin Etme Hakkı Tezleri 1878’de Kıbrıs’ın Osmanlı Devleti toprağı olarak kalmasına, ancak belirli bir
3.1.2 Kıbrıs Cumhuriyeti’nin Kuruluşu Döneminde “Kıbrıs Halkı” ile ilgili Kendi Kade rini Tayin Etme Hakkına İlişkin Tezler
No discurso de inauguração da PRD5, Roquette-Pinto demonstrava grande entusiasmo pela nova empreitada:
O material empregado no transmissor é todo de primeira qualidade. As peças são de fabricantes de grande nome: Wiston, Marconi, Phillips, Cardwell. O móvel é de imbus do Paraná. O estúdio foi construído no Instituto de Pesquisas Educacionais, Edifício Carioca.
Creio não exagerar afirmando a V. Ex que quanto às condições técnicas é o melhor de quantos existem na capital da república (Jornal do Brasil, 10/01/1934, p.14)
A tarefa, no entanto, foi bastante complexa, ultrapassando os limites da simples montagem da nova estação: a compra de rádios, o aparelhamento das salas, o treinamento de speakers, ou seja, locutores que irradiassem corretamente o conteúdo das aulas, e a escolha da tecnologia a ser empregada nos estúdios que garantisse qualidade às transmissões. Como diretor da PRD5, Roquette-Pinto era o responsável pela formação do casting da emissora. Contrariamente ao que faziam os diretores comerciais de outras estações, ele deveria recrutar pessoas capazes de seguir suas orientações educacionais. Com poucas alternativas, pois o mundo da radiofonia ainda dispunha de poucos profissionais, ele deveria recrutar redatores, speakers e técnicos.
As orientações fornecidas por Roquette-Pinto, organizador da Rádio-Escola Municipal (PRD5) na década de 1930, a speaker Samira Kherry, professora estreante nas transmissões radiofônicas, demonstra todo o esforço deste intelectual em formar rádioeducadores:
No estudio da PRD5, o professor Roquette Pinto quem devemos a montagem da estação, em um esforço digno de nota, falava a uma senhorita:“Há três espécies de voz: voz de falsete, voz de cabeça e voz de peito. Isso não é novidade para ninguém. Mas o que eu quero é que a senhora treine bem a voz de peito, que é a melhor para o rádio.” (O Globo, 06/01/1934).
O diretor da emissora, responsável pelo recrutamento dos funcionários, convidou, logo no início, alguns profissionais da Rádio Sociedade para desempenharem suas atividades na PRD5. Neste aspecto, desejava formar rádioeducadores. Independentemente da experiência anterior em radiofonia, era dada preferência aos candidatos que compartilhassem o preceitos do rádio como instrumento de educação. Neste período, havia uma grande discussão sobre os fatores que deveriam ser valorizados na elaboração de programas para o rádio. A função de speaker é um exemplo. Na Rádio Sociedade e na própria PRD5, eram os próprios intelectuais que liam os textos por eles elaborados. Sem dúvida, isso trazia vários prejuízos às transmissões:
E também para se pedir sem intenção de magoar ninguém, que o professor Moyses escreva suas aulas de literatura popular na mesma estação mandando as ler por outro que não elle, para que tenha mais ouvintes(Diário de Notícias, 7/04/1935, p.15)
Os comentários do crítico ainda demonstram as várias preocupações que povoavam o trabalho do speaker neste período: a seleção dos discos, o conhecimento detalhado de suas faixas, a escolha do tempo certo de anunciar os títulos e seus executantes, respeitando os intervalos, de forma a não gerar equívocos ao ouvinte. A dicção era outro ponto importante:
Mandemos os nossos agradecimentos a PRD5, do Departamento de Educação pela boa musica que irradia no Jornal dos Professores, mas pedimos a um speaker que tenha mais cuidado ao indicar arthistas ou orchestras como na sequencia dos discos. Não raro o ouvinte fica ignorando os executantes, há dias, os tempos de três sonatas de Beethoven as andaram entremehando numa sequencia deveras cacophonica (Diário de Notícias, 7/04/1935, p.15).
No primeiro ano de funcionamento da PRD5 foram selecionados vários profissionais com diferentes formações entre os quais: Marina de Pádua, Augusta Queirós de Oliveira, Ariosto Espinheira, Ilka Labarthe, educadores, e Genolino Amado, que tinha formação em Direito. Dentre tantos radioeducadores, o foco desta análise será direcionado para os três últimos, por terem realizado programas educacionais tanto na Rádio Escola Municipal, como em emissoras comerciais.
Genolino Amado nasceu em Sergipe em 1902. Irmão do então senador Gilberto Amado, ingressou em 1919 na Faculdade de Direito da Bahia, onde conheceu Anísio Teixeira e Hermes Lima. Uma vez formado, mudou-se para São Paulo. Na paulicéia passou escrever crônicas diárias no Correio Paulistano. Em 1928, foi nomeado chefe da Censura Teatral e Cinematográfica de São Paulo. Perdido o cargo com a Revolução de 1930, voltou ao jornalismo, escrevendo crônicas para o Diário da Noite, onde conheceu César Ladeira, jornalista e speaker da Rádio Record, que o requisitou para o primeiro trabalho como redator de programas radiofônicos. Com planos de voltar ao Rio em 1933, o reencontro com Anísio Teixeira em plena Rua do Ouvidor foi decisivo:
_ Estou aqui de passagem. Mas pensando em vir morar no Rio. - E por que não vem?
- Não posso vir de mãos abanando. Preciso de uma base qualquer, mesmo pequena. - Bem, isso eu resolvo. Quer ser professor secundário da Prefeitura?
-Professor? Não tenho prática, nunca ensinei.
-Melhor. Os experientes não me convém. Lecionam de maneira antiquada e resistem a modernização dos métodos. Resolvi escolher gente nova, capaz de se ajustar a uma nova didática. Estou aproveitando o pessoal do nosso tempo na Bahia. O Sodré Viana, o Álvaro Kilkerry, e outros daqui, que deve conhecer. O Amando Fontes, o Barbosa Sobrinho. Também nunca ensinaram. Se você quiser, nomeio (AMADO, 1971, p. 14). Uma vez nomeado professor, surge um problema: por muito tempo sem contato com Anísio Teixeira, este pensara ser o ensino de inglês a disciplina mais adequada, língua que Genolino não dominava o suficiente para o magistério. Pensando em desistir, foi ao Gabinete agradecer a nomeação e entregar a carta de demissão:
Anísio recebeu-me com a sala repleta. Falar do assunto à vista de tanta gente, não. Voltei outro dia. Anísio estava só com Roquette-Pinto. Apresentou-me ao seu ilustre colaborador. E este:
- Espere aí...Não é você quem está escrevendo as crônicas da Cidade Maravilhosa, lidas por César Ladeira?
-Sou, mas...
Ia dizer a razão da minha presença ali, porém Roquette me atalhou:
-Anísio, posso requisitar êste moço? É pessoa que me convém na Rádio-Escola (AMADO, 1971, p.17).
O relato de Genolino Amado, além de expor os caminhos utilizados por Roquette-Pinto para a seleção dos que trabalhariam na PRD5, reflete a existência de um campo em formação. Nesta emissora, Amado foi responsável pela redação das crônicas no Jornal dos Professores. Concomitantemente, elaborava as Crônicas da cidade
maravilhosa apresentadas por César Ladeira na Rádio Mayrinck Veiga, e os textos para
o Programa Nacional. A qualidade do trabalho de Amado era reconhecida pelo diretor da Rádio Escola, que elogiava o formato dinâmico de seus textos e sua capacidade de interpretar a realidade com inteligência e ironia.
Ilka Labarthe iniciou sua carreira no rádio apresentando alguns números musicais na Rádio Sociedade. Nos anos 1930, passou a organizar programas para a Rádio Cruzeiro do Sul. Criou o Programa Feminino, onde desempenhava as funções de redatora e speaker. Foi convidada por Roquette-Pinto para ser uma das Tias Lúcias, nas irradiações da PRD5. Nesta emissora, Labarthe criou o Tapete Mágico da Tia Lúcia. Esta programação dirigida ao público infantil, seguia a mesma proposta pedagógica da
Viagem através do Brasil de Ariosto Espinheira: empregando a narrativa de viagem, a speaker propunha aos seus ouvintes um passeio a outros países, transmitindo noções de
Geografia e História. A partir de 1936, passou a apresentar o Tapete Mágico da Tia
Lúcia na Rádio Mayrinck Veiga e, posteriormente, na Rádio Nacional.
Ilka Labarthe (Fon fon, 09/12/1939, p.18)
Ariosto Espinheira nasceu no Rio de Janeiro, em 1904. Concluiu o curso de arquitetura na Escola Nacional de Belas Artes no ano de 1927. No início da década de 1930, ele teve uma expressiva atuação como rádioeducador. Neste período, Lourenço Filho o definia como um apaixonado especialista no assunto. A partir de 1933, assinou a coluna Rádio Educativo no Jornal do Brasil. Membro da Confederação Brasileira de Radiodifusão foi convidado por Roquette-Pinto para compor a Secção de Museu e Radiodifusão do Departamento de Educação do Distrito Federal, na gestão de Anísio Teixeira, como diretor de Instrução Pública. Na Rádio Escola Municipal foi responsável pelo curso sobre rádio destinado aos professores. Em paralelo ao trabalho desenvolvido na emissora, exercia o magistério na Escola Técnica Secundária Amaro Cavalcanti. Em 1934, publicou Rádio e educação, manual também destinado ao professorado, no qual questões técnicas e pedagógicas foram abordadas de forma detalhada.
Ariosto Espinheira
Acervo Escola Municipal Ariosto Espinheira
Em 1936, com a inauguração da Rádio Jornal do Brasil (PRF4), Espinheira foi convidado para dirigir a programação infantil desta emissora. Dentre as atrações por ele elaboradas nessa emissora estava a Viagem através do Brasil, irradiada nas manhãs das terças, quintas e domingos. Ainda no final da década de 1930, o conteúdo deste programa foi transformado em uma coleção paradidática, editada pela Companhia Melhoramentos. Nesse período, Espinheira também assinava a coluna Livro Aberto às crianças do Jornal do Brasil, onde eram publicados cartas de ouvintes, resumos e ilustrações dos programas irradiados. Em A educação e seu aparelhamento moderno (1941), Francisco Venancio Filho citou a programação organizada por Ariosto Espinheira como exemplo da rádioeducação de qualidade praticada em uma emissora comercial.
A PRD5 foi um espaço onde as idéias efervesciam. As experiências proporcionadas nesta emissora foram decisivas para a elaboração de novas concepções sobre rádioeducação. Espinheira, Labarthe e Amado passaram a partilhar e divulgar a perspectiva de que era possível divertir e, ao mesmo tempo, educar pela radiofonia:
A alegria, no seu sentido superior, ainda é o maior poder criador. Seria absurdo que o rádio não fosse essencialmente educativo, com a formidável e fulminante força da
propagação e communicação que possue. Houve um tempo que eu contava com milhares de amiguinhos nas escolas públicas da cidade. Quando lhes faltava porventura, ao microphone da Rádio Escola Municipal, recebia dos meus pequeninos ouvintes reclamação da ausência daquelles momentos de distração. Na verdade, divertindo-os distraía-os ainda mais. Nenhum outro elemento realiza tão bem esse ideal de educar com alegria como o rádio (LABARTHE, 1939, p.18).
Adotando esse mesmo enfoque, Genolino Amado elencava as características de um bom programa radiofônico educacional: ameno, atrativo e sugestionador. Isto se traduzia na seleção de textos que deveriam ser curtos e intercalados com músicas. A sua experiência como redator o fazia acreditar que, desta forma, era possível atrair a
simpatia popular para irradiações mais finas, mais úteis, mais dignas de apreço, fazendo-se do microfone um propagador de cultura.
Ariosto Espinheira destacava que a função da rádioeducação não é ensinar conceitos, mas sim despertar nos ouvintes o interesse espontâneo pelo estudo. Desta forma, ele enfatizava que os programas deveriam ser mínimos, e permittir que os
alunos interviessem o mais possível, para que sejam colaboradores e não meros receptores, ouvintes passivos (ESPEINHEIRA, 1934, p.59). É interessante destacar que
Espinheira, Labarthe e Amado incentivavam a comunicação com os ouvintes por meio de cartas.