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2. BÖLÜM FİNANSAL KRİZLER FİNANSAL KRİZLER

2.3. Türkiye Ekonomisi ve 1990 Sonrası Yaşanan Ekonomik Krizler

2.3.2. Kasım 2000 ve Şubat 2001 Krizler

2.3.3.2. Krizin Türkiye Üzerindeki Etkiler

Neste modelo, a universidade configura-se como uma comunidade de estudiosos que resiste ao processo hierarquizado da burocracia reivindicando uma participação direta da comunidade universitária nas instâncias decisórias, num processo de participação paritário que se caracteriza pela busca de consensos (VAHL, 1991).

Baldridge (1971) identifica três fios condutores sobre a comunidade de estudiosos na universidade: a) uma gestão colegiada na universidade; b) os debates sobre a autoridade profissional na faculdade; e c) as prescrições utópicas de como deve funcionar o processo educacional. Enquanto prática gerencial, o modelo pleiteia ampla participação de todos os membros da comunidade acadêmica no processo de tomada de decisão ou, pelo menos, dos professores. Na prática, a ideia de uma comunidade de estudiosos administrando seus próprios assuntos independente da estrutura burocrática só funciona em pequenos estabelecimentos. Esta concepção pressupõe que as funções organizacionais são diferenciadas e a especialização deve ser considerada em seu conjunto, pautando-se por um processo decisório entre pares que busca decidir com base no consenso, uma característica inadequada para relações hierárquicas.

No segundo aspecto, a profissionalização da comunidade acadêmica diferencia-se entre uma competência oficial, de natureza burocrática, e uma eficiência técnica, que é a capacidade de executar determinada tarefa. Enfatiza-se a capacidade profissional dos docentes para tomarem suas próprias decisões e a liberdade (autonomia) que o trabalho universitário requer. Também se identifica um terceiro argumento, de conotações mais pedagógicas, que pleiteiam métodos pedagógicos mais pessoais e participativos na interação aluno-professor. Nesta orientação, o modelo colegiado seria mais uma representação utópica de um sistema educativo que não se caracteriza por relações hierárquicas e alienantes (BALDRIDGE, 1971).

Acerca do discurso de igualdade e decisão consensual que caracteriza este modelo, Baldridge (1971) destaca algumas simplicidades que o fragilizam, quais sejam: (1) constitui- se mais numa representação de ideais utópicos do que numa expressão da realidade; (2) os tipos de tomada de decisão colegiada não se aplicam a muitos dos níveis decisórios da universidade. Se podem ser adequados para os níveis mais baixos, perde relevância nos níveis mais altos, permanecendo mais como um objetivo do que uma descrição de um processo

efetivo; (3) não lida adequadamente com conflitos e a tentativa de obter consensos desencadeiam longos processos de discussão que, muitas vezes, só encontram solução quando um grupo prevalece.

Embora organizada de forma hierárquica e vertical, as universidades podem caracterizar-se pelo modelo colegiado, porém, com setores especializados e com baixa cooperação, corroborando o que afirma Baldridge (1971), de que esse processo só funciona efetivamente nos níveis inferiores. Isto provoca uma contradição, pois os objetivos organizacionais dessas instituições exigem a interação, a comunicação e o compromisso dos integrantes destes colegiados (FERRARESI, 2004). Sua complexidade e especificidade administrativa não a exime de semelhanças com outros tipos de organizações, pois, embora a adoção de burocracias organizacionais focadas na normatização e na especialização exigem um sistema de autoridade bem definido, a adoção de espaços de decisão colegiados fazem-se presente em outras organizações.

Mesmo sendo difícil uma aplicação plena, um processo de tomada de decisão baseado em colegiados adequa-se à natureza do trabalho universitário, para o caso docente, que assume características distintas do sistema burocrático. Neste aspecto, tem-se uma determinada manobra pela qual os docentes conseguem determinar muito de seu trabalho, porém tal ocorre mais no nível operacional, nas atividades ligadas à especialização do docente. Sobre a capacidade deste tipo de profissional de atuar de forma autônoma em relação à hierarquia da universidade, pode-se verificar as características da burocracia profissional, embora efetivamente, sua margem de manobra possa ser mais efetiva quando atuam de forma política, ao invés de instaurarem-se colegiados ou fóruns pretensamente paritários.

Oliveira (2007) identifica que esse tipo de profissional pode interferir na cadeia de comando, inclusive minando o poder da alta cúpula quando esta organiza-se sob a forma de órgãos colegiados nos quais tenham participação. Muitas vezes, para preservar sua autonomia, este profissional precisa estender a sua influência hierarquia acima.

Mesmo na autonomia operacional do trabalho docente, identificam-se alterações conforme os setores administrativos também se profissionalizem. Tiffin e Rajasinghan (2007) chamam atenção para as mudanças nas atividades que se esperam dos docentes. Antigamente, estes dispunham de auxiliares para executar tarefas de cunho secretarial e administrativas (preencher relatórios, preparar equipamentos e materiais), possibilitando aos professores

maior tempo para dedicarem-se às atividades fins. Com a nova geração de administradores, este trabalho passa a ser solicitado ao próprio docente. Atualmente, a tradicional “colegialidade” vem perdendo espaço, com os acadêmicos cada vez mais utilizando as redes virtuais para estabelecerem uma colegialidade global, só que entre os pares de sua área.

Além de sua defesa por uma universidade virtual e globalizada, os autores constatam o que já havia sido encontrado em outros estudos sobre instituições presenciais. Primeiro, a tendência de informatização das atividades rotineiras se faz presente em qualquer instituição, pois mesmo o aluno que frequenta a sala de aula pode efetuar a sua matrícula e realizar diversas atividades por meio de acesso remoto. Já no caso dos professores, ressalta-se a questão de identificação com a sua área profissional ou com o segmento da comunidade científica do qual faz parte (área de pesquisa). As redes nacionais e internacionais de pesquisadores parece promover um ambiente de discussão bem mais atrativo do que as discussões dos departamentos.

De forma geral, Weber (1999) identifica que o sistema burocrático baseado na monocracia (funcionários individuais) estão suplantando as formas colegiadas, pois teria maior rapidez e precisão decisória, o que geraria maior eficiência no sistema. O colegiado é um mecanismo que pode ser utilizado para limitar a dominação burocrática, manifesta na autoridade individual, de caráter monocrático, pela criação de esferas de controle ou pelo monopólio dos meios necessários à administração, no caso dos estatutos, pois as disposições

[…] são promulgadas por autoridades institucionais de caráter não monocrático, após conferências e votações prévias, isto é, de que, conforme os estatutos, não é exigida a decisão de um indivíduo mas a cooperação da maioria de um grupo de indivíduos para se chegar a uma posição vinculante [...] (WEBER, 1999, p. 179).

Sobre a relação entre burocracia e colegialidade, Weber (1999) esclarece que apesar das vantagens desta última no controle da gestão monocrática ou como instância consultiva, ela provoca dificuldades em situações que necessitam de precisão e rapidez. Embora permita maior aprofundamento nas decisões, tem perdido força na modernidade.

[…] o desenvolvimento moderno da dominação burocrática levou sempre ao enfraquecimento da colegialidade na direção efetiva. Pois a colegialidade reduz inevitavelmente: 1) a prontidão das decisões; 2) a uniformidade da liderança; 3) a responsabilidade inequívoca do indivíduo; 4) a ação sem inibições em face do exterior e a manutenção da disciplina no interior [...] (WEBER, 1999, p. 185).

Nas universidades brasileiras, o modelo colegiado é o mecanismo gerencial previsto legalmente com a reforma de 1968. Neste caso, o reitor, ao mesmo tempo que influencia nas decisões destas instâncias, tem nestas o mecanismo de disciplinamento de suas ações, bem como de toda a administração superior das universidades. Seu poder decisório está, muitas vezes, relacionado aos assentos que ocupa e nomeia em tais órgãos.

O modelo colegiado defende a participação da comunidade acadêmica, em especial dos docentes, no processo decisório, onde a utilização de colegiados permitiria uma tomada de decisão por consenso entre os pares e com a autoridade baseada na competência profissional (RIZZATI; DOBES, 2004). As universidades são concebidas como baseadas em ação coletiva na qual os valores são amplamente compartilhados, manifestando-se num processo pluralista e democrático de discussão nos colegiados (PUSSER, 2003).

No caso brasileiro, a colegialidade é imposta em lei, confrontando o poder do catedrático, que mantém muitas das regalias nos departamentos constituídos a partir da reforma de 1968. Vahl (1991) critica a padronização que a legislação impôs à estrutura organizacional das universidades brasileiras, desconsiderando o porte, as necessidades, características e os contextos regionais. No caso da institucionalização do colegiado como esfera de decisão em todos os níveis acarretou

um excesso de comissões e colegiados (de departamento, de cursos, de centros), principalmente nas IES públicas, tornando as decisões morosas e despersonalizadas, eximindo seus membros das responsabilidades e estimulando o espírito corporativo. Uma tentativa para minimizar estes efeitos poderia se efetivar através da exigência de certas características para concorrer às eleições nos Órgãos Colegiados Superiores... (VAHL, 1991, p.132).

Mais recentemente vem se identificando por parte de organizações externas a tentativa de intervir nas instituições de educação superior tanto pelo incentivo a sua diversificação, já

destacado no capítulo 1, quanto pelos esforços empreendidos no sentido de melhorar a qualificação profissional dos gestores e dirigentes de todos os níveis da instituição (NEWBY, 2003).

Esta tendência pode contestar o papel dos colegiados no desenvolvimento futuro das universidades. Da mesma forma, a compreensão desses espaços de discussão também pode ser interpretada de outra forma, ou seja, por uma perspectiva de articulações de grupos e coalizões em busca de poder, os quais podem atuar tanto dentro do sistema colegiado quanto buscarem exercê-la monocraticamente.