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1. BÖLÜM

3.2. ARAŞTIRMANIN YÖNTEMİ

3.2.8. Araştırma Hipotezlerinin Yapısal Eşitlik Modeli İle Test Edilmesi

3.2.8.1. Konut Çevresinden Duyulan Memnuniyet ve Daha Fazla Kira Ödeme

Desde os primeiros atos ou atividades religiosas, e aqui nos referimos ao Brasil colônia, não se falava em nenhuma forma de convivência entre Estado e Igreja, mesmo porque não se falava em plenitude71 de direitos individuais e coletivos, consubstanciados nos princípios fundamentais de garantias constitucionais, traduzidos na igualdade perante a lei, sem distinção de qualquer natureza.

Com o surgimento do Decreto nº 119-A, passou o Brasil a ser um Estado

laico ou leigo, pelo que se estabeleceram os primeiros contatos em torno

da convivência social entre Estado e Igreja – poderíamos até denominar esse momento “democratização das religiões”. Compete porém, observar que a Igreja Católica, pela sua importância e predominância em todo o mundo, salvo poucas exceções, nunca perdeu sua posição privilegiada, enquanto a maior religião dos povos.

Entendemos denominar o momento da edição do Decreto nº 119-A “democratização das religiões” porque, desde então, não há registros importantes da iniciativa do Estado no sentido de reverter a situação posta do laicato, o que denota não constituir interesse do Estado alterar essa separação, tanto assim que não se registram evidências de nenhuma iniciativa em que o Estado apóie ou se oponha a denominação religiosa alguma, o que traduz a assertiva de que trata todos os cidadãos da mesma forma, sem discriminá- los, por pertencerem a essa ou àquela denominação religiosa.

Cogita-se em meio das religiões sobre alguns resquícios, ainda hoje presentes, quanto ao alto número de feriados católicos, por exemplo. Em contrapartida, certos Estados e Municípios também já criaram o “Dia da Assembleia de Deus”, a exemplo do Estado do Pará72; pela Lei nº 5.675, de 08

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Queremos dizer que a democratização dos direitos manifestados hoje não se compara com aquela vivida à época colonial.

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de novembro de 1991; de São Paulo, pela Lei nº 11.573, de 25 de novembro de 200373. Dessa forma, está efetivamente posto que vivemos, hoje, sob a égide de um Estado laico, onde a liberdade de religião impera.

Aliás, nada mais concreto, nesse sentido, do que consta no dispositivo constitucional de 1988, exatamente no art. 5º inciso VI da Constituição Federal,

In verbis:

Artigo 5º inciso VI:

“é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e às suas liturgias”.

Como corolário dessa assertiva, é oportuno citar outro dispositivo constitucional, que afasta qualquer dúvida quanto à efetividade do Estado laico no Brasil, o que caracteriza, indubitavelmente, a separação entre o Estado e a Igreja, como forma de garantir a todo cidadão a plena liberdade de propagação de sua fé, sem interferência ou ingerência do Estado, senão naquilo que contrariar as leis e a ordem pública, prática em conformidade com qualquer estado democrático de direito.

In verbis:

Artigo 19 da CF.

É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos

Municípios:

I – estabelecer cultos religiosos, subvencioná-los, embaraçar - lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público”.

De uma forma ou de outra, a verdade é que o Estado e a Igreja convivem, socialmente, apesar da pluralidade de religiões. Talvez seja justamente

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esse aspecto distintivo que o caracteriza como Estado laico.

No que diz respeito ao tema ora em comento, interessante é a manifestação do Cardeal Arcebispo de São Paulo – D. Odilo Pedro Scherer74, em artigo publicado nO Estado de São Paulo, de 13.10.2007:

“liberdade religiosa e o sadio pluralismo da convivência social ficariam comprometidos e os cidadãos “religiosos” passariam a ser discriminados e considerados de segunda categoria. A sociedade nada ganharia com a substituição de um pensamento religioso oficial por um pensamento laico oficial”.

“A laicidade do Estado implica o respeito do Estado pelos cidadãos e pelas suas escolhas religiosas livres; além disso, garante às organizações religiosas sua livre organização para atingirem seus objetivos: sempre no respeito à lei”.

A questão que envolve o relacionamento entre o Estado e a Igreja foi objeto de apreciação e reflexão, sob a ótica jurídica apurada de Miguel Reale75,

em precioso artigo publicado nO Estado de São Paulo, de 05 de julho de

2003. Nele se lê:

“As relações entre o Estado e a Igreja têm criado, no Brasil, problemas às vezes de difícil solução, como está acontecendo com o novo Código Civil, acusado de ter reduzido as Igrejas a meras ´associações civis´, sujeitas a mandamentos estatais”.

Contemporizando a problemática, o autor, no mesmo artigo, concluiu:

“Tudo deve ser feito, em suma para que a plena autonomia dos cultos religiosos se desenvolva em consonância com os objetivos éticos da sociedade civil”.

De todo o visto, mesmo diante de conflitos, a convivência social entre Estado e Igreja está posta, e isso se dá dentro dos limites da lei.

Nunca foi boa prática ética, moral, social ou jurídica generalizar casos ou fatos. O art. 5º da Constituição Federal Brasileira, promulgada em 05 de

74 Dom Odilo Pedro Scherer, Igreja no estado laico. O Estado de São Paulo, São Paulo, 13 out. 2007. p. 7. 75

outubro de 1988, prescreve que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza...”76.

Hoje, graças a esse dispositivo constitucional, estão-se fazendo eventos instituindo datas comemorativas, inclusive através de leis nas esferas municipais, estaduais e federais. Nesse sentido, criaram-se: “Dia da Igreja ´A´”; “Dia da Marcha ´B´; “Dia da Parada ´C´; “Dia do Orgulho ´D´, além de tantos outros “Dias X”.

É de perguntar: será que o Legislador-Constituinte de 1988, ao elaborar o texto do art. 5º, tinha em mente essa concepção? ou estamos diante de uma interpretação extensiva, descabida, do texto constitucional, capaz de neutralizar ou fragilizar a ideia de igualdade, em termos de exercício de direito e de cidadania?

Rafael Llano Cifuentes77 escreveu valiosa obra sobre as relações entre Igreja e Estado, da qual convém extrair algumas lições sobre a convivência social entre esses dois entes jurídicos personalizados à luz do direito constitucional e civil.

Dentre tantos outros temas, o autor discute sobre a importância de um estudo dos sistemas de relações entre a Igreja e o Estado, destacando que hoje se acusa a Igreja de ter-se comprometido interesseiramente com as forças políticas e econômicas mais representativas de cada época e, nesse diapasão, de ser responsável por não existir um sistema próprio de princípios permanentes nas suas relações com o Estado, embora com ele conviva ao sabor dos interesses temporais de caráter circunstancial78.

Marcos Soler79 aduz que o princípio do Estado laico tem-se mostrado saudável nas relações entre Estado e sociedade, mas ressalva que essa separação não se dá de forma absoluta.

76Constituição Federal Brasileira, art. 5º “caput”, São Paulo: Saraiva, 2004, p. 5.

77 Rafael Llano Cifuentes, Relações entre a igreja e o estado,1. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1989. 78 Rafael Llano Cifuentes, Relações, cit. p. 62.

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Para finalizar a análise do tema proposto neste item, ousamos dizer que a convivência entre Estado e Igreja procede de forma relativa, seja diretamente pelo próprio Estado, seja pela pessoa individual de cada cidadão. O Estado laico não se apresenta tão aberto e tão elástico como se vê explicitado nas leis de todo gênero em que envolvem as organizações religiosas ou igrejas.

A laicidade passa por uma restrição prévia, sob constante vigilância do Estado, ainda que de forma sutil, despertando interesse, com tolerância a algumas instituições, o que caracteriza certa desigualdade perante o direito e a lei, desqualificando de certo modo o instituto que, pela origem, é neutro, constitucional e essencialmente legal.