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DÖRDÜNCÜ BÖLÜM

V. TURİZM SEKTÖRÜNDE KRİZ

5.22 KONAKLAMA İŞLETMELERİNDE KRİZLERE NEDEN OLAN İÇSEL ETKENLER

Malgrado o dissenso que graça na doutrina, a jurisprudência, inclusive dos tribunais superiores, com relativa uniformidade, porém, com escassez no que tange ao número de julgados, apregoa acerca da responsabilização dos pais pelos atos ilícitos praticados pelo filho emancipado voluntariamente.

Nesse sentido, a propósito, primeiramente, foi a conclusão haurida no Enunciado 41 do Centro de Estudos Judiciários do Conselho da Justiça Federal, por ocasião da Jornada de Direito Civil, em setembro de 2002, em Brasília, quando, então, concluiu-se que “ a única hipótese em que poderá haver responsabilidade

228 RIZZARDO, op.cit, p.114. (destaque do autor).

229 ROCHA, José Virgínio Castelo Branco. O pátrio poder. São Paulo: Leud, 1978. p. 25. (destaque

solidária do menor de 18 anos com seus pais é ter sido emancipado nos termos do art. 5º, parágrafo único, inciso I, do novo Código Civil”.

A jurisprudência, de forma pacífica, vem consagrando esse entendimento na esteira dos precedentes infra colacionados:

“Responsabilidade civil. Colisão de veículos. Motorista menor emancipado. Irrelevância. Pai co-responsável. Ação procedente. O fato de o motorista culpado ser menor emancipado não afasta a responsabilidade do pai, a quem pertence o veículo causador do dano”.230.

Desse acórdão extrai-se, precipuamente, que a emancipação é irrelevante e não constitui-se em elemento idôneo e hábil a excluir a responsabilidade solidária dos pais.

Predomina, aqui, o bem maior consistente em possibilitar que a vítima obtenha ressarcimento do prejuízo causado, ainda que a conduta causadora da lesão tenha sido praticada por filho emancipado.

Sucumbe, destarte, a emancipação levada a efeito em favor do direito do lesado obter indenização.

Responsabilidade civil. Ato ilícito. Prática por menor emancipado. Circunstância que não exonera o pai da responsabilidade solidária. Emancipação considerada ineficaz em face de terceiros e do menor se a ele prejudicial. Indenização devida. Inteligência dos arts. 9º, parágrafo 1º, 156, 384, V, e 1521, I, do CC.

A emancipação concedida pelo pais ao filho menor é liberalidade exclusivamente benéfica deste. Tem a finalidade de liberá-lo da assistência, facilitando-lhe a prática dos atos jurídicos. Desavém ao pai utilizá-la para descartar-se da responsabilidade pelos atos do filho menor “na idade em que os riscos se maximizam – da puberdade até a maioridade com os 21 anos”, porque torna mascarada a libertação do pátrio poder.

Nessas circunstâncias, a delegação total da capacidade outorgada pelo pai ao filho menor não compreende exoneração da responsabilidade, que não se substitui, nem se sucede, para delir a solidariedade nascida do ato ilícito.

Não é nulo, mas ineficaz, o ato da emancipação em face de terceiros e do menor, prejudicial pela totalidade da carga na obrigação de indenizar, por isso cognoscível o defeito e pronunciável de ofício no próprio processo. Sentença confirmada231.

Esse acórdão, em ementa retro transcrita, originário do extinto Tribunal de Alçada do Rio Grande do Sul, embora anterior ao atual Código Civil, contém preciosidades de ensinamentos que condensam o pensamento jurídico que melhor se aplica a espécie e merecem integral reprodução, “in verbis”:

Nada mais preciso do que assentara o ilustrado Julgador de 1º grau, Dr. Jauro Duarte Gehlen: “Assim, seguem a escritura do pacto antenupcial de fls. 105 e a de emancipação de fls. 91 um só caminho, conducente, repete-se, à preservação do patrimônio do disponente, procurando limitar as hipóteses de eventual comprometimento, quer com a separação do casal, quer pela responsabilidade decorrente da lei quanto aos atos do filho menor, na idade em que os riscos se maximizam – da puberdade até a maioridade com os 21 anos” (fls. 560).

A culpa do pai é sempre in vigilando presumida, e, pelo princípio da equiparação, nada influi a emancipação na regra do art. 156 do CC, que não anula a do art. 1521.

Se assim não fosse, seria muito cômoda a situação dos pais, descartando sua responsabilidade com a emancipação dos filhos através de escritura pública, cujo custo é muito menor que deixar o risco aberto.

Todavia, a emancipação constitui ato voluntário dos pais, exclusivamente em benefício dos filhos, mas não em seu benefício, e muito menos para isenção de responsabilidade, que tal não é a finalidade desejada pela lei.

E, porque é assim, a incapacidade dos menores cessa por concessão dos pais, mas não cessa a responsabilidade destes pelos atos daqueles por efeito dessa outorga, absolutamente, por isso que a menoridade somente acaba aos 21 anos cumpridos (art. 9º do CC e §1º, I). A lei não diz que cessa a responsabilidade dos pais à cessação forçada e liberal da incapacidade dos filhos.

A emancipação libera o menor da assistência dos pais à prática de atos na vida civil e lhe facilita o desempenho, mas não pode ser utilizada pelos disponentes como instrumento de fraude contingente (art. 384, V, do CC).

231

Essa cautela premonitória não gera a eficácia exculpante da responsabilidade civil do pai vertida do ato ilícito do filho menor de idade, eis que se posta em fraude visível ao disposto no art. 1521, I, do CC.

A objetividade jurídica do art. 9º,. § 1º, I, não tropeça a do dispositivo logo antes referido, nem o instituto emancipacionista é facultado aos pais para se eximirem das responsabilidades que têm com seus filhos, enquanto menores, que a benefício destes só se destina. Não se há, pois, de confundir a cessação da incapacidade dos filhos menores, por concessão dos pais, com a cessação da responsabilidade destes em face daqueles, que uma coisa não é a outra, quando mascarada a libertação do pátrio poder.

Sendo a emancipação uma concessão, por ato unilateral, tem como pressupostos que o emancipado possua maturidade necessária para reger sua pessoa e bens, e este processo a inexistência, fatal dos requisitos.

A delegação total da capacidade, outorgada pelo pai ao filho menor, nas circunstâncias em que foi feita, não compreende a exoneração da responsabilidade, que não se substitui, nem se sucede, para delir a solidariedade nascida do ato ilícito.

Diversa não é a doutrina do insigne mestre Aguiar Dias quando preleciona: “Assim, em nada influi que o menor de mais de 16 anos, nos termos do art. 156 do CC, esteja, para efeito de ato ilícito, equiparado ao maior ou, até, que esteja emancipado, por ato do pai, desde que a emancipação se revela como ato impensado, em face do ato ilícito do menor, acarretando a responsabilidade, quando não com fundamento no art. 1521, pelo menos em face dos princípios comuns do art. 159. A responsabilidade do pai pelos atos do filho se aplica a todos os atos ilícitos que pratique, em qualquer situação, porque a vigilância que lhe incumbe é universal e contínua, não podendo, pois, pretender que com relação a determinados atos submetidos a essa vigilância não se configure a sua responsabilidade” (in Da Responsabilidade Civil, v. II/567 e 568, Forense, 4ª ed.).

Ressalva-se considerar a distinção entre a emancipação voluntária, adquirida, pelo casamento e a concedida pelos pais como exclusivamente benéfica para os filhos.

Evidente que, se a outorga visa a excluir a solidariedade do estipulante na responsabilidade pelos atos do beneficiário, contraria sua finalidade irrecusável e prejudica o filho, pela totalidade da carga na obrigação de indenizar.

Quando assim, o ato da emancipação não é nulo, mas ineficaz, em face do menor e de terceiros, cujo trato se integra no Direito de Família, eminentemente de ordem pública e, por isso, cognoscível diretamente no processo.

Não se pode, criteriosamente, considerar independizado um filho menor de 21 anos de idade e reconhecer-lhe a plena capacidade para reger sua pessoa e bens, na situação da espécie que se aponta, se nem capacidade financeira possui para custear sua defesa em processo judicial, basta ver o agravo retido que embutiu nos autos.

Essa capacidade ele tem dependente da escora de seu pai, e nisto se aplica a teoria do ato próprio, segundo a qual a ninguém é lícito contrariar seus próprios atos, como visto, pois os recorrentes sustentam duas posturas contraditórias.

Existe: “La regla de que nadie puede ir contra sus propios actos” (in La Doctrina de los Actos Propios, de Puig Brotan, p. 101), na evocação de Enneccerus, pelo conceito exposto em seu Tratado de Direito Civil, convindo sinalar “que no se hará valer el derecho cuando el ejercicio posterior choque contra la ley, lãs buenas costumbres o la buena fé”232.

Embora se trate de aresto que data de 18 de agosto de 1988, portanto, anterior a Constituição Federal e ao atual Código Civil, já naquela época, vislumbrava-se a possibilidade da emancipação voluntária prestar-se a prática de atos frustradores da responsabilidade civil e, de forma acurada, pugnou pela desconsideração da emancipação no caso concreto para ensejar a responsabilização dos pais do menor que praticou o ato lesivo.

Outro acórdão dispõe que “ainda que o filho menor púbere seja emancipado o pai, não obstante, é responsável pela reparação, nos termos dos arts. 1521 (atual art. 932) e 1523 (atual art. 933), do Código Civil” 233.