DÖRDÜNCÜ BÖLÜM
V. TURİZM SEKTÖRÜNDE KRİZ
5.6 İŞLETMELERDE KRİZE NEDEN OLAN ETKENLER VE SONUÇLARI Krizler birçok unsura bağlı olarak ortaya çıkabilmektedir Kriz tehdidi, ekonomik bir
Faceta própria, e peculiar, do direito de família consiste em que seus institutos, na quase totalidade, são impregnados de exacerbada intervenção estatal,
78 RODRIGUES, 2002, v. 6, op. cit., p. 14.
79 VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito civil: direito de família. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2006. v.6. p. 16. 80 WALD, Arnaldo. O novo direito de família. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 2004. p. 6.
restando ao particular diminuto espaço para operar segundo vontade e interesses próprios.
Foi inserido nesse contexto que José Lamartine Corrêa de Oliveira preconizou que
[...] no Direito de família, há um acentuado predomínio das normas imperativas, isto é, normas que são inderrogáveis pela vontade dos particulares. Significa tal inderrogabilidade que os interessados não podem estabelecer a ordenação de suas relações familiares, porque esta se encontra expressa e imperativamente prevista na lei (ius cogens)81.
São as hipóteses, precípuas, de casamento, filiação, parentesco, nas quais o particular possui pequena liberdade na exteriorização de sua vontade e pouco consegue afastar-se das normas legais que regem as relações familiares.
Washington de Barros Monteiro, nesse particular, ora cita Cicu para quem “o direito de família é afim do direito público” ou que “o direito de família está compreendido no direito público”, ora cita Ruggiero, para quem “o direito de família se destaca nitidamente das restantes partes do direito privado e tende para o direito público”82.
Conclui-se, pois, diante desse contexto, que as normas do direito de família são obrigatórias e imperativas, ou seja, extrapolam os limites restritos da vontade do particular para inserir-se, inquestionavelmente, no âmbito do interesse público.
Foi perfilhando desse entendimento que Pontes de Miranda asseverou que “a grande maioria dos preceitos de direitos de família é composta de normas
81 GONÇALVES, 2005, v. 6, op.cit., p. 10. (destaque do autor).
cogentes. Só excepcionalmente, em matéria de regime de bens, o Código Civil deixa margem à autonomia da vontade”83.
Trata-se, destarte, de regra que excepciona o âmbito de atuação do direito de família que, embora inserto no direito civil, ramo do direito privado, vê-se subordinado a normas de ordem pública tendo, consequentemente, questionada sua natureza privatista.
Perquire-se, portanto, se o direito de família não está revestido de roupagem própria e peculiar que afasta-o dos demais ramos do direito civil para, no mínimo, acenar com sua inserção no direito público.
Chega-se, pois, a inserir o direito de família no direito público ou, no mínimo, considerá-lo como ramo dele.
Abstraindo-se, por ora, a discussão acerca de ser positiva ou negativa essa inserção, se representa avanço ou retrocesso, a verdade é que não se pode delegar para a exclusiva vontade dos interessados a condução das principais questões de ordem familiar.
Essa, inclusive, a dúvida que assalta o espírito do doutrinador, lapidarmente externada por Washington de Barros Monteiro, pois,
[...] para uns, essa tendência do direito de família, caminhando em direção ao direito público, representa um passo à frente. É uma conquista moderna, um sinal de progresso na ciência jurídica. Para outros, no entanto, constitui um retrocesso. É o retorno ao passado, fazendo com que a família volva ao primitivo ponto de partida, revivendo o status em todo o seu vigor, embora sujeito a restrições, sob a égide do próprio Estado84.
83 GONÇALVES, 2005, v. 6, op. cit., p. 10. 84 MONTEIRO, 2003, v. 2, op. cit., p. 06.
A tutela, com inequívoca ingerência, do legislador em seara privada mostra-se, por ora, imperiosa, no mínimo, para ensejar que, mesmo no recôndito das relações familiares, sejam rigorosamente observados os preceitos que preservam os direitos personalíssimos que, muitas vezes, são postergados pelos integrantes da família.
Correto, entretanto, consignar que, no seio dos entes familiares, com esteio nas normas abstratas que regem todo o ordenamento jurídico, inclusive privado, que a intervenção estatal somente deve ocorrer em casos que, efetivamente, reclamam a ingerência estatal.
Enquanto, e em tese, as normas regentes, direcionadas abstratamente para toda a sociedade, são respeitadas, o Estado não deve interferir nas relações familiares.
Somente quando, concretamente, vê-se ameaçado ou fulminado direito, que ao Estado impõe preservar, até mesmo como indicativo de mantença da paz social, impõe-se ao legislador interferir na esfera privada no direito de família.
Foi essa, sem dúvida, a “men legis” do legislador constituinte de 1988 ao consagrar, na Constituição Federal, abstratamente, ainda que de forma genérica, os preceitos mínimos que se lhe afiguraram imperiosos para a salutar prevalência do direito de família.
É, inclusive, Washington de Barros Monteiro que realça essa circunstância destacando que:
[...] sensível e manifesta a atuação do Estado no campo do direito de família, no sentido de tutelar e resguardar, em qualquer de suas manifestações, o grupo familiar, elemento da própria vida e base fundamental da sociedade. Orientando-se assim, teve o legislador em mira, naturalmente, prudente advertência de Angel Ossorio:
onde há fortes e sadios núcleos familiares, marcham os povos da melhor forma; onde a família se desagrega, tudo soçobra85.
Esse, também, o posicionamento de Sílvio de Salvo Venosa para quem:
[...] no direito de família, a ordem pública prepondera dispondo sobre as relações pessoais dos cônjuges, relações entre pais e filhos, regimes matrimoniais, celebração e dissolução do casamento, etc. Tal se deve ao interesse permanente do Estado no direcionamento da família como sua célula básica, dedicando-lhe proteção especial (artigo 226, caput, da Constituição Federal)86.
A liberdade de escolha, portanto, no direito de família é limitada, ou seja, somente em algumas circunstâncias é facultado ao particular dispor como lhe aprouver.
A essa conclusão, após discorrer acerca da imperatividade das normas regentes do direito de família, chega Sílvio de Salvo Venosa afirmando que “por outro lado, esse ramo também possui normas supletivas que permitem, por exemplo, acordos entre cônjuges na separação a respeito de seu patrimônio, visita e guarda de filhos etc”87.
Predominam, portanto, no direito de família normas de ordem pública que, mais do que direitos, impõe deveres.
A crescente intervenção do Estado no âmbito do direito de família almeja conceder-lhe maior abrangência de modo a, eficazmente, melhor tutelar os direitos de seus integrantes visando preservar, no mínimo, os direitos mais elementares.
85 MONTEIRO, 2003, v. 2, op. cit., p. 06-07. 86
VENOSA, 2006, v. 6, op. cit., p. 11-12. (destaque do autor)
A verdade é que o direito de família versa acerca de direitos da pessoa que constituem atributos da personalidade, ou seja, dispõe naquilo que a pessoa tem de mais relevante.
Após asseverar que o direito de família tende a separar-se do direito civil, desconhecendo se tomará rumo público ou privado, Washington de Barros Monteiro, com extrema clareza e objetividade, conclui que:
[...] o legislador só intervém quando forçado; se ele interfere no direito de família é porque naturalmente percebe, como os jurisconsultos, os moralistas e os sociólogos, a importância da família, acorrendo, pois, em seu auxílio, curvando-se aos novos costumes, a exigirem modificações legislativas. Efetivamente, cada vez mais, torna-se pronunciada a intervenção do Estado nessa parte do direito civil. Nossa legislação não escapa a tal tendência, generalizada e universal88.
Essa normatização publicista, em autêntica ingerência do Estado no direito de família, entretanto, não desloca-o para fora do direito privado porque, segundo Paulo Lobo,
[...] o direito de família todavia não pertence ao direito público, mas ao direito privado: assim, pelo tipo de relações que compreende, relativamente aos aspectos e setores mais reservados e íntimos, mais privado, se assim se pode dizer, da pessoa na comunidade familiar, dizem Alpa e Bessone, para os quais há elementos dificilmente classificáveis na estrutura do direito. “A família, em outras palavras, é uma ilha que o mar do direito pode somente lamber”.
“Portanto, o direito de família é genuinamente privado, pois os sujeitos de suas relações são entes privados, apesar da predominância das normas cogentes ou de ordem pública. Não há qualquer relação de direito público entre marido e mulher, entre companheiros, entre pais e filhos, dos filhos entre si e dos parentes entre si. Não lhe retira essa natureza o fato de ser o ramo do direito civil em que é menor a autonomia privada e em que é marcante a intervenção legislativa. Diz-se que “as situações sociais típicas ou os supostos institucionais do direito civil são, precisamente, a pessoa, a família e o patrimônio”89.
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MONTEIRO, 2003, v. 2, op. cit., p. 06.
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