Afonso foi a última pessoa que entrevistei. Priorizei ouvir aqueles que já estavam na comunidade há mais tempo, antes do local se transformar em um Ponto de Cultura, na tentativa de compreender se o norte tomado pela pesquisa seguia o correto destino. O relato destas pessoas também me possibilitou melhor percepção da função de cada um na trama das manifestações folkcomunicacionais e do processo de empoderamento; assim como o olhar que cada um mantinha sobre um dos seus principais produtores, Afonso, o criador do Método Canavial. A história oral, à medida que os depoimentos foram concedidos, se mostrou como um instrumento complexo e simultaneamente eficiente, vivaz em detalhes, estimulador de novas perspectivas sobre o mesmo assunto. O diálogo com Afonso corrobora esta perspectiva. Foi cerca de uma hora de conversa gravada sobre o tema.
Afonso Oliveira é recifense, nascido em 1969. Reside em João Pessoa, porém trabalha em Recife, na consultoria em políticas culturais e articulação de projetos, numa produtora que leva o seu nome. Em minhas andanças para pesquisa de campo, o encontrei apenas uma vez no Ponto de Cultura Estrela de Ouro, na festa em homenagem aos 40 anos do grupo musical Quinteto Violado, em 2012. Conversei rapidamente com ele naquela oportunidade; o reencontro se deu quase um ano e meio depois, em sua residência.
Muito gentilmente, Afonso me recebeu num sábado à tarde. Foi perceptível que, praticamente até metade da nossa conversa, ele se mostrou um pouco desconfiado – na ausência de outro termo que demonstre este adjetivo de modo mais ameno. Mas não me prendi ao possível significado de tal aparência, segui o roteiro de perguntas levado; executei
155 todas elas e ainda outras. Antes do diálogo, relatei um pouco do tema da dissertação, passando pela ideia que eu tinha de empoderamento social.
Logo à primeira vista, pedi para que Afonso relatasse como ocorreu seu encontro com o Estrela de Ouro. Antes de falar sobre, ele deu continuidade a algo que conversávamos antes – o conceito de empoderamento social a partir do olhar científico e a relação do governo com o termo/processo.
A academia não entende o que é empoderamento social. Eu acho importante a gente fazer uma leve reflexão sobre isso. Primeiro que, muitas vezes, a academia esquece que é governo. Quase sempre. As mais importantes universidades do Brasil são universidades públicas e, sendo assim, ela também é governo. Outra coisa é conceber que a universidade não entenda de empoderamento social, porque ela é a maior realizadora do empoderamento social do mundo. No local da pesquisa, no local do aprendizado, do trabalhar com a cultura, está o empoderamento social. Só que eu também entendo um grupo de maracatu como uma universidade.
No primeiro trecho gravado da entrevista, me deparei com uma visão lúcida (e rica porque simples) do entrelaçar entre termos basilares da minha pesquisa – estudo acadêmico, empoderamento, governo e maracatu. Ao pensarmos obviamente a universidade como centro gravitacional do processo de empoderamento, ao fazermos a correlação do maracatu com a academia, tautologicamente compreendemos que o maracatu também é um centro de saberes pluridisciplinares, uma universidade. A primeira fala de Afonso não deu apenas a tônica do discurso que viria, mas me trouxe já a primeira impressão do perfil que estava por trás de grande parte das transformações culturais da Zona da Mata Norte.
Afonso sublinhou, durante o diálogo, outros dois conceitos essenciais à dissertação: cultura popular e políticas públicas. Sobre o primeiro:
Porque muita gente acha que a escola da cultura popular só acontece porque existe o povo pobre brasileiro. E eu sinceramente, não compactuo desta tese porque eu conheço países riquíssimos que também existe uma cultura popular maravilhosa, a França é um exemplo, os Estados Unidos é um exemplo.
Esta é uma questão, digamos, delicada, porque nem a própria universidade tem consenso; já que a definição de povo está atrelada a posições ideológicas, políticas, econômicas e sociais. O que define o povo, o conceito de “popular” na atualidade?
No momento da entrevista, apenas ouvi a contrariedade conceitual trazida por Afonso – afinal, “ouvir contar” é um dos atributos imprescindíveis à história oral. Porém, como a abordagem do conceito é intrínseca à pesquisa, transcorri sobre no subcapítulo 1.3. Ainda que já sabido, é importante mencionar que o substantivo adjetivado “pobre”, neste
156 sentido, não é pejorativo. Cultura de pobre não é sinônimo de cultura pobre. E cultura popular faz referência à cultura do povo. Falar em cultura do povo é passear pela diversidade, criatividade, espontaneidade. É pensar nas manifestações produzidas pelo povo, saberes e fazeres coletivos, ainda que manuseados pela elite. A folkcomunicação, por sua vez, trata exatamente da cultura popular utilizada como media de classes marginalizadas.
Decerto, como as condições socioeconômicas das sociedades de todos os países do mundo não são idênticas, como em todo país há diferenças políticas, econômicas e sociais em seus territórios, haverá cultura popular em todos eles; na asserção de que todos os segmentos sociais produzem cultura, mesmo aqueles que não estão nos centros de poder.
Por outro lado, é compreensível a caracterização de cultura popular trazida por Afonso. Ele a define como um ciclo, constituído por pessoas de diversas classes a partir da liberdade de criação. Em seu entendimento, no instante em que definimos a cultura popular fora de um ciclo, pertencente a um grupo, estamos criando fronteiras entre os conhecimentos.
Pra mim, cultura popular é cultura feita por pessoas que estão numa liberdade de criação. Simplesmente. E ela pode se expressar a partir da moda, a partir da dança, a partir da medicina, a partir... é uma questão de liberdade de criação, sem as convenções, que são super importantes. A gente sempre está num ciclo, a gente sai de um ciclo de conhecimento popular, vai pra um ciclo convencional, que está na academia, e depois retorna com este ensinamento de volta pra a população. A gente está vendo isto acontecendo agora na Medicina, não é, na indústria cosmética. Onde você pega, se tem o chá que as senhoras e os pajés receitam pra gente, aí vem um médico e organiza isso e diz qual é a medida certa. Aquelas mesmas pessoas tomam o alho em pílula, o guaraná em cápsula, e isso é legal. Agora, a gente precisa entender este ciclo, e até viver este ciclo. Pra gente não criar fronteiras dentro do conhecimento. Quando a gente cria estas fronteiras do conhecimento, aí a coisa acaba ficando meio difícil de construir uma nação.
Ao meu ver, quando a Medicina formal utiliza o guaraná em cápsula, ou melhor, uma receita proveniente de um pajé, ela está justamente se apropriando de um saber da cultura popular. Do saber proveniente de uma classe marginal – compreendendo o termo como “à margem da sociedade”, para utilizá-lo formalmente. Porém, longe da sua origem, da sua comunidade identitária, do seu cenário cultural. Um saber muitas vezes descontextualizado. Talvez a diferença esteja justamente na raiz deste saber, ou em sua semente. Logo, é certo que, a mesma semente pode se disseminar por diversos terrenos, possibilitando outras recriações e aplicações; favorecendo ciclos.
A outra questão frisada por Afonso, políticas públicas como não sendo políticas do Governo, entra em conformidade ao defendido nesta pesquisa. Para ele, política pública é ter “governo, sociedade, imprensa, sociedade civil organizada construindo uma proposta de poder
157 pra um determinado segmento”; e acrescenta que o Maracatu Estrela de Ouro se encontra em um momento como este. Não me alongo em explicação, pois tal asserção já foi bem delineada no capítulo sobre políticas públicas e, como podemos perceber, também tem consonância com o sentido de empoderamento social.
Em seguida, Afonso explicou como foi o seu encontro com o Estrela de Ouro, com confluência ao pensamento de Paulo Freire:
o meu encontro com o Maracatu Estrela de Ouro se deu por este motivo, por uma construção de uma política pública para os grupos de maracatu de Pernambuco bastante articulada, onde envolvia o governo, onde envolvia empresários – e aí eu me coloco nesta categoria de empresário –, onde se envolvia sociedade civil organizada através de associações, ONGs, grupos culturais, onde havia os artistas, onde havia também o interesse da imprensa e de diversos organismos nacionais e internacionais interessados em subverter a lógica naquele momento de uma manifestação tão importante na formação cultural brasileira que estavam nas condições que estavam. A única coisa que aconteceu foi que uma pessoa interessada, um grupo de pessoas interessadas estavam pesquisando esta situação, visitando morros, visitando canaviais, conversando com as pessoas e levando essa situação de precariedade, essa situação de vulnerabilidade pra um plano de produção cultural. Então, é aí que se dá o meu encontro com o Estrela de Ouro e é aí também que se dá a confirmação do que a gente estava conversando quase agora, da importância das pesquisas de Paulo Freire, quando ele diz que...ele vê o empoderamento social como uma coisa antropológica, quando ele parte da análise do empoderamento social a partir do homem, do ser humano.
Foi justamente neste cerne interpretativo de Paulo Freire, do poder emanado pelo homem, do empoderamento como algo antropológico, que Afonso mencionou a presença de Seu José Lourenço – “a gente percebe em Seu Lourenço esta necessidade, esta percepção lógica de que a partir do momento em que ele se articula com as pessoas, com as instituições que estão ao redor dele, que ele pode pensar no empoderamento social dele, do maracatu”. Afonso destina a José Lourenço a chave-mestra responsável pelo empoderamento social da comunidade do Chã de Camará. Neste ínterim, eu reitero que o empoderamento pode ser estimulado por um único indivíduo e direcionado a um grupo; porém o processo de empoderamento é individual e intransferível.
Seu Lourenço foi à procura de Afonso para que o Ponto de Cultura Estrela de Ouro participasse do primeiro edital de Pontos de Cultura. Afonso já estava concebendo projeto para outro grupo, mas como este estava com a documentação irregular, ele aceitou a proposta de Seu Lourenço. Era uma sexta-feira, o encerramento do edital seria na segunda-feira seguinte. Afonso construiu o projeto, que foi aceito. Em 2005, houve a inauguração do PC Estrela de Ouro.
158 O Ponto de Cultura ele é inaugurado em julho de 2005, e a gente tinha uma sensibilidade, que foi muito importante isso com o Maracatu Estrela de Ouro, que era construir, construir, construir e continuar construindo. Isso vem deles, do Mestre Batista que passou, e também vem de mim, da minha escola, da minha casa, da minha vida enquanto pessoa. E o Ponto de Cultura foi mais um projeto que aconteceu na minha vida e na vida do Estrela de Ouro. Mas não é uma coisa que você diga isto é “mais um” projeto. Foi mais um projeto, mas foi “o projeto” onde possibilitou que o Maracatu Estrela de Ouro entrasse novamente, se envolvesse novamente com um processo também bastante revolucionário: que é o Programa Cultura Viva. É com o Ponto de Cultura que o Estrela de Ouro se encontra com dois processos bastante revolucionários na vida da cultura pernambucana: uma é esta política cultural que taí nos livros, que mostra que antes desta política cultural, os maracatus eram bastante desvalorizados e agora tá em novela, recebe cachê de 20 mil, de 30 mil... Quando eu comecei a fazer o Encontro de Maracatus de Nazaré, os maracatus recebiam 700 reais da ProCultura. Esta semana, a gente vai pagar a alguns grupos de maracatu, 13 mil reais. E, do outro lado, um programa, este projeto, né, que teve uma ajuda muito grande do campo da comunicação de Chico Science, no campo da política de Estado de Ariano Suassuna, de Leda Alves, no campo da articulação da sociedade civil de Mestre Salustiano, de Manoelzinho... e no campo da empresa, no campo dos grupos culturais (...). Então o Estrela de Ouro conseguiu se articular nestes dois níveis, o projeto local, de valorização do maracatu, e outro projeto revolucionário de valorização da cultura brasileira que é o Programa Cultura Viva. E aí que novamente a gente percebe que política pública, quando se analisa o Programa Cultura Viva, você percebe claramente que política pública nada tem a ver com política de governo, política de Estado. Uma coisa não tem nada a ver com a outra porque você tem um cantor, um poeta; Gilberto Gil, um poeta TT Catalão, um cara da universidade que é Célio Turino, um metalúrgico que é Lula, um ex-pintor de casa que é Afonso, é uma construção coletiva. Totalmente uma política coletiva de cultura que foi instalada no Brasil e que a gente não sabe onde vai dar isso. Afonso entende o Cultura Viva como uma revolução do modus operandis da cultura, aponta que esta revolução só é possível por conta da constituição de redes. A comunhão de cidadãos comuns, profissionais e grupos culturais, além de outros setores articulados no horizonte de um objetivo comum, novamente foi mencionada por mais um entrevistado. Afonso situou que o sucesso das ações foi, é e será proveniente da articulação, da formação coletiva que impulsiona, em conjunto, as transformações socioculturais. Estas transformações passam, todavia, pela apropriação dos bens de produção, uma ideia também propagada pelo Método Canavial:
E o Método Canavial, ele consiste exatamente em uma comunidade, que é um projeto de produção cultural comunitária e coletiva, no sentido de trabalhar o conceito de que a comunidade precisa ser proprietária dos meios de produção cultural. Se você não é proprietário dos meios de produção cultural, você vai consumir a cultura do outro. Não que isto seja ruim, você pode consumir a cultura do outro, mas é muito importante que você consiga difundir a sua forma de fazer, a sua forma de saber. Porque se a gente não tem a rádio, o que vai tocar é a música do outro lugar. Quando a gente não tem o festival, quem vai se apresentar são os grupos de outro lugar. Quando a gente não tem o estúdio de gravação, quem vai gravar são os outros.
159 A apropriação dos meios de comunicação e de produção cultural encontra consenso nos relatos dos entrevistados. Se você não é proprietário dos meios de produção, terá que trabalhar para os donos destes meios ou submeter-se a eles de alguma maneira. Ou você produz o seu próprio conteúdo, a partir do seu olhar e experiências, ou será conteúdo a partir de olhares alheios. E, embora isto dito, sugerindo uma situação de “ou isso ou aquilo”, não pode ser tratado com cunho maniqueísta; talvez se aproxime da Lógica, pois não há como produzir sem ter acesso ao meio; tampouco difundir sem acesso aos canais de difusão.
Decerto, existe um emaranhado de relações que não são determinadas exclusivamente pela apropriação. Há também relações complexas intrínsecas de mercado e ideologias, um sistema histórico de relações de poder político, econômico, social e cultural. E é exatamente este sistema que precisa ser alterado quando grupos de cultura popular tomam a frente para produzir sua própria imagem de identidade, divulgar uma memória de acordo com a sua memória, mostrar suas manifestações de acordo com os seus interesses. Sim, interesses, porque seria ingênuo pensarmos que não há interesses por trás das produções, e eles são necessários para o foco da transformação. Na fala de Afonso, este pensamento se resume assim:
Empoderamento social só acontece se você for dono dos meios de produção, não tem como! Você está num mundo capitalista. Você está num mundo capitalista. Se você não é dono da escola, se você não é dono do seu estudo, se você não é dono do seu festival – e essa propriedade, ela pode ser uma propriedade coletiva. (...) a gente trabalha com as empresas, todo mundo se agregando. Uma coisa que pra muitos parece abstrato, mas não tem nada de abstrato. A gente não pode trabalhar no campo da tolice. Porque o campo da tolice é o que leva o cara a não ter propriedade. Não ter propriedade é não ter propriedade mesmo. O empoderamento é ter poder. É ter poder de decisão, é ter poder de ter as coisas, é poder ter as coisas, poder ser as coisas, é poder valorizar cada frase, é poder valorizar cada mãozada no pandeiro, mas é também poder valorizar as formas de violência.
Ao questionar sobre que tipo de valorização seria esta relacionada às formas de violência, ele pontuou:
[desvalorizar no sentido] De fazer de conta que não existe. A gente precisa dar valor a isso. É muito ruim quando a gente vê as pessoas de forma muito simples. Falar que a cultura de massa é uma merda, que a cultura só aliena, que o Big Brother não tem nada a ver. Como não tem nada a ver? Como a gente pode ignorar a vontade de milhões de pessoas que estão a fim de ficar na frente da televisão assistindo aquilo? Se você não valorizar isso, se você não der um valor a isso, você jamais vai... você vai estar trabalhando no campo da tolice. Do não gostar por não gostar. Mas o que é bom é só o que eu gosto? O que é bom é só o que eu entendo?
160 Acredito que a assertiva lançada por Afonso não carece de grandes explicações. Ele mostra claramente que o ideal não é colidir com as formas de violências culturais, enfrentá-las como algo impositivo e de mau gosto, mas aceitá-las como influenciáveis e, paralelamente a elas, buscar mecanismos que possam construir outras formas também atraentes, mudando aspectos negativos da nossa cultura. O trecho final do relato de Afonso, embevecido em poesia, sugere exatamente como isto pode ser possível – basta deixar o organismo respirar. Respirar para criar, para ser, para permitir o sangue fluir nas diversas ramificações venosas da cultura; das culturas impregnadas nas pequenas e grandes ações do nosso cotidiano.
O ser humano constrói coisas maravilhosas quando ele deixa o sangue fluir, o pensamento circular, a respiração respirar, é aí que ele se torna uma pessoa que cria algo novo dentro da cultura. Porque senão você torna a cultura uma coisa estanque. “Ah, o maracatu precisa ser preservado.” Não, o maracatu precisa respirar. O maracatu precisa deixar o sangue de Zé Duda pulsar. Porque quando ele está dentro do canavial, só cortando, o sangue dele está batendo e voltando...
Qualquer pessoa pode filosofar, contanto que ela respire. Se ela não respirar, o problema é que... a gente estuda muito o pensamento nas nossas aulas, né. E o problema é que a classe dominante, ela nos ensina a pensar em três coisas fundamentais: trabalho, dinheiro e família. E isto estressa qualquer ser humano. Se a gente não mudar essa lógica de pensamento, a gente não consegue pensar em se apropriar das coisas que a gente precisa pra divulgar nossa cultura. Das coisas que a gente precisa pra mudar aspectos negativos da nossa cultura.
“Qualquer pessoa pode filosofar, contanto que ela respire.” Isto me fez novamente recordar Gramsci, quando afirma que todo indivíduo é um intelectual em potencial, mas nem todos exercem este papel na sociedade. Numa probabilidade despretensiosa, penso que a diferença entre os variados segmentos culturais, e a hegemonia exercida por cada um deles, pode estar no simples fato do indivíduo ou grupo poder – ou não – respirar.
161 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nos materiais publicados pelos seguidores de Beltrão, vê-se a agregação de conhecimentos de outras Ciências Sociais para conceber a colcha metodológica folkcomunicacional. Nesta dissertação, a tentativa não foi diferente. Os fragmentos trazidos como sedimentos alóctones de outras Ciências como a Sociologia e a Antropologia, por exemplo, não tiveram a proposta de desagregar, mas de fortalecer a instância interdisciplinar; algo tão pregado nos discursos teóricos acadêmicos, mas muitas vezes cerceado na prática.
O saber, acredito, não se constitui prioritariamente nos terrenos consistentes das disciplinas fixas; ele também é elaborado nas zonas de interferência entre as regiões disciplinares. Carece pormos em movimento, não deixá-lo estanque; e isto é permitido nos encontros com outros saberes das mais distintas áreas. Ainda há muito a se explorar destes encontros, muito que cultivar e colher. Isto feito, certamente, não sem erosões ou intemperismos no decorrer do caminho – como tem sido desde a origem da teoria da Folkcomunicação por Beltrão até as releituras contemporâneas – mas de modo a continuar na demarcação do território, sedimentando a Folkcomunicação como “rocha firme” no campo das Ciências da Comunicação.
Esta dissertação pretende, humildemente, contribuir com parte da formação deste