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ULUSLARARASI ALANDA AZINLIKLARA İLİŞKİN DÜZENLEMELER

2.1. KLASİK DEVLETLER HUKUKUNDA AZINLIKLAR

Durante o fornecimento de uma dieta redutora do pH ruminal para vacas em lactação (relação volumoso:concentrado de 25:70, mais adição de 5% de óleo de soja), Piperova et al. (2000) observaram que a secreção de gordura no leite reduzia drasticamente (-42,9% em relação ao teor, P<0,001; e -43,3% em relação à produção diária, P<0,001). Numa análise mais detalhada, os autores verificaram que houve comprometimento na atividade das enzimas mamárias Acetil-CoA Carboxilase (-62%, P<0,001), responsável pela conversão do Acetil-CoA a Malonil-CoA (passo 6 da Figura 12); e AGS (-44%, P<0,001), responsável pela utilização do Malonil-CoA na elongação da cadeia carbônica da molécula de AG (passo 7 da Figura 12). Em suas conclusões, os autores sugeriram que AG intermediários, sintetizados durante a BH ruminal parcial, em pH reduzido, em especial o isômero CLA trans-10 cis-12, seria o responsável pela redução das atividades das referidas enzimas.

Essa teoria foi amplamente discutida em diversos experimentos posteriores (Baumgard et al., 2002; Moon et al., 2002; de Veth et al., 2004; Peterson et al., 2004; Yang et al., 2004; Rudolph et al., 2005; Sampath e Ntambi, 2005; Harvatine et al, 2006). Outros estudos a esse respeito sugeriram que outros AG, além do CLA trans-10 cis-12, também seriam capazes de reduzir a lipogênese por meio da inibição da transcrição de enzimas e proteínas. Entre os já identificados inclui-se o CLA trans-9 cis-11 (Perfield et al., 2007).

A síntese de novo de gordura na glândula mamária pode ser regulada nos seguintes momentos: durante a transcrição do DNA para a síntese de RNAm; durante a tradução do RNAm no processo de síntese de enzimas; ou diretamente sobre a atividade enzimática (Baumgard et al., 2002). A regulação da síntese lipídica e o papel dos AGPI nessa regulação têm sido extensivamente estudados em roedores e em culturas celulares, especialmente hepatócitos (Sampath e Ntambi, 2005). Esses modelos animais permitem estudar de forma eficiente o modo como os produtos intermediários da BH ruminal regulam a síntese de gordura. Apesar de fatores diversos interagirem durante a lipogênese nos tecidos, a expressão de enzimas-chave e de proteínas específicas desse processo é regulada por poucos e bem caracterizados “fatores de transcrição”. Os fatores de transcrição são proteínas que se ligam a um local específico da fita de DNA, a fim de controlar a taxa de transcrição (leitura da fita de DNA para formação do RNAm) de determinados genes (Figura 13). Esse controle ocorre no momento do recrutamento das RNA polimerases, que são as enzimas responsáveis pela transcrição da informação genética do DNA para a forma de RNA. Os fatores de transcrição podem agir como estimuladores, inibidores ou bloqueadores desse processo (Lee e Young, 2000).

49 Figura 13. Domínio de ligação DNA-PPAR: interação responsável pela regulação da transcrição do segmento de DNA. Fonte: http://www.rpi.edu/dept/bcbp/molbiochem/MBWeb/mb2/part1/cholesterol.htm

A maior parte dos AGPI, incluindo-se os isômeros de CLA, tem a capacidade de agir em determinados tecidos, ativando alguns fatores de transcrição, conhecidos como PPAR, do inglês Peroxisome Proliferator Activated Receptors. São esses PPAR, na sua forma ativada (coativador 1), que se ligam a genes específicos da fita de DNA, fazendo com que sua transcrição seja regulada positiva ou negativamente (Desvergne e Wahli, 1999).

De forma mais detalhada, o mecanismo de regulação gênica ocorre quando os AG advindos da dieta ou da mobilização das reservas lipídias, se interiorizam nas células e se ligam aos subtipos (α, ou ) correspondentes de PPAR localizados na membrana nuclear. Em seguida, os PPAR na sua forma ativada (coativador 1) se ligam a derivados do ácido retinoico chamados RXR (Retinoid X Receptor), formando um heterodímero que se une a um PPRE no DNA. Os PPREs, do inglês Peroxisome Proliferator Responsive Element, são regiões específicas da fita de DNA, sendo alvos da ação e, consequentemente, da regulação dos PPAR (Figura 14) (Benjamin e Spener, 2009).

Figura 14. Mecanismo de regulação da transcrição gênica mediado por ácidos graxos poli-insaturados originados da dieta ou das reservas adiposas. Adaptado de Benjamin e Spener (2009)

Assim, os AGPI e os isômeros de CLA podem afetar a transcrição de uma grande variedade de genes envolvidos na síntese de enzimas responsáveis pela regulação de diversos processos metabólicos, imunológicos ou inflamatórios (Benjamin e Spener, 2009).

Complexo PPAR-DNA Dieta ou Tecido adiposo Ácido graxo Membrana celular Membrana nuclear Fita de DNA PPRE

50 Dentre as rotas metabólicas reconhecidamente influenciadas pelos AGPI e pelo CLA, incluem-se a síntese das enzimas MEK (Mitogen-activated protein kinase) e ERK (extracellular signal-related kinase), responsáveis pela sinalização autócrina/parácrina para ação das interleucinas-6 e -8 responsáveis pela delipidação (mobilização dos AG) dos adipócitos (Brown et al., 2004). Outras transcrições influenciadas são as responsáveis pela síntese dos HNF-4α (Hepatocyte Nuclear Factor), de alguns receptores hepáticos, e dos fatores transcricionais presentes na glândula mamária conhecidos por SREBP (Sampath e Ntambi, 2005).

Baumgard et al. (2002) propuseram que as proteínas conhecidas por sterol response element-binding protein 1 (SREBP1) teriam papel de destaque entre os reguladores da síntese lipídica. Tal proposição foi baseada na observação das ações regulatórias do metabolismo lipídico, desempenhadas pelo grupo de fatores de transcrição do qual o SREBP1 faz parte. Essa proteína é expressa em duas formas distintas: SREBP1a, envolvida predominantemente na regulação do metabolismo do colesterol, e SREBP1c, responsável pela regulação da síntese de AG em geral.

Moon et al. (2002) observaram, em culturas de células bovinas e de roedores, que a SREBP1c ativada por certos AGPI inibia a transcrição de alguns genes bastante ativos nesse tipo de célula. Segundo os autores, essa inibição desencadeava grande parte das respostas antilipogênicas celulares.

As SREBP1c são intensamente sintetizadas nas células mamárias e estão relacionadas à estimulação da transcrição dos genes relacionados à síntese de enzimas lipogênicas como a AGS e a Lipoproteína Lipase, esta última responsável pelo transporte trans-membrana dos AG e triglicerídeos presentes no plasma (Moon et al., 2002).

Peterson et al. (2004) foram os primeiros pesquisadores a investigar a ativação da SREBP1 nos tecidos bovinos e observaram reduções significativas na concentração dessa proteína durante infusões do CLA trans-10 cis-12 em culturas de células do epitélio mamário. Posteriormente, Harvatine et al. (2006) observaram redução na síntese de proteínas envolvidas na transcrição e ativação das SREBPs no tecido mamário de vacas submetidas à infusão intra-abomasal do CLA trans-10 cis-12 ou recebendo dietas ricas em carboidratos rapidamente fermentáveis.

Rudolph et al. (2005) observaram que a inativação artificial total do gene responsável pela codificação da SREBP1 resultou em decréscimo de 41% (P<0,05) no teor de gordura do leite. Curiosamente, esse decréscimo é semelhante à redução máxima observada em vacas submetidas à síndrome da baixa gordura do leite.

Observações como essas fornecem fortes evidências de que essa proteína tem papel central na regulação da síntese de AG nas células do epitélio mamário dos bovinos.